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10 jogos que marcaram a minha vida

O colega sofredor professor Luciano, do blog Nerdweek respondeu este desafio do Facebook em seu blog e chamou alguns blogueiros conhecidos para também participarem. O tema: quais são os 10 jogos que marcaram sua vida. O resultado, você vê abaixo.





Eu nunca tive videogame. Apesar da intensa insistência quando eu criança e adolescente, nunca tive um, então todos os meus jogos são para PC. A maioria deles eu conheci através daquela Revista do CD-Rom. No CD mensal sempre vinham demos de vários jogos. Alguns eu conseguia instalar, outros não, mas foi com nosso primeiro computador em casa - um IBM Aptiva 486 - e dos CDs que surgiu o gosto pelos games.


10. Paciência
Paciência??? Sim, este joguinho foi o primeiro que me fez perder horas no computador, aquele velho IBM. Aprendi a jogar e logo eu estava ganhando todas, sem querer me gabar. Mas alegria de pobre dura pouco: foi eu tentar virar três cartas, ao invés de uma, e minha glória acabou. Porém, o Paciência me fez desenvolver estratégias entre os montinhos de cartas para poder completar os baralhos e às vezes eu passava horas com o jogo aberto, buscando uma solução. A pontuação nem me importava, eu só queria completar os baralhos.


9. Duke Nukem
Joguei o demo dele, que vinha num daqueles CDs, umas 500 vezes. O jogo era tosco, admito. Não só nos gráficos - claro que para a época era o top de linha - mas também no enredo. Duke é aquele durão fanfarrão, machistão, que mijava no meio das missões, elogiava a si mesmo no espelho e jogava dinheiro para as moças na boate. Foi o primeiro jogo em que apliquei as famosas "chaves de trapaça" porque queria logo terminar a fase. Entretanto, nunca saí do demo, então não sei que fim deu Nuke. Foi meu primeiro jogo de tiro.


8. Left 4 Dead 2
Desde Duke Nukem que eu não jogava nenhum jogo de tiro. Como fiquei muito tempo sem computador e/ou internet, me contentava com meus joguinhos mais antigos mesmo. Mas como adoro um bom apocalipse zumbi, esse jogo me pegou de jeito. A versão que tenho instalada aqui no note contém os dois jogos, 1 e 2. Além disso, baixo mapas e jogo a doidado. Você e mais três sobreviventes imunes ao vírus precisam chegar aos pontos de evacuação, atravessando cidades, fazendas, rios, cavernas e esgotos, completamente tomados por zumbis. Muito bom para jogar com a galera. Jogo sempre com a Rochelle ou com o Nick.


7. Theme Hospital
Eu amo esse joguinho, amo, amo. O objetivo aqui é construir e administrar um hospital. Só que as doenças eram totalmente doidas. Por exemplo, chegava um carinha com uma cabeça imensa e depois de passar por exames - até máquina de raio-X e ressonância o hospital tinha - ele ia para uma sala onde o médico estourava a cabeça do paciente e a enchia de novo até o tamanho normal. Nas últimas fases você tinha que tratar até alienígenas. Tinha emergências que chegavam de helicóptero e terremotos que danificavam seus equipamentos. Equipe descontente com salários. E ratos. O hospital tinha ratos e você ganhava pontos para cada rato morto. Na falta de banheiros, por exemplo, os pacientes faziam xixi no chão.


6. Starcraft II
Quando soube que a Blizzard lançaria Starcraft II fiquei em cima para poder comprar. E aí, aquela decepção: meu notebook não suportava o jogo. Assim que comprei o notebook novo, foi o primeiro jogo instalado e acho que fiquei um fim de semana inteiro nele, apenas para chegar à última campanha. Temos aqui a continuação dos eventos de Starcraft I, mas com gráficos refinados, novas máquinas, novas unidades e novos perigos. Wings of Liberty é apenas com os humanos (Terrans). Em Heart of the Swarm, é com os Zergs e a protagonista é feminina. Um dos meus favoritos. E na próxima versão, será possível jogar com os Protoss.


5. Warcraft II
Outro demo dos CDs, o jogo me encantou pelo visual e pelo enredo. Eu adorava a arte e os wallpapers feitos para o jogo. Lembro que aplicava as chaves de trapaça apenas para jogar uma fase até esgotar todos os recursos naturais do cenário. Este Warcraft é a sequência do Warcraft: Orcs & Humans. Jogando com humanos ou orcs, os cenários eram cercados de magia e missões a serem completadas. Joguei o Warcraft III também, mas ele não me marcou tanto quanto este aí.


