William Shatner quer saber!

20 de maio de 2013
William Shatner em seu site pessoal, fez uma pergunta aos fãs e seguidores que achei muito pertinente. O que ele quer saber é simples: sua carreira foi afetada por Star Trek ou pela ficção científica? Para algumas pessoas que não entendem a importância de ambas para a cultura, pode parecer que não existe influência nenhuma. Mas aposto que uma legião de fãs acabou seguindo a ciência, inspirando-se nas aventuras espaciais de Kirk, Picard e companhia.



A mensagem dele diz mais ou menos o seguinte:

Amigos,

Estou procurando por histórias verídicas em como assistir Star Trek (qualquer série) afetou depois as decisões em suas carreiras. Você seguiu carreira em ciência ou aviação ou tornou-se um astronauta por causa de Star Trek ou da ficção científica?

Quero ouvir sua história. Por favor, me mande um email sobre como Star Trek o fez escolher sua carreira.

É bastante interessante ver que tem alguém da própria série pensando na influência que uma franquia icônica teve sobre milhões de fãs e busca conhecê-los melhor para avaliar o impacto que isso causou. São 47 anos desde a estreia da série clássica, cinco séries de televisão, uma série animada, doze filmes e um mercado que fatura ainda hoje com os produtos licenciados. Além disso, a própria ficção científica em livros, filmes e na TV formaram fãs fiéis, onde muitos certamente foram influenciados de alguma maneira pelo o que viram e leram.

A Nova Geração.

Eu era criança, por volta de 7 ou 8 anos e lembro que a antiga TV Record, antes de... ser o que é hoje, reprisava a série clássica de Jornada nas Estrelas e já naquela época lembro de acompanhar os episódios. Depois, com a TV a cabo, eu pude ter contato com as outras séries não só de Star Trek, como de outros enredos, vi muitos filmes, tive conhecimento de livros e autores que desconhecia e sei que tudo começou com a série clássica, o interesse partiu daí.

Se a ficção científica não me influenciou completamente na carreira, certamente me influenciou na cultura em geral, especialmente na literatura, pois é o gênero que mais consumo e indico, tendo até criado um blog a respeito. Com relação à carreira em ciência, agora com o mestrado em paleontologia é que estou aos poucos me embrenhando e adorando cada minuto passado na frente de um microscópio, de uma lupa ou limpando um fóssil. Não posso deixar de pensar nas aventuras em mundos desconhecidos, encontrando civilizações perdidas, plantas e animais cada vez que faço isso.

Frases de personagens, roupas personalizadas, produtos como cadernos e canetas, eu consumo ficção científica o tempo todo. Como negar a influência deste gênero em minha vida? E o que dizer da influência da série na própria cultura e tecnologia, onde eles previram o celular, os palms e tablets, viagens espaciais? A NASA, depois de uma campanha de fãs, nomeou um de seus ônibus espaciais de Enterprise.

Tripulação clássica.

A influência é imensa e talvez nem seja possível mensurar sua extensão. Se você gostou da ideia de Shatner e quer compartilhar sua história, mande um email para ShatnerScifi@gmail.com. E eu também quero saber. Deixe seu comentário sobre Star Trek e ficção científica e em como isso influencia sua vida. Estou curiosa.

Até mais!
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Análise do Inimigo: O Governo

18 de maio de 2013
Um bom vilão é aquele que parece seu amigo. Aquele que também tem o poder sobre você de diversas maneiras e no qual você deposita uma fé quase que incontestável, pois afinal de contas, ele está lá para trabalhar por você, certo? Talvez então o Governo, de Arquivo X, seja um dos mais malignos da ficção científica e talvez seja aquele que não se pode derrotar, apenas desistir da luta.



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Arquivo X era o seriado rei das conspirações nos anos 90. Ele mexeu com quase todas as mais famosas, como aliens visitando o planeta, aliens vivendo entre nós, aliens controlando o governo. O segredo do sucesso da série foi mostrar aos poucos toda a conspiração ao invés de entregar as cartas logo de cara e mexer com a nossa zona de conforto.



Não confie em ninguém

Quando o inimigo mais vil e leviano que existe é aquele que você mesmo elegeu e deu poder, devemos esperar que suas ações sejam grandiosas, bem financiadas e de longo prazo. É assim com o governo dos Estados Unidos em Arquivo X, o verdadeiro vilão de toda a série, capaz de manipular e matar sem dó para proteger seus objetivos.

