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  • Dez termos da ficção científica e suas origens
  • O preconceito com a mulher na literatura
  • Por que tem gente que odeia ficção científica?
  • O Efeito Matilda e o patriarcado na ciência
  • Não vamos sobreviver outros dez mil anos
  • Star Trek e o Teste de Bechdel

Resenha: O Pacto, de Joe Hill

Graças a Joe Hill eu voltei a ler terror e gostar do negócio. Sempre tive dificuldades em ler os livros do pai dele (Stephen King para os íntimos), mas a narrativa de Joe Hill é fluída, não tem tropeços e seus personagens são cativantes e detestáveis ao mesmo tempo. São personagens humanos, sem sombra de dúvida, se bem que tem uns que tem chifres, mas enfim, né?





O livro

Ignacius ‘Ig’ Perrish acorda um belo dia, depois de uma baita ressaca, com dois chifres despontando da testa. Sua vida está um inferno há um ano, desde que sua namorada Merrin foi estuprada e morta e ninguém colocou o assassino atrás das grades. Claro que Ig é o principal suspeito, já que na noite da morte de Merrin eles tinham discutido. Depois disso ela não foi mais vista e o álibi de Ig era frágil demais.


Mas Ig não é um cara mau, como muitos podem achar. Ele sempre foi bonzinho, bom filho, bom namorado, bom amigo. Ele só acordou com chifres. Preocupado com o que estava vendo, Ig resolve ir ao médico, mas sua namorada atual parece não notar que ele tem um belo par de chifres saindo da testa. Tanto ela ignora esse fato bizarro como dispara a comer donuts desesperadamente. Se na noite anterior (que Ig nem lembra muito bem) estava tudo bem, como os chifres chegaram ali?

Na sala de espera do médico, as pessoas continuam agindo estranhamente. Elas parecem revelar a Ig seus desejos mais bizarros e sujos. Como a mãe que quer sair correndo e deixar a filha ali, ou a atendente do consultório que manda a mãe carregar a filha para fora. As pessoas simplesmente chegam para Ig, não se importam com seus chifres e desatam a falar absurdos. Nem mesmo quando procura sua família, eles têm coisas gentis para dizer e Ig fica surpreso em como as pessoas podem ser tão desagradáveis.

Daniel Radcliffe é Ig na adaptação.

O livro foi recentemente adaptado para os cinemas com Daniel Radcliffe no papel de Ig. O filme tem algumas coisas adaptadas do livro, mas em geral ele segue bem fiel. Mas é aquela coisa de sempre: o livro sempre é melhor. Daniel Radcliffe tem uma atuação boa (nada maravilhosa ou magistral), mas conseguiu captar o personagem de Ig, enquanto ele transita entre o bem e o mal várias vezes. O livro tem capítulos instigantes e é bem humorado em várias partes, mas se arrasta em outras onde, sinceramente, pulei alguns parágrafos.

Quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mal assim.

Joe Hill, O Pacto.



Ficção e realidade

Não consigo nem imaginar qual seria minha reação no lugar de Ig, vendo dois chifres saindo da testa e tendo que ouvir os segredos mais sórdidos das pessoas, além do que elas acham de verdade de mim. Acredito que o personagem aguentou até que muito bem tudo o que aconteceu com ele, porque ouvir sua mãe dizer que você é um peso e que gostaria que você sumisse não deve ser das coisas mais fáceis que existem. Agora, o que levou o capiroto a fazer esse pacto, e como ele foi feito... isso fica com a imaginação do leitor.


Pontos positivos
Chifres
Segredos bizarros
Personagens bem trabalhados

Pontos negativos
Alguns capítulos arrastados


Título: O Pacto
Título original: Horns
Autor: Joe Hill
Editora: Sextante
Páginas: 320
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Mesmo com os capítulos arrastados e chatos em alguns momentos, o livro é muito bom. Tem passagens toscas e completamente sem noção, tem momento de pura bizarrice intercalados com flashes do passado dos personagens. O enredo não é entregue logo de cara e isso pode incomodar algumas pessoas que não gostem dessa constante volta ao passado. Mesmo assim fica uma recomendação para que você leia O Pacto e descubra com Ig o que aconteceu naquela noite terrível. Quatro aliens para os chifres de Ig.


