Resenha: A última colônia, de John Scalzi

E chegou o terceiro volume da saga de Guerra do Velho, onde acompanhamos as aventuras de John Perry e Jane Sagan pelo universo. Neste terceiro volume nossos heróis estão aposentados, algo raro entre os soldados das Forças Coloniais de Defesa, cuja mortalidade é bem alta, até mesmo para soldados tão preparados e melhorados quanto estes. Mas o John e Jane terão outro desafio para enfrentar.



Parceria Momentum Saga e
editora Aleph


O livro
John e Jane foram assentados em uma colônia agrária muito pacata, com todos aqueles problemas provincianos de lugares pequenos e de "interior" após deixarem as FCD. Huckleberry é uma colônia da União Colonial, distante da Terra, que permanece isolada e na ignorância sobre o que acontece no espaço fora do Sistema Solar. Já estão lá há quase dez anos, resolvendo problemas referentes a cabras, colheitas e rixas entre irmãos. Eles criam sua filha, Zoe, e tudo parece bem e interiorano demais quando Jane e John, o administrador da colônia, recebem uma visita inesperada.

Resenha: A última colônia, de John Scalzi

A União Colonial não expande suas fronteiras há anos. Sem colonizar novos planetas, não têm como aumentar seus territórios. Se antes as colônias recebiam colonos vindos da Terra, agora as colônias há muito estabelecidas vinham pressionando a administração para que elas pudessem mandar seus próprios colonos. Era possível formar uma colônia ilegal, mas uma vez feito isso, ela estava sozinha, sem defesa alguma. E com a quantidade de alienígenas lá fora que odeiam os humanos, não é algo que a administração esteja disposta a arriscar.

Para impedir a desordem em suas colônias mais antigas, a União Colonial decide criar uma nova colônia em um planeta distante na tentativa de apaziguar os ânimos e assim eles precisam de novos líderes para o assentamento: John e Jane. Muita coisa pesa a favor dos dois, é claro, já que ambos são veteranos, John é administrador da e Jane sua delegada, mas há algo mais nessa história, algo que eles só vão descobrir depois de saltar para o novo planeta: eles estão no lugar errado.

A União Colonial controla todas as viagens de nave no espaço humano. Todas as informações se concentram na União Colonial. Quando se controla a comunicação, pode-se ocultar qualquer coisa.

Página 114

Se nos livros anteriores nós tínhamos a impressão de que a União Colonial era o lado certo (ou o menos equivocado) da história, aqui começamos a perceber que não é bem assim. E claro, por que deveria? Qualquer coisa que o ser humano faça acaba refletindo nossos próprios erros e falhas, então é óbvio que isso aconteceria na UD e nas FCD, cada uma com uma agenda política própria. Foi bem pertinente fazer essa discussão e nota-se que John deve ter se inspirado na política externa de seu próprio país.

Um problema do Scalzi são seus personagens. Concordo com algumas críticas que comentam como eles são rasos ou não têm muita expressão em alguns momentos. Sinto que, em especial no caso de Perry, que tem 88 anos em um corpinho de 30, essa passividade na fala e no jeito de pensar de Perry pode parecer com a experiência que um idoso normalmente teria pelos anos acumulados de experiências. Isso não explica os outros personagens, que não tiveram seus corpos velhos abandonados para se tornarem soldados verdes e depois ganharam um corpo novo em folha. E isso acontece com muita frequência aqui, pois em Encarcerados não senti tanto esse problema.

As capas das edições brasileiras são lindíssimas, mais bonitas do que as capas gringas. Uma coisa que garante a unidade da saga é o fato de o mesmo tradutor, o Petê Rissatti trabalhar nos volumes, garantindo uma tradução de alta qualidade. Praticamente não há problemas de revisão ou tradução no livro.


Ficção e realidade
Gosto de indicar Scalzi para pessoas que nunca se aventuraram antes da ficção científica, pois a narrativa do autor é muito tranquila de se acompanhar. Diferente dos livros clássicos, onde em alguns casos o livro é quase impenetrável para um leitor menos acostumado, os livros do Scalzi são divertidos, acessíveis, com personagens com os quais você se identifica fácil. E a forma como a tecnologia é explicada é palatável, não é complicada, não faz você tropeçar na leitura.

E uma coisa que, pessoalmente, curto muito: sim, a humanidade tem problemas sérios e continuamos fazendo burradas pelo universo a for, mas também conseguimos sobreviver e conquistar o espaço e perseverar. É uma visão que anda em falta hoje em dia, a capacidade de resolver problemas. E o fato de Scalzi colocar o nome da colônia de Roanoke foi bem irônico, já que a colônia original, nos Estados Unidos, desapareceu sem deixar vestígios.

John Scalzi

John Scalzi é um escritor norte-americano de ficção científica e ex-presidente da Science Fiction e Fantasy Writers of America.


Pontos positivos
Space opera
Roanoke
Alienígenas
Pontos negativos

Personagens rasos
Acaba logo!

Título: A última colônia
Título original: The Last Colony
Série Old Man's War
1. Guerra do Velho
2. As brigadas fantasma
3. A última colônia
4. Zoe's Tale
5. The Human Division
6. The End of All Things
Autor: John Scalzi
Tradutor: Petê Rissatti
Editora: Aleph
Ano: 2019
Páginas: 360
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Eu já tinha lido o livro em inglês, mas fazia um tempinho, então foi ótimo revisitar Roanoke e acompanhar nossos heróis nessa jornada. O final é um tanto melancólico e acho que conseguiu fechar bem o arco narrativo de John e Jane. Fiquei bem feliz de ter este livro e toda a saga em português, é mais uma opção para os fãs de FC. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!

MUITO BOM!

Até mais!


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1 Comentário

  1. Pra mim Scalzi é o Asimov da nossa geração, justamente pelos motivos que você deu, além de trazer temas importantes como a igualdade de gênero e racial. E o mais legal é que ele não fica discutindo isso, ele simplesmente mostra como isso é normal e não tem nada demais. Hoje, é meu autor favorito! rsrsrs

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