Resenha: As Brigadas Fantasma, de John Scalzi

sexta-feira, outubro 13, 2017

Sou uma grande fã dos livros do Scalzi e quando soube que a Editora Aleph traria a saga de Old Man's War para o Brasil eu comemorei. E devorei Guerra do Velho em um dia. Você encontra aqui no blog as resenhas de Lock In, Old Man's War, Ghost Brigades e The Last Colony, além de Guerra do Velho.



Este livro foi uma cortesia da Editora Aleph


O livro
Os fãs de John Perry terão que esperar mais um pouquinho para revê-lo, pois a ação aqui é com a maravilhosa Jane Sagan, mais precisamente em sua missão de vigiar um determinado soldado das Brigadas Fantasma. Se essa divisão ficou com um ar de mistério no primeiro livro, aqui nós temos uma melhor visão de como eles são feitos, como são treinados e como são perigosas suas missões.


As Brigadas Fantasmas são unidades de infantaria ultra especializada e secreta, chamadas para missões perigosas ou potencialmente suicidas. São especialistas em infiltração e ataques cirúrgicos, quando se é mais necessário discrição do que poder de fogo. Foi para uma missão perigosa que Jane e seu esquadrão foi chamado, onde prenderam um cientista e o forçaram a colaborar com a União Colonial. Uma guerra está se aproximando e os humanos não terão a menor chance.

Sabendo que sem ajuda de dentro os alienígenas nunca conseguiriam superar as Forças Coloniais de Defesa, os generais decidem se arriscar em um plano que tem tudo para dar errado. Sabendo que um cientista forjou sua morte e sumiu, eles resolvem clonar o sujeito e criá-lo como um soldado das Brigada Fantasma. Já que ele deixou uma cópia de sua consciência nos computadores de seu laboratório, eles o inserem no clone. E quando o clone abre os olhos... não lembra de nada.

Assim, a única opção é colocá-lo em ação e ver o que acontece. É função de Jane Sagan ficar de olho no novo soldado, chamado de Jared Dirac. É acompanhando o treinamento de Dirac que conhecemos melhor a forma como as Brigadas Fantasma se comunicam, como trabalham tão bem juntas, a diferença primordial entre eles e os humanos comuns e como são criados com a ideia irrevogável de que devem proteger os seres humanos. Dirac é um ótimo personagem e você logo vê a diferença entre ele e seu clone, o safado do cientista Charles Boutin. A lógica perversa de Boutin pode fazer sentido por 1 segundo, mas logo a gente vê que não passa de megalomania mesmo.

Este livro não tem tanta ação quando o primeiro. Até pelo caráter cirúrgico das missões das Brigadas Fantasma, Scalzi optou por trabalhar com o jogo político e espionagem ao invés de combates. Scalzi deu várias alfinetadas à política protecionista norte-americana e à forma como a União Colonial lida com a Terra ilustra bem isso. Existem algumas cenas mais de ação sim, mas não é o foco do livro. Outra coisa que também se percebe é que há poucas mulheres de destaque no livro e só Jane Sagan tem um bom desenvolvimento na trama. Não sei se foi proposital, para dar destaque à ela, ou se foi mancada dele mesmo.

A tradução do Petê Rissatti está ótima e ele "abrasileirou" várias expressões, deixando o texto fluído e muito gostoso de ler. E a capa é um show a parte. Prefiro as capas brasileiras às capas das edições americanas, pois são belíssimas.

Ficção e realidade
Desde que comecei a ler a saga de Guerra do Velho, fiquei pensando na minha própria velhice e o contraste que Scalzi faz com sua obra. Pois para se alistar e virar um soldado das Forças Coloniais de Defesa, você deve ter 75 anos. Apesar de todos os perigos envolvidos nas missões, acredito que eu me alistaria sem nem pensar duas vezes. Só de pensar em ver o universo, em pisar em outros planetas...

John Scalzi e seu olhar conspirador

Mas, assim como John Perry sofre com a questão moral no primeiro livro, será que eu teria o sangue frio de atirar em outros seres sencientes? Invadir planetas e matar indiscriminadamente? Nesse sentido, Scalzi nos oferece uma crítica contundente ao militarismo. Essa crítica ficará ainda mais acentuada no próximo livro, The Last Colony, ainda sem previsão de lançamento.

(...) Percebe que os soldados das Forças Especiais são escravos? Não têm opção de lutar ou não. Não têm permissão para recusar. Não têm nem mesmo a autorização para saber que a recusa é possível.

Página 208

Pontos positivos
Jane Sagan
Bem escrito
Jared Dirac
Pontos negativos

Poucas mulheres
Pouca ação

Título: Guerra do Velho
Título original: Old Man's War
Série Old Man's War
1. Guerra do Velho
2. Brigadas Fantasma
3. The Last Colony (sem previsão)
Autor: John Scalzi
Tradutor: Petê Rissatti
Editora: Aleph
Ano: 2017
Páginas: 376
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Sou suspeita de falar sobre o livro e sobre Scalzi, porque sou muito fã do estilo dele. Seus livros voam em nossas mãos, mas isso não quer dizer o livro tenha pouco conteúdo, ao contrário, são muito ricos. É a forma como Scalzi conta a história que a faz correr rápido e quando você vê o livro acabou! Por isso, se você curte histórias com diversidade, ação, críticas e soldados verdes, deve ler As Brigadas Fantasma. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Estou adorando Scalzi, que conheci aqui no blog. Esse livro eu comprei na pré-venda, e assim que acordei, já conferi o kindle, pq queria ir pra faculdade já começando a leitura! rsrsrs 1 hora de ônibus passaram rapidinho!
    Esse ano li tb o The collapsing empire, em inglês e no kindle, tb incentivado aqui pela Capitã (dessa vez, pelo skoob)! Eu achei esse livro fantástico, inclusive a inversão que ele faz, de ter só mulheres em papeis de poder. Os homens são só figurante ou "para uso sexual", que foi um tapa bem dado pra mostrar os incômodos que a falta representatividade pode gerar. E a tecnologia do mundo, eu achei demais. Aquele lance de conversar com os antepassados eu achei incrivel!
    Bom, pra mim, o Scalzi supriu o vaziu no meu peito que ficou pelo Asimov. Depois que li sobre os abusos dele, não consegui pegar mais pra ler. E Scalzi é tão ou mais empolgante, então tomara que a Aleph traga mais, apesar de não gostar dessa editora.
    Por fim, só hoje eu ouvi o Holodeck de The Orville (eu tb tenho uma preguiça com essa série...rsrsrs), e fiquei empolgadíssimo e super feliz com a notícia da publicação de seu livro. Parabéns, Capitã! é uma conquista e tanto! Aguardo ansioso o lançamento, visto que eu adoro os seus contos. Até mais!

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