4. Caesar II, III e IV
Hail, Caesar!, já dizia o ACDC. Aqui você galgava posições, desde baixo, até as altas esferas do poder e tinha que chegar a César. Você passava por colônias tranquilas, outras nem tanto, tinha que muitas vezes apaziguar os nativos ou então você convocava as legiões pro pau quebrar. Nem sempre era fácil construir as cidades. Existiam muitos incêndios ou então rebeliões e a população saía quebrando tudo. Invasões bárbaras também eram comuns, dependendo da colônia e eles destruíam toda a sua infraestrutura. Joguei desde o segundo jogo, até o último e mais recente, IV, mas que perdeu o charme dos primeiros jogos.


3. Starcraft
Adivinha? Outro demo! Também da Revista do CD-Rom. Fiquei fascinada por esse jogo e depois quando ele saiu completo, com expansão, tratei de comprá-lo. Comparado ao Starcraft II, ele é tosco, mas foi completamente inovador para sua época, mesmo com a pobre tradução para o português, que quase acabou com o jogo. Foi o mais vendido em 1998 e lembro do furor da garotada para ver quem fechava as fases primeiro. O que sempre achei interessante é que seu enredo fala de uma colonização do espaço feita por prisioneiros, algo bem semelhante com a colonização das Américas e da Austrália. E ele ainda é jogado no modo multiplayer até hoje, mesmo com o jogo de 2007.


2. Faraó
Sou completamente apaixonada por este jogo. Ele é antiguinho, mas é lindo. Sou fascinada pelo Antigo Egito e no jogo você começa desde os tempos mais antigos, como um reles funcionário do governo e vai galgando posições, administrando cidades e construindo monumentos, até chegar ao posto de faraó. Na extensão, você governa os períodos mais recentes da história egípcia, como o período ptolomaico, tendo que construir a cidade de Alexandria. Temos até as pragas do Egito, como invasões de sapos, gafanhotos e o Nilo vermelho como sangue.


1. Descent
Era outro demo daqueles CDs e eu era completamente fascinada por ele. Joguei o I e, um pouco menos, o II, mas tudo versão demo. Aqui tínhamos bases de extração de minérios em vários planetas do sistema solar e na Lua que foram dominadas por robôs. Você tinha a missão de entrar nestes lugares para libertar os mineiros que eram reféns, encontrando vários destes robôs de extração de minérios pelo caminho, e destruir o núcleo do reator para aí destruir a base. E tinha que sair num determinado tempo também, ou você era destruído junto. Os gráficos hoje são toscos, mas para a época era um jogo viciante. Nunca mais joguei alto tão bacana e adoraria uma versão mais moderna dele.


Se você é jogador compulsivo e quer participar do desafio, deixe o link do seu post nos comentários. Se não tiver blog, não tem problema, pode usar a área de comentários para deixar seus jogos marcantes favoritos.

Até mais!
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Resenha: Nosferatu, de Joe Hill


Joe Hill foi o responsável por me fazer persistir nos livros de terror este ano. Cêis sabem que eu sou patife, né? Fiquei afastada do terror por muito tempo por não achar nada que me cativasse nem que me prendesse até o final. E Joe Hill conseguiu me segurar em A Estrada da Noite e agora com Nosferatu. O filho de Stephen King tem competência de sobra para se firmar como um dos mais importantes escritores da atualidade.





O livro

A enfermeira Ellen Thornton se aproxima de um paciente acamado há anos para lhe dar uma transfusão de sangue. Este homem é Charlie Manx, que dizem estar no bico do corvo, quase morrendo. Charlie é um conhecido serial killer, responsável pelo sequestro e sumiço de dezenas de crianças ao longo dos anos. De repente, a mão da enfermeira é agarrada. Charlie está acordado e diz:

- O seu filho Josiah... – Tem um lugar para ele na Terra do Natal junto com as outras crianças. Eu poderia dar a ele uma nova vida. Poderia dar a ele um lindo sorriso novo. E lindos dentes novinhos em folha.


