Pular para conteúdo Pular para navegação

Trilha sonora para o fim do mundo!

fim do mundo
Pedi que os tripulantes da nave Momentum Saga, no Facebook, me mandassem músicas que eles ouviriam no fim do mundo. Aquele momento em que tudo acaba em fogo e poeira, aquela desgraceira toda, merece uma trilha sonora! Foram indicações muito profundas, ótimas músicas, que acabaram me mostrando um pouquinho da intimidade dos meus tripulantes.





Sei que parece mórbido. Bem, na verdade até é, mas escolher uma música para esse momento também reflete muito sobre o nosso estado de espírito, sobre nossa vivência, sobre nossos gostos e de como encaramos este final. Percebi pelas músicas dois sentimentos bem característicos: tristeza e revolta. Algumas músicas são pancadas na orelha, denotando um tons de caos e confusão, revoltas, tanto pessoais quanto na própria organização da sociedade. Não parece tão longe de nós isso, parece?

Em um momento onde acompanhamos na comodidade de nossos lares toda a tragédia humana de guerras e epidemias de doenças fatais, o mundo parece mesmo um lugar revoltado, em caos. O mundo é o que sempre foi: além de um planeta habitável, o mundo é uma construção da raça humana e nossa marca indelével está por toda parte. Dizer que vamos enfrentar o fim do mundo pode ser desde uma catástrofe em escala planetária, como a queda de um asteroide, ou uma pandemia mortal que leve o ser humano à extinção, deixando a Terra livre da nossa influência.


A sociedade precisa do ser humano para existir. É assim que os espaços terrestres são construídos e produzidos. Sem a gente, nossas cidades e construções são meras estruturas deixadas para a erosão e para o tempo. E é aí que entra a tristeza pelo fim da nossa espécie. Vejo muitos comentários raivosos pela internet e pelo Facebook (que devia ter algumas páginas interditadas pela Vigilância Sanitária) onde somos chamados de assassinos imundos, que o mundo estaria bem melhor sem a gente. Não consigo pensar isso da mesma espécie da minha mãe, da minha, dos meus amigos mais queridos. Sério, não consigo. Não consigo rebaixar o ser humano a um nada, uma coisa que não merecia viver.

Temos a maravilhosa capacidade de criar cultura, de criar comunidades, de amar e de resolver problemas. Pensar em nós mesmos como algo tão mau e negativo, apenas reforça os discursos inflamados de pessoas que enxergam algo por apenas um viés. E não é assim que a raça humana funciona. Temos a capacidade de ser bons, maus ou indiferentes, não há apenas uma faceta aqui. Ninguém tem apenas uma face.

Compilei todas as músicas indicadas pelos meus lindos tripulantes neste mix do 8tracks que você pode ouvir abaixo. E já sabe: no dia que o mundo acabar, despeça-se de quem ama e esteja com este link favoritado. Assim é só dar o play e se despedir do mundo.



Até mais!
Editar o post

Tão sós no universo...

Uma das perguntas mais fundamentais do século XXI para a qual 42 não serve como resposta é se estamos sós no universo. Toda uma cultura pop se voltou para isso, com filmes, séries de TV, livros, quadrinhos, pseudociência, vários recursos sendo empregados para tentar preencher este estranho vazio que parece acometer a raça humana. Temos até mesmo um programa voltado para a busca de vida extraterrestre inteligente (SETI). Mas o quão sós nós estamos?





Uma das grandes questões do nosso tempo é: "Será que estamos sozinhos?". Muito mais que uma pergunta puramente científica, ela também é uma questão filosófica e existencial. Acharmos que existe vida pelo universo, além da vida na Terra é uma coisa. Comprovar isso, cientificamente, é outra. Esta não é uma questão de simples resposta, com sim ou não. É muito provável que o que encontrarmos pelo cosmos durante a exploração do espaço seja sem precedentes, totalmente não familiar e, possivelmente, impossível de classificar. Não há como sabermos que o que aconteceu na Terra é um padrão ou uma exceção. Podemos nunca responder a essa questão.