Até mais!
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5 dicas para blogueiros perdidos

Quando comecei o blog, eu o comecei como uma versão de testes para poder aprender a mexer no blog da escola em que eu trabalhava. Tanto que eu demorei para começar a postar nele porque era só um lugar de experimentação. Depois ele adquiriu um caráter mais permanente e o domínio. Eu apanhei muito, mas muito mesmo do sistema do Blogger até conseguir aprender o mínimo para manter um blog funcionando. Achei que seria interessante colocar algumas dessas coisas num post para ajudar blogueiros que estejam começando ou que queiram ousar um pouco mais.





Algumas dessas dicas eu soltei no Twitter não tem muito tempo. Aprendi tudo o que sei com metablogs e existem ótimos portais por aí como o da Helen Fernanda, Mundo Blogger, Ferramentas Blog e o Gerenciando Blog.


5. Tenha um bom template
Tanto Blogger quanto Wordprees possuem modelos próprios e gratuitos. No caso do Blogger, a customização é maior e não é necessário pagar um servidor próprio para manter seu blog. No entanto, eles ainda apresentam algumas limitações e parecem meio iguais. Desde o começo eu tive problemas com os templates originais do Blogger e parti para a customização. Até que achei o BTemplates, de onde vieram dois dos três templates anteriores do Saga. O template atual foi feito pela lynda Marta Preuss, pois ele é responsivo, ou seja, se adapta às mais variadas telas de diversos dispositivos.


4. Utilize imagens de alta resolução e ocupe todo o espaço do post
Costumo ver em muitos blogs por aí que as imagens dos posts são demais para pouco texto ou então que são muito pequenas. Evite de todas as maneiras utilizar imagens pequenas demais para seu post. Elas ficam pouco nítidas e muitas delas atrapalham a leitura. Costumo procurar por imagens para posts em sites de wallpapers e no deviantART. Especialmente se preciso de imagens de ficção científica. Uma dica valiosa é saber quantos pixels de largura tem sua área de postagem. E isso é na base da tentativa e erro.


A minha área, por exemplo, tem 650px, mas minhas imagens sempre têm 630px de largura máxima porque elas têm uma borda automática. A imagem acima tem 630px exatos. O problema é que o editor de textos do Blogger não deixa a imagem do exato tamanho da minha área de postagem, então sou obrigada a ir para o editor de texto em HTML e lá digitar o tamanho que eu quero. Na verdade, não uso o modo Escrever do blog porque coloquei todas as condicionais que preciso para o texto (justificado, títulos, tamanho da fonte) direto no template. Apenas escrevo no modo HTML e quando ele é publicado sai todo certinho, sempre padronizado. Fica aí uma dica, mas lembre-se que mexer no HTML do template precisa ser feito com muito cuidado.

Personalizando a área do Post – (Parte1)
Personalizando a área do Post – (Parte2)
Personalizar os Titulos dos Posts no Blogger

3. Para edições simples das suas imagens, utilize o Picture Manager ou o PicMonkey
Quem tiver o pacote do Office instalado no computador vai perceber que vem um programinha com ele chamado de Picture Manager. Às vezes as imagens que encontramos são grandes demais, precisam de um recorte e um toque de contraste. Neste caso, não precisa abrir um Photoshop para fazer ajustes que são simples. Este é o programa que uso para tudo quando preciso editar alguma coisa, diminuir, cortar, clarear, girar e inverter.

Mas vamos supor que você queira um toque vintage na imagem ou escrever alguma coisa. De novo, nem precisa abrir Photoshop. O PicMonkey é uma mão na roda na hora de fazer este tipo de ajuste. Ele tem a versão free e a versão paga, mas mesmo no gratuito é possível operar verdadeiros milagres em imagens.


2. Tenha um ritmo de postagens
Por um período bem curto cheguei a postar todos os dias. Mas não aguentei produzir tanto conteúdo e tinha a nítida impressão que o leitor não apreendia tudo o que era apresentado. Conforme os meses foram passando, acabei me ajeitando e me acertando num ritmo que me pareceu bem cômodo, que dá para produzir conteúdo e ainda me deixa respirar. Com dois posts na semana e uma resenha aos sábados, eu consigo não apenas colocar a leitura em dia como consigo trabalhar com os posts.


