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  • Dez termos da ficção científica e suas origens
  • O preconceito com a mulher na literatura
  • Por que tem gente que odeia ficção científica?
  • O Efeito Matilda e o patriarcado na ciência
  • Não vamos sobreviver outros dez mil anos
  • Star Trek e o Teste de Bechdel

Meme Rotaroots: 5 personagens que eu gostaria de ser!

Não pude resistir a mais uma blogagem coletiva, meme, tag, whatever! Tem algumas que são muito legais e essa eu vi no Ansiedade Monstra (indico!). Logo fiquei me coçando para responder e para isso chamei minha super parceira bloguística, a Sam, do Meteorópole. O Rotaroots, do blog Borboletando, tem o intuito de trazer um pouco da blogagem dos tempos áureos, quando os blogs eram mais diários que editoriais de moda e fitness.





O meme é, originalmente, de abril de 2014. Mas gente, eu não podia perder esse meme! Existem grandes personagens, especialmente femininas, que eu gostaria de ser e só cinco delas é sacanagem, teria que ser uma lista com dez, pelo menos. Mas me esforcei e tentei eleger aquelas que eu, sem dúvida, encarnaria.


5. She-ra, A Princesa do Poder

Me chame de brega, mas eu amava esse desenho, esses cabelos, essas botas, esse espartilho e vê-la quebrar tudo em Etéria. Foi a primeira heroína feminina dos desenhos animados com quem tive contato e adorava aquele desenho colorido, todo fofinho, porém em um cenário de guerra contra seres do mal.


4. Erin Brockovich

Eu sou apaixonada pelo filme. Eu adoro a Erin. Tanto pela luta dela em manter a casa, em cuidar dos filhos, em procurar emprego, quanto na sua luta por justiça pelo o que a P&GE fez com os moradores de Hinkley, envenenados por cromo hexavalente. Sem contar que ela usava minissaias e decotes e não estava nem aí para o que diziam dela. E mostrou que podia muito bem trabalhar assim.


3. Ellen Ripley (Alien)

E é claro que sempre quis ser Ripley! Meldels, quantas vezes assisti aos filmes de Alien completamente encantada por essa personagem maravilhosa. Sempre achei curioso como Ripley precisava assumir as situações em que estava, fosse onde fosse - uma nave ou um planeta alienígena. Mesmo não querendo, ela sabia que precisava impedir a Weyland-Yutani de colocar as mãos no xenomorfo. Mesmo que precisasse morrer para isso. Quantas pessoas dariam sua vida para proteger os outros? Poucos!


2. Capitã Janeway (Star Trek Voyager)

Uma mulher como capitã de uma nave estelar? Quantas meninas devem ter se identificado com ela na ponte da Voyager, lutando contra os Borgs ou com os Kazons? Janeway se encontrava em uma situação extremamente difícil e precisou unir uma tripulação desunida, de lados diferentes, para que pudessem voltar para casa. Somente uma mulher muito forte e muito segura de qual caminho trilhar poderia levar a todos de volta para Terra. Maravilhosa!


1. Dana Scully (Arquivo X)

Eu sempre fui muito fã da Scully. Na Fnac, alguns colegas me chamavam de Scully, especialmente, depois de um dia em que estava muito frio e fui com um sobretudo preto! Tudo nela me encantava, desde sua inteligência, seu ceticismo, sua coragem, até suas roupas. Scully foi um dos primeiros exemplos que tive de personagem real, alguém que parecia com alguém de verdade, que sofre, que trabalha duro, que tem problemas de família. Uma mulher completa.

E você? Se pudesse escolher cinco personagens para encarnar, quais seriam e por que? Faça um post no seu blog ou deixe aqui nos comentários mesmo.

Até mais!
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Resenha: 2010, Uma Odisseia no Espaço 2, de Arthur C. Clarke

Menos conhecido e lido que o primeiro livro, a continuação de Arthur C. Clarke é tão bom quanto. Tendo também virado um filme, em 1984, o livro conta o que aconteceu com a nave Discovery I, o que aconteceu com HAL 9000, passando-se nove anos após os acontecimentos de 2001. É chegada a hora de retornar à Discovery!





