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Resenha: Psicose, de Robert Bloch

Os fãs de suspense e Hitchcock conhecem bem esta palavra! A cena de chuveiro mais vista de todos os tempos! Mas nem todo mundo sabe que a icônica obra do cineasta é fruto do escritor Robert Bloch, um prolífico autor de ficção científica, eternizado por sua obra psicótica de suspense.





O livro

Robert Bloch se baseou em um famoso assassino em série, Ed Gein, para criar a mente doentia e psicótica de Norman Bates, o protagonista deste clássico do terror e suspense. Enquanto no filme ele é visto como um homem magro e jovem, no livro é descrito como um homem gordo, que usa óculos, um genuíno "filhinho da mamãe", se formos nos basear no esterótipo. Ele e sua mãe gerenciam um motel em uma estrada cujo movimento caiu bastante nos últimos anos e, assim, contam com pouquíssimos hóspedes. Norman não entende a insistência da mãe, que grita e berra em seu ouvido com frequência sobre sua incrível incompetência.


Numa noite, chega uma hóspede. Mary Crane, que sonhava se casar com seu noivo o mais rápido possível, acaba cometendo uma loucura: rouba 40 mil dólares do chefe e dirige para longe da cena do crime. Mas estando cansada demais e tendo pegado uma estrada estranha, ela resolve parar para descansar no Bates Motel. Mary conhece o gerente, Norman, que foi simpático o bastante para lhe dar um quarto muito bom e convidá-la para um jantar rápido em sua casa, atrás do motel. Fica sabendo também que sua mãe é muito doente e que Norman parece quase obcecado por ela.

É então que, em seguida, temos a famosa cena do chuveiro:


O enredo alterna entre a visão de Norman Bates e a busca da irmã, Lily e do noivo de Mary pela moça desaparecida. Tudo parece apontar para o Bates Motel como sendo o último lugar em que Mary aparece no mapa, mas nem o delegado parece convencido o suficiente para dar uma batida no motel. Norman é um almofadinha, no melhor termo que se pode tirar dele, ele nunca seria capaz de fazer qualquer mal a alguém, nem à uma mosca.

Um detetive está atrás do dinheiro desaparecido e faz contato com Lily. Mas ele também desaparece algum tempo depois. O que pode haver neste Bates Motel? Lily é impulsiva, não se conforma com a lentidão das investigações a respeito de sua irmã e sabe que as pistas que apontam para longe dali estão erradas. Algo que muito sinistro acontece naquele Motel pacato de beira de estrada.


Eu li este livro em poucas horas. Ele é pequeno, mas muito bem acabado e a leitura flui muito rápida. Quando menos vi, às 3 da manhã, eu virei a última página. O enredo é simples, enganosamente simples, o que pode levar muita gente a pensar que o livro é ruim. Ledo engano. O próprio Hitchcock ficou tão espantado com a narrativa que comprou todas os 3 mil exemplares do livro, para que ninguém tivesse acesso ao final da trama e assim, se tornasse uma surpresa.


Ficção e realidade

Eu nunca assisti ao clássico de Hitchcock, então o livro foi uma completa surpresa para mim. Sepois que li Serial Killers, Louco ou Cruel?, da Ilana Casoy, descobri que o assassino em série Ed Gein era a inspiração para Norman Bates. Foi só aí que entendi a profunda psicopatia de Norman e como ele se relacionava com sua mãe controladora.

Norman Bates acha que você deve ler esse livro! 

Quem não tiver estômago, não leia sobre a história de Ed Gein, porque é muito sinistra e violenta. Ele era obcecado pela mãe, assim como Norman e sua casa era um show de horrores quando a polícia chegou lá pela primeira vez. Gein exumava cadáveres de cemitérios locais e fazia troféus e lembranças com ele. Sua mãe também era controladora, a ponto de não deixá-lo interagir com as outras crianças na escola. Augusta Gein era uma luterana fervorosa e dizia aos filhos que o mundo era um sítio imoral, que a bebida era demoníaca e que todas as mulheres eram prostitutas e instrumentos do diabo. Exatamente a mesma maneira com que a mãe de Norman falava com ele.