Apavorada, a enfermeira grita por socorro, mas ninguém lhe dá atenção. Manx está tão mal que é impossível que ele tenha feito o que Ellen diz. Dizem que ela imaginou aquilo tudo. Mas não. Ela sabia que era tudo real e via as marcas dos dedos de Manx em seu braço. Ellen teme por seu filho e por sua própria sanidade.

Pulamos então para a vida da protagonista, Victoria McQueen, uma criança, que vive em um lar disfuncional. Seus pais brigam o tempo inteiro e ela não aguenta essa situação. De posse de sua inusitada bicicleta Raleigh Tuff Burner, Vic consegue fazer algo extraordinário: ela consegue atravessar a Ponte do Atalho no bosque no seu bairro e pode chegar a qualquer lugar para assim encontrar coisas perdidas. Tudo parece extremamente real e Vic não entende direito porque aquilo acontece.

Em uma dessas idas pela ponte ela faz amizade com uma moça que também tem um dom, o de conseguir saber de fatos com alguma antecedência através de palavras cruzadas e Vic é avisada para ficar longe de Charlie, ele é muito perigoso. Conforme a narrativa se desenvolve, vemos os conflitos de Vic com os pais, vemos alguns sequestros acontecendo e temos o desprazer de conhecer o cúmplice de Charlie, um homenzinho de merda e completamente medíocre chamado Bing Bing. Charlie o convence que é preciso tirar as crianças de adultos abusivos para poder salvá-las. Bing ajuda no sequestro, estupra e mata a mãe, pai ou qualquer responsável, intoxicando-os para deixá-los inertes.

A Ponte do Atalho, por onde Vic passa com sua bicicleta.

O dom de Charlie é o de levar essas crianças para seu mundo imaginário, a Terra do Natal, onde o Natal acontecesse todos os dias, o ano inteiro, com neve feita de açúcar e presentes todos os dias. Para isso, ele usa seu Rolls Royce Wraith 1938, um carro raro e diabólico, cuja placa é NOS4A2 (Nosferatu). Pessoalmente, eu teria deixado o título tal como o original. Este carro transforma as pessoas e as crianças começam a deixar de ser quem são. E em uma das andanças de Vic pela ponte, ela vai cair no quintal da casa de Manx e quase vira sua nova vítima. Charlie a odeia profundamente, pois foi desta forma que a polícia conseguiu prendê-lo e o separou de seu precioso carro e suas criancinhas.

O livro é longo, são mais de 600 páginas, porém passam rápido. Acompanhamos o crescimento de Vic, a forma como não se relacionava com o pai, como se manteve afastada da mãe, como teve filho com um motoqueiro e mecânico e foi morar no meio do nada e como ela quase enlouqueceu. Vic chegou a ser internada depois de quase tacar fogo na casa, pois ouvia os telefones tocando quando mais ninguém ouvia e do outro lado estavam as crianças da Terra do Natal. Vic se convenceu de que era esquizofrênica e que nada daquilo era real... mas quando o corpo de Manx some do necrotério, parece que o terror está para voltar.


Ficção e realidade

Você sabe que um livro de terror te fisgou completamente quando se assusta de verdade na vida real. Eram 2 da manhã, eu lia uma parte especialmente tensa em que Bing Bing bate na porta da casa de Vic, sendo que Bruce Wayne, filho dela, está em casa e sozinho. Justamente nesta parte, minha mãe bate na porta do meu quarto, perguntando se eu queria um chocolate quente. Pensa o susto que eu levei? Pois é, isso mostra que o livro segura tanto o leitor, você fica tão tenso durante a leitura que qualquer coisa que pareça normal no dia a dia se torna assustador.


Pontos positivos
Terror
Mistério
Reflexão sobre a humanidade

Pontos negativos


Se arrasta em algumas partes


Título: Nosferatu
Título original: NOS4A2
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 624
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Muita gente pode achar que por se tratar do filho de Stephen King, Joe vive à sombra do pai famoso. Nunca consegui ler nada de King por não gostar do estilo da narrativa dele, e talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto da forma com que Joe escreve, por se distanciar do pai. Nosferatu é um livro diabolicamente delicioso de ler. Achei que o final foi longo como o de A Estrada da Noite, porém isso não desabona o livro. Os personagens são críveis, falhos, reais, são descritos com seus defeitos e virtudes... tirando Manx e Bing Bing, claro, que não têm virtude alguma. Quatro aliens para Nosferatu e uma forte recomendação para que você leia.


