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  • A briga entre ficção científica e fantasia

Fim da civilização: A questão populacional

A civilização, tal como conhecemos, seja ocidental, industrial ou whatever, vai acabar um dia. Todas, antes da nossa, cujos legados ainda estão entre nós, também ruíram em algum momento, por alguma razão. E é bem provável que o colapso tenha acontecido por um ou uma conjunção de fatores. Hoje o papo é sobre população e o excesso dela.





A população humana cresce, em média, 1,2% ao ano. Parece pouco, mas isso equivale a 81 milhões de novos habitantes nascendo todos os anos, que vão precisar de comida, abrigo, educação, água, energia, emprego, etc., etc.. Nossos números pularam de 1 bilhão em 1800, para 7 bilhões em 2012, com expectativa de 11 bilhões até o final deste século. No entanto, este crescimento não é distribuído igualmente entre as nações. Enquanto existem países com crescimento negativo, em outros, a população está transbordando. E o excesso de gente em uma determinada porção do espaço acaba com os recursos desta porção rapidamente.

Os países mais pobres são os que apresentam as maiores taxas de crescimento e isso abre uma série de preconceitos vomitados por darwinistas sociais, que alegam que estas populações devem ser aquelas com políticas mais restritivas de nascimento, como pregou Thomas Malthus. Mas em muitos destes países, como Índia, China, existe déficit de mulheres já que, por preferência pelo sexo masculino, muitas meninas nem nascem. Então, além de haver um crescimento populacional em países, ele é desigual no que se refere também a gênero em vários deles.

Crescimento populacional, em bilhões, desde 10 mil a.C..

Alguns já elaboraram políticas de controle de natalidade para impedir a super população. Vários países como Brasil e Filipinas distribuem pílulas e camisinhas e possuem centros de planejamento familiar em grandes hospitais. Porém, para muita gente, controlar os nascimentos deveria ser algo decidido no âmbito familiar e/ou pessoal, pois o governo não deveria ter que legislar ou controlar os corpos de seus cidadãos. Para países que seguem regras religiosas bem restritas, apenas a abstinência sexual deve ser usada como controle de natalidade, o resto é tudo pecado.

Assim diz nossa Constituição Federal de 1988, 7º do artigo 226:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

No entanto, se analisarmos bem, o governo já controla nossos corpos, de uma maneira ou de outra. Você não pode legalmente cometer suicídio, nem injetar heroína nas veias, nem consumir maconha. Algumas pessoas foram consideradas inaptas para dar aulas no estado de SP por serem obesas. Recentemente uma mulher passou por uma cesariana, contra sua vontade, por decisão judicial. E se formos mais adiante, se as Forças Armadas precisarem, em tempos de guerra, ela pode pegar qualquer um de nós, pôr num uniforme e mandar para o front. Como fica a questão do controle de natalidade agora? Até que ponto devemos orientar e interferir? Tem gente que não concorda com nenhuma medida de controle.

A questão é que o excesso de população exaure os recursos naturais de um determinado local ou país. A pressão por recursos pode causar alterações regionais no meio ambiente, na drenagem de rios, no empobrecimento do solo devido à agricultura intensiva, liberação de CO2 e metano na atmosfera (dois gases de efeito estufa). Imagine se toda a população mundial consumisse pelos padrões estabelecidos por Estados Unidos e Comunidade Europeia? Imagine cada cidadão do mundo dirigindo um veículo? Não haveria petróleo suficiente para abastecer essa frota. E mesmo que tivesse, a emissão de poluentes agravaria qualidade do ar, regime de chuvas e uma série de outros indicadores ambientais. Nos Estados Unidos, o consumo de carne é 3 vezes maior que a média mundial. E teríamos que quintuplicar a produção de energia. Sem contar a produção de alimentos, que teria que duplicar, mas o planeta não tem terras aráveis suficientes. Seria uma catástrofe.


Para não acabarmos de vez com o planeta - e por consequência com a civilização - precisaríamos, acima de tudo, modificar os padrões de consumo. Mas na real, quem gostaria de reduzir seu consumo de gadgets, energia ou apertar os cintos para economizar água nos dias de hoje? Poucos, certo? Estima-se que já extrapolamos além da conta os recursos naturais do planeta, sendo que somente 1/4 da população mundial é responsável por este super consumo. Quantos estão pagando a conta para alguém comprar um tablet ou um smartphone? Nós vimos em Elysium o que a elite fez para manter seu nível de vida quando a Terra ficou superpopulosa: construíram uma Alphaville espacial e se mudaram para lá.