Pontos positivos
Tenso
Sinistro
Norman Bates

Pontos negativos

Acaba rápido



Título: Psicose
Título original: Psycho
Autor: Robert Bloch
Editora: DarkSide
Páginas: 240
Ano de lançamento: 2013
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Depois de anos fora das prateleiras brasileiras, eis que a DarkSide traz o clássico psicótico de volta! Este é aquele livro obrigatória nas prateleiras, especialmente se você não curte muito os filmes de Hitchcock. Narrativa simples, direta, intensa, com personagens cativantes, o livro é tenso do início ao fim. Cinco aliens para ele e uma forte recomendação para que você também leia.


Até mais!
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A 6ª extinção

Nem todo mundo sabe que o planeta Terra, com seus 4.5 bilhões de anos, já passou por diversos revezes e extinções, situações de clima extremo, snowball earth e níveis mil vezes superiores de CO2 do que os atuais. O planeta é calejado em situações de desastre, onde 96% das espécies que já existiram foram extintas. Não se engane, nós também seremos extintos um dia. A questão é: quando?





A Terra passou, até agora, por cinco grandes extinções, chamadas de extinções em massa, porque os eventos mudaram os rumos do planeta nos milhões de anos seguintes. As extinções costumam ser usadas para marcar a passagem de uma era geológica para outra. Temos "cinco grandes extinções" que com certeza aconteceram, com algumas outras que ainda levantam dúvidas. As "cinco grandes" seriam as do Cambriano, do Ordoviciano superior, do Devoniano superior, a do fim do Permiano, do Triássico superior e a do fim do Cretáceo. A tabela abaixo ilustra melhor o que eu quero dizer.

A imagem está em alta resolução, só clicar para abrir em outra janela. 

A maior de todas as extinções foi a do Permiano (251 Ma), que dizimou cerca de 96% dos gêneros marinhos e 50% das famílias existentes. Plantas, animais, muita coisa "estranha" se foi para que o mundo mais parecido com o que conhecemos hoje surgisse depois dela, no Mesozoico. Meu mestrado foi sobre plantas do início do Permiano e elas não sobreviveram ao final do período.

A mais recente delas é a do Holoceno, período onde nós vivemos, mas muito se debate sobre sua abrangência, que nem se compara com as extinções que a precederam. Tivemos perda significativa de animais da megafauna e o ser humano é até apontado como um causador, inclusive no caso dos mamutes. Seja como for, a matança generalizada causada por vulcanismo, asteroides, cometas, alterações na insolação, raios cósmicos, alterações bioquímicas nos oceanos, são comuns.


O que muitos cientistas temem é que estaríamos nos encaminhando para a Sexta Extinção em massa. Uma das grandes, como aquela do Permiano. Tem gente que subestima o poder transformador de um evento desses, mas veja o setor de horti-fruti do seu supermercado preferido. Cerca de 70% dele depende da polinização feita por insetos. Se as abelhas sumirem amanhã, mais da metade do que você compra no supermercado, simplesmente, sumirá.

Dados indicam que nos últimos 500 anos, cerca de 322 espécies de vertebrados desapareceram. Existem cerca de 5 milhões e 9 milhões de espécies de animais no planeta, sendo que de 11 mil a 58 mil estão sumindo todos os anos. O principal problema está na diminuição nas populações de invertebrados, como os insetos, cujo papel no equilíbrio e manutenção dos ecossistemas é fundamental. E os insetos são o grupo de animais menos estudados atualmente. Cerca de 67% das poucas espécies de invertebrados monitoradas apresentaram um declínio médio de 45% na sua abundância nos últimos 35 anos, período em que a população humana do planeta dobrou.

Nos próximos anos, 41% dos anfíbios, 26% dos mamíferos e 13% dos pássaros do planeta podem sumir. Somente no Brasil temos 1173 espécies em risco iminente de extinção, 75% a mais do que há 11 anos. O tempo de duração de uma espécie depende de vários fatores, como habitat, reprodução, características evolutivas, predação, mas segue uma média de 1 a 2 milhões de anos. No entanto, nos dois últimos séculos, a taxa de extinção considerada natural aumentou cerca de 100 vezes. E a previsão, para o futuro, é que seja multiplicada por dez. Somente a Europa perdeu 421 milhões de pássaros em 30 anos.