Sabemos pouco sobre quem são as pessoas que de fato dirigem a conspiração, onde Mulder e Scully cavam e nunca chegam ao fundo. Quando a série começa temos alguns rostos que ficam conhecidos durante as temporadas, mas seus nomes e funções pouco são esclarecidas. O manda-chuva sempre parece ser o Canceroso, cuja marca registrada era o cigarro, sempre aceso e que aparece toda vez que alguma coisa precisa ser encoberta ou se alguém precisava morrer. Por várias vezes, ele mesmo foi vítima dos conspiradores, apesar de ter merecido depois do que fez com a própria família.

Mulder acredita que sua irmã Samantha foi abduzida quando ambos eram crianças. Essa crença é tão forte, que norteia sua profissão e sua carreira dentro do FBI quando ele se depara com os casos inexplicados jogados numa gaveta dos arquivos do Bureau. Mas os conspiradores querem vigiá-lo de perto e arrumam uma agente cética e cientista de formação, que lecionava na academia do FBI em Quantico para, se não atrapalhar o trabalho de Mulder, pelo menos desqualificá-lo pelo viés científico.

Agente especial Dana Scully

O problema para o governo e para a conspiração, é que mesmo sendo cética até o talo, Scully se torna a maior aliada do agente Mulder e ambos saem em busca da verdade. Coisas estranhas como plantações no meio do nada, abelhas, arquivos secretos do governo com dados de vacinação e amostras de pele são descobertos, mas pouco se sabe sobre suas funções. Todos esses pedaços juntos apontam para o governo como sendo o responsável por vigiar e sequestrar milhões de americanos desde o final da Segunda Guerra Mundial para alguma coisa, coisa essa que ninguém entende direito.

É apenas no filme Arquivo X - O Filme que temos mais informações a respeito dos homens que compõem o tal Sindicato, membros do governo, ligados aos militares e à Agência Federal de Emergências, que já possuem um plano para a invasão alienígena acontecer e assim controlar o Executivo ao declarar uma emergência nacional. O que de fato aconteceu é que os alienígenas, que fizeram contato nos anos 40, queriam recolonizar nosso planeta, pois eles já viveram por aqui e os membros do Sindicato pediram um tempo para os preparativos.

Na verdade, o que eles tentaram fazer foi uma vacina para repelir a forma viral dos alienígenas, tentando inocular a população através de comida transgênica, abelhas modificadas geneticamente e hibridização de genes humanos com alienígenas através das abduções de mulheres em idade fértil, como aconteceu com Scully. Mas de maneira geral, eles tentaram obter vantagens junto aos alienígenas assim como tecnologias e tentaram salvar as próprias peles, claro.

O Sindicato

No entanto, é difícil saber o que é verdade e o que é enrolação em Arquivo X, pois para proteger seus interesses, o Sindicato criava pistas falsas e matava sem dó quem quer que estivesse pelo caminho. Até mesmo seus aliados eram vítimas. Eles possuíam pessoas em cargos-chave do governo, podendo assim controlar qualquer informação que quisessem. Possuíam assassinos treinados, cientistas, agentes, recursos quase ilimitados. Seus contatos se espalham por várias partes do mundo e dentro das principais agências de defesa do governo. Como possui várias células de operação, era muito difícil desmantelá-lo completamente. Tanto que saía presidente, entrava presidente, e todos eles estavam lá, operando secretamente, sequestrando pessoas, matando e conspirando com os alienígenas, que também demonstraram alguma desunião ao longo das temporadas. Mas para a tristeza dos fãs, o governo acabou ganhando no final, com a saída de Mulder e Scully do FBI e o fim das investigações.

Pontuação

O principal perigo do Governo é que ele pode se desculpar por suas ações alegando a segurança nacional. Até onde é viável sacrificar os direitos inalienáveis de todo cidadão em nome de um bem maior? O segundo problema é que ele foi eleito pelo povo, este mesmo povo que acaba usado nas mãos de alguns cujos interesses são obscuros e os objetivos mais bizarros ainda. Este sem dúvida é um inimigo não só atual, como muito próximo. Portanto, cinco aliens malvados para ele.


O que achou destes inimigos? Deixe seu comentário, até mais!
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Resenha: Star Trek: Earth, DC

17 de maio de 2013
A resenha de hoje é de uma fanfic indicada pelo Beto lá na página do Saga, no Facebook. Assim como muitos fãs da franquia, eu sempre imaginei como que eles baniram o capitalismo para ter uma sociedade justa e pacífica como aquela e em como era a Terra e a vida cotidiana das pessoas comuns. Pois essa fanfic tem o foco na Terra e conseguiu sair do lugar comum.




