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Por que você deve ler Fahrenheit 451?

Existem alguns livros na ficção científica que são tidos como leitura obrigatória para qualquer fã. E um destes livros que acho indispensável é Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury e que ganhou status de clássico absoluto. Ele nos oferece uma ótima oportunidade de refletir sobre a mídia, sobre literatura, sobre sociedade, sobre críticas. E listei abaixo alguns motivos para que você também o leia.





O livro é atemporal

Fahrenheit 451 foi publicado em 1953, mas o conceito original começou em 1947 no conto Bright Phoenix (que só seria publicado na revista Magazine of Fantasy and Science Fiction em 1963). O conto original foi reformulado na novela The Fireman, e publicada na edição de fevereiro de 1951 da revista Galaxy Science Fiction. A novela também teve seus capítulos publicados entre março e maio de 1954 em edições da revista Playboy. Bradbury compôs o livro pensando como uma crítica à sociedade norte-americana, no auge da Guerra Fria. Também pensou em uma maneira de ressaltar a importância dos livros e do conhecimento para a sociedade que parecia valorizar mais o entretenimento rápido. Neste mundo do futuro, os livros são proibidos e os bombeiros não estão lá para apagar incêndios, e sim para começá-los caso encontrem livros em algum lugar.


Queimar livros sempre pareceu um ato abominável. Quem nunca leu ou viu imagens de 1933, quando os nazistas queimaram livros em praça pública (Bücherverbrennung)? Tudo o que fosse contrário ao regime ia para a fogueira. Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch). O ato de queimar livros e, por consequência, ideias sempre foi visto como uma maneira de fazer uma sociedade mais ignorante e facilmente manipulável. E isso é um tema atemporal e completamente atual.


O livro foi escrito em uma biblioteca

Bradbury escreveu F451 nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. É uma ironia se pensarmos nisso, afinal o tema central dele é sobre queimar livros, ideias, conceitos. Imaginação, pensamento, opiniões, são vistos como atitudes egoístas e, portanto, mal vistas. A vida das pessoas se resume à televisão, aos programas de TV e à uma ilusão de felicidade que não procede, como se fosse possível ser feliz na ignorância.


Quando o personagem central do livro, Guy Montag, percebe isso é possível sentir toda a sua angústia com relação à vida em si. Ele passa a enxergar as pessoas de maneira diferente depois que começa a mexer no perigoso mundos dos livros. A mudança é perceptível e é possível notar que Guy não sabe o que fazer com isso. Ele tem medo de tudo o que desconhecia por conta de sua ignorância e passa a ver as pessoas como mais uma ovelha no rebanho, sem vontade própria, sem ideias e isso o desconcerta profundamente.


É pequeno

Quem tem medo de livro tijolão ou nunca leu ficção científica, mas procura por uma obra inicial, achou um ótimo livro. A escrita de Bradbury não é tão fria e direta quanto a de Asimov, ela é mais rebuscada, porém isso não interfere no ritmo de leitura. A narrativa flui rápido e intensa, enquanto acompanhamos os altos e baixos emocionais de Montag.


Mesmo tendo poucas páginas, o leitor fica com a sensação de ter lido algo imenso, pois é a ideia geral trabalhada nele que nos faz pensar e refletir sobre o tipo de sociedade que temos. Também era de se esperar que os personagens não fossem muito complexos por ser um livro curto, mas de novo, surpresa, os personagens são profundos, com múltiplas camadas, até mesmo aqueles tidos como fúteis.


É uma obra de Ray Bradbury

Ray diz sua intenção inicial era mostrar o amor que tinha por livros e por bibliotecas. Frequentemente, ele se referiu a Guy Montag como uma alusão a si mesmo e como ele seria infeliz em um mundo que queimasse livros e valorizasse mais à mídia e aos programas de televisão. Esse entretenimento pronto e enlatado era algo que Ray não gostava e ele teceu críticas também à internet, que por ter esse conteúdo pronto e disponível, seria tão inútil quanto à televisão.


Acredito que o principal problema tanto da televisão, quanto da internet, seja seu mau uso, seja o exagero. O controle excessivo da mídia e a apelação para vencer uma guerra de audiência certamente fazem valer as críticas de Bradbury.