Podemos reverter o quadro? Ou ao menos minimizá-lo para evitar um desastre maior? Sim, podemos. É possível parar com a extinção do rinoceronte branco africano se a caça ilegal parar e o habitat dele for reconstruído, por exemplo. É claro que podemos mudar vários cenários, a raça humana tem a capacidade para resolver problemas. Mas se uma extinção em massa for desencadeada por eventos que estejam fora de nosso controle, como mudanças bioquímicas nos oceanos ou na insolação, sinto que não tenha muito o que possamos fazer, já que ultrapassa nossa capacidade técnica.

Criar novas reservas de conservação, banir táticas predatórias, investir em maneiras mais eficazes de manejo ambiental e redução de áreas degradadas ajudariam a garantir locais de reprodução e manutenção de espécies já seria um ótimo começo. Mas não se engane. O fim chegará um dia. O que podemos fazer é manter nossa civilização com o mínimo de impacto possível e aguardar as mudanças para podermos nos adaptar. Ou perecer.

Talvez no fim, Stephen Hawking esteja certo. Ir para o espaço e colonizar outros planetas pode ser a única forma de preservar a raça humana.

Até mais!



Chegamos à sexta extinção?
A ameaça da sexta extinção
Are We in the Midst Of a Sixth Mass Extinction?
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TAG: Liebster Award

Não canso de dizer que blogagens coletivas, memes ou TAGs são as melhores maneiras de conhecer outros blogs, blogueiros, universos e pessoas diferentes. Este mês de março tem sido recheado de TAGs aqui no Saga e fui tagueada pelas meninas do Sem Serifa, um blog que indico fortemente para os amantes da leitura. A TAG tem algumas regrinhas e a ideia é justamente descobrir novos blogs, se aventurar em palavras e textos diferentes e se divertir.





Regras:

  • Escrever 11 fatos sobre você.
  • Responder às perguntas de quem te indicou a TAG.
  • Indicar de 11 a 20 blogs.
  • Fazer 11 perguntas pra quem você indicar.
  • Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award.
  • Linkar de volta quem te indicou.

Eu já respondi à uma TAG chamada 50 fatos sobre mim, então vou pular essa regra dos 11 fatos. Quem tiver mais curiosidade, tem 50 à disposição para leitura no link!


As perguntas:

1. Como surgiu a ideia de criar esse blog?
Ele era, em princípio, um blog de testes. Mas depois que me afastei do trabalho por motivo de saúde, ele se tornou meu escape, minha forma de me manter ativa, escrevendo. E fico feliz por essa decisão, pois muita coisa boa aconteceu e conheci muita gente legal por causa dele.

2. Onde você costuma ler seus livros? E como mais gosta de ler (de pijama, bebendo café, tomando sol…)?
Prefiro ler à noite, de preferência madrugada à dentro, com a casa quieta. Gosto de tomar um banho quentinho e ir pra cama, tomando um chocolate quente ou um chá. Tento ler de dia, mas muita coisa me interrompe. À noite a leitura flui muito melhor.

3. Qual é um livro sobre o qual você nunca se cansa de falar (bem ou mal)?
O Homem Bicentenário, de Isaac Asimov, porque suas lições de humanidade são sensacionais.

4. Você gosta de manter seus livros como novos, ou acha mais legal quando eles têm marcas de uso?
Tento mantê-los bem conservados e limpos, pois odeio manchas de dedos nas páginas. Mas gosto de fazer anotações a lápis e marcar páginas com post-its para citações ou partes importantes que eu queira lembrar.

5. Qual é o livro que você mais releu na vida?
O Mestre de Quéops, de Albert Salvadó. Perdi a conta já.

6. Qual é um livro que você se arrependeu de ter lido?
Hathor, de Markus Thayer. Pobríssimo.

7. Qual é o livro que mais te fez chorar (se é que algum)?
Só a Terra Permanece, de George R. Stewart foi o único que conseguiu essa proeza.

8. Você já conheceu alguém por causa de um livro de que ambos gostavam?
Nunca.

9. Qual sua adaptação de um livro pra TV ou cinema preferida?
Em Chamas, de Jogos Vorazes. Ficou deslumbrante e desvairada, tensa e perigosa, como no livro.

10. Entre os livros da sua estante, qual é a sua capa favorita?
Adoro capas minimalistas e a capa de Neuromancer, de William Gibson, é minha favorita.

11. Qual é um livro/gênero contra o qual você tem preconceito?
Qualquer coisa no gênero Cinquenta Tons de Cinza me faz torcer o nariz pela facilidade com que eles romantizam abuso e relações doentias, além de estigmatizar práticas sexuais.


