Pular para conteúdo Pular para navegação
  • Dez termos da ficção científica e suas origens
  • O preconceito com a mulher na literatura
  • Por que tem gente que odeia ficção científica?
  • O Efeito Matilda e o patriarcado na ciência
  • Não vamos sobreviver outros dez mil anos
  • Star Trek e o Teste de Bechdel

Valorizando as minas

Em uma blogosfera e mercado literário um tanto hostis para com as mulheres (além do mundo real também não ser muito simpático) existem bons textos, autoras, blogs, profissionais, iniciativas, gente empenhada em fazer as mulheres se destacarem, gente tentando derrubar mitos, gente brilhando, lacrando e divando. A ideia de hoje é mostrar essas pessoas e mostrar seu trabalho.





Não encontrou alguém na lista? Adicione nos comentários que eu vou atualizando. Não esqueça de colocar site, twitter, página do Facebook, blog pessoal da pessoa, sinal de fumaça...


Escritoras
O mercado literário costuma classificar as literatura para mulheres como "de nicho". Muita gente diz que não gosta de ler livros escritos por nós porque terá romance, aquela coisa no estilo comédia romântica. Sim, e daí? Amor é ofensivo agora? Mas mulher não escreve só isso. Estamos por aí escrevendo distopias, contos, livros juvenis, conversando com as pessoas que sentem falta de representatividade.

Aline Valek
Além de blogueira e feminista, Aline escreve super bem. Já resenhei seu conto Hipersonia Crônica por aqui.

Alliah
Autora da primeira obra de new weird no Brasil, Metanfetaedro. Genderfluid, feminista, escritora e artista visual.

Roberta Spindler
Autor da ficção científica A Torre Acima do Véu.

Clara Averbuck
Autora nacional de vários títulos e feminista. Assina também o blog Lugar de Mulher.

Melissa Sá
Autora brasileira de vários livros e contos de ficção especulativa.

Ana C. Rodrigues
Escritora brasileira, com diversos títulos.

Bárbara Morais
Autora nacional, escreveu a distopia A Ilha dos Dissidentes.

Jarid Arraes
Colunista da Revista Fórum, feminista que escreve cordéis.

Giulia Moon
Uma das mais conhecidas autoras nacionais de ficção especulativa.

Histórias e contos
Tumblr da Danielma Reis, feminista aprendiz, com contos.

Ficção especulativa BR
Fórum para discussão da Ficção Especulativa. Um espaço inclusivo, que não tolera preconceitos.


Feminismo
Temos ótimos blogs lidando com racismo, machismo, misoginia, transfobia, homofobia, lesbofobia, gordofobia e tantos outros preconceitos que vemos pela vida. Aprendi e aprendo muito com estas páginas todos os dias e com as pessoas por trás destes trabalhos. Todos os dias, seus textos visam desconstruir estes preconceitos que há tanto estão em nós enraizados.

Blogueiras Feministas
O primeiro portal feminista com o qual tive contato foi este. Essencial.

Blogueiras Negras
Um dos blogs mais importantes para o feminismo e para a luta contra o racismo.

Travesti Reflexiva
Uma das páginas mais importantes do Facebook, assinada pela Sofia.

Identidade de Gênero
Conteúdo sobre Transexualidade, Travestilidade, Transgeneridade e Mulheridade.

Ativismo de Sofá
Um dos melhores blogs sobre feminismo. Textos muito importantes e didáticos.

Não sou exposição
A tal indústria da saúde não tem nada de saudável. Serve apenas para nos alienar. Não compre esse discurso gordofóbico.

Machismo chato de cada dia
Aquele machismo diário, de todos os lados, inclusive da mídia e de nossa família.

Think Olga
Uma das páginas feministas de maior importância no país, responsável pela pesquisa e campanha Chega de Fiu-Fiu.

Não aguento quando
Não aguenta atitudes machistas, preconceituosas e racistas dos outros? NAQ é um ótimo site e tem produtinhos à venda também.

Lugar de Mulher
Não gosta dos típicos portais femininos, que só falam de como perder aqueles 3 quilos e de como amarrar macho? Este é seu site.

A Mulher negra e o Feminismo
Página no Facebook sobre a mulher negra e sua luta no feminismo e contra o racismo.

Feminismo de 3/4
Alunxs do Colégio Pedro II que cansaram de ver o machismo não só fora das escolas, mas dentro delas criaram esta página no Facebook.