O livro

Nove anos depois dos eventos de 2001 e a perda da nave Discovery I, os Estados Unidos planejam lançar uma nova missão e, para isso, constroem a Discovery II. Mas não é assim tão simples, já que os soviéticos estão à frente deles na construção da Comandante Alexei Leonov. Assim eles chegarão primeiro a Júpiter. O problema é que os soviéticos não sabem como mexer nem na Discovery I, nem em HAL 9000 e propõem uma missão conjunta.


Nesta missão estará, mais uma vez, o Dr. Heywood Floyd, figura que aparece no primeiro livro e que é crucial para o segundo. Temos também o especialista em HAL 9000, Dr. Chandra e o engenheiro responsável pelo projeto do Discovery I, Walter Curnow. A tripulação soviética parece tolerar a tripulação norte-americana enquanto se preparam para desacelerar e manter posição em torno de Júpiter e assim poder encontrar e atracar com a Discovery I.

A ideia é reparar o HAL, coordenar a volta para casa e assim pedir a ajuda dele para descobrir qual foi o problema que levou à morte de um astronauta e o desaparecimento do outro. Mas poderiam confiar em HAL? Um computador que, sabemos, tomou ações deliberadas e conscientes, mentiu e provocou a morte de vários astronautas pode ser confiável? É algo que mantém Floyd preocupado a ponto de fazê-lo instalar uma guilhotina na principal linha de força de HAL. Ao primeiro comportamento estranho do computador, ele o aleijaria de tal forma que seria impossível de contornar.

Enquanto isso, a Tsien, um satélite chinês que depois, descobriu-se ser uma nave, pousa em Europa para reabastecer. A nave é, então, atacada por uma criatura das profundezas de Europa e o único sobrevivente na superfície consegue mandar uma mensagem para a Leonov contando o que aconteceu e que não tem muito tempo de vida em seu traje espacial.

_ Há vida em Europa!

Leonov se aproxima do Discovery, coberto por enxofre dos gases de Io. 

HAL é recuperado por Chandra e os motivos de seu comportamento bizarro são revelados: ele ficou paranoico, entrou em contradição por ser obrigado a manter segredo a respeito do monólito encontrado na Lua. Assim que a nave Discovery I partiu para Saturno/Júpiter, HAL recebeu a ordem de manter segredo sobre a verdadeira missão de Bowman e Poole, os dois astronautas que cuidavam da nave e dos tripulantes em estase, estes sim treinados para lidar com o monólito. Manter este segredo de Bowman e Poole custou a coerência e honestidade de HAL, o que justificava seu comportamento.

Eis então que o Dr. Floyd recebe um aviso vindo de ninguém menos que David Bowman, o astronauta perdido e, presumidamente morto. Eles precisam deixar Júpiter em dois dias, bem menos do que a partida original, pois algo vai acontecer. Algo muito perigoso para eles. Floyd não entende o porquê, mas acaba convencendo a tripulação da Leonov a partir de forma tão súbita, pois alguma coisa está acontecendo com Júpiter... algo espetacular.


Ficção e realidade

Arthur C. Clarke sempre teve muito cuidado com suas descrições científicas. Mesmo lidando com o espaço, com física e astronomia, suas explicações não são complicadas. Portanto, é fácil compreender os conceitos expostos em seus livros. Justamente por sua ciência ser precisa que nos identificamos com muita coisa. As notícias do mundo científico que vemos o tempo todo falam de hibernação para viagens longas no espaço, novos motores, novas descobertas sobre mundos distantes, tudo ali, no nosso cotidiano.

Dr. Floyd e a capitã da nave soviética, Tanya Kirbuk. 

Os eventos fantásticos que acontecem no livro não o desabonam como ficção científica, ao contrário, apenas mostram quantas coisas maravilhosas ainda somos incapazes de compreender. Fala de um astronauta no passado que não vem empilhar pedras e que se mostra poderoso o suficiente para criar vida e estrelas.