Mas a pergunta continua no ar, certo? E o que ela mudaria para a nossa vida aqui no nosso cantinho do cosmos se pudemos observar e provar que há vida pelo universo além da Terra? Vai depender do tipo de vida. Uma bactéria já seria uma grande descoberta, o que dirá de um organismo multicelular? Ou um animal superior, como os mamíferos? E quem sabe até um ser com capacidade de raciocínio lógico e capacidade de criar cultura e civilização? Certamente são passos demais para dar, mas o universo teve tempo de sobra para fazer isso.


Uma bactéria sob o gelo de Europa ou nos lagos de Encélado é incrível, mas não responde à nossa pergunta. Isso porque a busca por vida lá fora se faz baseada na busca por um igual, por seres que, como nós, puderam transcender sua biologia e criar tecnologia capaz de partir para o espaço. Até mesmo um planeta com biomas tão complexos quanto os nossos ainda deixaria a questão em aberto, pois satisfazer a curiosidade e a necessidade de encontrar vida inteligente além da nossa é muito mais subjetiva e pessoal do que a ciência pode provar.

Se extrapolarmos o princípio copernicano, onde planetas rochosos e pequenos, que circundam suas estrelas em uma faixa habitável onde pode existir água líquida não são raros, já era para termos encontrado ETs inteligentes, certo? Nem sempre. É preciso pensar na questão da simultaneidade entre as civilizações para que possamos observar e contactar outra raça alienígena que esteja não apenas em um passo evolutivo semelhante ao nosso como também tenha a mesma disposição para contato como a gente. Uma diferença de 1 milhão de anos que seja, ou menos até, 500 mil anos, já inviabilizaria o contato. Ou seja, é um tiro no escuro longo demais para dar certo.

Só para termos uma noção de tempo e espaço, vamos ver a jornada do nosso próprio planeta e da vida que aqui surgiu:

10. O universo tem cerca de 13,7 bilhões de anos;

9. Nossa galáxia, a Via Láctea, é tão velha quanto o universo, com cerca de 13,2 bilhões de anos; ou seja, ela persistiu por 96% do tempo total de existência do nosso universo;

8. Estrelas cuja metalicidade é consistente com a formação de sistemas planetários pequenos, com planetas rochosos possuem cerca de 10 bilhões de anos;

7. A Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos (cerca de 1/3 da idade do universo);

6. A vida começou em nosso planeta entre 4,2 a 3,8 bilhões de anos, quando o planeta esfriou o suficiente para tornar a vida possível, sendo que ela era composta por organismos procariontes e unicelulares por quase 2 bilhões de anos até que algo de fato interessante acontecesse;

5. A vida eucarionte surgiu cerca de 2 bilhões de anos;

4. Vida multicelular complexa surgiu cerca de 580 milhões de anos com a Explosão Cambriana;

3. A irradiação dos mamíferos após a extinção dos dinossauros começou cerca de 65 milhões de anos atrás, dando chance para animais de sangue quente, com pelos, visão binocular, algumas vezes colorida e cérebros grandes;

2. Os hominídeos se separaram da linhagem dos primatas primitivos em algum lugar entre 5 e 7 milhões de anos, começando sua jornada para o que viria a ser o Homo sapiens;

1. As primeiras formas de civilização emergiram cerca de 10 mil anos atrás, começando mais ou menos ao mesmo tempo no vale do Rio Amarelo, na China, no Vale do Indo, na Índia, na Mesopotâmia, no Oriente Médio e em alguns lugares isolados no Peru entre outras localidades isoladas. Civilização técnico-industrial - o tipo que pode (potencialmente) construir naves e radiotelescópios - começou há cerca de 200 anos.


Se nos sentimos tão sós no universo, não deveríamos buscar união enquanto raça e civilização para tentar tapar esse buraco? Será que 7 bilhões de seres humanos em um planeta não são motivos suficientes para tentar transcender os problemas e continuamente melhorar a nós mesmos? Do jeito que a coisa anda, uma raça alienígena não teria muitos motivos para estabelecer e manter contato conosco.