Agora eu devo formular 11 perguntas para os blogs que indicar aqui. Não deixe de responder, hein?? ❤️ Então, lá vai:

1. O hábito da leitura vem de onde?
2. Você prefere livros físicos, ebooks, ou os dois?
3. Você tem e-reader?
4. Qual seu gênero literário preferido?
5. Lê literatura brasileira?
6. Gosta de ler resenhas antes de comprar um livro?
7. Qual sua série literária favorita?
8. Lê, em média, quantos livros por mês?
9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?
10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?
11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer?


Blog indicados:

Cabaré das Ideias
Meteorópole
Teia Neuronial
Marta Preuss
Sem Formol Não Alisa
Dançando Entre Livros
Habeas Mentem
Tiozinho Nerd
Devaneios e Desvarios
A Garota da Biblioteca
Mulher Vitrola
Livros de Fantasia
Prosa Livre
Teoria Criativa
aceita um leite?
Livro e Café
Menina Lyra
Grooeland
Aline Valek

Até mais!
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Resenha: Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy

Os fãs de crimes em série se regojizam com os livros da Ilana Casoy. A autora é especialista nacional nesta temática e tem vários livros publicados. Dois de seus mais famosos livros foram relançados, recentemente, pela editora DarkSide e um box incrível. Sempre elogio o capricho da editora com suas obras e neste não foi diferente.





Eu já conhecia os livros, mas tinha lido apenas o Serial Killers Made in Brazil, que emprestei e a pessoa sumiu com ele. Pense no meu desespero? Então, quando vi o box com as novas edições, corri para comprar. Peguei uma boa promoção no Submarino e o box chegou em um dia. O box vem em uma caixa reforçada de papelão, bastante firme, diferente de algumas caixas por aí que parecem que vão desmontar a qualquer momento. Mas você pode comprar os livros separadamente se preferir.



Os livros

Serial Killers, Louco ou Cruel?
Os fãs de CSI e Lei e Ordem com certeza adorariam esse livro. Ilana nos apresenta ao mundo dos serial killers, nos dando definições sobre termos, sobre como se dá a motivação para um crime, como se investiga um assassino serial e quais são os métodos. Descobrimos como se monta um perfil de um criminoso, especialmente os seriais e como o FBI inicia os procedimentos de investigação caso suspeite que exista um assassino serial. Muitos mitos sobre eles são derrubados com as explicações do livro também.


Frequentemente, a vítima representa alguém na vida ou no passado do agressor, além do fato de o serial killer, na maioria das vezes, escolher como vítimas pessoas de sua própria etnia.

Além da parte teórica, o livro vem com perfis e história criminal de vários assassinos em série como Ted Bundy, Andrei Chikatilo, Jeffrey Dahmer, John Wayne Gacy, Ed Gein (que inspirou o livro Psicose, O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes) e o Zodíaco. Temos fichas de suas vítimas confirmadas, os mistérios envolvendo alguns crimes e o que aconteceu com muitos deles, que em geral foram condenados à morte.

Modus operandi é o comportamento prático. É o que o criminoso faz de necessário para cometer o crime e é dinâmico, podendo mudar e melhorar conforme sua experiência.

Assinatura é o que o criminoso faz para se realizar psicologicamente, é produto de sua fantasia e é estática, não muda.

Gostaria que todas as editoras tivessem o capricho e a preocupação com os detalhes com seus livros que a editora DarkSide tem com os seus. Da capa, à impressão, da brochura ao marcador de livro, a obra é perfeita. Tão perfeita que não recomendo para pessoas sensíveis, pois ele contém fotos de alguns locais de crimes e até de algumas vítimas. Tem também algumas fotos dos assassinos já mortos e o nível de detalhes de alguns casos pode embrulhar o estômago dos mais sensíveis.

É aqui conheci uma das histórias mais bizarras, a de Albert Hamilton Fish, que sequestrava meninas, matava e as comia. Chegou a mandar uma carta para a mãe de uma delas para dizer que o lombo da filha era delicioso e que nunca tocou nas partes íntimas da menina. Masoquista confesso, ele tinha prazer em enfiar agulhas no períneo e chegou a causar um curto circuito na cadeira elétrica, em 1936, pois possuía 29 delas no corpo. Foram necessárias duas descargas elétricas para matá-lo.

