Análise do inimigo: Os Mangalores

sábado, maio 25, 2013

Acho que ainda não nasceu (?) uma raça alienígena mais atrapalhada e rude que os Mangalores, do filme O Quinto Elemento, que por algum motivo muito misterioso foi tão mal visto e recebido quando foi lançado. Eu me divirto muito com esse filme ainda hoje, mesmo depois de ter assistido 500 vezes, pois acho uma ficção científica divertida e muito bonita visualmente.

Magalores



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O Quinto Elemento, de Luc Besson, não foi bem recebido quando foi lançado. E assim como muita coisa na ficção científica e no entretenimento, hoje é um filme cult, visualmente marcante (tendo seu design elaborado por ninguém menos que Jean Giraud, ou Moebius), com um enredo bacana e com ótimas atuações. O figurino foi assinado por Jean-Paul Gaultier. O filme conseguiu sair da mesmice ao mostrar uma FC colorida, não o padrão monocromático que geralmente é usado, com alienígenas diferentes e caricatos e utilizando o velho clichê de fim do mundo e do domínio do mal de uma maneira bem original.

Korbeeeeeeeeeeeeeeeeeen Daaaaaaaaaaaaaaaaaaaaallas!


Passe múltiplo!

Os Mangalores são uma raça alienígena humanoide de guerreiros, buscando a supremacia sobre seus inimigos na base da força bruta. Possuem feições grosseiras, não têm cabelos e tem voz forte e profunda, difícil de disfarçar. Costumam atacar e dominar raças menores para saques e escravização, tendo aparecido no enredo do filme ao serem contratados por Jean-Baptiste Emanuel Zorg, que queria as quatro pedras sagradas dos Mandoshowans, cuja missão era salvar o mundo. Literalmente.

A nave dos Mandoshowans é atacada pelos Mangalores quando retorna à Terra em 2214, pois o Mal está para se erguer novamente e somente o Quinto Elemento, aliado aos outros quatro elementos primordiais do universo, podem pará-lo. Com o ataque, os Mangalores conseguem pegar a mala das pedras dos destroços, destroem o Quinto Elemento e levam para Zorg, seguindo o acordo de entregá-las em troca de armas.

Qual não é a surpresa de Zorg ao abrir a mala e perceber que ela está vazia? Entra aí a lógica dos Mangalores:

_ Uma mala com quatro pedras dentro! Não uma, ou duas, nem três, mas quatro! Quatro pedras! O que diabos eu vou fazer com uma mala vazia?!
_ Nós somos guerreiros, não comerciantes.
_ Mas você ainda sabe contar. Olha, é fácil! Veja os meus dedos, quatro pedras, quatro caixas, zero pedras, zero caixas! Empacotem tudo e vamos embora!

Aknot aponta a arma para Zorg e diz:

_ Arriscamos nossas vidas. Acho que merecemos uma compensação.
_ Ahhh. Quer dizer então que agora são comerciantes. Levem uma caixa, pela causa.

Zorg só não falou nada sobre o botão vermelho. 

A principal reclamação de Zorg é justamente o fato de guerreiros não serem sutis nem diplomáticos. Tampouco muito inteligentes, pois assim que sai do galpão e deixam os Mangalores com as armas, eles conseguem explodir tudo em seguida. Essa falta de uma lógica mais óbvia traz muitos prejuízos a eles, pois acabam operando por si próprios na tentativa de reaver as pedras perdidas e assim conseguir o restante das armas, coisa que teria sido muito mais fácil se tivessem aberto a mala logo de cara.

Durante o filme, vemos apenas Mangalores machos, não vemos fêmeas, apesar de eles serem capazes de imitar com perfeição a forma humana, inclusive de uma mulher. Podemos supor que elas não são guerreiras, ou que os Mangalores sejam todos hermafroditas. Mas se estão sob grande tensão, parece que a transmutação não funciona direito, pois na tentativa de se passar por Korben Dallas para embarcar para o Paraíso Phloston, onde estão as pedras, um deles quase se transforma no espaçoporto.

As táticas deles são bem simples. Chegam, atiram em todo mundo, se der fazem uns reféns e acham que assim conseguem o que quiserem. São bem armados, possuindo força física bem superior à humana e sempre lutam com um líder. Tirando o líder, a hierarquia e a ordem deles cai rapidamente. Foi assim que eles invadiram o hotel, disfarçando-se de garçons, para tentar recuperar as pedras perdidas. Apenas não tinham noção que Zorg teve a mesma ideia.

Invasão ao hotel. 

Como buscam ser superiores o tempo todo diante de seus inimigos, eles não veem problemas em entrar em missões potencialmente perigosas, inclusive atacando naves em espaços alheios, o que pode trazer uma guerra que certamente será difícil de lutar. Como estão acostumados a trabalhar como mercenários, os riscos inerentes às missões devem ser bem pagos. Se fossem um tiquinho mais inteligentes, poderiam conseguir qualquer coisa, devido à capacidade de imitar outros humanoides com perfeição e pela força. Mas né?

Pontuação

O que mais dizer dos Mangalores? Uma raça beligerante, agressiva e muito forte, com grandes chances de dobrar seus inimigos, não fosse o fato de serem tapados demais da conta. São mais piratas espaciais trabalhando para quem pague mais e que expliquem bem direitinho os objetivos do que uma raça organizada para a dominação do universo. Tanto são atrapalhados, que fazem parte do plano de destruição de toda a vida conhecida e nem se dão conta. São pouco organizados, sempre trabalham na base da força bruta e ignorância e com isso só se ferram. Não são um inimigo tão temível, apesar de carismáticos. Só dois vilõezinhos para os Mangalores.



Gosta dos Mangalores? Deixe seu comentário.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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