A fanfic

Star Trek: Earth, DC foi definitivamente escrita com esmero e atenção aos detalhes pelo autor Leandro Martins Pinto. Datas, personagens, batalhas, a guerra contra o Dominion, o passado da Federação descrito na série Enterprise, tudo isso aparece com riqueza de detalhes no enredo. Ela foi escrita há dez anos e ganhou uma edição especial recentemente, incluindo versões para ereaders.

Capa. Pequena mesmo, infelizmente.

Ela retrata a vida no universo da Federação no cotidiano das pessoas na Terra. Achei muito interessante a atenção dada ao Brasil, Brasília e à São Paulo, que são cenários frequentes, com seus prédios futuristas, estações de Metrô e museus presentes, bem como as mudanças na paisagem ao longo dos séculos desde à chegada dos Vulcanos, que marca o início da mudança. A tecnologia aplicada à vida comum, os romances, as intrigas políticas em um governo global unificado, personagens marcantes tanto humanos quanto alienígenas bem descritos.

O principal componente do enredo é a intriga política referente ao cargo de Presidente da Federação. Temos uma descrição de partidos e do modo como seria o governo global. O autor se preocupou em preencher as lacunas que nenhuma das séries se preocupou em responder, em uma clara "preguiça criativa", como Leandro Martins bem descreveu nos comentários de um dos capítulos. Aliás, isso foi bem interessante, pois no final de cada capítulo existem comentários a respeito dos acontecimentos destacados ao longo da leitura, a fonte e os comentários pessoais tanto do autor como de João Paulo Cursino, do fã-clube Jetcon, que colaborou com informações a respeito das franquias.


Mas a fanfic tem alguns problemas, como a escrita enfadonha e pouco atraente em alguns momentos e vários problemas de conjugação verbal e concordância, dando um ar muito amador ao texto. Sim, eu sei que é uma fanfic e achei a ideia genial, mas uma atenção maior poderia ter sido dada ao texto para deixá-lo mais conciso. Essa foi uma falha na revisão que nenhum editor deixaria passar e compreendo que é um trabalho praticamente solitário o que o autor teve.


Ficção e realidade

Sempre quis entender que tipo de sociedade é esse de Jornada nas Estrelas que, com um contato com uma raça alienígena, não entrou em pânico, não teve terrorismo, nem visões apocalípticas do fim do mundo, que conseguiu eliminar a pobreza, a fome e as doenças em algumas décadas e encara de boa a presença e a cópula com raças alienígenas absurdamente parecidas conosco. Tudo é muito bonito e construir uma sociedade melhor é o sonho de muita gente. Mas também devemos colocar na balança as reações emocionais e muitas vezes animais dos seres humanos, que duvido muito se comportassem assim tão bem com um primeiro contato e depois o mundo viraria uma utopia.

O exercício que Jornada nos traz é imaginar que um mundo melhor é possível. Que podemos descartar as diferenças para partir para algo melhor. Claro, não é uma coisa fácil de se fazer, pois nossa sociedade é pautada na exploração, na dominação do mais fraco pelo mais forte e não vejo isso mudando tão cedo. Capaz que sejamos extintos e ainda assim não teremos resolvido todas essas questões.


Pontos positivos
Preciso quanto aos eventos da franquia
Boa análise da sociedade de Star Trek
Produção brasileira

Pontos negativos
Escrita amadora
Narrativa chata e enfadonha em alguns capítulos


Título: Star Trek: Earth, DC
Autor: Leandro Martins Pinto
N.º de páginas: 176
Onde encontrar? o autor disponibilizou a fanfic no site Trek Brasilis em três formatos: PDF, epub e mobi. Só baixar e ler, "de grátis".


Avaliação do MS?

O autor está de parabéns por tantas informações acuradas sobre a série e por ter escrito algo consistente, que mesmo com os problemas, apresenta uma parte do universo de Star Trek que desconhecemos, pois a própria franquia não nos deu as respostas. Mostra um pouco do cotidiano familiar, mostra que intrigas políticas e alianças partidárias não foram banidas do sistema político e que mesmo em universos onde tudo funciona, sempre tem gente com poder fazendo bobagem. Os problemas nítidos da narrativa desabonam a fanfic, mas no geral ela é muito boa. Três aliens para Star Trek: Earth, DC.



Até mais!
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O fantástico mundo da literatura "mais do mesmo"

15 de maio de 2013
Eu ando de saco cheio da mesmice. Ela tem atacado várias vertentes do entretenimento, não é só a literatura, mas acho que neste espaço o fenômeno tem tomado proporções absurdas. Capas iguais, estilos iguais, enredos iguais, preços nas alturas. Sério, eu tenho procurado livros bons para comprar e está difícil.





