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10 tipos de distopias

Sabemos que os enredos apocalípticos, pós-apocalíticos, desgracentos, que acabam com o mundo e com a humanidade estão em alta nos últimos anos. E eles rendem muito, seja na TV, na livraria ou no cinema, temos muitos exemplos de distopias. E já que falei de distopia no post anterior, resolvi traduzir em partes e reordenar a lista de 10 tipos de distopia do io9. Tomei a liberdade de fazer adições ou de alterar algumas coisas, mas você pode ler a lista original aqui.






10. Fim dos recursos naturais
Imagine um mundo sem petróleo. Ou sem água. Quem sabe sem ferro, ouro ou terras raras? É, este tipo de apocalipse seria lento e agonizante. Nossos veículos estariam parados em avenidas, ruas, pátios e pistas de pouso. Geradores parariam de funcionar sem combustível, logo teríamos o desabastecimento das grandes cidades, conflitos nas ruas por comida...


Este talvez seja o cenário mais próximo da nossa realidade, pois isso já está acontecendo. Se andarmos neste ritmo, nossos recursos vão sim acabar e não teremos como substituir muitos deles, a menos que haja uma mudança na forma de consumo e/ou de produção de novos materiais. Deste ponto em que estamos é ladeira abaixo, a menos que algo mude.


9. Tecnologia falha
Se amanhã a eletricidade nunca mais ligar as luzes das ruas, alimentar o metrô, se nada mais que for elétrico funcionar, nossa vida na internet já era. Nossa capacidade de voar e de atravessar o globo em horas já era. Estaríamos de volta à época em que era tudo na base do vapor, da tração animal, das velas e do banho de canequinha. Este é o mundo da série de TV Revolution.


Não seria fácil se acostumar a viver num mundo desses. Ainda mais quem vive nas cidades teria problemas de adaptação, certamente. Teríamos mais coisas artesanais e aos poucos o que restava daquele mundo iluminado será apagado. As distâncias que tinham sido diminuídas pela internet e pelas viagens aéreas aumentarão e seremos novamente uma sociedade praticamente rural.


8. Pessoas que desaparecem
Temos duas modalidades aqui: ou algumas pessoas começam a desaparecer, sejam isoladas, sejam em grupos ou um tipo específico de pessoa desaparece, como somente homens, ou somente as mulheres ou somente as crianças. Alguma coisa aqui acontece para demonstrar a importância de cada um de nós dentro de uma coletividade.


A causa dos desaparecimentos pode diferir: abduções, doenças, guerras, espíritos, mas aqui o que vale é extrapolar o abandono, a falta que as pessoas fazem e como que seu desaparecimento pode ter sido traumático para a sociedade em si. Um mundo onde todas as pessoas fiquem estéreis e as crianças parem de nascer seria o fim lento e agonizante da raça humana.


7. Terra abandonada
Se o planeta se tornar quase hostil à vida humana, poderíamos simplesmente partir, não é mesmo? Pode ser uma estação espacial ao redor do planeta, podemos encontrar outro planeta para ir, podemos nunca mais voltar ou tornar o planeta todo uma imensa reserva de biodiversidade. Mas sair daqui pode ser uma opção em um futuro remoto.


Algumas franquias, simplesmente, não mencionam a Terra nunca mais. Outras voltam para ver o que aconteceu por aqui. A natureza tomou conta de tudo? As cidades estão em ruínas? Existem sobreviventes, descendentes daqueles que ficaram para trás? O medo de perder a segurança de nosso lar no cosmos faz deste tipo de distopia um modo perturbador de ver a sociedade, especialmente em condições adversas no espaço.


6. Holocausto nuclear
Este tipo de desgraça perdeu um pouco da fama, mas não deixa de ser igualmente terrível, pois uma explosão nuclear deixa um rastro de destruição terrível demais, áreas contaminadas e a radiação causa deformações, câncer e morte em altas doses. Ele foi bastante popular durante a Guerra Fria porque refletia um medo generalizado no ocidente de uma guerra nuclear.