Pontos positivos
Assassinos em série
Parte teórica
Livro bem acabado

Pontos negativos
Fotos dos locais de crime
Crimes detalhados

Serial Killers, Made in Brazil

Para quem achava que assassinos em série é coisa dos gringos, errou feio e errou rude. O Brasil tem alguns notórios assassinos, alguns já morreram, outros estão presos, outros foram soltos. Um dos pontos levantados pelo livro é que há um preconceito geral da polícia brasileira (ou puro despreparo mesmo) para lidar com crimes em série. A polícia demora para conectar uma coisa com a outra, mesmo que tenha assinaturas idênticas em vários crimes. Isso acaba levando ao criminoso a cometer mais e mais crimes, já que se sente confortável com a possibilidade de nunca ser identificado.


Algumas coisas existentes no primeiro livro retornam em Made in Brazil para ajudar a compreender como surgem estes criminosos, quais são suas motivações e história de vida. O prefácio foi escrito pelo promotor Roberto Tardelli. No final, temos laudos psiquiátricos e clínicos de vários dos criminosos mostrados no livro como Chico Picadinho, Marcelo Costa de Andrade (o Vampiro de Niterói) e Benedito Moreira de Carvalho (o Monstro de Guaianazes). Não duvido nada que existam outros assassinos em série agindo ou que agiram pelo país e que por despreparo da própria polícia continuaram agindo. Vimos a demora do caso do atirador de Goiás.

De novo, não recomendo a leitura para pessoas sensíveis. As fotos dos crimes de Chico Picadinho, por exemplo, estão no capítulo a ele destinado. Em vários momentos, a leitura sobre o Vampiro de Niterói foi bastante difícil, pois ele conta com detalhes o que fazia com os meninos que matava. E há mais detalhes horrendos em outros casos. Se você não se sente confortável com isso, por favor, não leia o livro. Mas se tiver coragem e curiosidade para tentar entender o que leva essas pessoas à cometerem tais barbaridades, achou o livro certo.

Pontos positivos
Assassinos em série
Crimes no Brasil
Livro bem acabado

Pontos negativos
Fotos dos locais de crime
Crimes detalhados

Ficção e realidade

Ilana Casoy é pesquisadora e escritora na área de violência e criminalidade. Em suas palestras, trata de assuntos relacionados à criminalidade e violência, com recurso de documentários de suas entrevistas com os assassinos. Lembro que quando li Made In Brazil pela primeira vez, ela comentou no final que passou mal depois da entrevista com o Monstro de Niterói. Passou alguns dias na cama, pois se sentia mal, tanto física quanto psicologicamente.

O impacto dos crimes violentos na vida das pessoas é difícil de medir, pois cada um reage de uma maneira, mas acho que não é preciso ser gênio para perceber que uma pessoa fica marcada para o resto da vida. Pode até mesmo nunca se recuperar de algo assim. Aos sobreviventes, quando existem, ficam as dúvidas e o alívio. Para as vítimas podemos apenas esperar que elas inspirem a polícia a evitar mais crimes horrendos como os que lemos com tamanha riqueza de detalhes nos livros acima.


Título: Arquivos Serial Killers (box com dois livros)
Autor: Ilana Casoy
Editora: DarkSide
Páginas: 355 (cada um)
Ano de lançamento: 2014
Onde comprar: Grandes livrarias (procure pelas promoções antes, os preços podem variar)


Avaliação do MS?

Pessoas sensíveis podem achar os livros profundamente perturbadores. Para mim é também uma curiosidade. Li porque queria tentar entender o que motiva um assassino serial, o que pode levá-lo a cometer crimes tão hediondos. Queria entender porque a maioria das vítimas é composta por mulheres, entender como alguém pode comer a carne de outro ser humano e sentir prazer por matar. Se você também tem esta curiosidade, eu recomendo fortemente esta leitura. Cinco aliens para o box.


Até mais!
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Novo Kindle: minhas primeiras impressões

Troquei de Kindle agora em março. Vários foram os motivos, como um bom desconto dado pela Amazon, maior espaço, tela touch, mas devo dizer que estranhei bastante o novo aparelho devido a várias modificações feitas pela gigante norte-americana. Ainda recomendo para os leitores viciados que adquiram um e-reader e resolvi escrever sobre minhas impressões com este novo aparelho.