Ficção científica não é algo que tem um público leitor muito grande, então não adiantava postar todos os dias. Se você se sente bem em produzir conteúdo diário e tem leitores para isso, este é seu ritmo. Se seu tempo é exíguo e precisa de mais tempo, talvez um post semanal seja uma boa. O principal é ter uma rotina para que você não se canse, nem abandone seu blog.


1. Escreva sobre o que você gosta
Não adianta criar um blog de culinária se você só sabe ferver água. Assim como não adianta ter um blog literário se você não gosta de ler. Tenha um blog onde você possa se expressar, onde você possa tratar dos assuntos que gosta e deixe isso bem claro para os leitores para que paraquedistas não cheguem nele achando que é uma coisa e no fim é outra. Trolls ainda existem por aí e eles são um pé no saco.

Lembre-se que seu blog é seu território. Não é obrigação sua receber comentários de ódio, ofensas, gente imbecil, babaca, que não tem uma laje para encher, mas fica criticando o trabalho dos outros. Um blog não é uma democracia, você não foi eleito para presidir um blog, é decisão sua abri-lo e mantê-lo, portanto ele é seu. Não alimente os trolls. Use um lancha-chamas poderoso chamado Moderação de Comentários. E suspenda os comentários se for necessário.


Outras dicas valiosas que já usei ou uso muito:

12 dicas essenciais para escrever artigos com qualidade
Gerador de faixas no canto do blog
Muitos padrões para fundo de blog
Como criar a caixinha com o link do seu blog para copiar e colar
Como dividir o conteúdo em colunas automáticas
Fontes Diferentes para usar no Blogger

Espero que elas sejam úteis. Visite os metablogs indicados, fuce, tenha um blog de testes e faça experimentações. É a melhor maneira de aprender a mexer na ferramenta e assim cuidar bem do seu espaço.

Até mais!
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As mulheres de Interestelar

O novo longa de Christopher Nolan tem causado discussões entre fãs sobre sua ciência, seu enredo, até trilha sonora. Também tem dividido fãs em dois lados bem distintos: uns amaram (como eu), outros odiaram (e em muitos casos porque não entenderam a ciência dele). Eu o achei até bem didático mesmo para quem não entende de buracos negros ou viagens interestelares, mas há um ponto gerando discórdia que é a representatividade feminina do filme.





Sendo bem direta, o filme só tem duas mulheres de destaque e o protagonista é Cooper, personagem de Matthew McConaughey. Tem estereótipos óbvios no filme, como o fato de termos, novamente, sem variar em nada de filmes anteriores, um herói branco, heterossexual, cisgênero. Isso não é novidade na ficção científica, é padrão há muito tempo. Temos duas mulheres com maior importância na trama inteira: uma é a Dra. Amelia Brand (Anne Hathaway), filha de um antigo professor de Cooper, Dr. Brand (Michael Caine), que trabalha para a NASA (ou o que restou dela). A segunda é Murphy, filha de Cooper que, quando o pai parte em missão, tem dez anos e quando adulta é interpreta por Jessica Chasthain.

Essas duas mulheres não se falam durante o longa. Até porque Amelia Brand é adulta quando conhece Murph, que está muito triste com a partida do pai e assim fica com raiva dele durante anos. E como Cooper é quem mais aparece em cena, além do fato de termos apenas um negro e depois todo um elenco masculino branco é sim um entrave para uma maior representatividade. Até comentei no Twitter que adoraria ver Viola Davis no papel de Cooper e que sua filha adulta fosse Lupita Nyong'o.

Murphy criança com o pai.

Mas o fato de um filme não passar no Teste de Bechdel não é sinônimo de que suas mulheres sejam fúteis, fracas e passivas, ao contrário. Interestelar tem um diálogo apenas de Murphy com a cunhada e só também. Alien, o Oitavo Passageiro e Gravidade também não passam no teste, mas suas personagens são foda. Em Interestelar temos uma astronauta (Brand) que deixa para trás a Terra, deixa seu pai, e parte em uma missão que tem muito mais coisa contra do que a favor, enquanto Murphy fica chateada com a partida do pai, mas torna-se cientista - algo que seu pai queria que os dois filhos fossem ou que, pelo menos, fossem para uma universidade.