Sua principal característica e crítica é que uma explosão nuclear é o ápice da tecnologia de destruição em massa. Ela pode aniquilar tudo o que é vivo e deixar apenas escombros, contaminando o que estiver longe demais e assim tornando a vida de sobreviventes bastante difícil já que arrumar comida e água limpa seriam bem difíceis.


5. Monstros ou aliens
As invasões alienígenas ou monstros gigantes são capazes de destruir as cidades e nossos modos de vida rapidinho. Quem lembra de Independence Day lembra dos grandes símbolos norte-americanos sendo destruídos e a tremenda onda de choque que varreu as áreas urbanas destruindo tudo ao seu caminho. Oblivion seguiu o mesmo caminho, com o planeta inteiro reconfigurado e secando depois da chegada de aliens sedentos de recursos naturais.


Monstros como Godzilla ou um T-Rex solto pelas ruas causaria um grau de destruição considerável. Isso me fez pensar nas aventuras de Jaspion, Changeman e toda aquela galeria de heróis japoneses que destruíam monstros sem antes acabar com metade de Tóquio no processo. Mas, de qualquer forma, este não é um fim que gostaríamos de ter, pois é bem possível que os aliens deixassem isso aqui tão detonado que sobreviver aqui seria bastante difícil.


4. Desastres naturais
Um desastre de grandes proporções como vulcanismo intenso, um meteoro, terremotos, tudo isso despedaçaria nossa civilização em pouco tempo. Quem leu ou viu o filme A Estrada, deve lembrar que houve algum desastre não especificado e a população começou a definhar, seguindo as antigas estradas em busca de comida. E muitos grupos se tornaram canibais já que não havia mais comida disponível em lugar nenhum.


Este seria um apocalipse "só de ida". Não daria para recomeçar caso as mudanças ambientais se tornem cada vez mais severas a ponto de tornar o planeta inteiro inabitável. Aí o jeito é perecer junto da natureza ou partir para outro planeta, se possível. Erupções solares, aquecimento global, tsnumais, escolha seu fim preferido.


3. Levante das máquinas
Pode até ser que as máquinas não ganhem consciência um dia e se volte contra nós, mas com certeza este é um tipo de distopia que assusta. Se um super computador adquirir consciência, não sei se vai querer nos matar ou nos aniquilar, mas certamente seria o apocalipse, já que estamos praticamente cercados por máquinas o tempo todo.


O principal tema aqui é o nosso medo de criarmos algo mais inteligente que a raça humana e depois não ter condição de combatê-la. Estamos tão dependentes destas tecnologias que temos dificuldades para nos imaginar sem os confortos modernos - no caso de um apocalipse - e temos uma dificuldade maior ainda (além do medo) de imaginar estas máquinas que tanto nos ajudam se convertendo em assassinos em massa.


2. Epidemias
O problema aqui é o medo que temos das doenças e suas subsequentes epidemias. Convivemos com doenças o tempo todo, mas sabemos que uma gripe mais forte pode causar estragos na população como tivemos com a Gripe Espanhola. Ultimamente, temos visto o temor mundial diante do Ebola, um dos vírus mais mortais existentes, para o qual (ainda) não há vacina.


Vírus mortais também são ótimas alegorias para criticar a sociedade. Esse medo natural do desconhecido e as relações com os contaminados rendem bons enredos. As epidemias ficaram ainda mais perigosas com a intensificação da globalização e das viagens. Hoje podemos estar em qualquer lugar do globo em 24hs carregando conosco nossos vírus, fungos e bactérias e pegando outros pelo caminho. Lave bem as mãos.


1. Zumbis
Ahhhh, os nosso amigos pútridos e queridos, sedentos de carne humana, ambulantes sanguinolentos que derrubam as civilizações. Mais perigosos que a varíola ou as bombas nucleares, os zumbis são os astros do apocalipse moderno, tendo sido catapultados na cultura pop pelo estrondoso sucesso de The Walking Dead.


O que dá mais medo em um apocalipse desse é que seu parente, amigo, filho, aquela pessoa que você mais ama é um inimigo em potencial. E não terá pena nenhuma de você ao se tornar um zumbi e se levantar de seu túmulo para comer seu cérebro. Além disso, os zumbis são uma ótima alegoria para as críticas sociais que queremos fazer numa obra de ficção justamente por este caráter humano perdido ao se transformar num predador.