É um futuro que não aconteceu

Aqui deixo uma reflexão para o leitor. Será que este futuro de Bradbury, em que livros são queimados (ou desvalorizados), onde opiniões são combatidas, onde a indústria do espetáculo comanda a mídia, onde a tragédia cotidiana vira entretenimento, onde o pensamento próprio é muitas vezes visto como errado, hedonista, será que ele de fato não aconteceu?


Pode não ter acontecido exatamente como Bradbury imaginou, mas certamente muitos elementos que o livro critica estão presentes, como o esvaziamento das bibliotecas, os excessos da televisão. O futuro nunca acontece exatamente da maneira que nós imaginamos, e ainda bem! Quem iria querer um futuro como aquele de O Exterminador do Futuro ou como Eu Sou a Lenda? Mas é aqui que entra a maravilhosa força da ficção científica: a de alertar e nos maravilhar.

Fahrenheit 451 (que é a temperatura da queima total do papel) é um item obrigatório em qualquer estante. Você pode ver o filme também. Por isso, compre e o mantenha sempre a mão para aquela lidinha rápida. Deixo também aqui duas vezes dele, em mobi e em epub para quem tem e-reader ou app no smartphone para leitura de ebooks.

Até mais!
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Resenha: Templo, de Matthew Reilly

Achei que tinha sido um infortúnio pegar um livro de Matthew Reilly e ter criticado tanto sua obra anterior, Estação Polar. Resolvi dar uma nova chance a ele com um de seus livros mais recentes, pois vi que muita gente gostou do enredo e considera Matthew como um dos mais criativos escritores atuais. Templo é o livro resenhado de hoje.





O livro

William Race é um pacato professor universitário e linguista. Um dia, ele chega para o trabalho e encontra uma recepção um tanto inusitada. Os militares norte-americanos o convocam para fazer uma tradução que pode levar a um importante ídolo da civilização inca, há muito perdido, porém bastante cobiçado. Race não entende porque sua participação é tão importante, mas acredita que seu irmão, que é militar, possa estar por trás da sua convocação. Sem ter como fugir da tarefa, ele aceita e embarca rumo à América do Sul junto de uma equipe multidisciplinar, além de muitos militares bem armados e apressados.


O professor então se vê traduzindo um obscuro documento de 400 anos, escrito por um missionário espanhol nas terras novas das américas e suas impressões sobre o trato com os nativos e a violenta conquista exercida por seus compatriotas. Ele conta como ajudou Renco, um príncipe inca, a fugir de uma prisão e a correr contra o tempo e contra Hernando Pizarro, o sádico desbravador espanhol, que buscava o tal espírito do povo inca, o ídolo, a qualquer custo. Aliás, esta parte é bem bacana, pois vemos o período caótico que o povo inca enfrentou com a chegada espanhola e vemos a brutalidade deste tempo.

Percebe-se que os militares estão bem apressados. Eles contam a Race que outras equipes estão atrás do ídolo, já que ele é feito de um material raro e extremamente poderoso que veio de um meteorito caído na Amazônia Peruana muitos séculos atrás. As propriedades deste material, o trítio, o tornam a arma perfeita para destruir o mundo. E claro, gente gananciosa e racista pretende fazer o mundo de refém se conseguir colocar suas mãos neste artefato.

A primeira coisa que se percebe de Reilly é sua obcecada atenção aos detalhes das cenas de ação, o que chega a encher o saco. Suas cenas já eram estapafúrdias em Estação Polar e aqui não mudou muito. Temos muitos fatos envolvidos em busca do ídolo, desde animais míticos do folclore inca, à nazistas fugidos do Julgamento de Nuremberg que querem dar uma de Pink e Cérebro e conquistar o mundo. Temos uma profusão de personagens, mas felizmente aqui o autor ao menos dá um destino a eles, coisa que em Estação Polar ficou em aberto.

Amazônia peruana, um lugar de muitos mistérios. 

O autor é tido como um predecessor de Dan Brown, mas acho que a diferença principal é que, mesmo Brown criando cenas extraordinárias demais, como em Anjos e Demônios (meu livro preferido) ele consegue concatenar os fatos do enredo de uma maneira melhor e muitas vezes seus finais são imprevisíveis. Já Reilly não, a gente já saca desde o começo que fim aquilo tudo vai dar e você se arrepende da leitura. E também há um problema com seus personagens. Eles realizam feitos tão absurdos, onde nada acontece a eles e tudo parece incrível demais...