Quero deixar claro que não critico quem leia, acho que cada um tem seu estilo próprio, curte coisas que eu não curto ou podem não curtir nada do que eu costumo ler. Viva a democracia, acho que até os livros ruins são importantes, pois ajudam a definir o nosso estilo, ajudam a encontrar um tipo de enredo que nos agrada. O importante é ler e fazer disso um hábito, pois ele é necessário. O problema é ver mais do mesmo.

Olhando no Skoob, olhando em livrarias e blogs literários que anunciam lançamentos, tem pouca coisa ali que me chama a atenção de pegar e levar para casa para ler. Os temas em geral seguem a linha de moça bonita que conhece cara bonito e juntos resolvem um mistério, ou então moça bonita que tem um destino, ou moça sem graça conhece o pica das galáxias e faz tudo o que ele quer, moça que descobre algo tenebroso sobre sua família... Quando um lançamento sai com essa temática, as editoras fazem a festa e lançam trocentos na esteira para poder entuchar as prateleiras das livrarias com o mesmo tema.


Aos poucos, o mercado literário brasileiro tem crescido. Não se compara com mercado externo, mas de qualquer maneira o brasileiro tem começado a ler ou dar mais valor ao hábito. Com a chegada dos ereaders, acredito que gente que antes tinha preguiça de ler possa se interessar por esta tecnologia e aliar o útil ao agradável. Cultivar a leitura desde criança cria leitores no futuro. Cria um público fiel.

Se por um lado criamos leitores, por outro criamos também autores. Um escritor é antes de tudo um leitor e ele tem que ler muito para dar a cara a tapa para construir seus próprios enredos. E aqui temos o principal problema do mercado "mais do mesmo". Escritores que não inovam, trazendo os mesmos clichês batidos mal trabalhados, pegando carona na fama deste ou daquele título. Acho que Cinquenta Tons de Cinza explica bem o que eu quero dizer.

Primeiro temos Stephanie Meyer escrevendo sobre um sonho que ela teve onde conversava com um vampiro na floresta. A partir daí, a autora escreveu Crepúsculo e partiu para os outros livros da série. Sua escrita é ruim, enfadonha, amadora, mas enfim... Ela fez o sucesso dela e ganhou uma grana alta com um enredo que acabou com a visão do vampiro como criatura das trevas. Bram Stooker chora.

Na leva de fãs de Crepúsculo, veio E.L. James, que teve a infeliz ideia de escrever fanfics sobre Crepúsculo, só que com um viés sexual, com submissão, o tal pornô para donas de casa. As tais fanfics fizeram tamanho sucesso que depois de algumas modificações virou isso daí que fez um sucesso estrondoso, vendendo 500 livros por hora e ficando no topo das listas de mais vendidos do mundo inteiro.


A lógica é muito simples. Se existe demanda, existem aqueles que precisam suprir tal demanda. Assim teremos autores escrevendo aquilo que faz sucesso. Com Dan Brown foi a mesma coisa. Ou tínhamos autores repetindo a mesma fórmula de sucesso ou tínhamos livros relacionados ao tema de O Código Da Vinci para sustentar as ideias abordadas no livro ou para desqualificá-las. Com o sucesso de Jogos Vorazes, outras distopias adolescentes surgiram. Hoje no mercado o que bomba são os romances porn. É uma pena ver que o mercado está se sustentando com mais do mesmo, pois isso inibe aqueles que queiram sair da zona de conforto literária e partir para algo diferente, pois não tem! E o que tem muitas vezes é o dobro do preço de um livrinho leite com pêra "mais do mesmo".

Eu tenho remexido em livrarias - costumo usar o site da Livraria Cultura para encontrar algo interessante por causa do tamanho do acervo - e fico frustrada em ver que a grande maioria dos livros que me interessam estão esgotados ou fora de catálogo. Mas se eu comprar Cinquenta Tons de Cinza antes das 14hs, eu recebo o livro no mesmo dia. É deprimente. E os blogs literários que deveriam impulsionar a leitura mantém o mais do mesmo.

E eu não leio apenas ficção científica, que fique claro. Eu adoro romances históricos, policiais, fantasia, mas tenho me concentrado em FC, inclusive voltando aos clássicos, ao ver a mesmice nas prateleiras das livrarias. É aquele momento literário onde ao ler um livro desses e você leu praticamente todos os outros.

Deixe seu comentário. Como você enxerga o mercado literário hoje? Ele te agrada?

Até mais!
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O futuro chegou com as impressoras 3D?