Até mais!
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SORTEIO DUPLO: Momentum Saga e Borboleta Negra

Depois de mais de 4 anos de blog, FINALMENTE, chega um sorteio aqui no MS! SIM! Eu já vinha anunciando pelo Twitter e pelo Facebook que vinha uma surpresa por aí e finalmente a surpresa chegou! Em uma parceria tudibão entre Momentum Saga e o Borboleta Negra, teremos não só uma promoção arretada como também um produtinho fofíssimo e personalizado para os fãs do blog.





Em uma parceria fofíssima, lindíssima, magnânima, chamei a Camila, do blog Goticity, CEO do Borboleta Negra e também autora do Universo Desconstruído para fazermos um sorteio juntas. Para quem não conhece, o Borboleta Negra é uma loja especializada em cadernos e blocos artesanais, tudo feito à mão e com amor.

Eis que então surgiu a proposta do sorteio: um caderno exclusivo e personalizado do MS com o Borboleta Negra, mais um exemplar do Universo Desconstruído e um exemplar de O Sonho da Sultana. Dá uma olhada:



O download de Universo Desconstruído e O Sonho da Sultana é e continua gratuito. Aqui é só a versão impressa, que aliás é uma lindeza só.

E como faz para ganhar essas coisas lindas? Simples. Curta a página do MS e do Borboleta Negra no Facebook. É o único item obrigatório. Se quiser compartilhar no Twitter, você também pode. O resultado do sorteio sai no dia 10 de outubro!

Regras do sorteio

1. Curtir as páginas do Momentum Saga e Borboleta Negra;
2. Após o sorteio, o ganhador receberá um e-mail solicitando seus dados para envio. E deve entrar em contato em até 48 horas ou um novo sorteio será realizado;
3. É necessário ter o endereço de entrega no Brasil;
4. Não é permitido a participação de promonautas.
5. Autores do Universo Desconstruído não podem participar do sorteio. Sorry folks!


Como funciona o sistema do sorteio?

1. Faça o login no formulário abaixo, pode ser pela sua conta do Facebook ou email. Não é necessário cadastro. Realize as tarefas solicitadas para prosseguir.
2. Tanto as páginas do Facebook quanto perfis do twitter você curte e segue aqui mesmo pelo formulário. Lembrando que é obrigatório apenas curtir as fan pages.
3. Para postar a frase no Twitter (opcional) clique no botãozinho para twittar. Em seguida, acesse o Twitter e clique no horário em que a frase foi postada para abrir o link. Copie e cole aqui no formulário para validar seu twitada. E é só clicar em "I Tweeted".

a Rafflecopter giveaway


Você não vai ficar de fora e perder a chance de ganhar essas coisas lindas, vai? Então participe!

Até mais e até o dia 10 de outubro, quando sai o resultado!
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Devemos temer o levante das máquinas?

O levante das máquinas é um tema comum na ficção científica. Temos franquias de sucesso como Battlestar Galactica e O Exterminador do Futuro onde nossas criações se voltaram contra seus mestres e quase levaram a humanidade à extinção. A questão que fica é se isso é algo plausível e até inevitável conforme as tecnologias avançam ou se é mera especulação.





As máquinas inteligentes e sencientes são um assunto acalorado na ficção científica e na robótica em geral. Algumas pessoas defendem que se uma máquina chegar ao ponto de desenvolver uma inteligência maior que a humana, ela automaticamente terá preocupação com os valores humanos e, dessa forma, não será um perigo para nós. Por outro lado, a visão mais fatalista discutida, especialmente, pela ficção, é que as máquinas vão querer exterminar seus criadores num ato de vingança pela servidão ou por desejo de sobrevivência.

Em Matrix, as máquinas, além de se tornarem inteligentes e conscientes, conseguiram praticamente nos exterminar. Nós nos tornamos "a máquina", por assim dizer, servindo para sustentá-las. Em Battlestar Galactica, os cylons se revoltaram contra a servidão imposta pelas colônias e 40 anos depois da primeira guerra voltou para se vingar. Em O Exterminador do Futuro, a Skynet assume a rede global de computadores e dispara mísseis nucleares, quase vaporizando a humanidade. Ou seja, temos mais exemplos de máquinas traindo seus mestres do que máquinas nos respeitando e convivendo como iguais.


Sabemos, claro, que utilizar de máquinas conscientes é uma ótima metáfora para tratar de racismo, preconceitos em geral, a dependência da tecnologia. Mas é necessário fazer a pergunta: elas podem ser uma ameaça? Um dos problemas é que nós atribuímos humanidade às máquinas porque as imaginamos como seres parecidos conosco apenas por ser criação nossa. Acreditamos que uma máquina superinteligente e consciente terá, necessariamente, valores humanos. Tanto é que, para isso, Asimov compôs as três leis da robótica baseadas na preservação da vida dos senhores, ou seja, a raça humana, e a preservação do robô como sendo algo secundário.

Se formos imaginar uma forma de vida alienígena inteligente, podemos traçar alguns paralelos com ela. Ela teria evoluído em um planeta com condições de abrigar vida por tempo suficiente para que se desenvolva e crie cultura e civilização. Essa raça terá necessidades básicas como a nossa, de comida, ar, água, temperatura estável. Terá medo de danos físicos, doença, predação, e provavelmente terá uma reprodução sexuada, gerando proles que perpetuem seu DNA.

Mas e as máquinas? Elas se levantam contra nós na ficção porque nós as dotamos de qualidades humanas. Mas qualidade humana é algo que podemos programar? É mais fácil programarmos um computador para calcular uma viagem interestelar do que pedir que ele tenha consideração pela vida humana. As variáveis envolvidas no simples ato - simples para nós - de considerar a vida humana como algo valiosa requer uma estrutura de conhecimento adquirida com a vivência e não com zeros e uns em um circuito lógico.


Nossa vida, valores, limites, são todos calibrados pela experiência de vida. Enquanto temos cérebros praticamente idênticos em estrutura, nossas personalidades variam tanto, que não temos como medir com números o que tudo isso significa e o que gera. Para uma máquina, não é fácil dotá-la de valores porque isso não é algo que se programa. Data, em Star Trek, tem o chamado "chip de emoções". Mas como isso foi feito? Que tipo de computador foi usado para criar um chip que reproduza emoções, essa coisa tão abstrata?

Para que uma máquina consiga desenvolver uma mente capaz de reproduzir as experiências humanas, seu cérebro precisaria funcionar em parâmetros semelhantes ao do nosso próprio cérebro, esta estrutura misteriosa que ainda nos prega peças. A máquina teria que desejar as mesmas coisas que nós, como segurança, abrigo, dar valor à própria vida para valorizar as outras formas de vida ao seu redor. Se formos pensar em todas as implicações necessárias para dotar as máquinas com consciência isso se torna uma tarefa quase impossível.

Se ela tomasse consciência de si própria e de seus semelhantes, é bem provável que não reconhecesse a forma humana como uma forma de vida inteligente. Ela poderia olhar para nós e não compreender que ali existe um ser dotado de inteligência e consciência. Ou seja, seria impossível para ela se voltar contra algo que sequer reconhece como uma ameaça. Seria o mesmo que perguntar para um ser imortal se ele entende o conceito de morte.


Esta forma de vida artificial e inteligente pode, simplesmente, não ter nenhum objetivo, diferente de nós, que temos aspirações, valores e desejos. O fato de não ser humana e de não necessitar de nada do que necessitamos a coloca num limbo hipotético. Se um robô foi programado para coletar e compactar lixo, ele não terá outra função e/ou aspiração na "vida" além de fazer exatamente aquilo para o qual foi programado.

Não é à toa que, no primeiro filme Robocop, vários protótipos enlouqueceram e a OCP colocou um cérebro humano dentro de uma máquina. Foi a maneira encontrada para dotá-la com os valores morais necessários à uma máquina para lidar com a segurança da vida humana e com o cumprimento da lei. Aí sim ele pode se voltar contra aqueles que acabaram com sua vida humana.

Não temos como prever como serão os saltos tecnológicos, mas não sei se temos que nos preocupar com o levante das máquinas tão cedo.

Até mais!
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Resenha: Dezoito de Escorpião, de Alexey Dodsworth

Devo admitir que este foi um livro que precisei digerir com calma depois de ler. Estranhei várias coisas nele, mas tem uma explicação para isso. Tenho lido meio que "mais do mesmo" ultimamente: YAs distópicas, especialmente de fora. Quando, de repente, a gente pega uma obra nacional que escapa do óbvio, uma sensação de estranhamento acaba surgindo.