Leia a resenha de Interestelar.

Costumamos ver na ficção científica mulheres que estão lá como prêmio, enfeite ou objeto de desejo. No caso de Interestelar elas não são isso, um alívio. Um ótimo exemplo de prêmio, enfeite e objeto de desejo em FC é Mikaela de Transformers. Além disso, Brand e Murphy procuram soluções científicas para os problemas que surgem. Murphy recebe dados vitais que podem resolver um sério problema que põe em risco a sobrevivência da raça humana, mas é ela quem refaz toda a equação do Dr. Brand, que antes não funcionava e a resolve.

Murphy.

Brand é uma cientista que não deixa de lado a emoção. É muito comum vermos mulheres cientistas na FC que são frias, racionais, mas Brand não deixa de lado as explosões de raiva ou o sentimento por um amor perdido. Interessante ver que Cooper chora várias vezes durante o filme e não foi criticado. Mas Brand ao extravasar emoções foi logo chamada de "mulherzinha". O mesmo para Murphy, quando dá piti em casa porque não quer que o pai vá para uma missão onde ele pode nunca mais voltar. Você reagiria com frieza e aceitaria na boa a possibilidade de nunca mais ver alguém que ama?

Entendo que o filme peca em não ter uma representatividade maior. Eu mesma gostaria de ver uma mulher como protagonista no filme. Seria interessante inverter toda a situação e colocar dois homens e o restante mulheres. O núcleo da trama é composto por brancos e temos somente um negro. No entanto, as duas mulheres de destaque do filme não são passivas na obra. Elas participam do enredo de forma decisiva e é Cooper que, praticamente, vai ao encontro delas durante o longa.

Dra. Amelia Brand.

Pessoalmente, me identifiquei muito com Murphy. Ela me pareceu a mais humana dos personagens, pois se irritou, se calou, depois se resignou e pensou "bem, agora o que eu devo fazer?". Ela não ficou quieta esperando um resgate. Se não tivesse perseverado no que acreditava, no que sabia ser o certo, a humanidade estava perdida. Com relação à Brand, ela não se sacrificou para que o personagem masculino chegasse ao seu objetivo, foi exatamente o oposto. Os sentimentos dela e a missão estavam em primeiro lugar.

Não é um filme perfeito do ponto de vista de diversidade e representatividade, mas Interestelar trouxe mulheres que não se acomodaram e que puseram a mão na massa. Quantas personagens assim costumamos ter nos grandes lançamentos do cinema e nos filmes de exploração espacial que não sejam fúteis e caricatas? Pois é. Acho que, pelo menos, nesse sentido, podemos nos identificar com Brand e Murphy.

Até mais!



A Giza, em seu blog, também escreveu um texto muito bom sobre Interestelar!
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Guest post: WildStar acerta onde a Blizzard errou

A queridíssima Jules, no Twitter, me falou do WildStar, jogo que não conhecia e ainda não joguei. Mas ele me pareceu muito mais democrático que muitos jogos online. Eu parei com jogos assim depois de muita encheção de saco da parte dos jogadores homens, mas pedi que a Jules dissesse, em um guest post, o que o faz diferente de outros games do gênero, como o famoso World of Warcraft e o resultado é o guest post abaixo!





Este é um guest post escrito pela Jules, nerd, jogadora de WoW, Diablo, WildStar e Clash of Clans, feminista, apaixonada por ciência, fotografia, música e quadrinhos.


Criado pela pequena Carbine, o jogo WildStar parece uma mistura de desenho animado com o filme Star Wars. O jogo que traz duas facções que se enfrentam ao tentar colonizar o planeta Nexus, promete ser o melhor em vários aspectos que foram ignorados durante muito tempo em jogos de RPG online. Apesar de focado no jogador Hardcore o jogo promete ser uma experiência única para os novatos. Inspirado nos jogos asiáticos, o jogo WildStar traz classes e subclasses, além das já tão conhecidas profissões.

WildStar

Mas as novidades não param por aí, além das diferenças nas classes a surpresa também se dá nas raças que se espalham pelas duas facções do jogo. Diferente de jogos como o World of Warcraft, o gigante do gênero da famosa Blizzard, e até um pouco parecido com Guild Wars, você pode escolher entre uma aparência base para seu personagem e alterá-la nos mínimos detalhes. Desde a cor do cabelo até o formato do rosto e olhos e também as formas do corpo e cor da pele.

Trazendo uma forte diferenciação para a criação do personagem dando possibilidades de criar personagens com sobrepeso, negros, brancos, magros ou da forma que você assim desejar, além da tradicional opção entre sexo masculino e feminino. Além dessas já conhecidas diferenças o jogo contém mini games que possibilitam outras atividades como a construção de uma casa e administração da mesma, num lote recebido por conta de uma empresa criada apenas para funcionar dentro do jogo, da mesma forma que a empresa Acme funcionava nos antigos desenhos dos Looney Tunes, a Protostar.


A empresa Carbine que recentemente uniu os servidores do jogo desmentiu que a quantidade de adeptos fosse menor do que desejada dizendo que, ao contrário, a quantidade de jogadores logo na primeira semana já era muito maior do que a esperada, o que possibilitou à empresa a junção de servidores para um melhor aproveitamento dos players de funções como a auction house. O jogo também traz, de forma muito inteligente, a possibilidade de se injetar dinheiro físico no universo virtual através da compra de créditos que podem ser trocados dentro do jogo pela moeda do próprio jogo em troca de tempo online.

Tornando assim todas as possibilidades equivalentes para jogadores que se dedicam mais ao jogo por mais tempo e aqueles que não tem essa disponibilidade. O jogo é uma garantia de boas risadas devido ao alto conteúdo que se assemelha em muito aos desenhos animados mas também garante todo o elemento aventura necessário para os jogos do gênero. E pela primeira vez trata o assunto diversidade com respeito trazendo elementos que o tornam atraente para o público feminino e masculino. Vale a pena conhecer. WildStar é pago, mas tem trinta dias grátis para você avaliar se compra o pacote padrão ou o deluxe.



Gostou? Então compartilhe e aproveite o jogo! Até mais!
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Resenha: Jogos Vorazes - A Esperança, Parte 1 (2014)

E hoje foi a estreia mundial de Jogos Vorazes - A Esperança, Parte 1! Não sou muito fã de livros partidos em dois, porém diante da complexidade de eventos que ocorre no último livro da trilogia, eu até entendo o porque da divisão. Sim, ele estreou, primeiramente, no Brasil, o rei da pirataria na internet e estreia nos Estados Unidos no dia 21! Este não é um filminho de romance adolescente. É um filme violento, tenso, uma revolta contra um poder opressor.




Leia também: Jogos Vorazes - Em Chamas (2014)

O filme

Katniss luta contra a loucura. Ela tenta se manter sã enquanto está no Distrito 13, o distrito que tinha sido, supostamente, destruído pela Capital décadas atrás. Separada de Peeta, de Johanna, ela luta para manter a sanidade naquele lugar fechado e claustrofóbico que é o bunker do Distrito 13. Sua irmã Prim, sua mãe e Gale estão a salvo, mas ela não entende o que querem dela, nem o que está acontecendo lá fora. Quando a presidente Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymor Hoffman) tentam fazer dela o símbolo da rebelião, o tordo que todos devem seguir, ela se recusa.

Vocês deveriam ter resgatado Peeta!

Katniss


Só quando ela vê a destruição do Distrito 12, seu antigo lar, quando vê os esqueletos calcinados nas ruas, quando se vê pisando em crânios (cena muito forte) é que ela, finalmente, compreende a desgraça que se abateu sobre a vida de todos. De volta ao Distrito 13, com Buttercup e algumas coisas de sua casa, é Prim quem abre seus olhos. Katniss é o Tordo. O que ela quiser, as pessoas vão fazer. Katniss então dá um ultimato à presidente Coin: se ela não resgatar Peeta Mellark, Johanna Mason e Annie Cresta das mãos da Capital na primeira oportunidade, é bom ela começar a procurar por um novo Tordo.