Até mais!
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Em defesa das distopias

Um dos gêneros mais trabalhados na ficção atualmente, se não o mais trabalhado, é alvo de críticas por parte de muita gente. Com a invasão das livrarias por distopias adolescentes, o domínio quase que completo do cinema por elas, quando não são super heróis, deixa muita gente inquieta, pois parece que os autores perderam a mão e não sabem mais escrever sobre mundos positivos para a raça humana. Mas há quem defenda os universos distópicos.





Leia também: O que é distopia?


A principal crítica das pessoas é que as distopias estão deixando a sociedade com medo do futuro. Isso nos deixaria imediatistas, temerosos, com medo do que a ciência e a tecnologia mal empregadas possam fazer o mundo que ainda virá. Temos aí grandes exemplos de distopia mais clássica como Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo, 1984 e das mais recentes como Jogos Vorazes, Divergente, entre tantos outros enredos distópicos que não dão uma visão bonita do que o futuro nos reserva.


Mas devemos sempre pensar que estas obras servem de alerta. Digo e repito quantas vezes for necessário, ficção científica não tem a menor obrigação de prever o futuro, nem de inventá-lo. Ray Bradbury ainda diria que devemos evitá-lo. Já vi muita gente diminuir livros por puro preconceito, escondendo-se atrás da falsa premissa de que ficção científica tem que prever o que acontecerá no futuro. FC não é vidente, é um gênero literário, de cinema e de TV. Sua função é entreter, maravilhar, criticar.

Por causa desse pessimismo que tomou conta da produção artística de FC, surgiu o Hieroglyph: Stories & Visions for a Better Future, uma antologia que visa apenas contos positivos sobre a raça humana. É uma tentativa de produzir algo diferente, que nos coloque em uma situação melhor do que em muitas outras obras. Infelizmente, muita gente não entende obras distópicas. Elas parecem não ser capazes de suspender a descrença e olhar para o mundo de Tris ou de Katniss e enxergar as similaridades em crítica com Admirável Mundo Novo.

No entanto, se olharmos a influência para a cultura de Star Wars, de Star Trek, de Asimov e seus robôs, quem nos garante que as distopias não estão prevendo um futuro que, certamente devemos evitar? Em 1984, temos um mundo de controle excessivo sobre nossas vidas por parte da mídia e do governo. Hoje, qualquer tentativa de controle de privacidade ou de invasão delas, como o roubo de informações por agências de espionagem, já revolta as pessoas. Poderia ser uma influência da obra icônica de George Orwell.


Assim como Gattaca e Admirável Mundo Novo, mostrando os horrores do controle genético da população, subordinada ao que seus genes as deixam fazer ou não de suas vidas, podando sonhos e podando futuros. Em 2008, o Congresso norte-americano aprovou o GINA, Genetic Information Nondiscrimination Act, que diz que ninguém deve ser discriminado, impedido de estudar ou trabalhar, com base em seu perfil genético. Em um mundo de Gattaca, Angelina Jolie poderia ter sido relegada a funções bem menos glamourosas do que ser uma atriz e ativista, devido ao gene para câncer de mama que carrega e que a fez optar pela dupla mastectomia.

Homeland é também uma forma de distopia que nos avisa sobre o futuro imediato, o risco de termos terroristas e convertidos por terroristas, capazes de entrar em territórios, como lobo em pele de cordeiro. Todos temos acompanhado a ascensão do Estado Islâmico e o risco aos direitos humanos que ele traz por suas ideias fundamentalistas e fanáticas. Alertas como os citados acima, embalados em um pacote distópico, às vezes extrapolado ao máximo, são feitos para que possamos enxergar os excessos, vislumbrar o que poderia ser próximo de nosso futuro se uma situação como essa se concretizar.


Não devemos abandonar o futuro. Devemos imaginá-lo melhor, mas temos que alertar também. Ignorar as mensagens passadas pelas distopias, sejam as clássicas ou as juvenis, é fechar os olhos para o que pode vir a ser nosso mundo. Mundos melhores podem ser sempre almejados e trabalhados, mas não devemos descartar toda a produção distópica e seus enredos por medo e ignorância. Afinal, era isso que fazia os livros pegarem fogo, de acordo com Bradbury.

Um dos grandes papéis da ficção científica é preparar as pessoas para aceitar, sem dor, o futuro e para encorajar a flexibilidade da mente.

Arthur C. Clarke
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Resenha: Trilogia Apocalipse Z, de Manel Loureiro

Com a volta de The Walking Dead, os zumbis invadiram as TVs novamente. A febre zumbi parece que deu uma caída, o que é uma pena. Este é um ambiente e um mundo ótimos para se fazer críticas sociais utilizando nossos inimigos mortais e famintos. E a trilogia Apocalipse Z é um ótimo exemplo na literatura para quem quer fugir um pouco das aventuras de Rick Grimes.





O Princípio do Fim

Este livro me fisgou do início ao fim e achei o mais bem amarrado e tenso da trilogia. Começamos lendo os relatos do blog de um advogado que vive em uma pacata cidade na Espanha, que vai e volta do trabalho, uma pessoa comum. Aliás, o autor Manel Loureiro é de fato advogado e tudo começou com suas postagens em seu blog pessoal. A coisa fez tanto sucesso que acabou virando uma trilogia bem sucedida.


Esse advogado tem um gato, Lúculo, que é um personagem a parte do enredo todo. Os relatos dele no blog começaram depois da morte da esposa, portanto tudo é em primeira pessoa. Ele precisava de um lugar para desabafar, mas acabou tornando-se uma forma de observar o mundo. Ficamos sabendo por suas palavras que algo muito estranho estava acontecendo no Cáucaso. Algum tipo de emergência sanitária acontece em um país que pertenceu ao bloco soviético.

Os dias passam e ele percebe que a coisa é muito mais séria do que se poderia supor. A região do Cáucaso começa a ficar incomunicável e por fim nada mais se sabe do lugar. Casos de desordem civil começam a pipocar por toda a Europa e o advogado começa a se preocupar com a família. Ele acaba deixando de ir trabalhar, já que percebe que tudo está começando a parar de funcionar. Depois de se abastecer em casa com comida e água e de se garantir com o suprimento de energia, ele assiste a queda da civilização de sua casa. Sua cidade pacata também começa a se tornar um lugar sitiado e estranhas criaturas violentas, infectadas com um misterioso vírus estão invadido as ruas.


O livro inteiro é muito tenso. Por ser em primeira pessoa, a gente sente o que o advogado sente o tempo todo. E sim, você vai chamá-lo de advogado até as páginas finais do último livro. Tudo é muito solitário e as poucas pessoas que ele encontra nem sempre são totalmente idôneas. O advogado e seu gato passam por situações tensas e tem momentos em que a gente torce mais pelo gato do que pelo dono. Por nunca ter que lutar por sobreviver, ele comete vários erros até ficar mais esperto.

Pontos positivos
Zumbis
Distopia
Lúculo

Pontos negativos

O nome do advogado não é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: O Princípio do Fim
Título original: Apocalipsis Z
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2008)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 305
Onde comprar: Está esgotado em várias livrarias


Os Dias Escuros

O advogado não está mais sozinho. Ele está na companhia de um velho soldado ucraniano, Víktor, que se tornou seu grande e fiel amigo, uma freira, irmã Cecilia e uma jovem órfã, Lucía. Sabendo de todos os perigos que o mundo tomado pelos zumbis os aguarda, eles resolvem buscar refúgio nas Ilhas Canárias, para onde a família real foi evacuada e onde, dizem, é um lugar seguro. Ao chegarem às ilhas, eles são bem recebidos, o que é estranho e depois de passarem por um período de quarentena, são mandados para postos de trabalho.