O livro

Temos três partes neste livro. Na primeira, temos enredos paralelos, mas trata basicamente da descoberta da estrela Dezoito de Escorpião, estrela gêmea à nossa, o que causa um rebuliço entre as pessoas. Junto disso temos a Hipersensibilidade Eletromagnética, doença que causa grande desconforto aos afetados por ela, causando surtos, dores de cabeça, volta e meia confundida com esquizofrenia e doenças mentais diversas. É aqui que conhecemos o protagonista, estudante da USP, Arthur, que há anos sofre com a doença, mas que toma anti-psicóticos para poder levar uma vida normal.


Arthur, então, conhece alguém que diz que há uma chance de atenuar seus sintomas e até de curá-los. A Vila Muhipu foi feita para isso, onde pessoas com a mesma sensibilidade podem viver tranquilamente. Curioso, e pensando em um futuro doutorado, Arthur termina a faculdade e viaja para Muhipu. Acha estranho fato de ter que ser sedado para que ninguém descubra a localização da vila. Mas ao acordar lá, percebe que já se sente muito melhor. Mas não entende a estranha proibição de nunca sair dos alojamentos à noite. Também não entende qual é o problema com seu gatinho, que parecia ter problemas para andar.

Arthur conhece Laura, uma moça que sofrera abusos sexuais e bullying na escola, e Martin, negro e ex-detento da Fundação Casa. Percebe muita harmonia na vila, apesar das estranhas restrições. Intrigado com uma série de eventos estranhos, Arthur começa a investigar a vila e vira frequentador assíduo da biblioteca onde encontra um livro de física com estranhas anotações de uma antiga moradora de Muhipu. E há qualquer coisa de errado com o norte-americano da vila, um tal de Lionel.

Meu primeiro estranhamento foi com relação aos diversos fatos que pareciam não ter conexão alguma. Você fica meio perdido no começo. Além disso, a insistência por uma visão meio "natureba", com forte pegada de preservação ambiental também é algo ao qual não estou acostumada. Por isso que, de início, fiquei indecisa sobre ter ou não gostado do livro de Dodsworth. Me peguei pensando na Síndrome do Capitão Barbosa e pensei que se esses indígenas não fossem brasileiros e sim de tribos como os Sioux e os Navajo talvez eu não estranhasse tanto. Ponto para o autor em situar o enredo quase que, integralmente, no Brasil.


Muita gente também pode ficar com um pé atrás com certos personagens. Nem todo mundo aqui é bonzinho, nem todo mundo é o que parece. Algumas figuras macabras aparecem na narrativa. O final me decepcionou um pouco, porque fiquei com a nítida impressão de que teremos uma continuação. Dessa forma, algumas coisas se resolvem, mas não tudo. Ainda assim, algumas das revelações do final são incríveis. Não gostei, contudo, de alguns clichês, em especial sobre as personagens femininas.


Ficção e realidade

Uma estrela idêntica ao Sol abre um leque de implicações. Teria Terras ao redor? Essas Terras teriam água líquida? Há vida? Há vida inteligente? Podemos ir até lá? No âmbito religioso, podemos prever os questionamentos sobre novos messias, caos, até mesmo suicídios em massa? Arthur C. Clarke já dizia que é igualmente aterrorizante pensar que estamos sozinhos no universo ou não estamos. Sabemos que o universo não liga a mínima para nossa existência, ele é totalmente indiferente à nós... Ou será que não estamos lendo seus sinais corretamente?


Pontos positivos
FC brasileira
Não é distopia
Muitas surpresas

Pontos negativos
Final em aberto
Diálogos podem ser longos
Clichês óbvios

Título: Dezoito de Escorpião
Autor: Alexey Dodsworth
Editora: Novo Século
Páginas: 350
Onde comprar: grandes livrarias. Comprei o meu na Saraiva, em uma promoção especial.


Avaliação do MS?

Quem estiver buscando uma literatura nacional, que saia do lugar comum, pode apostar em Dezoito de Escorpião. Até mesmo os dados científicos são explicados de maneira didática, sem aquela tecnobaboseira que muitos livros carregam, o que pode afastar muitos leitores. Não sei se terá uma continuação, mas gostaria de saber o que acontecerá com os protagonistas e com a estrela. Quatro aliens e uma recomendação para que você leia.


Até mais!
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