Já vimos o quanto a janela que busca achar uma civilização alienígena avançada o suficiente para poder estabelecer contato conosco é pequena. Não deveríamos nos sentir tão solitários por não encontrar ETs evoluídos que falam e constroem naves. Deveríamos nos sentir satisfeitos por gerarmos civilização e criarmos comunidades, mas ao invés disso a raça humana se esforça mais em guerras do que em períodos de paz. Não há como prever se estaremos extintos em breve ou se em 1 milhão de anos, mas pode ser que lá fora tenha apenas gases e poeira. E quando uma civilização desenvolver tecnologia suficiente para visitar a Terra, pode ser que encontre apenas nossos ossos e se pergunte se aqui viveu animais inteligentes.

Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no Universo ou não. Ambos são igualmente aterrorizantes.

Arthur C. Clarke
Editar o post

Resenha: Planeta dos Macacos: O Confronto (2014)

Desde que a franquia foi ressuscitada em 2011 com Planeta dos Macacos, A Origem, o fôlego novo à uma das franquias mais longevas da ficção científica trouxe novos fãs e novas visões sobre os conflitos entre humanos e símios. O novo longa não foge à regra e traz grandes críticas à sociedade, à guerra e o nosso trato com os animais, além de metáforas poderosas como racismo e xenofobia.





O filme

O filme começa pouco tempo depois do final daquele de 2011. Vemos como a doença causada pelo vírus símio se espalhou pelo mundo, levando pânico para a população, culminando com lei marcial, toque de recolher, até que o fim veio para a humanidade. Cerca de 98% da raça humana foi dizimada por este vírus feito em laboratório e as pessoas que restaram são os geneticamente imunes a ele. Enquanto isso, Caesar vive na floresta nos arredores de São Francisco, onde construiu uma comunidade próspera e que mantém distância dos humanos.


Mas na cidade, as pessoas estão passando dificuldades. A energia é escassa, o combustível também, e não dá para manter os geradores por muito tempo. Sendo assim, um grupo de humanos tenta alcançar uma usina para religar a energia e iluminar a cidade mais uma vez. E eles topam com a comunidade de Caesar, onde as relações parecem azedar de vez quando um deles mata um dos símios. Do lado dos humanos, muita gente se ressente pelo vírus e pela queda da civilização. Pelo lado dos símios, o ressentimento é pela forma como foram tratados quando eram apenas experimentos em gaiolas. Vemos alguns dos símios que apareceram no primeiro filme.

Antes que uma guerra estoure de vez, Malcolm (Jason Clarke) se oferece para ir até a comunidade dos símios para tentar um acesso à usina na base da diplomacia. Ele, a esposa, o filho e mais alguns técnicos, fazem a proposta à Caesar (Andy Serkis) que concorda, desde que eles façam isso em 3 dias. Mas enquanto isso, Koba, o mais rancoroso de todos os símios, resolve fuçar na cidade e encontra as armas dos humanos, vendo-os praticar tiro e, aparentemente, se preparando para uma incursão.

Malcom conhece uma sociedade de símios que nenhum humano ainda conhecia. Eles vivem em comunidade, não são agressivos desnecessariamente, têm filhos e são inteligentes. Não são animais irracionais, eles são seres com quem se pode conversar. Mas na cidade as pessoas não veem assim. E Koba faz questão que não vejam. Repleto de rancor e ódio pelos humanos, com certeza por tudo o que ele passou quando era um experimento, ele engana os guardas e consegue acesso às armas lá estocadas.


Existem clichês óbvios e problemas no filme, claro. Além da baixíssima representatividade feminina no filme, tanto do lado de símios quanto de humanos, temos o "cara-estourado", o "cara-do-bem", o "rancoroso"... Um desfile de personagens que já vimos em vários outros lugares. O filme foca mais nos símios e isso foi ótimo. É inverter os papéis, mostrando os discursos inflamados de Dreyfus (Gary Oldman) sobre os símios serem apenas animais e Caesar, com sua racionalidade. Temos bem retratado no longa as situações racistas e xenofóbicas que imperam em nossa sociedade. E também o reconhecimento dela devido à situação que Koba acaba levando aos dois povos, cego por ódio.


Ficção e realidade

O filme chegou aos cinemas em um momento tenso para a humanidade. Enquanto Gaza continua sendo bombardeada, levando à morte (desnecessária) de civis palestinos, enquanto um avião com civis é derrubado por nada, ele traz uma reflexão sobre até onde o ódio pode ir. Até onde as diferenças podem levar. Extinção? Total aniquilação? É preciso que um dos lados pereça e suma para que o erro seja percebido?