Gorda e Sapatão
Blog da Jez, combate lesbofobia e gordofobia.

Mamu
Mapa colaborativo com vários coletivos feministas pelo país, principalmente nas universidades.

Mulheres nos Quadrinhos
Quem disse que mulher não curte nem produz quadrinhos??

Lady's Comics
Uma das páginas mais importantes para a produção de quadrinhos, todas por mulheres!

Negahamburguer
Ilustrações que dão voz às mulheres, tão oprimidas pelos irreais padrões estéticos e corporais. Lindo trabalho.


Blogueiras
São tantos bons blogs por aí escritos por mulheres, não dava para deixar azamiga de fora. Os temas são variados, mas valem cada palavra. Nós temos muito a dizer.

Meteorópole
Blog da Samantha com meteorologia, resenhas, ciência, Star Trek e feminismo.

A Maior Digressão do Mundo
Blog da Gizelli Souza sobre feminismo, valorize as minas, cinema, literatura.

Marta Preuss
Além de uma webdesigner de responsa (foi ela quem criou este lindo tema do Saga), também tem ótimos escritos e contos.

Silvana Marques
Ilustradora e professora.

Sem Serifa
Blog literário escrito por Isa Prospero e Bárbara Prince.

Limão em Limonada
Um dos blogs que sigo a mais tempo, uma pena que a Manu não aparece faz um tempinho por ele, mas os textos são precisos e importantes.

Game of Thrones BR
Página administrada pela Lidiane, feminista e engenheira.

Colchões do Pântano
Blog da Taís Fantoni com games, arte digital e feminismo.

Jardim de Siguta
Para quem curte paisagismo, jardinagem e arte, este é o seu espaço.

aceita um leite?
Blog da Lu Tazinazzo com resenhas e variedades.

Sem Formol Não Alisa
Blog pessoal da Daniela, estudante de engenharia ambiental.

Coruja de Quinta
Blog da Fran Lelis, com resenhas. Livros, cinema, TV, de tudo um pouco.

Morando Sozinha
Blog da Fran Guarnieri com dicas de decoração, culinária, dicas de organização pessoal, enfatizando aquelas que moram sozinhas.

Madly Luv
Blog da webdesigner Ana Flávia Cador, com resenhas, opiniões, cotidiano, design.


Compre de quem faz
Quem procurar por produtos mais personalizados dificilmente vai achar em alguma loja por aí. Mas na interwebs a gente acha muita coisa bacana.

Borboleta Negra
Cadernos artesanais, com vários tipos de costura, com vários temas diferentes. E você pode personalizar o seu se quiser.

Geekiss
Para as minas que curtem produtos nerds e que nunca encontra nas lojas, pois elas ainda pensam que só meninos curtem nerdices, segue o site da loja Geekiss.

Loja TRANStornada
Camisetas e botons, tudo umas fofuras. Nas compras acima de 100 reais, o frete é grátis!


Gostou? Acesse e apoie seus trabalhos. Compartilhe seus links, textos, livros, diga não ao click-indignação. Use a internet para promover o que é bom. Traga mais mulheres incríveis para a lista.

Até mais!
Editar o post

Resenha: Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Há muito tempo que eu ansiava por ler Americanah. Um livro grande, denso, mas cheio de significado, emocionante, um soco no estôamgo. Chimamanda é, sem dúvida, uma das escritoras de maior influência atualmente, atraindo leitores para a literatura africana e nigeriana, mostrando o continente e seu país por outro viés.





O livro

Lagos, Nigéria, anos 90. Ifemelu e Obinze são jovens, cheios de sonhos, querendo uma vida futura juntos, imersos no amor da juventude. Eles vivem em uma Nigéria sob regime militar, que paralisou as universidades do país, paralisadas por greves, com professores e alunos insatisfeitos. Como a tia de Ifemelu tinha se mudado para os Estados Unidos para tentar a vida lá com o filho, Ifemelu consegue uma bolsa parcial numa universidade e se muda. Obinze fica na Nigéria, tentando ir logo depois para se encontrar com a namorada e lá tentar uma vida, mas as coisas não são assim.


A vida de Ifemelu, no começo, é bastante difícil. Sem conseguir emprego, usando o seguro social de outra nigeriana, ela se depara, pela primeira vez, com a questão racial. Ela se vê como imigrante, mulher e negra pelos olhos dos americanos e se surpreende com as coisas que eles dizem e fazem. Enquanto isso, a depressão abate Ifemelu, ela deixa de falar com Obinze, na Nigéria e sua vida desaba.