O Novo Kindle veio para substituir o Kindle 4, que possuía botões de navegação, tela de 5 polegadas e armazenamento de 2GB, que era o carro-chefe da Amazon assim que ela chegou ao país. Fiz postagens sobre esse Kindle e como era ler com ele aqui e aqui, e devo dizer que ele é um divisor de águas. Eu lia de uma maneira, hoje leio de outra. As diferenças são gritantes, especialmente no que diz respeito à economia que fiz com compras de livros.

Novo Kindle.

Temos três aparelhos da linha Kindle à venda no Brasil pelo site da Amazon e pelo Ponto Frio. O Novo Kindle, o Kindle Paperwhite e o Kindle Paperwhite com 3G. O mais barato é o Novo Kindle, por 299 reais, mais barato que muito smartphone por aí. O Kindle Paperwhite possui iluminação na tela, o que é ótimo para quem não quer acender a luz para ler seu livro preferido. O Novo Kindle não tem iluminação, mas tem tela touch de 6 polegadas e 4GB de espaço interno. Eu já estava ficando sem espaço no Kindle anterior, então com este posso continuar socando livro nele à vontade.

Vamos às diferenças. A primeira, que me chamou atenção logo de cara, é o peso. Este Kindle é, levemente, mais pesado que o anterior (140g contra 191g do aparelho novo) e por não ter botões de navegação também é mais desconfortável. Antes, com apenas uma das mãos, eu conseguia ir e voltar de página. Para retornar à home do dispositivo, eu apertava um botão embaixo e voilá. Para retornar à home hoje eu preciso tocar na parte superior da tela, esperar os ícones aparecerem e tocar neles com as duas mãos.

Além disso, o Kindle 4 tinha uma confortabilíssima camada de borracha na parte de trás, o que facilitava e muito a leitura. O Novo Kindle não tem e a Amazon poderia ter deixado, ao menos, um botão de navegação na parte inferior do aparelho, ao invés de ser tudo touch.

Sua tela é mais funda que a tela do anterior então, às vezes, não alcanço palavras ou notas de rodapé que estejam nos cantos. Com o outro, isso não acontecia. No entanto, ele é muitíssimo mais prático que o K4 no que se refere à digitação e às pesquisas. Hoje posso tocar qualquer palavra que ele me dá o significado, inclusive pelo Wikipedia. Toco uma nota de rodapé e ela abre. Para fazer marcações e grifos, é só encostar na tela e arrastar, algo que no K4 era mais chato de fazer. Para achar um livro, a pesquisa é rápida e ágil, ele encontra a obra que eu quero na hora e a abre de onde parei.

Visualização modo capa. 

Abrir coleções de livros e colocá-los lá continua a mesma coisa que o anterior, mas a digitação melhorou muito com a tela touch. No K4 era preciso ir com as setas direcionais pra lá e pra cá, o tempo todo, para escrever alguma coisa. Essa dificuldade caiu por terra com o Novo Kindle. Mas o teclado não responde com a velocidade que esperaríamos em um tablet, por exemplo. Às vezes ele demora para completar uma palavra, porém ainda é mais prático que o anterior.

Ele tem modo de visualização em forma de lista e em forma das capas dos livros. Prefiro a de lista apenas por espaço na tela mesmo. Com a lista posso ver minhas coleções com maior facilidade. Ele também tem um construtor de vocabulário e um dicionário em inglês maior e com dicas para quem lê neste idioma. Tenho alguns livros em inglês no Kindle e agora ficou bem mais fácil entender certas expressões. Há também a opção por mudar a fonte e o tamanho delas. No K4 eu só podia mudar o tamanho. Sem contar que agora também posso ver o que está armazenado na nuvem da Amazon, coisa que nem sabia que eu tinha.

Trocando em miúdos: a troca foi sim muito vantajosa, apesar de sentir falta de um botão de navegação e da borracha na contra capa. Já consegui ler um livro nele, A Rainha Normanda (sim, eu amo romances históricos) e foi ótimo. Espero que o novo dono do meu antigo Kindle possa aproveitá-lo tanto quanto eu o aproveitei, pois depois de começar a ler em um e-reader, a gente não quer mais outra coisa. E o melhor de tudo: a Amazon conseguiu incluir muita coisa boa no novo aparelho, mantendo o preço de antes. Ou seja, quem quiser trocar de dispositivo para um maior e com tela touch sem gastar muito, pode se jogar nesse Novo Kindle.