A partir daí começa a campanha que o 13 quer, de Katniss ser um símbolo que una os Distritos contra o poder da Capital que usa Peeta como propaganda e como uma maneira de atingir Katniss. O presidente Snow sabe que ela se importa mais com a vida dele do que com sua própria e explora isso ao máximo. Vemos o quanto aquilo está custando a Peeta ao ver sua fisionomia mudar de uma entrevista a outra. A Capital está destruindo Peeta e todos os outros.

Enquanto isso, o presidente Snow decreta que todos aqueles que estiverem sequer portando o símbolo do tordo serão condenados à morte por traição. As execuções em praça pública aumentam (mais cenas tensas). A população é governada pelo terror, mas a presença de Katniss nas telas os enche de esperanças e eles começam a se organizar contra a Capital. Estão se sacrificando pela revolução. Mas isso tem um custo. A Capital bombardeia um hospital repleto de feridos, homens, mulheres e crianças, do Distrito 8.


Esqueça os espetáculo colorido que eram as apresentações para os Jogos nos outros dois filmes. Esqueça o glamour das roupas e o colorido dos cenários e de Caesar Flickerman. O Distrito 13 é um lugar de provação e onde tudo é contado, já que eles trabalham no limite. Por viverem isolados em um bunker é fácil propagar doenças em um ambiente desses, o que fez com que o complexo perdesse todas as suas crianças. Cinza é a cor dominante em tudo. Katniss está mais amarga, triste e irada do que antes. Ela nunca quis que a situação chegasse onde chegou, mas agora não tem mais como não lutar.

O filme intercala momentos parados e tensos com momentos de ação. Isso pode incomodar algumas pessoas que estejam esperando um filme mais intenso, mas estes momentos mais parados são necessários. Pense nisso como a calmaria antes da tormenta, pois a parte 2 será ainda mais tensa, mais explosiva e intensa do que este filme. Finnick Odair se mostra profundamente perturbado e sensível a tudo o que está acontecendo, vemos os tributos, os heróis de Panem, quebrados e feridos. A própria presidente Coin diz para Plutarch:

Os jogos destruíram Katniss.

Presidente Coin

Ficção e realidade

Jogos Vorazes é visto com um torcer de narizes por boa parte do público mais velho e fã de ficção científica. O Efeito Crepúsculo acabou baixando um padrão negativo sobre todas as obras de YA (young adult) que se seguiram. Elas acabam estigmatizadas antes mesmo de serem lidas e conhecidas. Esqueçam Crepúsculo, minha gente, Jogos Vorazes é uma obra com um conteúdo muito pesado e que remete a várias reflexões da parte dos adolescentes. Se os personagens fossem todos adultos, essa galera não sentiria diferença alguma.


Temos vários estereótipos quebrados na trilogia, como um núcleo predominantemente feminino (Katniss, mãe e Prim), e uma heroína que não quer os refletores, ela quer apenas poder alimentar sua família. A violência e os conflitos em JV são maiores que aqueles de 1984, por exemplo. E se muita gente tem medo de "romancezinho" no filme, a própria Katniss já explicou que não tem tempo de pensar nisso. Elas apenas quer proteger as pessoas que ama e quer que a Capital caia.

É um cenário bem ao contrário de outros livros de YA onde a moça coloca todo mundo em perigo por causa de um boy. Jogos Vorazes não tem isso, pois a obra trata da indústria do espetáculo, de um poder opressor e da luta pela liberdade e pela democracia.


Pontos positivos
Ótimos efeitos especiais
Cenários caóticos
Katniss

Pontos negativos
Momentos lentos




Título: Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1
Título original: Mockinjay
Direção: Francis Lawrence
Duração: 125 minutos
Ano de Lançamento: 2014
Onde ver? estreou no Brasil em 19 de novembro de 2014.


Avaliação do MS?

O filme é obrigatório para todos os fãs de Jogos Vorazes. Marca uma nova fase de Katniss e dos outros tributos, uma nova fase na luta contra o poder da Capital, um momento mais perigoso do que os anteriores. Os Jogos Vorazes foram feitos para manter a população acomodada, quieta em seu canto, mas os tributos vão mostrar que eles podem se levantar contra o massacre e a favor da liberdade. Vá ao cinema correndo!


Até mais!

Você sobrevive à arena, mas quando sai vira um escravo.

Finnick Odair


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