A melhoria nas tecnologias de produção de energia, de produção de alimentos, de industrialização poderiam fornecer os recursos necessários para manter a população mundial existente com um padrão de vida digno, no entanto o planeta leva um ano e meio para repor os recursos que consumimos em doze meses. Uma redução de consumo seria a melhor maneira de impedir um gargalo que vai sacrificar muita gente por falta das necessidades mais básicas e que pode derrubar uma civilização. O custo humano dos padrões de hoje é inaceitável. E parece que são poucos aqueles dispostos a mudar alguma coisa.



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Uma nova Terra?

A descoberta de um planeta que, ao que tudo indica, é extremamente semelhante à Terra alvoroçou a internet e a mídia na semana passada. Kepler-186f, como foi chamado, está a "apenas" 490 anos-luz de distância de nós, mas já suscita uma série de indagações por parte de cientistas, entusiastas, criaciochatos e malas de plantão. Tem água líquida mesmo? Como será a vida neste lugar? Tem wifi grátis? O que essa descoberta muda de fato para todos nós?





O sistema onde este planeta se encontra é governado pela estrela Kepler-186, que está a 490 anos-luz da Terra, uma anã-vermelha. O planeta tem 1,1 vez o tamanho do nosso planeta e se encontra numa faixa habitável da estrela que é mais fria que o nosso Sol. As estimativas é que ele seja o quinto corpo planetário a partir de sua estrela e que leve 129,9 dias para completar uma órbita (nós levamos 365 dias e 1/4 para isso).

Concepção artística do Kepler 186f. 

O fato de estar em uma faixa habitável implica em água líquida na superfície devido às temperaturas amenas. E sabemos que a presença de água em estado líquido é um grande indicador de condições de sustentar vida. E vida pode ser desde uma bactéria até vida inteligente. Se olharmos para a diversidade de vida em nosso planeta, podemos ter uma noção de como o universo inteiro deve pulsar de vida por aí. Só a Terra tem entre 5 a 10 milhões de espécies de insetos, a maior e mais bem-sucedida classe (Insecta) do reino animal.

Giordano Bruno (1548-1600) foi acusado de heresia por defender a tese do universo infinito, em que haveria inúmeras estrelas como o nosso Sol, rodeada por planetas como a Terra e que haveria vida neles, inclusive inteligente. Enquanto a ficção científica mostrava uma infinitude de mundos diferentes em seus enredos já há um bom tempo, não foi antes de 1989 que os primeiros exoplanetas foram anunciados. A descoberta gerou controvérsia quando os dados foram revisados em 1992 alegando que não se tratavam de planetas, porém dois anos depois a descoberta foi confirmada. Nosso sistema solar não era mais o único.

Desde então, o número não para de crescer. Em março de 2014 já contávamos com 1779 exoplanetas descobertos, mas a maioria são do tipo Júpiter, inclusive maiores do que o nosso gigante. Outros aparentam ser rochosos, no entanto sendo hostis demais para sustentar vida. Ou muito frios ou muito quentes. Kepler 186f está no lugar ideal para que a vida possa surgir apesar de sua estrela ser mais fria que nosso Sol. Ele pode não ser um irmão gêmeo, mas pode ser um primo. Ele está a 52.4 milhões de quilômetros de Kepler 186, enquanto nós estamos a 150 milhões do nosso Sol.

Nosso sistema solar e o de Kepler 186, com suas respectivas zonas habitáveis. Arte da NASA/JPL-Caltech/SETI Institute. 

Mesmo sendo ligeiramente maior, as implicações sobre a descoberta são imensas. De acordo com modelos teóricos, planetas com um raio 1,5 vez inferior ao da Terra não conseguem formar atmosfera. Mas quando o raio é entre 1,5 e 2 vezes o do raio da Terra, os planetas são grandes o suficiente para acumular uma atmosfera espessa de hidrogênio e hélio. E tudo indica que ele seja rochoso devido ao seu tamanho. Ou seja, faz som de pato, tem pegada de pato, tem pena de pato, só pode ser um pato.

Aí você pode pensar "mas 490 anos-luz é longe demais!". Sem dúvida que é. E não temos tecnologia nem dinheiro para mandar uma missão permanente para Marte, o que dirá para outro sistema estelar. Apenas não podemos descartar a importância da descoberta só porque ele está distante. Planetas capazes de sustentar vida são um indício claro que planetas semelhantes à Terra estão por aí e com a tecnologia se tornando cada vez mais precisa é mera questão de tempo até encontrarmos vida nestes lugares. Já vimos aqui mesmo que em locais extremos e hostis da Terra temos vida por lá. O que impede que Kepler 186f também não tenha? Em que pé estaria a evolução da vida nele?