Não abandonei os livros de papel! 

Como março foi o mês do meu aniversário, acabei pegando o Novo Kindle um bom desconto, mas o preço dele é 299 reais. É um investimento que vale à pena e que se paga em pouco tempo. Eu não recomendo tablets para leitura por causa da iluminação, mas quem se sente confortável com ele pode instalar um app e mandar ver na leitura. E para quem precisa ler muitos PDFs, apesar de o Kindle converter bem o formato, ainda não é muito confortável ler nele. Neste caso, o tablet é melhor mesmo.

Nunca li com o Kobo, o e-reader da Livraria Cultura, mas várias pessoas já me disseram que o processador do Kobo não é tão bom quanto o do Kindle. Já outras pessoas dizem que é só atualizar o software. Já o LEV, da Saraiva, eu não recomendo sob nenhuma hipótese, até porque a Saraiva só da mancada. Se você tiver dúvidas, este vídeo aqui compara os três dispositivos do mercado e pode te ajudar numa futura compra.

Agora é me jogar na leitura e colocar mais livros nele. E você, tem e-reader? Qual é?

Até mais!
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TAG: Arrependimentos Literários

Na vida de leitor sempre tem arrependimentos. Alguns mais, outros menos, mas todos temos alguma decepção, alguma coisa que deu ruim, algo que dá aquele desgosto só de lembrar. Pode ser aquele livro caro demais, ou aquele livro que a gente emprestou e não voltou, ou o livro que não foi lançado no Brasil. Esta TAG é sobre este avassalador sentimento de arrependimento que bate na gente quando o assunto são os livros.





Essa TAG foi um convite da Sam, do Meteorópole, praticamente sócia-torcedora aqui do Saga! Publicando junto temos o Habeas Mentem e o Tiozinho Nerd.


1. Qual livro você se arrependeu de comprar porque “logo depois” encontrou por um valor bem mais baixo?
King of Thorns. Paguei com um rim por ele e depois encontrei, na mesma loja (Submarino), por bem menos que isso um mês depois. E hoje tá mais barato ainda. Que raiva!

2. Qual livro você se arrepende por não ter lido antes?
A Torre Acima do Véu, da Roberta Spindler. Me surpreendeu de várias formas, especialmente por não ter uma protagonista tapada tentando decidir se vai transar com o boy ou não.

3. Se arrependimento matasse, qual livro lido seria o responsável?
O Festim dos Corvos, de George RR Martin. Chamaria George pra tomar uma e pergunta "cara, pra que isso??".

4. Em relação ao mundo literário, do que mais se arrepende?
Queria ter lido mais na adolescência. Lia aqueles paradidáticos, especialmente os da Coleção Vaga-Lume, mas queria ter lido além disso, sair do básico.

5. Já se arrependeu por emprestar algum livro?
Muito. Vários livros meus não voltaram e um deles voltou detonado, sujo, amassado. E era O Silmarillion, do Tolkien. Tive vontade de socar a pessoa.

6. Qual autor você não se arrepende de ter dado uma chance?
Steve Berry. Ele tenta dar uma de Dan Brown, mas seus livros entregam o jogo logo no começo. É extremamente cansativo apesar de suas ideias e de sua pesquisa serem muito boas. Não me arrependo de ter lido, mas não leio mais nada também!

7. Se você tivesse que escolher apenas um autor para ler pra sempre, escolheria sem arrependimentos...
Apesar de ter passado muita raiva com ele, seria o George RR Martin. Adoro a estrutura narrativa dele. Seus livros são imensos, mas a gente nem sente o tamanhão deles.

8. Uma frase relacionada a esse sentimento:
O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.

Cora Coralina



Quem quiser responder à TAG pode responder aqui embaixo mesmo pelos comentários ou então responder em seu blog e mandar o link pra cá. Você tem arrependimentos literários? Contaí!

Até mais!
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Resenha: A Torre Acima do Véu, de Roberta Spindler

Ficção científica nacional cresce aos poucos, mas cresce. E fico muito feliz de ver novos títulos, especialmente, se forem escritos por mulheres. De livro em livro, a FC Nacional se torna mais sólida, mais profissional e reconhecida. A Torre Acima do Véu é um belo exemplo de distopia nacional feita por uma autora nacional. E o melhor: com protagonista feminina.