Em Planeta dos Macacos: O Confronto a merda já aconteceu. Nós fomos derrotados. Nossas cidades foram dizimadas, abandonadas. Passamos frio, fome, somos mirados por um povo que ainda sente toda a opressão sofrida, que ainda guarda rancor, onde muitos não conseguiram deixar o ódio para trás para que todos possam sobreviver. No que isso é diferente da nossa sociedade hoje?


Pontos positivos
Ótimos efeitos especiais
Ótimas metáforas sociais
Caesar

Pontos negativos

Clichês óbvios


Título: Planeta dos Macacos: O Confronto
Título original: Dawn of the Planet of the Apes
Direção: Matt Reeves
Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento: 2014
Onde ver? estreou no Brasil em 24 de julho de 2014.

Avaliação do MS?

Mesmo com os problemas, o filme não peca pelo excesso. As metáforas ali reunidas, as críticas à sociedade e ao modo como lidamos com os animais e com o que é diferente tornam esta sequência algo superior ao filme de 2011, com ares mais sombrios e com um final que deixa claro que teremos uma sequência. Quatro aliens para o longa e uma recomendação para que você assista.


Até mais!
Editar o post

O que é distopia?

O sub-gênero mais explorado da ficção científica é também aquele que gera controvérsia. Existem críticas sobre ele pertencer ou não à ficção científica, se ele deveria ser meramente uma ficção especulativa ou não. De qualquer forma, as distopias andam dominando não apenas o cinema como também a literatura, em especial as YA (young adult), trazendo grandes reflexões sobre sociedade e raça humana.





Thomas More popularizou a palavra "utopia" em seu famoso trabalho de filosofia política Utopia, de 1516. Ele juntou três palavras gregas para isso: eu (ευ), "bom", ou (οὐ) "não" e topos (τόπος) "lugar", um bom lugar, não-lugar (que os geógrafos conhecem tão bem) ou "lugar bom que não existe". Distopia mantem o sufixo topos (τόπος) com a palavra dis (δυσ) na frente, que quer dizer "ruim", "mau" ou "difícil". Algo como "lugar ruim que não existe". Distopia, tal como está escrita, foi usada pela primeira vez também em um trabalho de filosofia política por John Stuart Mill, em seu discurso de 1868, diante da Câmara dos Comuns inglesa. Mas em 1818, Jeremy Bentham cunhou o termo "cacotopia", do grego κακόs, que quer dizer "mau", que Mill também usou em seu discurso na Câmara dos Comuns.

Mad Max. 

A principal função da distopia é nos deixar desconfortáveis. Os mundos distópicos estão aprofundados na crítica à sociedade atual e aos seus problemas. Podemos ver mundos no futuro, vivendo em Distritos, Facções, em ruínas de cidades, lutando para sobreviver, fugindo de canibais, lutando contra vírus mortais ou contra máquinas com consciência. Mas todos eles apenas pegaram nossos problemas atuais e os extrapolaram ao máximo. Este exagero serve para nos fazer enxergar o óbvio que, justamente, por ser tão óbvio às vezes passa despercebido para nós no agitado dia a dia.

Em maior ou menor grau, toda distopia tem certas características:

  • Violência banalizada e/ou generalizada
  • Visão e discurso pessimista sobre o mundo
  • Poder opressor vindo de uma elite e/ou governo
  • Exploram a estupidez e/ou ignorância coletiva


A distopia é o contrário da utopia e ambas são impossíveis de acontecer como estão na ficção. Enquanto o mundo utópico não apresenta problemas, o distópico exagera todos eles. Enquanto a utopia apresenta um mundo desejável, ninguém quer um mundo como Matrix. Um mundo melhor e perfeito sempre foi buscado pelo ser humano: o Éden bíblico, A República, de Platão, a Cidade de Deus, de Santo Agostinho. Mas a distopia aparece como uma problematização que a busca pela utopia e pelo mundo perfeito causavam e como nossa sociedade se destoa deste ideal.