Temos que parar com esse reducionismo. Nossa geração, e muitas gerações futuras nascerão e morrerão neste planeta. Só porque um planeta possivelmente habitável foi descoberto não quer dizer que vamos mudar para ele amanhã nem que devemos descartar o nosso. Se bem que a raça humana vive e consome a Terra como se tivesse outra nova em folha nos esperando. Saber que podem existir bilhões de planetas semelhantes ao nosso pode abrir as portas para a colonização no futuro, quem sabe até contato com outras formas de vida, expandir nosso conhecimento e reduzir nosso egocentrismo, mas descartar uma descoberta tão importante é burrice.

Que venham mais planetas, é pouco ainda se compararmos com o tamanho de todo o universo.



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Resenha: Expresso do Amanhã (2013)

Este filme foi uma indicação do Denis Nascimento, leitor do blog, pela rede do Filmow, uma rede de filmes e séries de TV. É uma ficção científica, uma distopia, em um planeta Terra inteiramente coberto de gelo. Ele também mostra o pior lado do ser humano quando a questão é a sobrevivência.





O filme

Em julho de 2014, o mundo está animado. Enquanto ambientalistas protestam, a comunidade científica está otimista com os resultados preliminares dos testes do CW-7, uma substância refrigerante artificial, que poria um fim ao aquecimento global e traria a normalidade para o clima do planeta. Desta forma, 79 países dispersariam, por meio de aviões, em alta atmosfera, o composto químico que diminuiria a temperatura global para níveis aceitáveis. Seria o fim de anos de problemas.


Como era de se esperar, o experimento deu errado. O composto baixou tanto a temperatura que jogou a Terra em uma nova era do gelo. As pessoas congelaram em seus carros, em casa, no trabalho. Imensas camadas de neve cobriram as cidades, a vida animal e vegetal praticamente se extinguiu. O que restou da humanidade embarcou em um trem de percurso global antes do total congelamento e que funcionou como uma arca. No entanto, as pessoas relegadas ao vagão final vivem em condições sub-humanas, com pouca comida, pouca água, pouco conforto, enquanto os vagões da frente vivem no bem-bom.

Expresso do Amanhã é baseado na graphic novel Le Transperceneige. A estreia dele foi adiada várias vezes devido à compra dos direitos pela norte-americana Weinstein Company que fez várias mudanças na montagem original. Entretanto, o filme é uma das boas surpresas do ano ao recontar o mito da arca, enquanto segmenta a sociedade e sua divisão de classes em um trem em rota perpétua pelo planeta. Ele precisa se manter em movimento para não congelar assim como o resto do planeta. O trem, construído pela Wilford Company é um ecossistema que vem se mantendo por 17 anos depois do congelamento. A Máquina, como ficou conhecido o primeiro vagão, acabou ganhando um ar mítico ao longo dos anos e a figura do próprio Wilford quase uma lenda.

Curtis.

Mas quem vive no último vagão está insatisfeito. Eles vivem em condições degradantes enquanto os vagões da frente possuem todos os confortos. E fica claro enquanto você assiste que cada um ali dentro tem sua função e seu lugar e isso não deve ser mudado para não alterar a ordem da sociedade. Lembra um pouco Admirável Mundo Novo, com seus Alfas, Betas, Gamas e Deltas e a imobilidade de sua sociedade. Obviamente que isso irrita e surge uma revolução, liderada por Curtis, interpretado por Cris Evans (Quarteto Fantástico, Capitão América).

O filme é original, bem feito e claustrofóbico. Num primeiro momento o filme é escuro, de poucas cores, sujo, enquanto as partes nobres do trem são repletas de cor, comida, festas e bebidas. Esta é uma obra sobre sobrevivência e sobre a sociedade, algo que contraria o sonho americano de ascensão social. Você é forçado a ficar numa classe - ou vagão - e não pode sair dela, porque alguém decidiu que seu lugar é ali. O problema disso são os abusos das classes mais altas - ou dos vagões da frente e nisso o filme é genial em mostrar.