Pontos positivos
Exploração espacial
Guerra Fria
Lúcifer

Pontos negativos
Alguns capítulos arrastados
Baixa representatividade feminina


Título: 2010, Uma Odisseia no Espaço II
Título original: 2001: A Space Odyssey Two
Autor: Arthur C. Clarke
Editora: Nova Fronteira
Ano de lançamento: 1982
Páginas: 364
Onde comprar: fora de catálogo há muito tempo


TODOS ESTES MUNDOS SÃO SEUS EXCETO EUROPA. NÃO TENTEM ATERRISSAR LÁ!


Avaliação do MS?

Quem sempre teve curiosidade para saber o que diabos aconteceu com a Discovery I, quem for fã de HAL e da ficção científica, não pode deixar de ler este livro. Assista o filme também, ele é bom e não é tão parado quanto o primeiro filme, o que pode animar alguns a assisti-lo. O livro está fora de catálogo, você pode tentar comprá-lo em sebos ou baixar em vários formatos (deixei o link acima caso você opte por essa opção hihihi). Quatro aliens para este clássico e uma forte sugestão de que você o leia e assista.


Até mais!
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O estupro de Alien

Imaginem uma franquia famosa de ficção científica que seja toda ela baseada no estupro. Imaginou? Nem precisa, pois ela existe e se chama Alien. Começou com o filme de Ridley Scott - Alien, O Oitavo Passageiro - e foi repetida em todos os filmes. É também uma das mais perturbadoras cenas já feitas pelo cinema e conseguiu demonstrar o ato horrendo que é um estupro. Mas também mostra que é possível lutar contra ele.




TRIGGER WARNING: estupro


Quando Kane cai na sala de ovos da nave alienígena (no que depois foi nomeado como LV-426), ele não sabia com o que estava lidando ali embaixo. Assim que captou sinais de vida, o alien dentro de um dos ovos se libertou, com um ácido orgânico perfurou o capacete de Kane e introduziu um embrião alienígena em sua garganta. Algumas horas depois, o tripulante da Nostromo estava morto e uma forma de vida extremamente perigosa estava à solta pela nave.


Muito talifã pode achar um absurdo comparar isso com um estupro. Mas pensar não dói, nem custa nada. Primeiro, vamos definir o termo:

Estupro, coito forçado ou violação é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos. Ele consiste em uma penetração da vagina ou do ânus (ou, no sentido mais amplo, também da boca) de uma ou mais vítimas por um ou mais indivíduos. As vítimas podem ser homens ou mulheres.

Ou seja, Kane sofreu um estupro. Se o embrião fosse introduzido por qualquer outro orifício do corpo, continuaria sendo um estupro. Vejamos agora o que o roteirista de Alien, Dan O'Bannon disse:

Uma das coisas que perturba todas as pessoas é o sexo. E eu disse 'agora vou atacar a audiência; vou atacá-la sexualmente. E não vou fazer isso com a audiência feminina, vou atacar os homens. Vou colocar isso em uma única imagem que faça os homens na plateia cruzarem suas pernas. Um estupro homossexual oral, nascimento. Uma coisa que ponha ovos na sua garganta'.

Dan O'Bannon imaginou a cena do alien explodindo de dentro do corpo do tripulante devido à sua experiência com a Doença de Chron, uma doença inflamatória intestinal que causa dores horrendas e uma forma de mostra esta dor intensa foi com essa cena que eternizou no cinema. Ou seja, toda a cena foi pensada como uma invasão, uma violação, um ato completo de violência não consentida, extremamente dolorosa, algo que fosse suficiente para deixar toda uma audiência incomodada por décadas.

Arte de Giger para Alien, o Oitavo Passageiro. 