"Entendo que a questão racial é importante aqui, mas precisamos ter certeza de que o livro vai transcender a raça, para não ser só sobre isso."
E eu pensando: mas por que tenho que transcender a raça? Sabe, como se a questão racial fosse uma bebida que é melhor se for servida diluída, temperada com outros líquidos, ou os brancos não vão conseguir engolir.

Para sobreviver e poder pagar a faculdade, ela começa a trabalhar como babá. Podemos acompanhar suas observações a respeito dos comportamentos racistas das pessoas, como por exemplo quando elas falam mais alto e mais pausado com ela, temendo que, por ser imigrante, Ifemelu fosse incapaz de compreender as pessoas. Quando dão palpite em seu cabelo e quando ela foi obrigada a tirar suas tranças e alisar para conseguir um emprego em uma revista. Ou então quando um salão se recusou a fazer suas sobrancelhas porque "não tinham experiência com cabelo afro".

Os anos passam e Ifemelu se torna uma blogueira famosa, onde escreve sobre as visões de uma negra não-americana a respeito dos negros que são americanos e todo o tipo de situações que os negros precisam enfrentar com os brancos.

América Latina como um todo tem um relacionamento muito complicado com a negritude, que é ofuscada por toda aquela história de 'somos todos mestiços' que eles contam para si mesmos.

Chega um momento de sua vida que Ifemelu resolve voltar para a Nigéria. O tempo, o sucesso, o dinheiro não a fizeram esquecer Obinze, mas por um momento ela se sente uma estranha em seu próprio país e parece não mais reconhecer os grandes amigos que teve na juventude. E uma observação que Ifemelu faz de si mesma: foi preciso sair do país para que ela se sentisse uma negra.

O único motivo pelo qual você diz que a raça nunca foi um problema é porque queria que não fosse. Nós todos queríamos que não fosse. Mas isso é uma mentira. Eu sou de um país onde a raça não é um problema; eu não pensava em mim mesma como uma negra e só me tornei negra quando vim para os Estados Unidos. Quando você é negro nos Estados Unidos e se apaixona por uma pessoa branca, a raça não importa quando vocês estão juntos sem mais ninguém por perto, porque então é só você e seu amor. Mas no minuto em que põe o pé na rua, a raça importa. Mas nós não falamos sobre isso. Nem falamos com nosso namorado branco sobre as pequenas coisas que nos irritam e as coisas que queríamos que ele entendesse melhor, pois temos medo de que ele diga que estamos exagerando ou que nos ofendemos com facilidade demais. E não queremos que diga: 'Olhe como evoluímos, há apenas quarenta anos seria ilegal sermos um casal', porque sabe o que a gente está pensando quando ele diz isso? Por que foi ilegal um dia, porra? Mas não dizemos nada disso. Deixamos que se acumule dentro da nossa cabeça, e quando vamos a jantares de gente liberal e legal como este, dizemos que a raça não importa porque é isso que se espera que digamos, para manter nossos amigos liberais e legais confortáveis.

Americanah foi um soco no estômago. Chimamanda escreve sobre o que muita gente mantém para si mesma, em silêncio, sofrendo e sangrando em uma sociedade racista. Sim, nossa sociedade é racista, não dá para tapar o sol com a peneira. A mensagem do livro é tão importante, tão forte que deveria ser leitura obrigatória, como aquelas de vestibular, e quem sabe assim os reacinhas de Facebook aprendessem algo. A escrita de Chimamanda é poderosa, mas sua narrativa corre rápido, não é aos tropeços.


Ficção e realidade

Tive a clara impressão de não ler um obra de ficção. Tudo o que está ali é real e aconteceu. Seja com a autora, com amigos dela, com pessoas que ela conhece, com qualquer negro que esteja hoje nas Américas ou na Europa (há um momento do livro em que Obinze está na Inglaterra e sente o racismo na pele, até mesmo de amigos de infância que emigraram). O início do livro já é algo que nunca saberei como é: entrar em um salão querendo fazer tranças africanas e ouvir as situações que as imigrantes que mal falam direito o inglês precisam enfrentar.

Chimamanda Ngozi Adichie.

