Análise do inimigo: Os Cylons

sábado, abril 20, 2013

Este é aquele inimigo que a raça humana criou com a melhor (?) das intenções para depois perceber a burrada que fez. Os Cylons foram criados para ajudar a humanidade das Doze Colônias nas tarefas diárias, entregando a eles as funções básicas ou perigosas do dia a dia. Só não imaginavam que um dia eles teriam consciência do trabalho escravo e partiriam para a guerra.




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Acredito que Battlestar Galactica (nova versão) seja uma das melhores séries de ficção científica da história da televisão. Quebrou estereótipos, mostrou um inimigo com fraquezas e mostrou que mesmo entre uma raça beirando a extinção, tem gente tentando levar vantagem em meio à desgraça. E que também existe um inimigo capaz de fazer de tudo para ser como a gente e nos destruir.

Os filhos da humanidade estão voltando para casa
O enredo de BsG é denso e remonta desde a série original nos anos 80. Ela conta a respeito da guerra entre Cylons e Humanos. Os Cylons foram criados por uma raça reptiliana já extinta que deixou os seus robôs por aí. Subtende-se que esta raça também chamada Cylon foi subjugada por sua própria criação.

Primeira versão de Cylons. Série original.

É na nova versão nos anos 2000 que vemos uma mudança no que tange à criação dos Cylons: eles são fruto do engenho humano, que criou robôs inteligentes para auxiliar nas tarefas do dia a dia ou para substituir os homens em tarefas mais perigosas. Estão em todos os lares e substituem soldados nas linhas de frente. Quarenta anos antes - e aí se referindo à série original - humanos e robôs entraram em guerra mas chegaram a um acordo, um armistício antes que ambos se destruíssem mutuamente. Aos Cylons foi dado um planeta para onde se retiraram, uma zona de restrição no espaço foi criada onde um não podia ultrapassar para o lado do outro e uma estação espacial, a estação do armistício foi criada, onde ambos podiam discutir e resolver seus problemas.

Todos os anos, durante 40 anos, os humanos enviaram seus representantes. Os Cylons nunca enviaram ninguém. O que os humanos não sabem, é que eles já estavam infiltrados na sociedade das Doze Colônias, estudando nossas fraquezas e se inteirando a respeito de nossas defesas - como tão brilhantemente fez Caprica 6 - para organizarem um contra-ataque fulminante.

Caprica 6
Imitando o criador. Caprica 6, agente de infiltração.

Os Cylons melhoraram a si próprios e criaram modelos cibernéticos humanos, parecidos conosco em quase tudo. Eles se infiltram na sociedade, interagindo com os humanos, aprendendo o que nos motiva e o que nos causa cobiça, explorando isso ao máximo. Caprica 6 usa a vaidade de Gaius Baltar e com isso tem acesso ao mainframe da defesa e às frequências de comunicação, efetivo, posição da frota, o que deflagra o ataque nuclear a todas as Doze Colônias.

O ataque coordenado conseguiu destruir o quartel-general da frota em Picon e mais trinta battlestars logo na primeira leva de ataques. Bombas nucleares de 50 megatons detonaram sobre as cidades, como Caprica City, causando bilhões de mortes ao mesmo tempo. O Galactica conseguiu se salvar do truque das naves cylons por ser quase totalmente analógica. Os raiders emitiam um sinal pirata que instalava um vírus no sistema das naves que paravam de funcionar e se tornavam alvos fáceis, imóveis, prontos para a destruição. Seus sistemas eram integrados, mas o Galactica não tinha uma rede interna conectada, o que o deixou praticamente imune ao sinal, bem como os Vipers mais antigos que estavam prontos para exibição.

Os modelos humanos só podem ser descobertos com um exame de sangue capaz de identificar os elementos sintéticos em seus organismos. Quando Adama descobre como eles são e o perigo que correm, surge uma tensão na nave, pois afinal, qualquer um poderia ser um cylon infiltrado e ninguém saberia. E de fato, na tripulação do Galactica e na frota que se salvou dos ataques iniciais, existem vários cylons. A radiação emitida na nebulosa onde estava o Ancoradouro Ragnar, local onde o Galactica se rearma e se abastece de mísseis, causou danos a estes elementos sintéticos, e foi assim que eles descobriram sobre os modelos humanos.

cylon raider
Cylon raider. 

Caprica 6 avisa a Baltar que existem 12 modelos cylons, mas durante a série inteira conhecemos apenas 11 deles. O sétimo modelo é um assunto proibido, os Daniels, talvez por ter tido atenção demais dos Criadores, Os Cinco. Para o final da série, o assunto sobre os Cinco, sobre a Terra e sobre a origem de humanos e Cylons se torna meio confusa, e os antigos modelos exibidos na primeira série BsG retornam.

Pontuação
A principal lição que os humanos aprenderam com o Cylons é a respeito da inveja do criador. Os Cylons se tornaram tão obcecados com a guerra e com a destruição daqueles que os criaram e escravizaram, que acabam se tornando humanos em aparência, criam toda uma mitologia sobre serem criações de Deus e partem para o ataque carregado de revanchismo e mágoa por tudo o que lhes aconteceu.

Imaginar que humanos e cylons são em essência a mesma coisa causa profunda ojeriza nos modelos mais radicais, o que causa uma guerra civil interna entre eles. Esse sentimento infantil de ser melhor que o criador faz dos Cylons muito avançados tecnologicamente e extremamente perigosos, como podemos ver na série inteira. Cinco malignos para eles.


O que acha dos Cylons? Deixe seu comentário.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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