Mas a realidade é que a ilha está à beira de uma guerra civil. Devido à escassez de recursos tudo ali é difícil, o combustível e a comida racionados e até Lúculo passa a ser visado. Por terem vindo de fora da ilhas e por conhecerem melhor do que ninguém a situação terrível do mundo fora dali, o advogado e Víktor são escalados para voltarem ao continente para realizar saques. Enquanto isso, nas Canárias, Lucía e irmã Cecília pastam para poderem sobreviver em meio a um ambiente tenso e prestes a explodir.

A diferença desde livro para o primeiro é termos mais gente envolvida e a mudança de pessoa na narração, que vai de primeira para terceira pessoa. Vemos que o advogado está mais esperto com a nova realidade, mas não menos ingênuo, ele ainda faz cagada aqui e ali. O autor foi bastante perspicaz em analisar a derrocada da raça humana, mostrando que cada lugar tentou, do seu jeito, preservar seus modos de vida. Alguns persistiram, outros não. E as Canárias, em breve, não vai aguentar muito. A solução para os sobreviventes pode ser ter que pegar a estrada novamente. No entanto, dos três livros, ele é o mais fraco.

Pontos positivos
Zumbis
Mais personagens e tensão
Lúculo

Pontos negativos
Algumas situações fáceis demais
O nome do advogado não é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: Os Dias Escuros
Título original: Los Días Oscuros
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2010)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 384
Onde comprar: Grandes livrarias


A Ira dos Justos

Víktor, Lucía, Lúculo (imbatível) e o advogado são resgatados por um petroleiro quando já estão em maus lençóis. São recebidos com certa simpatia pela tripulação, mas logo percebem algo bizarro. Além de uma separação social, inclusive com barreiras justas, separando hispânicos e negros da tripulação branca de olhos azuis, há também um fundamentalismo religioso exagerado. O fanatismo deles deixa os três sobreviventes com uma pulga atrás da orelha, especialmente quando eles mencionam o tal do reverendo Green.


O petroleiro conseguiu algum do precioso óleo negro e voltou para casa, nos Estados Unidos, sem antes sacrificar algumas pessoas, os chamados Justos, nessa empreitada. E quando chegam ao destino, uma cidade portuária que teve a sorte de ser murada a tempo, antes dos zumbis tomarem conta, percebem o baita problema em que se meteram. Neonazistas, racistas e todo o tipo de assassino, arruaceiro e psicopata faz parte da guarda fanática da cidade, que segue fielmente o reverendo. Lucía não gosta disso nem um pouco e fica difícil para ela se manter calada diante de tanta injustiça e da misoginia escancarada deles.

Além disso, existe uma tal de cura para a praga zumbi, que faz com que os Justus, isolados da parte nobre da cidade e vivendo com migalhas, agressões e preconceito, tenham que obedecer às ordens de Green para poderem sobreviver. E neste miolo todo está o advogado, com os amigos, sem saber como se encaixar nesta sociedade estranha. Sem contar que a Coreia do Norte, que conseguiu sair praticamente incólume do apocalipse, sabe a respeito do petroleiro e se interessa pelo assunto. Se Os Dias Escuros sofre com algumas cenas e situações, A Ira dos Justos, que tem seus problemas pontuais, consegue redimir o autor.

Pontos positivos
Zumbis
Visão fora da Europa
Lúculo (insuperável esse gato!)

Pontos negativos
Muita violência
O nome do advogado é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: A Ira dos Justos
Título original: La Ira de los Justos
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2010)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 398
Onde comprar: Grandes livrarias


Ficção e realidade

O autor acertou em várias previsões ali. Se um evento como o de um apocalipse, e nem precisa ser com zumbis, de fato acontecesse, muitas das situações descritas por Loureiro certamente aconteceriam, como locais vivendo sob ditaduras, fanatismo e fundamentalismo religioso, desequilibrados portando armas e sendo usados como força da lei... Bem, não parece muito longe da nossa realidade, parece?


Avaliação do MS?