Muitas pessoas argumentam que já vivemos em uma distopia. Vivemos no "deserto do real", esperando o momento para acordar de um mundo ruim para desfrutarmos um mundo bom, como se fosse possível nos desplugar da realidade. Todo mundo quer um mundo melhor, mas a própria Matrix admitiu que quando tentou imaginar um mundo perfeito para a simulação, eles perderam safras inteiras de humanos, como se nosso cérebro necessitasse de um pouco de cada: de caos, de ordem, de desordem, de organização.

Mesmo que pareça um fenômeno recente, temos distopias pululando pela história desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando o mundo encarou de frente os horrores de uma guerra de proporções globais, que acabou com uma era de luzes e esperanças de um mundo perfeito. Admirável Mundo Novo e 1984 vieram nesta esteira e a coisa se intensificou com a Segunda Guerra e com a Guerra Fria. A visão destes mundos extremos e totalitários reflete um desejo do público juvenil e adulto jovem de ler sobre mundos que eles próprios desconhecem, um mundo de ditaduras e da ausência das liberdades individuais. A distopia fornece um choque de realidade para quem está cansado de histórias açucaradas.


Muitas vezes temos sub-gêneros entrelaçados. Várias obras distópicas podem também se encaixar no cyberpunk. E isso é ótimo, poder trabalhar com as características de vários mundos apenas enriquece as obras e as críticas com as quais elas se dispõem a trabalhar. Vemos ambientes controlados, mas também ambientes sujos e destruídos. Locais abandonados e pessoas vivendo à margem da sociedade.


Obras de referência:

Livros: Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão é um clássico brasileiro. Temos também A Ilha dos Dissidentes, de Bárbara Morais, outra obra nacional de tom distópico. As trilogias Divergente, de Veronica Roth e Jogos Vorazes, de Susan Collins, também falam de mundos distópicos e totalitários, assim como 1984, de George Orwell. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. A Estrada, de Cormac McCarthy talvez seja a mais extrema que já li. Battle Royale, de Koushun Takami também é uma distopia.

Cinema: Praticamente todos os livros acima citados já foram adaptados para o cinema. Mas temos Matrix, 12 Macacos, Filhos da Esperança, Equilibrium e toda a série Mad Max como bons exemplos das telonas. X-Men, Dias de um Futuro Esquecido, também é uma distopia baseada no quadrinho de mesmo nome.

Televisão: Continuum, Revolution e Dark Angel (cancelada); Falling Skies e The Walking Dead são bons exemplos de mundos distópicos.

Quadrinhos, graphic novels e mangás: V de Vingança e Watchmen, de Allan Moore, Judge Dredd, The Walking Dead, Y: The Last Man, são alguns bons exemplos de obras distópicas.

Games: Bioshock e Bioshock 2, Chrono Trigger, Deus Ex, EVE Online, Mass Effect, Homefront e Half-Life 2 são alguns bons exemplos de jogos distópicos para várias plataformas.



Leia também:

O que é cyberpunk?
O que é space opera?
O que é steampunk?
Editar o post

Por que você deve ler Fahrenheit 451?

Existem alguns livros na ficção científica que são tidos como leitura obrigatória para qualquer fã. E um destes livros que acho indispensável é Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury e que ganhou status de clássico absoluto. Ele nos oferece uma ótima oportunidade de refletir sobre a mídia, sobre literatura, sobre sociedade, sobre críticas. E listei abaixo alguns motivos para que você também o leia.





O livro é atemporal

Fahrenheit 451 foi publicado em 1953, mas o conceito original começou em 1947 no conto Bright Phoenix (que só seria publicado na revista Magazine of Fantasy and Science Fiction em 1963). O conto original foi reformulado na novela The Fireman, e publicada na edição de fevereiro de 1951 da revista Galaxy Science Fiction. A novela também teve seus capítulos publicados entre março e maio de 1954 em edições da revista Playboy. Bradbury compôs o livro pensando como uma crítica à sociedade norte-americana, no auge da Guerra Fria. Também pensou em uma maneira de ressaltar a importância dos livros e do conhecimento para a sociedade que parecia valorizar mais o entretenimento rápido. Neste mundo do futuro, os livros são proibidos e os bombeiros não estão lá para apagar incêndios, e sim para começá-los caso encontrem livros em algum lugar.