Chimamanda trabalhou, magistralmente, com temas como racismo, desigualdade de gênero, imigração, preconceito contra imigrantes. Seus personagens - principalmente Ifemelu - são profundos, múltiplos, com seu lado bom e ruim. Eles podem ser simpáticos em um momento, arrogantes em outro. Eles são HUMANOS. Seus dilemas são entre si e entre as outras pessoas. A autora também coloca na narrativa as maneiras de falar da Nigéria, como o 'ô' no final de cada frase. É um livro rico e muito denso. Não digo que é um livro fácil, pois as situações de racismo e preconceito são um soco no estômago e ajudará a desconstruir muitos mitos e visões equivocadas sobre África, Nigéria e racismo.


Pontos positivos
Análise sobre racismo
Autora nigeriana
Personagens bem trabalhados

Pontos negativos

Não sabemos o destino de alguns personagens


Título: Americanah
Título original: Americanah
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 516
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Não há mais nada a se dizer de um livro tão maravilhoso quanto este além de LEIA. Por favor, leia este livro. São 516 páginas que passam rápido, pois ficamos submersos no mundo de Ifemelu. Não pense que o romance com Obinze rouba a cena, na verdade ele chega a ser totalmente secundário enquanto acompanhamos os personagens. Um livro essencial em qualquer estante.

Até mais!
Editar o post

10 tipos de distopias

Sabemos que os enredos apocalípticos, pós-apocalíticos, desgracentos, que acabam com o mundo e com a humanidade estão em alta nos últimos anos. E eles rendem muito, seja na TV, na livraria ou no cinema, temos muitos exemplos de distopias. E já que falei de distopia no post anterior, resolvi traduzir em partes e reordenar a lista de 10 tipos de distopia do io9. Tomei a liberdade de fazer adições ou de alterar algumas coisas, mas você pode ler a lista original aqui.






10. Fim dos recursos naturais
Imagine um mundo sem petróleo. Ou sem água. Quem sabe sem ferro, ouro ou terras raras? É, este tipo de apocalipse seria lento e agonizante. Nossos veículos estariam parados em avenidas, ruas, pátios e pistas de pouso. Geradores parariam de funcionar sem combustível, logo teríamos o desabastecimento das grandes cidades, conflitos nas ruas por comida...


Este talvez seja o cenário mais próximo da nossa realidade, pois isso já está acontecendo. Se andarmos neste ritmo, nossos recursos vão sim acabar e não teremos como substituir muitos deles, a menos que haja uma mudança na forma de consumo e/ou de produção de novos materiais. Deste ponto em que estamos é ladeira abaixo, a menos que algo mude.


9. Tecnologia falha
Se amanhã a eletricidade nunca mais ligar as luzes das ruas, alimentar o metrô, se nada mais que for elétrico funcionar, nossa vida na internet já era. Nossa capacidade de voar e de atravessar o globo em horas já era. Estaríamos de volta à época em que era tudo na base do vapor, da tração animal, das velas e do banho de canequinha. Este é o mundo da série de TV Revolution.


Não seria fácil se acostumar a viver num mundo desses. Ainda mais quem vive nas cidades teria problemas de adaptação, certamente. Teríamos mais coisas artesanais e aos poucos o que restava daquele mundo iluminado será apagado. As distâncias que tinham sido diminuídas pela internet e pelas viagens aéreas aumentarão e seremos novamente uma sociedade praticamente rural.


8. Pessoas que desaparecem
Temos duas modalidades aqui: ou algumas pessoas começam a desaparecer, sejam isoladas, sejam em grupos ou um tipo específico de pessoa desaparece, como somente homens, ou somente as mulheres ou somente as crianças. Alguma coisa aqui acontece para demonstrar a importância de cada um de nós dentro de uma coletividade.


A causa dos desaparecimentos pode diferir: abduções, doenças, guerras, espíritos, mas aqui o que vale é extrapolar o abandono, a falta que as pessoas fazem e como que seu desaparecimento pode ter sido traumático para a sociedade em si. Um mundo onde todas as pessoas fiquem estéreis e as crianças parem de nascer seria o fim lento e agonizante da raça humana.


7. Terra abandonada
Se o planeta se tornar quase hostil à vida humana, poderíamos simplesmente partir, não é mesmo? Pode ser uma estação espacial ao redor do planeta, podemos encontrar outro planeta para ir, podemos nunca mais voltar ou tornar o planeta todo uma imensa reserva de biodiversidade. Mas sair daqui pode ser uma opção em um futuro remoto.