Não é fã de The Walking Dead? Ou melhor, é fã mas quer conhecer outras obras sobre zumbis que tenham a mesma tensão, o mesmo nível de caos e esperança que a série apresenta? Pois então esta é a melhor trilogia que você lerá em muito tempo sobre o assunto. Mesmo que o segundo livro dê uma caída, o autor escreveu obras que retratam o melhor e o pior do ser humano e mostrou que mesmo nessa situação de puro caos, ainda há pessoas boas, ainda há gente lutando para sobreviver sem ter que massacrar outras pessoas no processo. Cinco aliens para a trilogia de Manel e uma forte recomendação para que você leia.


Até mais!
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Contato com aliens não-humanoides

No post sobre Ficção científica e os idiomas, um leitor de longa data do blog, o Edmar, fez um comentário interessante a respeito de comunicação com aliens que não utilizem a comunicação verbal. Na FC, o que mais temos são aliens humanoides, então se cada um aprender o idioma do outro, fica tudo beleza, certo? Mas e quando temos formas de vida que não se comunicam desta forma? Como proceder? Ou melhor, devemos proceder?





Um dos filmes que mais gosto de FC é Esfera (1998), baseado no livro de Michael Crichton, o mesmo de Jurassic Park. O filme não agradou muita gente, mas achei o tema bastante interessante e inovador. Para quem curte Michael Bay e explosões, melhor não assistir Esfera. O filme - não li o livro, portanto não sei se segue à risca - começa quando quatro cientistas são convocados para o meio do Oceano Pacífico. Ninguém é exatamente informado sobre o que está acontecendo inicialmente, mas eles vão.

Uma nave que, ao que tudo indica, seja alienígena, está coberta por metros de corais. Os especialistas são os cientistas que deveriam ser contatados em caso de um primeiro contato com formas de vida extraterrestres. Mas o que eles descobrem é que a nave não é alienígena coisa nenhuma, é bem humana, que voltou no tempo e que tem uma esfera misteriosa em seu compartimento de carga. O problema começa a partir daí. Estranhas mortes, estranhos eventos no habitat dos cientistas ao lado da nave, tudo isso parece surreal e estranho.


Como o Edmar bem aventou em seu comentário, como seria para humanoides pouco desenvolvidos como nós se comunicar com uma entidade inteligente como essa, sendo que nossos verbos e conjugações não são reconhecidos como forma de comunicação? Quem pode explicar para uma entidade imortal qual é o valor da vida, por exemplo? Quem pode demonstrar para uma entidade que tem a capacidade de fazer com que nossos sonhos - e pesadelos - se tornem reais, que isso nos causa danos sérios, por que imagina que esta seja a forma correta de se comunicar conosco?

Quem assistiu Star Trek A Volta Para Casa deve lembrar da nave rumando para a Terra que vinha causando problemas em cada parte do espaço que passava. Quando chegaram ao nosso querido planeta eles procuravam a entidade com quem se comunicavam e que tinham parado de enviar sinais: baleias jubarte extintas no século XXIII. E na busca por reencontrar seu antigo contato, eles quase aniquilaram o planeta e tudo o que havia nele.


É bastante possível que, se entrássemos em contato com qualquer tipo de espécie alienígena que não seja reconhecida por nós como uma forma humanoide seja um completo desastre, como o que quase aconteceu em Esfera, como quase aconteceu em A Volta para Casa. Seríamos atropelados, tal como um formigueiro no meio da estrada.

Além disso, o contato com uma raça alienígena capaz de traduzir nossos pensamentos, sonhos e pesadelos para o real numa forma de nos compreender para se comunicar conosco causaria um profundo terror. Quem já teve pesadelos vívidos ou qualquer tipo de terror noturno pode adivinhar o que aconteceria num nível mundial. Imagine seu pior pesadelo se transformando em um cenário real, com as pessoas que ama inseridas nele?

Apesar de termos alguns "protocolos" para comunicação com aliens, como usar a matemática ou a astronomia, que seriam linguagens universais, como nos comunicar com algo que sequer reconhece formas de vida orgânicas? Ao mesmo tempo em que ansiamos por um contato com eles, seriam todos eles, toda e qualquer forma de vida senciente que exista por aí? Até mesmo as potencial, e inerentemente perigosas para nós? Talvez ficar quietinho em nosso canto do cosmos seja melhor. Ou podemos estar envoltos por vida inteligente que simplesmente nos olhas e não nos reconhece como tal (aliás, quem tem gatos em casa se sente assim todo dia).