Apesar de achar que esse efeito chocante se perdeu um pouco nos filmes seguintes, a ideia original persistiu e uma vez que a gente tenha visto tal violação, é bem difícil de esquecê-la. O alien é um estuprador versátil. Homem, mulher, cachorro, ele adquire qualidades de seu hospedeiro e o mata com extrema violência. Para ele não há gênero envolvido, não há sexo. O estupro ocorre para ele como meio de sobrevivência. Para nós, é uma brutal violação.

A vinda de HR Giger para Alien foi ideia de O'Bannon, que já tinha trabalhado com o designer suíço numa tentativa mal sucedida de roteirizar Duna. Giger é conhecido por sua arte sexual explícita (e muitas vezes perturbadora e, para mim, de mau gosto) e com o alien não foi diferente. Quando Ridley Scott viu o trabalho de Giger em Necronomicon, o convidou no mesmo momento. A forma fálica da cabeça da criatura e várias de suas ilustrações deixam bem clara a sexualização e a mini-boca saindo da boca do Alien a reforça.

Giger foi o responsável pelo design do alien, do space-jockey, da nave, da paisagem alienígena e tudo lembra sua sexualização. Existem formas fálicas e formas vaginais em todo o filme. Scott e Giger também mexeram com a ignorância masculina a respeito de parto e nascimento ao fazer o alien explodir do peito de Kane. Mexeram com a audiência ao colocar uma mulher para lutar com essa criatura e assim impedir que ela fosse usada como arma. Em Alien 3 temos Ripley lutando contra o alien, enquanto o restante dos personagens, todos homens, são estuprados e mortos por ele.


Alien também acaba com aquela visão de alienígenas bonzinhos e humanoides com os quais podemos procriar e socializar, vistos em franquias como Star Trek e Star Wars. Não há bondade alguma envolvida no nosso relacionamento com ele. O objetivo do alien é nos usar e violar. Ripley foi a única que percebeu isso e a única que lutou contra os interesses da Weyland-Yutani para impedir que esta criatura vil se espalhasse e dizimasse a raça humana. Ela o viu pelo o que ele era e não o subestimou. Ninguém deveria subestimar a mensagem do filme também.

Até mais!




Leia mais:
Dez coisas que você não sabia sobre Alien
Alien: a film franchise based entirely on rape
Representations Of The Body In Alien
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Arquivo X deve voltar para a televisão?

Uma notícia caiu feito uma bomba para os fãs de Arquivo X esta semana: a série pode voltar à televisão, assim como Prison Break e 24 Horas. A ideia é fazer um reboot com o elenco original da famosa e maravilhosa série de ficção científica e especulativa. Por mais maravilhosa, incrível e sensacional que eu ache Aquivo X, por mais que ame esta série, me questionei se ela deve voltar para a TV.





Para quem nunca acompanhou Arquivo X, ela era um das mais famosas séries de TV dos anos 90 e começo dos 2000. A dupla de agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully travaram batalhas contra monstros, alienígenas, seres do folclore mundial e até o próprio diabo, em episódios sombrios, macabros, em geral bem escritos e bem interpretados. Arquivo X foi um marco, um ponto de mudança para a televisão na época, saturada de séries de Star Trek e carecendo de algo que fugisse do lugar comum.


Chris Carter, o criador da série, se inspirou em Além da Imaginação e teorias conspiratórias a respeito de alienígenas, muito comuns até hoje, para compor um enredo complexo, com personagens cativantes e intrincados. Ela foi líder de audiência por anos, ganhou vários prêmios, fez fãs pelo mundo todo e ainda marca a vida dos atores principais, Gillian Anderson e David Duchovny.

No entanto, nem tudo são flores. A série terminou com nove temporadas, sendo as três últimas muito confusas, que fugiam do ritmo original. Além disso, David Duchovny queria mais tempo para projetos pessoais e pulou do barco, desestabilizando os roteiros e o enredo. Mudanças de horário também acabaram por derrubar o que restou de Arquivo X e a série acabou em 2002. Para piorar ainda mais aquilo que já estava ruim, tivemos o lançamento do filme Eu Quero Acreditar, que não respondeu a nenhuma pergunta em aberto, e a série deixou várias.