Ele não é perfeito, porém. Em vários momentos há uma parada na intensa narrativa que se segue, alguns atos bem questionáveis se seguem, inclusive com mortes desnecessárias. Do jeito que a coisa foi eu pensei que a raça humana se extinguiria ali mesmo nas lutas que acontecem nos vagões quando a revolução começa. Se a ideia era salvar a raça humana, isso me pareceu meio forçado.

Ficção e realidade

Atualmente, uma das maiores preocupações mundiais, além da crise, é com o meio ambiente. No entanto, basta ver os níveis de consumo para notar que pouco tem sido feito a respeito. Sou sincera em admitir, não me preocupo com a situação do planeta. Antes que você me taque pedras, o motivo para isso é bem simples: ele já passou por situações ainda piores do que a que temos agora e conseguiu passar por elas. A natureza regula a si própria e tem seus meios para regular os excessos em seu sistema. A preocupação atual deveria ser em como sobreviver às mudanças climáticas, pois elas já estão aí, causando prejuízos em vidas humanas, animais e financeiros. O planeta vai sair dessa, mas nós não. Podemos não acabar em um trem de rota perpétua pelo planeta, mas certamente teremos anos de penúria à frente. Você está preparado para isso? Seus filhos e netos estarão?

Pontos positivos
Ótima metáfora sobre sobrevivência
Distopia original
Reflexões sobre a sociedade
Pontos negativos

Devagar em alguns pontos
Final óbvio


Título: Expresso do Amanhã
Título original: Snowpiercer
Direção: Joon-ho Bong
Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento: 2013
Onde ver? previsão de estreia nos cinemas para abril de 2014.

Avaliação do MS?

Para assistir o Expresso do Amanhã, encare como uma distopia social. Esqueça o ambiente externo. Não que ele não seja importante, afinal foi a mudança ambiental que levou às pessoas para o trem. Para os olhares menos atentos, o filme pode não parecer grande coisa, mas se você souber enxergar a sociedade esticada e acomodada em um trem, perceberá muitas semelhanças com a sociedade atual e com os problemas atuais que muita gente precisa enfrentar. Vi muitas opiniões divididas sobre o filme, mas afirmo que vale à pena ver, apesar de não ser um filme para todos. Quatro aliens para o trem.


Até mais!
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As mulheres de Stargate - Parte 2

Stargate é uma franquia de sucesso, com filmes, séries, e milhões de dólares em produtos licenciados. Mas o mais marcante de tudo isso são suas mulheres. Dificilmente parecidas, cada uma com seus infernos particulares para enfrentar, elas são uma boa amostra de personagens reais em séries de ficção científica. Elas oscilam por caminhos perigosos, erram, precisam enfrentar inimigos alienígenas e ainda tentar levar uma vida pessoal.





No primeiro post, eu tratei apenas da série Stargate SG-1, por se tratar do maior spin off, com dez temporadas. Então, nesta segunda parte, serão mulheres dos outros dois spin offs menores, Stargate Atlantis e Stargate Universe.


STARGATE ATLANTIS

Elizabeth Weir

Esta série é interessante para quem curte o mito da Atlântida. Aqui, temos uma nave-cidade (sim, ela não só voa como vai para o espaço) que foi afundada no mar de um grande planeta para escapar de um ataque alienígena de grandes proporções. Dez mil anos depois, uma expedição humana vinda pelo Stargate acorda a cidade em uma outra galáxia do grupo-local. Esta equipe é liderada pela Dra. Elizabeth Weir, uma civil em meio a militares. Esse fato por si só já coloca em Weir uma pressão a mais, pois ela sabe o desrespeito que terá que enfrentar ao assumir o comando das missões pelo Stargate e depois da missão de Atlantis.

Elizabeth Weir, líder da missão Atlantis. 

Diplomata, especialista em política internacional, poliglota e mediadora em várias negociações nas Nações Unidas. Foi chamada pelo presidente para liderar o programa Stargate devido sua experiência em negociações. Depois, tornou-se a líder da nave-cidade Atlantis, onde tomou diversas decisões difíceis, negociou com inimigos e foi até mesmo invadida por nanites ultra avançados. Weir deixou o noivo na Terra, avisando que estava tomando uma decisão muito importante e que iria para longe. Tal ato desagradou muito fã recalcado, como se fosse proibido para uma mulher ter ambição. Ela se sente tão confortável no arriscado ambiente da galáxia Pégaso, que quando foi obrigada a voltar para casa, se sentiu deslocada e isolada.