Algumas franquias, simplesmente, não mencionam a Terra nunca mais. Outras voltam para ver o que aconteceu por aqui. A natureza tomou conta de tudo? As cidades estão em ruínas? Existem sobreviventes, descendentes daqueles que ficaram para trás? O medo de perder a segurança de nosso lar no cosmos faz deste tipo de distopia um modo perturbador de ver a sociedade, especialmente em condições adversas no espaço.


6. Holocausto nuclear
Este tipo de desgraça perdeu um pouco da fama, mas não deixa de ser igualmente terrível, pois uma explosão nuclear deixa um rastro de destruição terrível demais, áreas contaminadas e a radiação causa deformações, câncer e morte em altas doses. Ele foi bastante popular durante a Guerra Fria porque refletia um medo generalizado no ocidente de uma guerra nuclear.


Sua principal característica e crítica é que uma explosão nuclear é o ápice da tecnologia de destruição em massa. Ela pode aniquilar tudo o que é vivo e deixar apenas escombros, contaminando o que estiver longe demais e assim tornando a vida de sobreviventes bastante difícil já que arrumar comida e água limpa seriam bem difíceis.


5. Monstros ou aliens
As invasões alienígenas ou monstros gigantes são capazes de destruir as cidades e nossos modos de vida rapidinho. Quem lembra de Independence Day lembra dos grandes símbolos norte-americanos sendo destruídos e a tremenda onda de choque que varreu as áreas urbanas destruindo tudo ao seu caminho. Oblivion seguiu o mesmo caminho, com o planeta inteiro reconfigurado e secando depois da chegada de aliens sedentos de recursos naturais.


Monstros como Godzilla ou um T-Rex solto pelas ruas causaria um grau de destruição considerável. Isso me fez pensar nas aventuras de Jaspion, Changeman e toda aquela galeria de heróis japoneses que destruíam monstros sem antes acabar com metade de Tóquio no processo. Mas, de qualquer forma, este não é um fim que gostaríamos de ter, pois é bem possível que os aliens deixassem isso aqui tão detonado que sobreviver aqui seria bastante difícil.


4. Desastres naturais
Um desastre de grandes proporções como vulcanismo intenso, um meteoro, terremotos, tudo isso despedaçaria nossa civilização em pouco tempo. Quem leu ou viu o filme A Estrada, deve lembrar que houve algum desastre não especificado e a população começou a definhar, seguindo as antigas estradas em busca de comida. E muitos grupos se tornaram canibais já que não havia mais comida disponível em lugar nenhum.


Este seria um apocalipse "só de ida". Não daria para recomeçar caso as mudanças ambientais se tornem cada vez mais severas a ponto de tornar o planeta inteiro inabitável. Aí o jeito é perecer junto da natureza ou partir para outro planeta, se possível. Erupções solares, aquecimento global, tsnumais, escolha seu fim preferido.


3. Levante das máquinas
Pode até ser que as máquinas não ganhem consciência um dia e se volte contra nós, mas com certeza este é um tipo de distopia que assusta. Se um super computador adquirir consciência, não sei se vai querer nos matar ou nos aniquilar, mas certamente seria o apocalipse, já que estamos praticamente cercados por máquinas o tempo todo.


O principal tema aqui é o nosso medo de criarmos algo mais inteligente que a raça humana e depois não ter condição de combatê-la. Estamos tão dependentes destas tecnologias que temos dificuldades para nos imaginar sem os confortos modernos - no caso de um apocalipse - e temos uma dificuldade maior ainda (além do medo) de imaginar estas máquinas que tanto nos ajudam se convertendo em assassinos em massa.


2. Epidemias
O problema aqui é o medo que temos das doenças e suas subsequentes epidemias. Convivemos com doenças o tempo todo, mas sabemos que uma gripe mais forte pode causar estragos na população como tivemos com a Gripe Espanhola. Ultimamente, temos visto o temor mundial diante do Ebola, um dos vírus mais mortais existentes, para o qual (ainda) não há vacina.


Vírus mortais também são ótimas alegorias para criticar a sociedade. Esse medo natural do desconhecido e as relações com os contaminados rendem bons enredos. As epidemias ficaram ainda mais perigosas com a intensificação da globalização e das viagens. Hoje podemos estar em qualquer lugar do globo em 24hs carregando conosco nossos vírus, fungos e bactérias e pegando outros pelo caminho. Lave bem as mãos.


1. Zumbis
Ahhhh, os nosso amigos pútridos e queridos, sedentos de carne humana, ambulantes sanguinolentos que derrubam as civilizações. Mais perigosos que a varíola ou as bombas nucleares, os zumbis são os astros do apocalipse moderno, tendo sido catapultados na cultura pop pelo estrondoso sucesso de The Walking Dead.


O que dá mais medo em um apocalipse desse é que seu parente, amigo, filho, aquela pessoa que você mais ama é um inimigo em potencial. E não terá pena nenhuma de você ao se tornar um zumbi e se levantar de seu túmulo para comer seu cérebro. Além disso, os zumbis são uma ótima alegoria para as críticas sociais que queremos fazer numa obra de ficção justamente por este caráter humano perdido ao se transformar num predador.


Até mais!
Editar o post

Em defesa das distopias

Um dos gêneros mais trabalhados na ficção atualmente, se não o mais trabalhado, é alvo de críticas por parte de muita gente. Com a invasão das livrarias por distopias adolescentes, o domínio quase que completo do cinema por elas, quando não são super heróis, deixa muita gente inquieta, pois parece que os autores perderam a mão e não sabem mais escrever sobre mundos positivos para a raça humana. Mas há quem defenda os universos distópicos.





Leia também: O que é distopia?


A principal crítica das pessoas é que as distopias estão deixando a sociedade com medo do futuro. Isso nos deixaria imediatistas, temerosos, com medo do que a ciência e a tecnologia mal empregadas possam fazer o mundo que ainda virá. Temos aí grandes exemplos de distopia mais clássica como Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo, 1984 e das mais recentes como Jogos Vorazes, Divergente, entre tantos outros enredos distópicos que não dão uma visão bonita do que o futuro nos reserva.


Mas devemos sempre pensar que estas obras servem de alerta. Digo e repito quantas vezes for necessário, ficção científica não tem a menor obrigação de prever o futuro, nem de inventá-lo. Ray Bradbury ainda diria que devemos evitá-lo. Já vi muita gente diminuir livros por puro preconceito, escondendo-se atrás da falsa premissa de que ficção científica tem que prever o que acontecerá no futuro. FC não é vidente, é um gênero literário, de cinema e de TV. Sua função é entreter, maravilhar, criticar.

Por causa desse pessimismo que tomou conta da produção artística de FC, surgiu o Hieroglyph: Stories & Visions for a Better Future, uma antologia que visa apenas contos positivos sobre a raça humana. É uma tentativa de produzir algo diferente, que nos coloque em uma situação melhor do que em muitas outras obras. Infelizmente, muita gente não entende obras distópicas. Elas parecem não ser capazes de suspender a descrença e olhar para o mundo de Tris ou de Katniss e enxergar as similaridades em crítica com Admirável Mundo Novo.

No entanto, se olharmos a influência para a cultura de Star Wars, de Star Trek, de Asimov e seus robôs, quem nos garante que as distopias não estão prevendo um futuro que, certamente devemos evitar? Em 1984, temos um mundo de controle excessivo sobre nossas vidas por parte da mídia e do governo. Hoje, qualquer tentativa de controle de privacidade ou de invasão delas, como o roubo de informações por agências de espionagem, já revolta as pessoas. Poderia ser uma influência da obra icônica de George Orwell.


Assim como Gattaca e Admirável Mundo Novo, mostrando os horrores do controle genético da população, subordinada ao que seus genes as deixam fazer ou não de suas vidas, podando sonhos e podando futuros. Em 2008, o Congresso norte-americano aprovou o GINA, Genetic Information Nondiscrimination Act, que diz que ninguém deve ser discriminado, impedido de estudar ou trabalhar, com base em seu perfil genético. Em um mundo de Gattaca, Angelina Jolie poderia ter sido relegada a funções bem menos glamourosas do que ser uma atriz e ativista, devido ao gene para câncer de mama que carrega e que a fez optar pela dupla mastectomia.

Homeland é também uma forma de distopia que nos avisa sobre o futuro imediato, o risco de termos terroristas e convertidos por terroristas, capazes de entrar em territórios, como lobo em pele de cordeiro. Todos temos acompanhado a ascensão do Estado Islâmico e o risco aos direitos humanos que ele traz por suas ideias fundamentalistas e fanáticas. Alertas como os citados acima, embalados em um pacote distópico, às vezes extrapolado ao máximo, são feitos para que possamos enxergar os excessos, vislumbrar o que poderia ser próximo de nosso futuro se uma situação como essa se concretizar.


Não devemos abandonar o futuro. Devemos imaginá-lo melhor, mas temos que alertar também. Ignorar as mensagens passadas pelas distopias, sejam as clássicas ou as juvenis, é fechar os olhos para o que pode vir a ser nosso mundo. Mundos melhores podem ser sempre almejados e trabalhados, mas não devemos descartar toda a produção distópica e seus enredos por medo e ignorância. Afinal, era isso que fazia os livros pegarem fogo, de acordo com Bradbury.

Um dos grandes papéis da ficção científica é preparar as pessoas para aceitar, sem dor, o futuro e para encorajar a flexibilidade da mente.

Arthur C. Clarke
Editar o post

Resenha: Trilogia Apocalipse Z, de Manel Loureiro

Com a volta de The Walking Dead, os zumbis invadiram as TVs novamente. A febre zumbi parece que deu uma caída, o que é uma pena. Este é um ambiente e um mundo ótimos para se fazer críticas sociais utilizando nossos inimigos mortais e famintos. E a trilogia Apocalipse Z é um ótimo exemplo na literatura para quem quer fugir um pouco das aventuras de Rick Grimes.





O Princípio do Fim

Este livro me fisgou do início ao fim e achei o mais bem amarrado e tenso da trilogia. Começamos lendo os relatos do blog de um advogado que vive em uma pacata cidade na Espanha, que vai e volta do trabalho, uma pessoa comum. Aliás, o autor Manel Loureiro é de fato advogado e tudo começou com suas postagens em seu blog pessoal. A coisa fez tanto sucesso que acabou virando uma trilogia bem sucedida.


Esse advogado tem um gato, Lúculo, que é um personagem a parte do enredo todo. Os relatos dele no blog começaram depois da morte da esposa, portanto tudo é em primeira pessoa. Ele precisava de um lugar para desabafar, mas acabou tornando-se uma forma de observar o mundo. Ficamos sabendo por suas palavras que algo muito estranho estava acontecendo no Cáucaso. Algum tipo de emergência sanitária acontece em um país que pertenceu ao bloco soviético.

Os dias passam e ele percebe que a coisa é muito mais séria do que se poderia supor. A região do Cáucaso começa a ficar incomunicável e por fim nada mais se sabe do lugar. Casos de desordem civil começam a pipocar por toda a Europa e o advogado começa a se preocupar com a família. Ele acaba deixando de ir trabalhar, já que percebe que tudo está começando a parar de funcionar. Depois de se abastecer em casa com comida e água e de se garantir com o suprimento de energia, ele assiste a queda da civilização de sua casa. Sua cidade pacata também começa a se tornar um lugar sitiado e estranhas criaturas violentas, infectadas com um misterioso vírus estão invadido as ruas.


O livro inteiro é muito tenso. Por ser em primeira pessoa, a gente sente o que o advogado sente o tempo todo. E sim, você vai chamá-lo de advogado até as páginas finais do último livro. Tudo é muito solitário e as poucas pessoas que ele encontra nem sempre são totalmente idôneas. O advogado e seu gato passam por situações tensas e tem momentos em que a gente torce mais pelo gato do que pelo dono. Por nunca ter que lutar por sobreviver, ele comete vários erros até ficar mais esperto.

Pontos positivos
Zumbis
Distopia
Lúculo

Pontos negativos

O nome do advogado não é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: O Princípio do Fim
Título original: Apocalipsis Z
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2008)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 305
Onde comprar: Está esgotado em várias livrarias


Os Dias Escuros

O advogado não está mais sozinho. Ele está na companhia de um velho soldado ucraniano, Víktor, que se tornou seu grande e fiel amigo, uma freira, irmã Cecilia e uma jovem órfã, Lucía. Sabendo de todos os perigos que o mundo tomado pelos zumbis os aguarda, eles resolvem buscar refúgio nas Ilhas Canárias, para onde a família real foi evacuada e onde, dizem, é um lugar seguro. Ao chegarem às ilhas, eles são bem recebidos, o que é estranho e depois de passarem por um período de quarentena, são mandados para postos de trabalho.


Mas a realidade é que a ilha está à beira de uma guerra civil. Devido à escassez de recursos tudo ali é difícil, o combustível e a comida racionados e até Lúculo passa a ser visado. Por terem vindo de fora da ilhas e por conhecerem melhor do que ninguém a situação terrível do mundo fora dali, o advogado e Víktor são escalados para voltarem ao continente para realizar saques. Enquanto isso, nas Canárias, Lucía e irmã Cecília pastam para poderem sobreviver em meio a um ambiente tenso e prestes a explodir.

