Análise do inimigo: Os Reavers

sábado, março 30, 2013

É uma pena que Firefly tenha sido tão prematuramente cancelada após 14 episódios. Talvez o canal FOX não pudesse imaginar a legião de fãs que se formaria e o status de cult que a série ganhou. O inimigo de hoje é o responsável por tirar o sono do governo da Aliança e da tripulação da nave Serenity, já que são animalescos, hostis e extremamente violentos: os Reavers.




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Firefly foi uma série que saiu um pouco do lugar comum na ficção científica. O visual era muito mais relacionado ao oriente e tinha um ar de western espacial que nenhuma outra série alcançou. Ela não focalizava as batalhas espaciais nem encontros com alienígenas. Neste mundo em 2517, os humanos colonizaram muitos planetas e a série gira em torno das aventuras da tripulação renegada da nave Firefly, em geral de ex-soldados e bandidos do baixo escalão do mundo do crime, que se veem às voltas com contrabando, ora fugindo da Aliança (o governo humano oficial), ora dos Reavers.

Nave Serenity, classe Firefly

A série de TV não explica muito bem de onde vieram os Reavers, já que há muita discórdia a respeito da origem deles. Os próprios tripulantes muito especulam sobre o que teria tornado humanos normais nestas criaturas tão horríveis. O senso comum diz que os Reavers se originaram de humanos que ao chegarem nos confins do espaço e se depararam com a vastidão, a solidão e o imenso silêncio deste ambiente hostil simplesmente enlouqueceram e se voltaram para os seus instintos mais animalescos, deixando qualquer traço de humanidade para trás.

Firefly
Tripulação da nave Serenity.

Os Reavers são canibais, torturadores, estupradores e assassinos. Atacam com violência os comboios, colônias e naves humanas e devoram as pessoas vivas. Eles arrancam as próprias peles e as esticam sobre o casco de suas naves, junto com crânios de vítimas, enquanto decoram os corpos com peças de metal. Sinais de mutilação são frequentes e eles se matam entre si. É fácil distinguir um Reaver de um humano comum desta maneira. No entanto, é também muito difícil conhecer a estrutura social de uma raça tão violenta, mas que consegue viajar pelo espaço (já temos aqui um problema).

Eles não aparentam ter algum tipo de idioma, já que estão constantemente grunhindo e berrando. Porém, são muito bons em montar armadilhas e consertar naves que encontram vagando ou caídas em planetas, o que indica um alto grau de inteligência para ter um pensamento lógico-matemático. Seus ataques se concentram nas colônias mais exteriores, eles parecem preferir um viver em locais mais afastados, em especial em torno do planeta Miranda, pois fica claro durante a série que eles preferem viver no espaço.

Reaver. 

Os humanos têm tanto medo dos Reavers que em alguns episódios da série e no filme Serenity percebe-se que as pessoas preferem se matar a cair nas mãos deles, diante do horror que eles proliferam quando saqueiam colônias. É de domínio público que Reavers não fazem reféns nem deixam sobreviventes e que a morte em geral é sempre muito pior do que se espera normalmente. Em geral, eles estupram as vítimas, arrancam suas peles para usar como roupas e comem o restante. Crânios e corpos são amarrados e acorrentados nas naves e nos locais saqueados, como uma marca registrada.

No entanto, mesmo espalhando todo esse horror para as colônias, o governo da Aliança nega a existência deles, dizendo que são apenas eventos isolados de renegados e bandidos violentos, atribuindo muitas vezes à tripulação da Serenity as mortes causadas. É somente no filme Serenity que temos alguma explicação, pois a primeira e única temporada foi cancelada com apenas 14 episódios. Uma das tripulantes da nave, River Tam, que foi vítima de experimentos por parte de médicos da Aliança, começa a ter visões sobre um planeta chamado Miranda, dentro do espaço dominado pelos Reavers.

River Tam
River Tam.

Após muitos desencontros e situações perigosas, a tripulação camufla a nave para parecer uma nave Reaver e consegue pousar em Miranda, onde encontram uma colônia parada no tempo. As pessoas pararam o que estavam fazendo e simplesmente morreram no mesmo lugar. Não havia sinais de luta, morte traumática, tiros, nada. Foi então que a tripulação descobriu uma gravação holográfica de uma médica da Aliança, onde ela dizia que Miranda foi usada como local de testes do agente G-23 Paxilon Hidroclorado, ou apenas Pax. Ele foi adicionado aos processadores de ar da colônia para acalmar a população de 30 milhões de pessoas e assim tentar suprimir sua agressividade.

O efeito acabou sendo pior do que o imaginado. 99,9% de toda a colônia se tornou letárgica, catatônica, parou de trabalhar, de comer, de beber água, de se mexer e por fim morreu. O 0,1% restante da população deu origem aos Reavers, que tiveram uma reação contrária ao que o Pax pretendia, levando seu comportamento ao extremo da agressividade e beligerância. Antes de enviar a mensagem para pedir socorro, a médica é atacada pelos Reavers. Sabendo que a repercussão do caso seria catastrófica, a Aliança declarou que Miranda não servia para colonização e lacrou todos os dados a respeito.

Pontuação
É muito difícil de imaginar que uma classe de humanos tão violenta, hostil e brutal, mas ao mesmo tempo esperta o suficiente para viajar e viver no espaço, consiga se organizar minimamente para manter uma civilização. Em nenhum momento da série os Reavers mostram possuir tal organização para poder se opor a alguma coisa. Reavers não parecem ter nenhuma motivação, a não ser a violência. Eles causam medo, pavor, estupram, saqueiam, matam e esfolam suas vítimas, mas não constituem uma ameaça mais séria e real para a Aliança e para a humanidade por serem poucos, desorganizados e cuja força se baseia na matança. Não podemos esperar que durem, já que eles podem sucumbir diante da própria agressividade. Eles causam medo e mortes, mas não uma ameaça real contra um governo. Três vilõezinhos para os Reavers.



Já conhecia os Reavers? Deixe seu comentário. Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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