Ficção e realidade

É interessante apontar a presença de nazistas na América do Sul. Sabemos que alguns oficiais procurados de Hitler realmente conseguiram escapar dos julgamentos pós-Segunda Guerra e se refugiaram ao sul do equador. Em Templo, eles são bem armados - até demais - bem financiados e conseguiram criar um mega exército de nazis motivados a destruir o mundo sem que ninguém tentasse mexer um dedo para impedir. Alguns destes fugitivos já são idosos quando se passa a trama e continuam tão motivados como nos anos 40, o que achei um tanto difícil de engolir.

Além disso, o enredo nos mostra a crueldade dos tempos pós-descobrimento e como a cultura inca foi afetada pelas ações espanholas. Neste quesito, o autor acertou no tom e consegue mostrar de maneira bem fidedigna, através das palavras do missionário que, envergonhado de sua ingenuidade e de seus compatriotas, decide ajudar o príncipe Renco, de quem fica muito amigo. No entanto, os detalhes excessivos do autor estragam uma parte da aventura.


Pontos positivos
Aventura na Amazônia
Tesouros incas
Suspense e ação
Pontos negativos
Repetição excessiva
Final poderia ser melhor
Se alonga demais nas cenas de ação

Título: Templo
Autor: Matthew Reilly
Editora: Record
Páginas: 588
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Um livro grande demais, detalhista demais, com ação demais. Para quem curte um estilo semelhante ao de Dan Brown, pode tentar se aventurar com Matthew Reilly. Porém, se você tiver leituras mais interessantes, pode deixar esse aqui meio de lado, pois não vai perder grande coisa. O livro teria sido bem melhor se o autor trabalhasse com menor e fizesse os excessivos detalhes e personagens soarem mais críveis. Três aliens para ele.


Até mais!
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O Elemento X

Costumo afirmar que ficção científica não tem que ser precisa. Ela tem que ser, pelo menos, plausível, para não cair na área da fantasia e acabar com uma explicação "mágica". Mas Arthur C. Clarke, grande autor de FC, uma vez disse que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia. Seria essa uma descrição do elemento X?





Ficção científica é o que chamo de "gênero do espanto e da possibilidade ilimitada". Temos tantas possibilidades neste gênero, temos tantos mundos para imaginar, criar e visitar, temos tantas metáforas geniais com as quais trabalhar e tantos conflitos para ilustrar, que são poucos os gêneros dentre as artes que seja tão completo.

É uma pena que ele andou um tanto estagnado e vítima de repetitivos clichês ao longo dos anos. No cinema, a coisa não mudou muito. Temos até bons exemplos de obras nas telonas, mas em geral temos pouca variação dos mesmos temas: invasão alien, viagem no tempo, distopia. Nos livros, mesmo tendo uma invasão de YA (young adult) nas livrarias (e admito que nem tudo é bom e/ou bem escrito), temos visto autores trabalhando com temas que levam o leitor a pensar e a conjecturar.


Mas existe um componente na FC que permeia as obras, em menor ou maior grau, em maior ou menor evidência. O componente do mistério, aquele toque quase sagrado que torna a ficção científica tão interessante, o Elemento X, aquele que criou as Meninas Superpoderosas que é capaz de gerar a Força (Star Wars) ou é capaz de gerar Facções (Divergente). Capaz de gerar androides que acham que são seres humanos (Blade Runner), capaz de criar vida senciente em máquinas (Transformers) ou de criar monolitos capazes de feitos incríveis, como transformar planetas em estrelas ou de modificar genes (2001).

Este Elemento X não é fácil de explicar ou de enquadrar, porque ele é como o Bicho-Papão, de Harry Potter. Enquanto o monstro personifica o medo mais profundo do jovem aprendiz de bruxo, o Elemento X personifica as mais variadas fórmulas em diversos enredos. Ele pode ser uma tecnologia, uma pessoa, uma nave, um universo paralelo, uma fórmula científica, uma pessoa, uma entidade de energia, um Quinto Elemento.