13 de maio de 2013
Nos últimos meses, o universo da tecnologia anda em rebuliço com o crescimento no uso e nas aplicações das impressoras 3D, capazes de imprimir uma variedade de produtos e formas. Mas não só crescem as aplicações como também algumas preocupações, como por exemplo, a impressão de armas no conforto do lar das pessoas. Afinal, o futuro chegou de vez?



Cheguei a comentar no Twitter uma vez que as impressoras 3D (impressoras de objetos tridimensionais) eram o nosso equivalente aos sintetizadores de Jornada nas Estrelas. Apesar de o funcionamento ser diferente, ambas fazem praticamente a mesma coisa: imprimem ou criam objetos diversos com alguns comandos do computador (vários, no caso das impressoras). Os modelos mais comuns utilizam fios de plástico aquecidos que, camada por camada, imprimem um objeto.

Fernando José de Almeida, executivo de vendas na empresa Robotec, uma das mais influentes companhias brasileiras do ramo, assim explica o que é uma impressora 3D:

É como um fatiador de frios. Uma impressora 3D, na verdade, imprime várias camadas 2D bastante finas e vai cortando-as para formar o objeto pretendido.

O primeiro passo é ter o arquivo modelado do objeto em softwares do tipo CAD que deve ser salvo no formato universal das impressoras, o STL. Pela internet é possível encontrar fóruns e comunidades que distribuem gratuitamente arquivos em STL para os mais diferentes fins, desde robôs à armas.

Abaixo é possível ver uma das aplicações mais bem sucedidas desta tecnologia, que é na paleontologia. Os modelos foram criados a partir de fotos, modelos de gesso e microtomografias pelo CAPPA (Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica), no Rio Grande do Sul. Isso preserva o fóssil original e amplia o uso de réplicas em sala de aula e laboratórios, podendo até mesmo ser estendidas às escolas de ensino fundamental e médio quando houver uma redução dos custos.

A, Teyumbaita (rincossauro); B, Prestosuchus (rauissúquio); C, Jachaleria (dicinodonte); D, Massetognathus (cinodonte); E, dinossauro indeterminado; F, Herrerasaurus (dinossauro); G, Exaeretodon (cinodonte); H, Trucidocynodon (cinodonte).

Assim como aconteceu com notebooks, smartphones e tablets, que tiveram redução de preço conforme os avanços chegam, com as impressoras 3D deve ocorrer o mesmo. O equipamento e os rolos de filamentos plásticos devem ficar mais baratos com o refino da tecnologia e com as aplicações. Imagine poder usar componentes orgânicos para criar partes do corpo para transplante? Ou então pele para o setor de queimados de um hospital?

Na exploração espacial, elas também reduziriam os custos com envio de materiais. Seria possível criar nas colônias as peças de reposição que demorariam meses para chegar vindas da Terra. Até mesmo comida poderia ser impressa, assim como vasos sanguíneos, remédios e até chips e placas-mãe para os computadores com apenas a troca dos filamentos e componentes. Se a própria impressora precisar de uma peça, fácil, só imprimir.

Você se lembra do caso da águia-de-cabeça-branca Beauty, que teve seu bico estraçalhado por um tiro de caçadores ilegais? Sem ele, a água era incapaz de caçar e de se limpar. Seu bico foi reconstruído com a ajuda de uma impressora 3D e a prótese foi implantada no que restou do bico original, devolvendo à ave suas antigas habilidades.

O antes e o depois da águia Beauty.

Mas nem tudo são flores. Assim como é possível criar um bico artificial para ajudar uma águia com problemas, imprimir e montar uma arma no conforto de sua casa também é possível e talvez seja uma das maiores polêmicas a respeito desta tecnologia, pois ela dá à pessoa o controle do seu próprio consumo, já que a previsão é transformar as impressoras em um aparelho doméstico, da mesma maneira que o computador tornou-se um e ainda por cima indispensável. Por enquanto, é uma tecnologia cara (entre 3 mil e 6,7 mil reais), mas no futuro o que impedirá grupos terroristas de armarem suas fileiras com armas produzidas em qualquer porão?

Volta-se à questão que foi abordada no livro Nexus. Mesmo sabendo que este tipo de tecnologia pode ajudar milhões, sabendo que tem gente a usará para o mal, sabendo que existe muita gente ruim no poder, seria viável torná-la popular, visando um bem maior? É uma reflexão necessária para qualquer tecnologia.

Deixe o seu comentário. O que acha das implicações, tanto benignas quanto malignas para as impressoras 3D?

Até mais!
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