Teyla Emagan

Outra mulher de fibra que podemos conhecer em Atlantis é Teyla. Ela é natural da galáxia Pégaso, tendo nascido no planeta Athos. Seu povo, desde tempos ancestrais, precisa conviver com os Wraith, uma perigosa raça alienígena que se alimenta da força vital dos humanos. Ela cresceu vendo familiares e amigos sendo levados nas colheitas, portanto conhece bem o inimigo e o que é sobreviver.

Teyla Emagan.

Teyla é uma guerreira corajosa. E também tem a habilidade de sentir a presença dos wraith à distância, o que ajudou seu povo a evitar novas colheiras e mais mortes. Teyla vive dividida entre estar com seu povo e lutar ao lado dos humanos para defender Atlantis. Entre criar seu filho, ao lado do pai da criança, ou lutar para evitar a infestação wraith pela galáxia. Que mulher nunca se sentiu dividida entre tantos sentimentos e obrigações? Que mulher nunca se viu cansada, sem conseguir retomar as rédeas de sua vida.


Jennifer Keller

A dra. Keller entrou para a Expedição Atlantis em um delicado momento para a equipe: eles tinham acabado de perder o médico-chefe em uma explosão e estavam todos ainda muito frustrados com isso. Jennifer entra e já se sente deslocada, duvidando de suas capacidades como médica e como membro da equipe. Os casos muitas vezes são inusitados, além de sua capacidade médica e ela se vê em situações que nunca imaginou estar. Civil, assim como Weir, e sem treinamento adequado para guerra, Jennifer reluta em ficar em Atlantis.

Dra. Jennifer Keller.

Seu trabalho era para ser temporário, mas com o tempo, tanto equipe quanto a própria Jennifer se sentem mais à vontade na companhia um do outro. Fica claro, logo de início, que Keller não é voltada para a ação. Em quase todas as vezes em que saiu da cidade, ela teve problemas. Mas o que é inegável é sua dedicação aos pacientes e tendo seu trabalho prejudicado, sem poder ajudar os outros, ela logo se desliga do programa.

STARGATE UNIVERSE

Uma pena que a série acabou prematuramente com apenas duas temporadas. O formato não agradou ao público fã do modelo tradicional, a audiência despencou e a MGM acabou fechando tudo. Mas diferente das outras duas, onde as operações com o Stargate são num lugar fixo, em Universe ela acontece em uma nave há milhões de anos-luz do nosso sistema solar. Parece um Lost versão espacial, mas a ideia tinha muito potencial.

Camile Wray

Camile é civil, tendo trabalhado no conselho que revisa as missões Stargate. Ela se vê presa à nave Destiny, junto de outros membros da Base Ícaro, impossibilitada de retornar para casa e para a esposa. Camile é uma das poucas personagens lésbicas da ficção científica e da televisão e a série soube mostrar os conflitos pelos quais Wray passa, como por exemplo não conseguir ser promovida, sem nem saber exatamente por que.

Camile Wray. 

Wray não tem treinamento militar, por isso ela se vê bastante perdida de início ao chegarem na Destiny. Ela defende seus ideais e bate de frente com a tripulação militar várias vezes, acreditando que o comando da nave deve ficar com ela e não com o Coronel Young. Defende que numa verdadeira democracia, para evitar abusos, os militares são comandados por um governo civil e tenta institucionalizar isso, não conseguindo levar a cabo o golpe. No final, acabamos sem saber o que de fato acontece com a tripulação já que a série terminou, mas Camile é, sem dúvida, um grande destaque na série.

Tamara Johansen

Primeiro-tenente, ou TJ para os amigos, é paramédica e acaba se tornando a médica à bordo da Destiny, tendo que se virar com pacientes doentes, poucos suprimentos, ataques alienígenas e seu conturbado relacionamento com o Coronel Young, com quem teve um relacionamento. Ela terminou tudo pouco antes dos acontecimentos que os levaram para a nave. Young tentou reerguer o casamento, enquanto TJ tentava sair do programa Stargate para cursar a universidade e ficar longe dele.

Tamara Johansen.

TJ é um personagem complexo, ela parece não conseguir encontrar seu lugar. Quando se viu à bordo da nave, perdida, longe de casa, tendo que conviver num ambiente estressante com pessoas assustadas, ela precisou assumir um posto que achava impossível de preencher. O psicológico de todos acabou caindo em suas mãos, enquanto descobria estar grávida de seu oficial superior. Essa foi uma discussão interessante da série: como dar à luz e criar uma criança em um ambiente tão perigoso?


