Análise do inimigo: A Matrix

sábado, agosto 17, 2013

Uma das obras mais inovadoras do cinema e com pitadas distópicas e cyberpunk no enredo tem também um dos inimigos mais temíveis de toda a ficção. E o pior, você nem sequer sabe que está na presença deste inimigo, muito pelo contrário. Você é mantido, junto com bilhões de outros seres humanos, bem do ladinho dele e as poucas manifestações que ele dá de sua existência... você entende como um evento sobrenatural. Será que esse mundo é mesmo real?




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Andy e Lana Wachowski trouxeram um universo que parecia certinho, mas que por alguma razão não era aquilo que parecia. Nada que nós, meros mortais, não tenhamos sentido em algum momento da vida. Esse gancho de estranhamento com a vida é o que leva o personagem principal a questionar o que vê e ouve. O filme traz inovações nos personagens e nos efeitos especiais.

There is no spoon

O Sr. Anderson não sabe o que é, mas seu mundo é estranho. De dia, ele é um respeitável programador em uma também respeitável empresa de software. À noite, é o hacker Neo, negociando com gente de índole duvidosa. Sua vida dupla não é o suficiente para mantê-lo, Neo busca algo mais. E é navegando que ele é encontrado por Morpheus e sai na night, onde é encontrado por Trinity.


Antes que Morpheus pudesse dizer a Neo o que era a Matrix, que tanto procurava, Neo é preso. É quando tem a primeira experiência com algo surreal, fora da realidade, acontecendo. Ele fica sem boca. Ao se encontrar novamente com Trinity, é que vem a prova: ela retira um "inseto" de seu abdômen, utilizando pelos agentes para espioná-lo e segui-lo. É encontrando-se com o famoso Morpheus do mundo hacker que Neo é apresentado às famosas pílulas. Se tomar a azul, ele acorda na cama, de boa e vai voltar à sua vida como se nada tivesse acontecido. Mas a vermelha mostraria a verdade.

Morpheus.

Neo escolhe a vermelha e a verdade desaba sobre sua cabeça quando ele acorda em um tanque gelatinoso, cercado de milhões de outros tanques em algum lugar que ele desconhece. Ao ser desconectado e descartado, ele é resgatado pela tripulação da Nabucodonosor e passar por um tratamento para recuperar o corpo, atrofiado pelos anos de imobilidade num tanque. Só então é informado a respeito da Matrix e do que houve com ele, bem como com todos os outros libertados. Neo aceita até que bem (tirando o vômito).

A raça humana tem combatido as máquinas inteligentes e conscientes, que o próprio ser humano criou no século XXI. Ninguém tem bem certeza da data, mas Morpheus acredita que eles estejam em algum momento do final do século XXII. Na tentativa de desligar as máquinas, o céu foi destruído, poluído permanentemente. Mas para sobreviver, elas descobriram outra fonte inesgotável de energia, uma que elas poderiam controlar e cultivar indefinidamente: a própria humanidade.

Imagina o tubo que retira as excreções... 

Eles controlam os nascimentos, o crescimento e a morte, utilizando o cadáver liquefeito para alimentar os vivos. Todo mundo está conectado à Matrix por um plug cerebral, vivendo em uma simulação da realidade, sem sequer terem ideia disso. Muitos sentem que algo está errado no mundo, mas a maioria vive muito bem na Matrix e não está preparada para o deserto do real, para o mundo frio, sujo e faminto que restou. Tirando a cidade de Zion, a única cidade humana, construída em grandes profundidades por causa do calor do planeta, restam apenas escombros. Quem lidaria com isso tão bem? Poucos.

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Além disso, Morpheus tem fé no escolhido e este escolhido é Neo, aquele que foi profetizado como sendo o libertador do ser humano do domínio das máquinas. Mesmo que Neo seja cru no início, nos filmes seguintes não vemos mais um escolhido inseguro, com medo do papel que tem que desempenhar. Ele apenas não entende seu caminho, mas sabe o que é capaz de fazer para salvar os amigos e Zion. O problema é que nem todo mundo acredita neste misticismo e torcem o nariz para o culto à figura de Neo que surgiu, em especial com os mais jovens.

Neo pode controlar a Matrix.

A Matrix consegue simular tudo. Para tudo existe um programa e tudo funciona muito bem (bem diferente do meu Windows aqui). Do vento balançando as folhas numa árvore aos pombos comendo farelos de pão, que também são programas. As nuvens no céu, o próprio céu, tudo é regido por um programa. Com um sinal pirata, os humanos libertados conseguem se inserir na Matrix, procurando por pessoas aptas a sair da escravidão das máquinas ou tentando sabotar as ações dos agentes. Os eventos esquisitos como aparições de fantasmas, eventos sobrenaturais, são tidos como programas fazendo coisas que não deviam ou correções nos eventos da própria Matrix.

Os programas têm vontade própria em muitos casos e podem se refugiar nos guetos da Matrix ou, como muitos, podem ser eliminados. A impressão que dá é que ela cresceu tanto que não tem mais controle em tudo. Não é à toa que se pode hackear seus programas. Mas é justamente sua grandeza ou sua extensão e sua capacidade de se replicar que a torna poderosa demais para Neo. Sabemos pelo Arquiteto que o escolhido já teve também várias versões, bem como a própria Matrix.

O Arquiteto.

O Arquiteto faz uma revelação bastante interessante ao longo dos dois últimos filmes. Sabemos que ele é um tipo de criador da Matrix e que as outras versões dela não funcionaram. A primeira, um mundo utópico, onde tudo era perfeito, fracassou. Parece que o cérebro humano precisa de uma certa dose de catástrofe para funcionar direito. A versão seguinte, que refletia a cultura e a história da humanidade, não funcionou também. Mas o sábio Oráculo encontrou uma solução, que era a de oferecer no subconsciente do ser humano a escolha. Ele poderia aceitar ou não a Matrix e isso acontece com 99% da população. O 1% é o que ameaça à programação.

O Arquiteto não compreende o ser humano e o livre-arbítrio, já que sua função é analisar e compreender as equações matemáticas da programação da Matrix. As escolhas, a volatilidade do comportamento humano, tudo isso está longe demais da capacidade de entendimento do Arquiteto. E a guerra contra as máquinas permanece indefinida, já que a Matrix precisou fazer um acordo com Neo para eliminar a caralhada de Smiths que surgiram no sistema.

Pontuação

O ponto principal que Matrix nos traz é: o que é real? Podemos observar nosso mundo e de fato acreditar que esta realidade existe? E é isso o que a torna perigosa e talvez um dos inimigos mais difíceis de derrotar. Se ela está ao nosso redor o tempo todo, comandando todas as nossas ações sem que possamos combatê-la diretamente, como atingir seu ponto fraco? Apenas 1% da população não aceita sua programação, o que é pouco diante do tamanho, do potencial e da capacidade de criar máquinas para nos destruir. É muito provável que, com um inimigo destes, a humanidade tenha que aprender a conviver com ela do que tentar derrotá-la, o que acaba acontecendo no último filme. Risco máximo para a Matrix.


O que acha da Matrix? Deixe seu comentário.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris