Astronautas no passado

segunda-feira, junho 27, 2011

Não é de hoje que alguns cientistas e entusiastas dos fenômenos envolvendo alienígenas afirmam "sem sombra de dúvidas" que alienígenas visitaram o passado da Terra e das civilizações. Dizem inclusive que eles foram os responsáveis pela aparência humana, pelas grandes construções como as Pirâmides no Egito e que estariam periodicamente visitando o planeta. Eu apenas me pergunto se existe tanta evidência assim provando a visita destes seres para que seja afirmada com tamanha paixão por homens como Erik Von Daniken.




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Chichen Itzá

Em casa, minha mãe mantinha um exemplar muito antigo de Eram os Deuses Astronautas?, de Erik Von Daniken e um dia resolvi ler aquele livro de capa rasgada que zanzava pelas prateleiras sem lugar definitivo. Realmente, as suposições feitas pelo autor em cima de alguns mistérios e evidências arqueológicas são surpreendentes. A gente fica de fato com uma pulga atrás da orelha sobre certos assuntos. A ficção científica costuma se valer deste artifício de alienígenas no passado e não é de hoje. Duas grandes e famosas séries de televisão - Arquivo X e Stargate - se valeram deste assunto para basear suas tramas. Babylon 5 também faz referências de interferência alienígena no DNA do ser humano. Não que o assunto seja novo, pois outros autores como Desmond Leslie, Robert Charroux, Pauwels e Bergier, W. Raymond Drake já trataram do assunto antes dele.

O que me fez parar para pensar assim que li o livro de Daniken foi como a raça humana foi diminuída a um bando de lacaios de raças alienígenas que vieram aqui para nos fazer de animais de estimação, pois não vejo outra explicação para atrair a atenção deles. Muitos donos de animais de estimação os colocam para cruzar, treinam para fazer alguns truques. É o que parece quando se fala que eles vieram aqui, usaram de sua tecnologia para nos evoluir e depois desapareceram sem mais nem menos.

Achar que obras grandiosas como as Pirâmides do Egito, Chichen Itzá e Stonehenge são obras de raças avançadas que vieram para cá é ignorar a capacidade do ser humano. É nos relegar a um bichinho sem conhecimento, sem força e sem capacidade de liderança para construir obras  tão complexas e grandiosas. O fato de não podermos reconstruir tais feitos é devido ao tempo e aos conhecimentos perdidos por tantas gerações passadas. Não podemos esquecer que um processo grande de destruição de documentos históricos aconteceu. Pergaminhos e registros desvaneceram e não faz tanto tempo assim que a Alemanha nazista queimou livros em praça pública. Tradições orais foram perdidas, documentos, registros.

Círculo nas plantações

Outro ponto em comum com muitos entusiastas dos alienígenas no passado é o de que houve uma engenharia genética avançada que separou a nossa raça dos primatas que existiam anteriormente. Eles teriam assim nos feito à sua imagem e semelhança, para que evoluamos da mesma maneira que eles. Isso é apenas uma maneira de desmerecer novamente o ser humano. Se há quinhentos anos nós éramos à imagem e semelhança de Deus, agora querem nos fazer crer que somos à imagem e semelhança de alienígenas. Se a religião perde força, em quem vamos nos espelhar? Em qual força magnífica vamos procurar descendência ao invés de aceitar que somos mais uma forma de vida num universo que possivelmente está cheio dela? (não necessariamente inteligente, pois bactérias e fungos também são formas de vida)

Eis que então levantam as questões: e os círculos nas plantações? E as evidências arqueológicas como as linhas de Nazca? E o crânio do filho da estrela? Todos eles podem ser explicados sem que se recorram aos alienígenas. Os círculos nas plantações são coisas terrenas, ou seja, foram feitos por seres humanos, grupos que com o uso de mão e pés (como no Antigo Egito e em outras grandes civilizações do mundo) criaram e ainda criam os desenhos que vemos. Pense: por que os aliens viriam à Terra para ficar desenhando nas plantações? Alguma bienal de arte galáctica que estamos perdendo?

As linhas de Nazca podem ser um mapa do céu ou um simples caminho de peregrinação, como existem hoje os jardins zen onde se medita caminhando pelas linhas. O filho da estrela é  um crânio humano anormal encontrado numa caverna do México, que dizem ser de um alienígena. Meia dúzia de doenças que levam à má formação congênita causariam isso.

O que realmente me incomoda é que as pessoas pegam detalhes de uma porção maior de um evento ou característica e preenchem as lacunas com o que lhes agrada mais apenas para caber naquilo que elas acham correto. A psicologia explica isso como Argumentum ad ignorantiam (argumento da ignorância). Nós ficamos desconfortáveis com a ignorância e precisamos dar respostas a tudo, é um truque do cérebro pois o nosso sistema de percepção é falho. É o mesmo processo que torna a a ilusão de ótica uma coisa tão incrível. Nosso cérebro busca desesperadamente por uma resposta para alguma coisa que não compreendemos e buscamos preencher a lacuna com qualquer resposta viável. Por mais absurda que seja.

A busca por um sentido para a existência parece ter deixado os círculos religiosos para buscar respostas nos céus, bem além de Deus. A Navalha de Occan deixa bem claro que se você tem uma multiplicidade de explicações, a mais simples é a correta. Ou como disse Antoine de Saint-Exupéry:

A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar.

Então o que seria mais plausível: que alienígenas avançados e com propósitos escusos vieram à Terra para copular com as nativas, gerar uma raça doméstica e desaparecer sem deixar evidências concretas ou que todas as grandes obras do planeta foram feitas pela persistência e conhecimento do ser humano?

Até mais!

Daniketes aqui não têm vez. Seus comentários defendendo pseudociência não passarão.




Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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