Uma das perguntas da série que eu mais queria que fosse respondida era sobre a data marcada da invasão alienígena para 21 de dezembro de 2012. Fiquei esperando que um filme saísse em 2012, e ainda estou esperando. Chris Carter perdeu uma grande oportunidade e poderia ter usado Eu Quero Acreditar para fazer algo bom ao invés do que fez.


Fãs do mundo todo sempre pediram à FOX que Arquivo X voltasse. Gillian Anderson, em seu Twitter, falou várias vezes sobre o assunto, inclusive comentando que o último filme, Eu Quero Acreditar, não teve o fim esperado e que ela queria muito que Arquivo X voltasse. Entretanto, ela e Duchvony estão envolvidos em trabalhos paralelos, o que causaria incompatibilidade de agenda caso a série voltasse. E tem outro problema: eles teriam o que contar depois de nove temporadas? Eles teriam como resolver os problemas e responder às perguntas que os fãs querem tanto saber?

E o filho da Scully, o que houve com ele? A invasão aconteceu de fato? Se não aconteceu, por que? Sinto que a série ficou tão desgastada pelos consecutivos problemas que ocorreram com as três últimas temporadas e com o desastroso Eu Quero Acreditar, que acho que um retorno não faria bem algum. Não sou contra reboots, não sou contra repaginar séries ou filmes, porém existem momentos em que se deve parar. Arquivo X está em um momento em que qualquer coisa mal feita destruirá o que restou.


Se for para seguir outro caminho, acho que nem deveria ter Scully e Mulder no elenco. Fazer como Battlestar Galactica fez e recomeçar, inspirando-se na série original. Qualquer coisa que tente imitar a série original será, simplesmente, um desastre completo. O jeito é aguardar pra ver. Capaz que o projeto nem siga adiante. Voltar com as reprises seria uma boa.

Gosta de Arquivo X? Gostaria de ver de volta à TV com episódios novos? Até mais!
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Resenha: 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clarke

Um dos maiores clássicos de ficção científica! Arthur C. Clarke transformou ficção científica em poesia ao escrever o roteiro junto de Stanley Kubrick e transformar em épico esta obra. Ligeiramente diferente do que foi mostrado nas telonas, o livro conta com mais detalhes a jornada da humanidade, desde os hominídeos primitivos até suas caminhadas no espaço.





O livro


Três milhões de anos atrás, uma tribo de hominídeos ancestrais segue sua vida pacata, quando percebem algo diferente na paisagem. Algo grande e reluzente aparece perto de seus abrigos. Um único indivíduo demonstra coragem suficiente para se aproximar do monólito para tocá-lo, o que inicia o desenvolvimento evolutivo que levaria à nossa espécie.


Este encontro é essencial para chegar ao estágio em que a humanidade possa desenvolver as ferramentas que levariam ao desenvolvimento de civilização, aprimorando tais ferramentas, tais utensílios, desde o momento em que aquele hominídeo primitivo usar de um osso como arma. A partir daí a humanidade alcança o espaço e o coloniza.

Chegamos em 1999. A raça humana está numa era de ouro da exploração espacial, tendo montado estações espaciais e bases na Lua. há uma intensa especulação sobre a existência ou não de vida fora da Terra, que aumenta ainda mais com a descoberta de algo que mudaria para sempre a visão do cosmos: um monólito enterrado em uma cratera lunar. Ele não emite luz, não reflete, está apenas ali, parado, como uma sentinela. Quando uma equipe de pesquisadores se aproxima dele, o objeto emite um estranho sinal, rumo a uma das luas de Saturno.

Em 2001, a nave Discovery One ruma a Saturno. Seus tripulantes são David Bowman e Francis Poole, junto de outros três astronautas em animação suspensa. É nela que está HAL 9000, sem dúvida um dos personagens mais instigantes do livro. HAL é uma inteligência artificial, responsável pelo funcionamento da nave e pela vida dos tripulantes. O melhor exemplo de ferramenta criada pela humanidade desde o osso usado pelos hominídeos.


A nave começa a apresentar estranhos defeitos, coisas que jamais deveriam acontecer, como um defeito na antena que mantinha a comunicação da Discovery com a Terra. Os diálogos de Bowman e Poole deixam claro que eles sabem que HAL está agindo de maneira estranha e que pode ter algo mais acontecendo com sua missão. É como se o computador central da nave estivesse escondendo alguma coisa, ou pior ainda, mentindo para eles.

Admito que estranhei quando li que a Discovery ia para Saturno e não para Júpiter. Mas isso muda nos livros seguintes e não interfere com a linha temporal de eventos que ocorrem depois disso. Clarke tem uma narrativa fluída, sem tropeços, bastante amigável até para quem não é muito fã de ficção científica. As explicações científicas não são complicadas e é possível acompanhar muito bem todos os eventos. O final, assim como no filme, é épico e emocionante, mas pode não agradar àqueles que curtem um pouco mais de ação.


Ficção e realidade

É interessante ver como 2001 trabalha a questão do astronauta no passado. Não temos seres humanoides superiores aparecendo em naves para construir pirâmides e que precisam de pistas de pouso. Temos um objeto escuro, reto, que apenas fica parado lá, aparentemente, fazendo nada, cujo funcionamento nós não entendemos. Mas este monólito, especialmente nos livros seguintes, apresenta atividade intensa, em grande parte incompreensível.


O livro permite compreender melhor que a jornada humana está dividida em três atos: a evolução dos hominídeos primitivos para a humanidade moderna, o conflito com a máquina e a jornada desconhecida que se aproxima. E o monólito está presente em cada um destes atos, dirigindo as cenas como um maestro misterioso e com desígnios desconhecidos, tal como uma divindade.

Pontos positivos
Exploração espacial
HAL 9000
Monólito

Pontos negativos
Alguns capítulos arrastados
Baixa representatividade feminina


Título: 2001, Uma Odisseia no Espaço
Título original: 2001: A Space Odyssey
Autor: Arthur C. Clarke
Editora: Aleph
Páginas: 336
Onde comprar: Grandes livrarias (e sebos, tem livros mais em conta, sem ser a edição luxuosa da Aleph)


Avaliação do MS?

Quem é fã do filme, provavelmente é fã do livro. Sendo bem sincera, eu não curti tanto o filme por ele ser meio paradão para o meu gosto. Mas admiro muito seus grandiosos cenários e o cuidado com a ciência que foi tomado tanto no longa quanto no livro. É uma ficção científica obrigatória para qualquer fã do gênero. Cinco aliens para ele e uma forte recomendação para que você também o leia ou releia.


Até mais!
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Análise do inimigo: O Partido

Partido 1984
Um dos livros distópicos mais influentes, não apenas da ficção científica, como também da cultura pop em geral contém um dos inimigos mais vigilantes, poderosos e atuais: o Partido,d e 1984. Uma entidade tão poderosa que ninguém podia escapar de sua vigilância, de sua presença, de suas ações. O Partido é uma visão ampla e poderosa, aquele que a tudo vigia e do qual você não pode escapar.




Leia também:



Da primeira vez que li 1984, realmente não entendi como se construía aquela sociedade regrada, cinza e com cidadãos tão hostis. Foi apenas com a releitura semanas atrás que finalmente entendi o quão sua figura marcante se assemelha à uma divindade e o quanto ela impactava na vida dos cidadãos ao ser recheada de mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram verdadeiras.


GUERRA É PAZ

O Partido é uma figura que se assemelha a um deus: onipresente, onisciente, onipotente (só faltou ser online). O temor é tamanho na sociedade de 1984 que os pais precisam temer os filhos, pequenos membros fervorosos do partido, instruídos a observar qualquer desvio de conduta dos progenitores. São pequenos vigilantes que observam os pais, os outros irmãos, os vizinhos e qualquer movimento suspeito, qualquer palavra mal colocada é motivo para prisão imediata.


Sua própria representação com a frase "O Grande Irmão zela por ti", espalhada em cartazes e fotos de propaganda tem um paralelo com a realidade. Ao vermos grandes líderes, especialmente os ditatoriais, vemos que suas imagens ampliadas e gigantescas se espalham por todos os lugares. Coreia do Norte, Líbia, Iraque, os paralelos são vários. Era necessário pensar no Partido como um indivíduo que, obviamente, ninguém nunca viu ou verá, zeloso por seu povo desde que ele lhe dê a devida obediência. Lembra bastante o caso dos Estados Unidos pós-Onze de Setembro, onde muitos norte-americanos preferiam abrir mão de alguns direitos civis em troca de segurança. Em 1984, todos os direitos civis foram perdidos.

O Grande Irmão cuida, mas cuida até demais. Matrimônios não são por amor, as teletelas vigiam cidadãos constantemente, mentiras são criadas para sempre colocar o Partido como vencedor e como sempre estando certo em qualquer circunstância. De seus atos a seus pensamentos, não há escapatória disso. Tanto Winston sabia que, em seu romance com Júlia, era mera questão de tempo para serem pegos na transgressão que quase não aproveitou do tempo que passou com ela.

Os instrumentos do Partido são seus ministérios e seus lemas. A partir deles é possível mudar relatórios, mudar a memória coletiva, mudar guerras e manter o povo no cabresto. "Guerra é Paz" é uma forma de manter o nacionalismo e patriotismo, a devoção ao Partido, num sistema beligerante que acabe criando uma união social. Não importa quando começou, afinal ninguém mais tem essa lembrança, e mesmo que alguém tente resgatar os registros, tudo indica que a guerra é e sempre foi aquela atual.


"Liberdade é Escravidão" é o conformismo social. Alguns até podem pensar em uma mudança real, mas quem vai fazer isso? Quem vai se engajar numa luta contra... o que mesmo? Temos um povo preso em uma constante superficialidade das coisas, cuja atenção vai para a guerra que nunca acaba, para os problemas cotidianos, mas que não enxerga, e nem deve, o verdadeiro problema. E mesmo que lhes fosse dada liberdade, o que fariam com ela?

"Ignorância é Força" é mostrada com o trabalho do protagonista. Winston tem a função de alterar dados e fatos históricos para que se encaixem com a situação presente. Se um inventário de grãos dizia 1000 toneladas e a contagem real é de 800 toneladas, ele tem o dever de alterar tudo o que mencione as tais 1000 toneladas para caber na realidade. Pronto, a diferença nunca existiu, você é que está enganado. O Partido não.

E mesmo que em pensamento você esteja desejando, ansiando que o Grande Irmão caia, saiba que até seus pensamentos podem ser vigiados. A doutrinação é tão intensa que é mais lucrativo para o Partido converter um indivíduo totalmente do que matá-lo. A morte de alguém pode servir de estopim para outro alguém, mas a conversão pura e completa às ideologias dele traz mais uma pessoa para suas fileiras, mais um fiel defensor do sistema, alguém que pode até ter uma pequena dúvida sobre si mesmo, mas nunca sobre quem realmente manda.


Pontuação

Como viver em uma sociedade onde o mero pensamento pode te jogar numa cela? Como viver em um mundo onde não é possível se relacionar com quem ama ou por quem sente desejo? Como derrubar o Grande Irmão? O olho que tudo vê, que mascara uma sociedade protetora e invencível, é um caçador implacável. Mas ao contrário do que parece, ele não mata. Ele caça e converte. Ele mente e desmente com a mesma facilidade. Suas garras estão tão espalhadas que não desconfiaríamos de sua presença até estarmos todos encarcerados. Como é possível entrar em conflito com um poder tão hegemônico a ponto de mudar constantemente sua história, impossibilitando que aprendamos com o passado? É por isso que ele ganha cinco malvadinhos, a escala máxima de perversidade.


Até mais!
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