Agora, uma crítica à franquia, ou melhor uma segunda crítica, já que a primeira foi sobre o Princípio de Smurfette. Se você acompanhou desde o primeiro post deve ter percebido a predominância de personagens brancos. Tirando Camile Wray, todas as outras são caucasianas, brancas. A série poderia ter explorado isso muito mais do que explorou, ao fazer uma tripulação mais plural, mais inclusiva. Contudo, tenho que aplaudir Stargate por não cair nos clichês óbvios que muitas séries perpetuam com suas personagens femininas. Vemos aqui mulheres militares, mulheres que lutam, que brigam por seus ideais. Elas não são meros receptáculos vazios para complementar os personagens masculinos.

Até mais!
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A civilização vai acabar um dia

Você tem medo do escuro? Quantas horas por ano você fica sem luz? E do silêncio? Você tem medo? Pergunto isso presumindo que você esteja em uma cidade grande ou razoavelmente grande, com acesso à internet para poder ler este conteúdo. Portanto, posso imaginar que você também viva cercado de eletricidade, produtos industrializados, barulho do trânsito, do vai e vem de pessoas e de aviões. Pois é... Isso vai acabar. Mas não quer dizer que seja bom.





Quando estudamos História na escola vemos as grandes civilizações do passado, seu legado, seu simbolismo, seus monumentos. Particularmente, a antiga civilização egípcia sempre me fascinou. Vai ver é por isso que sou tão fã de Stargate. A questão é que nós vemos civilizações que morreram nas areias do tempo, deixando legados indeléveis, de fato, porém talvez nunca conheçamos realmente seus modos de vida, seu cotidiano, seu humor. Isso se perdeu. Foi-se.

E assim como egípcios, gregos, romanos, maias, incas um dia a nossa civilização, tal como conhecemos, também terá um fim. Ninguém pensa muito nisso, mas a ficção científica já mostrou vários universos possíveis. Podemos apenas trocar de um modo de vida e de sistema econômico para outro ou podemos praticamente voltar para a Idade Média. No final, perderemos alguma coisa e posso apostar que boa parte dela estará relacionada ao conforto da vida moderna, à conectividade, à internet.


Pode não parecer, mas nossa civilização é extremamente frágil. Não consigo ver como a raça humana possa ser extinta (num futuro breve) já que somamos mais de 7 bilhões até o momento. No entanto, a estrutura da civilização, suas bases nevrálgicas são extremamente frágeis, podendo causar o sofrimento de bilhões de pessoas com a ruína de apenas uma delas. E aí fica a pergunta: como sobreviver a esse mundo novo, quase medieval ou pré-industrial? Como esquecer dos confortos e facilidades da vida moderna quando se tem tudo ao alcance do click?

Eu imagino que muita gente vá surtar com a queda dos serviços mais básicos. Eu teria sérias dificuldades logo após a queda da civilização. Estamos tão destreinados para sobreviver que posso prever saques em massa, invasões, roubos, tráfico de influências para proteger os poderosos, mas seria uma questão de tempo até todo mundo perceber que aquele mundo de antes não existe mais. E o instinto de sobrevivência pode fazer surgir um monstro dentro de cada um de nós que talvez nem soubéssemos que existia.

Temos as tecnologias verdes? Sim, temos, mas elas são tão inexpressivas no contexto geral que no final beneficiaria alguns poucos. E aí poderíamos ter uma elite com energia controlando as massas sem ela. Imagine São Paulo, com mais de 35 milhões de pessoas na região metropolitana completamente sem luz e talvez consiga imaginar o cenário ideal de caos.


Os cinco pontos nevrálgicos de qualquer civilização são:

  • população;
  • clima;
  • água;
  • agricultura, e;
  • energia.

Tire qualquer uma delas do contexto e você verá a civilização cair em pouco tempo. Já temos problemas com população, água e clima. Em algumas regiões o péssimo manejo vem causando diminuição de colheitas e empobrecimento do solo, em alguns casos levando à desertificação. São Paulo está pagando por sua negligência ao não pensar no abastecimento de água para o futuro, contando apenas com a benevolência da mãe-natureza. Agora, o reservatório do Sistema Cantareira está abaixo dos 13% justamente na época mais seca do ano para a região sudeste (outono-inverno).

Pretendo lidar com cada ponto frágil da civilização nas próximas postagens, mas se posso indicar uma leitura é Colapso, de Jared Diamond, talvez um dos melhores livros a tratar do assunto, mostrando sociedades que conseguiram evitar a ruína e aquelas que caíram fundo nela.

Até mais!
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