A diferença desde livro para o primeiro é termos mais gente envolvida e a mudança de pessoa na narração, que vai de primeira para terceira pessoa. Vemos que o advogado está mais esperto com a nova realidade, mas não menos ingênuo, ele ainda faz cagada aqui e ali. O autor foi bastante perspicaz em analisar a derrocada da raça humana, mostrando que cada lugar tentou, do seu jeito, preservar seus modos de vida. Alguns persistiram, outros não. E as Canárias, em breve, não vai aguentar muito. A solução para os sobreviventes pode ser ter que pegar a estrada novamente. No entanto, dos três livros, ele é o mais fraco.

Pontos positivos
Zumbis
Mais personagens e tensão
Lúculo

Pontos negativos
Algumas situações fáceis demais
O nome do advogado não é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: Os Dias Escuros
Título original: Los Días Oscuros
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2010)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 384
Onde comprar: Grandes livrarias


A Ira dos Justos

Víktor, Lucía, Lúculo (imbatível) e o advogado são resgatados por um petroleiro quando já estão em maus lençóis. São recebidos com certa simpatia pela tripulação, mas logo percebem algo bizarro. Além de uma separação social, inclusive com barreiras justas, separando hispânicos e negros da tripulação branca de olhos azuis, há também um fundamentalismo religioso exagerado. O fanatismo deles deixa os três sobreviventes com uma pulga atrás da orelha, especialmente quando eles mencionam o tal do reverendo Green.


O petroleiro conseguiu algum do precioso óleo negro e voltou para casa, nos Estados Unidos, sem antes sacrificar algumas pessoas, os chamados Justos, nessa empreitada. E quando chegam ao destino, uma cidade portuária que teve a sorte de ser murada a tempo, antes dos zumbis tomarem conta, percebem o baita problema em que se meteram. Neonazistas, racistas e todo o tipo de assassino, arruaceiro e psicopata faz parte da guarda fanática da cidade, que segue fielmente o reverendo. Lucía não gosta disso nem um pouco e fica difícil para ela se manter calada diante de tanta injustiça e da misoginia escancarada deles.

Além disso, existe uma tal de cura para a praga zumbi, que faz com que os Justus, isolados da parte nobre da cidade e vivendo com migalhas, agressões e preconceito, tenham que obedecer às ordens de Green para poderem sobreviver. E neste miolo todo está o advogado, com os amigos, sem saber como se encaixar nesta sociedade estranha. Sem contar que a Coreia do Norte, que conseguiu sair praticamente incólume do apocalipse, sabe a respeito do petroleiro e se interessa pelo assunto. Se Os Dias Escuros sofre com algumas cenas e situações, A Ira dos Justos, que tem seus problemas pontuais, consegue redimir o autor.

Pontos positivos
Zumbis
Visão fora da Europa
Lúculo (insuperável esse gato!)

Pontos negativos
Muita violência
O nome do advogado é revelado
Algumas cenas longas demais


Título: A Ira dos Justos
Título original: La Ira de los Justos
Série: Apocalipse Z
1- Apocalipse Z (2010)
2- Os Dias Escuros (2010)
3- A Ira dos Justos (2011)
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
Páginas: 398
Onde comprar: Grandes livrarias


Ficção e realidade

O autor acertou em várias previsões ali. Se um evento como o de um apocalipse, e nem precisa ser com zumbis, de fato acontecesse, muitas das situações descritas por Loureiro certamente aconteceriam, como locais vivendo sob ditaduras, fanatismo e fundamentalismo religioso, desequilibrados portando armas e sendo usados como força da lei... Bem, não parece muito longe da nossa realidade, parece?


Avaliação do MS?

Não é fã de The Walking Dead? Ou melhor, é fã mas quer conhecer outras obras sobre zumbis que tenham a mesma tensão, o mesmo nível de caos e esperança que a série apresenta? Pois então esta é a melhor trilogia que você lerá em muito tempo sobre o assunto. Mesmo que o segundo livro dê uma caída, o autor escreveu obras que retratam o melhor e o pior do ser humano e mostrou que mesmo nessa situação de puro caos, ainda há pessoas boas, ainda há gente lutando para sobreviver sem ter que massacrar outras pessoas no processo. Cinco aliens para a trilogia de Manel e uma forte recomendação para que você leia.


Até mais!
Editar o post
Momentum Saga © 2010-2014 | Designed by Marta Preuss | Modified by Sybylla | Proudly powered by Blogger