Queimar livros sempre pareceu um ato abominável. Quem nunca leu ou viu imagens de 1933, quando os nazistas queimaram livros em praça pública (Bücherverbrennung)? Tudo o que fosse contrário ao regime ia para a fogueira. Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch). O ato de queimar livros e, por consequência, ideias sempre foi visto como uma maneira de fazer uma sociedade mais ignorante e facilmente manipulável. E isso é um tema atemporal e completamente atual.


O livro foi escrito em uma biblioteca

Bradbury escreveu F451 nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. É uma ironia se pensarmos nisso, afinal o tema central dele é sobre queimar livros, ideias, conceitos. Imaginação, pensamento, opiniões, são vistos como atitudes egoístas e, portanto, mal vistas. A vida das pessoas se resume à televisão, aos programas de TV e à uma ilusão de felicidade que não procede, como se fosse possível ser feliz na ignorância.


Quando o personagem central do livro, Guy Montag, percebe isso é possível sentir toda a sua angústia com relação à vida em si. Ele passa a enxergar as pessoas de maneira diferente depois que começa a mexer no perigoso mundos dos livros. A mudança é perceptível e é possível notar que Guy não sabe o que fazer com isso. Ele tem medo de tudo o que desconhecia por conta de sua ignorância e passa a ver as pessoas como mais uma ovelha no rebanho, sem vontade própria, sem ideias e isso o desconcerta profundamente.


É pequeno

Quem tem medo de livro tijolão ou nunca leu ficção científica, mas procura por uma obra inicial, achou um ótimo livro. A escrita de Bradbury não é tão fria e direta quanto a de Asimov, ela é mais rebuscada, porém isso não interfere no ritmo de leitura. A narrativa flui rápido e intensa, enquanto acompanhamos os altos e baixos emocionais de Montag.


Mesmo tendo poucas páginas, o leitor fica com a sensação de ter lido algo imenso, pois é a ideia geral trabalhada nele que nos faz pensar e refletir sobre o tipo de sociedade que temos. Também era de se esperar que os personagens não fossem muito complexos por ser um livro curto, mas de novo, surpresa, os personagens são profundos, com múltiplas camadas, até mesmo aqueles tidos como fúteis.


É uma obra de Ray Bradbury

Ray diz sua intenção inicial era mostrar o amor que tinha por livros e por bibliotecas. Frequentemente, ele se referiu a Guy Montag como uma alusão a si mesmo e como ele seria infeliz em um mundo que queimasse livros e valorizasse mais à mídia e aos programas de televisão. Esse entretenimento pronto e enlatado era algo que Ray não gostava e ele teceu críticas também à internet, que por ter esse conteúdo pronto e disponível, seria tão inútil quanto à televisão.


Acredito que o principal problema tanto da televisão, quanto da internet, seja seu mau uso, seja o exagero. O controle excessivo da mídia e a apelação para vencer uma guerra de audiência certamente fazem valer as críticas de Bradbury.


É um futuro que não aconteceu

Aqui deixo uma reflexão para o leitor. Será que este futuro de Bradbury, em que livros são queimados (ou desvalorizados), onde opiniões são combatidas, onde a indústria do espetáculo comanda a mídia, onde a tragédia cotidiana vira entretenimento, onde o pensamento próprio é muitas vezes visto como errado, hedonista, será que ele de fato não aconteceu?


Pode não ter acontecido exatamente como Bradbury imaginou, mas certamente muitos elementos que o livro critica estão presentes, como o esvaziamento das bibliotecas, os excessos da televisão. O futuro nunca acontece exatamente da maneira que nós imaginamos, e ainda bem! Quem iria querer um futuro como aquele de O Exterminador do Futuro ou como Eu Sou a Lenda? Mas é aqui que entra a maravilhosa força da ficção científica: a de alertar e nos maravilhar.

Fahrenheit 451 (que é a temperatura da queima total do papel) é um item obrigatório em qualquer estante. Você pode ver o filme também. Por isso, compre e o mantenha sempre a mão para aquela lidinha rápida. Deixo também aqui duas vezes dele, em mobi e em epub para quem tem e-reader ou app no smartphone para leitura de ebooks.

Até mais!
Editar o post
Momentum Saga © 2010-2014 | Designed by Marta Preuss | Modified by Sybylla | Proudly powered by Blogger