Até mais!
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O espaço colonizado pelos excluídos

Quando ou se a colonização em massa do espaço vai acontecer, não sei dizer. Apenas sei que se for acontecer não será num futuro tão próximo devido aos problemas envolvidos, especialmente com a falta de gravidade e com a tecnologia para suporte de vida. Mas talvez o espaço se torne um lugar para os excluídos da Terra, aqueles que por aí são párias, prisioneiros ou excluídos da sociedade.





E por que mandar os excluídos do sistema para o espaço? Bastante simples: eles comporiam a mão de obra necessária para a construção de colônias ou em atividades de mineração (como no caso dos prisioneiros que trabalham asfaltando estradas ou construindo casas). Ou por um motivo bem menos nobre: assim como aconteceu nas Américas e na Austrália, o espaço seria o lugar ideal para mandar prisioneiros. Nova Gales do Sul, na Austrália, começou como uma colônia penal e por muito tempo a Europa mandou para as Américas os seus condenados, numa tentativa de tirá-los de suas vistas e de suas terras. Nos anos 1800, prisioneiros construíram estradas nos Estados Unidos.

Arte de Starcraft. 

Quem joga Starcraft deve se lembrar que a colonização do espaço começou com prisioneiros e no filme A Outra Terra, a protagonista saiu da prisão depois de cumprir pena após um acidente de trânsito que matou uma família e usou este argumento da colonização das Américas para embarcar em uma missão para a outra Terra. A série de TV The 100, que também é um livro, explora novamente este lado de usar prisioneiros condenados para recolonizarem uma Terra que eles já desconhecem. Em Alien 3, Ripley cai com a EEV em Fiorina Fúria 161, uma colônia penal para condenados duplo-Y, todos presos perigosos.

Por outro lado, em Elysium, os ricos se mudaram para uma Alphaville espacial, segura e moderna, enquanto a Terra superpopulosa, caótica, poluída e desassistida era mantida nas trevas. Quem tentasse se aproximar o habitat em busca dos milagrosos tratamentos médicos, era abatido sem dó nem piedade. Este também poderia ser um cenário futuro de colonização? Tudo vai depender do quanto a tecnologia será segura o suficiente para o estabelecimento das pessoas no espaço.


Se a tecnologia pudesse levar prisioneiros ou excluídos, moradores de rua, mulheres fugindo de seus maridos, pessoas que sofram com preconceito, para um outro planeta para que começassem uma nova vida longe da Terra, será que isso é moralmente correto? Parece que elas estão sendo destituídas de sua humanidade ao serem retiradas da Terra ao invés de tentar resolver os problemas. A sentença destes prisioneiros teria validade apenas na Terra? De que tipo de prisioneiros estaríamos falando? Se enviarmos uma nave com psicopatas e estupradores para um planeta para ser colonizado, isso não colocará outras pessoas em risco?

Com a tecnologia de hoje seria impensável mandar pessoas para outros planetas ou manter prisioneiros em uma prisão espacial. O problema da gravidade já seria um entrave quase impossível de resolver. Os reaças do Facebook adorariam mandar essas pessoas para um ambiente onde pudessem se ferrar, mas gostando ou não eles também estão protegidos pelos direitos humanos.

Além disso, não há economia com dinheiro sobrando para investir em tal empreitada. Se todo mundo seguisse o conselho de Arthur C. Clarke e suspendesse suas atividades militares, teríamos dinheiro de sobra para acabar com doenças, com fome, miséria e investir no espaço. Como não é o caso e não há possibilidade de expandir a economia ao espaço para gerar lucro, mandar prisioneiros para cumprir sentenças espaciais está longe de funcionar. E se acabássemos com os problemas sociais, é bem provável que o crime diminuísse e a necessidade já não fosse tão urgente.


No entanto, seria um recomeço para muita gente em busca de uma nova chance. Aí talvez a colonização espacial seja algo próximo à uma salvação para estas pessoas. Infelizmente, isso ainda está longe de acontecer.

Até mais!
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