Ele pode ser benéfico ou não. Pode chegar para destruir o planeta ou para salvá-lo. Pode ser na forma de um alienígena que usa outros seres vivos como hospedeiros (Alien), mas ele pode não matar o ser humano quando o hospeda (A Hospedeira). O Elemento X é como um pó de Pirlimpimpim moderno, um Veja Multiuso, capaz de dar à ficção científica aquilo que lhe é mais próprio: o fato de nos maravilhar e de nos fazer pensar, em geral, visando o futuro. Se a FC não for capaz de nos trazer qualquer sentimento bom e reflexão, ela é inútil. E sabemos que tem muita obra inútil por aí.

Se você lembrou de mais algum Elemento X, comente! Compartilhe! Espalhe a palavra!

Até mais!



Tabela periódica do cinema
What are the ingredients for great science fiction?
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Resenha: The 100, Os Escolhidos, de Kass Morgan

O livro que inspirou a série de televisão The 100 conta a história de refugiados em três naves e 100 delinquentes esperando o perdão ou a execução. É mais uma distopia adolescente que, muito provavelmente, será composta por uma trilogia e que peca em vários pontos, apesar de ter coisas muito interessantes na narrativa.





O livro

Uma guerra nuclear assolou o planeta, deixando-o inabitável. A solução para salvar o que restava da humanidade foi em ir para o espaço. Três naves, Walden, Arcadia e Phoenix, se tornaram o lar dos sobreviventes, mas assim como na Terra, ela tem suas divisões sociais. Tudo nelas é rigoroso, como o controle da natalidade, pois não há espaço para todos e as leis são bastante rígidas, onde os crimes costumam ser punidos com a morte. Se a pessoa é menor de idade, ela fica presa até os 18 anos, onde pode receber o perdão ou então execução.


Clarke é uma adolescente e presidiária. Ela sabe que o tempo está passando e que o momento do seu perdão, ou execução, se aproxima. Mas o que o médico realmente queria não poderia ser mais surpreendente. Ao invés de morrer, ela e mais 99 presidiários serão enviados para a Terra. Ninguém das naves saberá de nada, os pais serão avisados depois, isso se a missão der resultados, pois até onde se sabe, a superfície continua extremamente tóxica.

Enquanto isso, o filho do chanceler, Wells, ex-namorado de Clarke, ao descobrir que ela seria enviada à Terra, resolve cometer um ato impensável para poder ser preso e assim poder ir para a Terra. Ele taca fogo na única árvore da colônia, podendo dessa forma rever Clarke e pedir assim seu perdão por um erro terrível que acabou por separá-los. É interessante notar que a autora descentralizou a visão e mostrou o viés de vários personagens. Alguns são amigos, mas temos uma boa amostra de conflitos de classe e divisão social entre as naves.


Quando a nave de transporte está para sair, Bellamy consegue fazer um guarda de refém para poder embarcar. Sua irmã, Octavia está entre os presidiários. Ninguém na colônia tinha permissão de ter mais de um filho, já que não havia suprimentos e acomodações para todos, portanto estes são os únicos irmão e irmã de todas as naves. Enquanto Bellamy luta para entrar, Glass consegue fugir e corre para encontrar sua mãe, não, digo, corre para encontrar o ex-namorado (afinal, né?, prioridades), com quem ela brigou e terminou pouco antes de ser presa. Qual não é sua surpresa quando ela o encontra com outra?

Clarke, Wells, Octavia e Bellamy vão para a Terra. Glass fica nas naves. O livro traz visões de cada um dos personagens e vemos a dificuldade que tem sido viver na Terra, já que a nave fez um pouso forçado. Gente morreu, os suprimentos são escassos, são poucos os remédios e eles precisam sobreviver a tudo isso. É também interessante notar as reações dos jovens ao verem chuva, pôr-do-sol, aves e animais pela primeira vez. Se você só lê sobre o pôr-do-sol, não conseguirá imaginá-lo a menos que veja um real. Essas análises ficaram ótimas durante a narrativa e o modo como eles descobrem um planeta do qual apenas ouviam falar.


Mas os jovens se desentendem em solo. Enquanto Wells, filho do chanceler, é hostilizado pelos outros, Clarke tenta manter todos vivos, tratando dos doentes e feridos. Bellamy se torna caçador e consegue alimentar os pouco mais de 90 adolescentes amontoados ao redor dos escombros, observando tudo com receio, todos buscando uma direção e um líder. Enquanto isso, nas naves, Glass consegue o perdão do vice-chanceler e volta a viver com a mãe, mas não consegue se readaptar à antiga vida e às futilidades das amigas.

Cada vez que um personagem entra, a autora volta ao passado para que possamos ver o que o levou à determinada situação. Isso no começo fica bacana, pois não sabemos o que levou Clarke, Octavia e Glass para a prisão. Porém, como o recurso foi usado o tempo inteiro, isso começou a ficar chato depois da metade do livro. Algumas coisas ficaram mal trabalhadas. A intriga de Clarke com Wells e o fato de não perdoá-lo. Glass que fica se lamuriando o tempo todo por ter perdido o namorado. Eu gostaria de ter visto mais da Terra e das situações que levaram as pessoas a viver nas naves do que esse imbróglio todo.


Ficção e realidade

Mesmo que nos dias de hoje o medo de uma guerra nuclear tenha diminuído, vemos que no passado, em especial no começo da Guerra Fria, que esse era um temor bastante real e presente na vida das pessoas. Existiam até mesmo comerciais na TV ensinado a se proteger em caso de ataque e muita gente construiu casamatas e porões reforçados sob as casas para fugir em caso de um inverno nuclear. Infelizmente, essa parte não foi trabalhada em The 100, mas acredito que no próximo livro ele será melhor explorado, especialmente pela maneira como terminou.

Também é de se pensar como que um ambiente confinado como as naves que formam a colônia influenciaria na formação das pessoas. Uma chuva para aqueles jovens é algo tão incrível e novo que para nós pode chegar a ser banal. Mas pense você crescendo e vivendo em um ambiente confinado, com ar controlado, estar de repente sob um imenso céu azul profundo, vendo nuvens de chuva chegando ou um pôr-do-sol. Seriam experiências fantásticas e marcantes, causando o deslumbramento que vemos nos personagens.

O livro inspirou a série The 100, que estreou em março de 2014. Você pode assistir ao trailer abaixo.



Pontos positivos
Sobrevivência
Distopia
Colônia espacial

Pontos negativos
Situações mal trabalhadas
Alguns personagens mal trabalhados
Final em aberto


Título: The 100, Os Escolhidos
Título original: The 100
Autor: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Tirando as situações e momentos mal trabalhados pela autora e pela preocupação excessiva de Glass com o namorado perdido, o livro é muito bom. Espero que o próximo volume da trilogia mostre melhor o que aconteceu com a Terra e com os sobreviventes, pois existem muitos interesses em jogo com a empreitada para o pessoal que ficou na colônia. Quatro aliens para The 100 e uma recomendação para você ler.


Até mais!
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Como sobreviver mil anos como civilização

Fiz recentemente uma postagem que falava sobre uma famosa frase de Stephen Hawking. Ele disse que, se não formos para o espaço e colonizá-lo, nós não vamos sobreviver se permanecermos desse jeito. Será o fim da raça humana, permanentemente. Mas vamos tentar ver o ser humano pelo seu melhor, por sua capacidade de resolver problemas e para encontrar soluções. Foi por isso que pedi para a Sam, do blog Meteorópole, meteorologista, que pensasse numa maneira de fazer com que a civilização perdure, pelo viés de sua área de atuação. O resultado disso, você confere no ótimo post abaixo.





Este é um guest post escrito por Samantha, do Meteorópole


Se eu tivesse que traçar metas para os próximos 1000 anos de civilização, certamente focaria em duas questões que julgo essenciais:

  • Mudanças Climáticas
  • Água

O observatório de Mauna Loa faz observações meteorológicas desde a década de 1950. Um dos parâmetros medidos nesse observatório é a concentração de CO2 na atmosfera. Com ela, é possível ver que a concentração desse gás tem aumentado drasticamente nos últimos 50 anos:

Fonte NOAA.

Muitos formadores de opinião dizem que o ‘aquecimento global é farsa/mentira/pseudociência/etc.’. As pessoas que dizem essas coisas não tem conhecimento da ciência do aquecimento global ou tem interesses escusos, sendo normalmente ligados à indústria dos combustíveis fósseis, de alguma forma.

No entanto, quando conhecemos o funcionamento do IPCC, compreendemos que a maioria dos trabalhos acadêmicos e dos artigos publicados em periódicos sérios (com revisões feitas por outros cientistas da mesma área), observa-se que a maioria das pesquisas conclui que as mudanças climáticas estão em curso. Não podemos pará-las, já que o CO2 presente hoje na atmosfera vai ficar nela por alguns séculos. Além disso, somos altamente dependentes dos combustíveis fósseis no momento. O que podemos fazer é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para que os danos não se agravem. E podemos conviver com as mudanças, fazendo trabalhos de mitigação. Vou tratar esses dois pontos nesse post, para que possamos viver mais 1000 anos como civilização.

Com relação a redução de gases de efeito estufa, é preciso que sejamos menos dependentes dos combustíveis fósseis. A humanidade terá que investir cada vez mais em fontes alternativas de energia, como energia eólica e solar. Os deslocamentos também terão que ser mais inteligentes. Caronas e o uso de transporte público terão de ser mais comuns. Como em muitas cidades o transporte público não é eficiente, investimentos no setor precisam ser feitos de maneira massiva. Além disso, será necessário repensar nas cidades: cidades mais agrupadas, com locais de trabalho próximos das moradias. E claro, trajetos a pé e o uso da bicicleta deverão ser mais facilitados e incentivados.


Outra forma de reduzir as emissões e através da redução da pressão na indústria. Nossa sociedade incentiva e facilita o consumismo. Isso precisará acabar. As pessoas terão que fazer compras mais conscientes, dando preferência para empresas que compensam suas emissões. A criatividade terá que ser empregada: teremos que reformar nossas roupas e acessórios, reaproveitar embalagens e comprar apenas o que é necessário, por exemplo. O consumo de refrigerantes e comida industrializada terá que ser reduzido ou eliminado. Será preciso investir mais em hortas comunitárias.

O consumo de carne, principalmente de animais de grande porte, deverá ser reduzido ou eliminado. A pecuária é uma atividade que contribui muito para a emissão de gases de efeito estufa, principalmente CH4 (metano). Para continuar consumindo proteínas, as pessoas deverão ter pequenos galinheiros em casa. O próprio estrume das galinhas poderá ser usado como adubo nas hortas. As áreas verdes restantes deverão ser protegidas e aumentadas, quando for o caso. Engenheiros Florestais terão uma grande atuação, implantando medidas de recuperação de áreas degradadas.

Muitas das medidas que precisaremos tomar para minimizar os efeitos do aquecimento global são as mesmas para protegermos a água. Cidades mais agrupadas e densas facilitam a distribuição de água. A manutenção poderá ser feita de maneira mais rápida, evitando assim vazamentos.


A preservação da vegetação em torno das nascentes de água também será de vital importância. Multas pesadas e educação para conscientização deverão ser aplicadas. Além disso, o consumo da água deverá ser priorizado para que nenhum ser vivo fique sem água. Se pressionarmos menos a indústria, menos produtos serão produzidos e menos água será utilizada na indústria.

A captação de água da chuva, usando cisternas residenciais, deverá ser algo comum. A água pode ser tratada para o consumo e poderá ser usada para regar as hortas em dias secos. Muitos arquitetos e engenheiros já pensam nesses pontos atualmente, ao projetarem um novo empreendimento. A sustentabilidade já é um diferencial em novos edifícios residenciais e comerciais. O lixo deverá ser totalmente reciclado. Composteiras serão comuns, para uso coletivo e individual.

O coletivo terá que ser colocado na frente de muitas decisões individuais, se quisermos sobreviver por mais 1000 anos. Acredito que esse é um grande desafio, já que nossa sociedade é muito egocêntrica, pelo menos no momento. Percebo muitas atividades grosseiras e mal educadas que desrespeitam a coletividade: lixo nas ruas, desrespeito aos idosos e crianças e o próprio consumismo. Precisaremos mudar os valores da sociedade, pois eu acredito que a redução da emissão de gases estufa e a preservação da água só serão possíveis com a união.



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