O livro

Uma estranha névoa toma conta da superfície do planeta. As pessoas sufocam quando em contato com ela, a pele arde. Os locais altos, especialmente os arranha-céus, se tornam os lugares mais seguros e as pessoas se acotovelam para entrar e pegar os elevadores. Mas nem todo mundo tem essa sorte. E log um tapete de cadáveres se estende pelas ruas, calçadas e pelos saguões dos prédios.


O que restou da população humana se refugiou nos topos dos prédios. Arranha-céus tornaram-se os refúgios e cidades conectadas. Mas a névoa tóxica acabou tendo um efeito colateral nas pessoas: mutações genéticas. As crianças nascidas depois da névoa apresentam características como capacidade de saltar longas distâncias, super visão e até de teletransporte. Beca, a protagonista, é uma saltadora. Trabalha com o pai adotivo e o irmão resgatando artefatos nos prédios. Tudo fica mais difícil no alto dos prédios. Como cultivar comida para todo mundo? Como manter a manufatura?

Rebecca, ou Beca para os íntimos, mora com a família em Rio-Aires, cidade controlada pela Torre. A Torre fornece proteção e comida e controla todos os outros edifícios sob a figura poderosa do Emir. O pai de Beca faz alguns trabalhos para a Torre, mas em geral trabalha para contratantes independentes. Beca é experiente, esperta e muito ágil. É ela quem invade prédios abandonados em busca dos mais variados produtos, tendo que encarar desde de matilhas raivosas de cães até os Sombras, criaturas que surgiram depois da névoa tóxica.

É em uma missão que parecia ser de rotina que Beca descobre como a Torre opera e que nem tudo é tão idílico quanto ela achava que era. E além de ter que lidar com Sombras, cães e concorrentes, Beca também tem que lidar com as paqueras imbecis de Leon e adora tomar umas biritas no bar. Foi muito bacana ler uma personagem forte, independente, que não fode o enredo por causa de um crush, diferente de livros como Eva, de Anna Carey, onde a protagonista é uma completa imbecil. ❤️

Cidade de Wuhan, na China, coberta por poluição.

O futuro de A Torre Acima do Véu fala de megalópoles, megaedifícios e de uma junção entre culturas. Vemos isso pelos nomes e sotaques em "portunhol" de alguns personagens. Uma das coisas que senti falta na obra foi um mapa que mostrasse a disposição dos edifícios e a forma como as pessoas transitam entre um e outro. Pode ser uma ideia para uma segunda edição do livro, pois a noção de espaço fica prejudicada só com a descrição. Também vi problemas de revisão, com cacofonia e repetição excessiva de termos em alguns capítulos.


Ficção e realidade

Universos distópicos são sempre uma ótima maneira de se criticar a sociedade. As pessoas precisam se reinventar e reestruturar uma sociedade, praticamente, do zero depois de um desastre de proporções globais. Seja um impacto de um asteroide, seja uma invasão alienígena, seja uma névoa tóxica, o mundo como conhecemos acaba. E pensar nisso pode ser bastante perturbador para muita gente. Pois muitos dos confortos do mundo de hoje simplesmente acabarão num pós-apocalipse. Você estaria preparado?

Ao vermos as grandes cidades notamos o padrão verticalizado da maioria delas. Morar em prédios e trabalhar em prédios tornou-se padrão para muita gente nas metrópoles. Não é tarefa fácil imaginar estes prédios tornando-se cidades-estado, onde você não pode descer ao chão.


Pontos positivos
Megacidades e edifícios
Protagonista feminina
Não tem romancezinho

Pontos negativos

Problemas na revisão




Título: A Torre Acima do Véu
Autora: Roberta Spindler
Editora: Giz
Ano de lançamento: 2014
Páginas: 272
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

A Torre Acima do Véu é uma grata surpresa. A autora construiu um mundo muito interessante, com uma personagem forte, inteligente e decidida, cujo interesse é estar junto da família e garantir a comida na mesa. A vida de Beca sofre uma reviravolta e ela se vê imersa na névoa e nos mistérios que ela contém, enquanto descobre um pouco mais sobre si mesma e sobre as pessoas ao seu redor. Procurando uma obra nacional? Escrita por uma mulher? Com protagonista feminina? Então não perca tempo e compre logo! Quatro aliens e uma forte recomendação para que você leia também.


Até mais!
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