Resenha: Rastro de Sangue: O Grande Houdini: 3, de Kerri Maniscalco

O Grande Houdini é o terceiro livro da série Rastro de Sangue, onde temos uma jovem perita forense chamada Audrey Rose Wadsworth investigando crimes violentos. Eu estava bem ansiosa por essa leitura, pois gostei muito dos livros anteriores e gosto muito da proposta de ter uma jovem perita forense da Era Vitorina, tendo gostado especialmente do segundo. Mas admito que esta leitura não foi tão legal quanto a dos livros anteriores.





Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O livro
Este livro começa quase que imediatamente depois do segundo volume. Audrey, seu tio e Thomas Cresswell, o paquera e parceiro de investigações de Audrey, estão à bordo do RMS Etruria, em uma viagem de uma semana da Inglaterra para os Estados Unidos. A ação não demora a acontecer, pois enquanto o Festival Enluarado acontece no salão principal para o deleite dos passageiros, um tenebroso assassinato acontece. Uma jovem na mesma mesma de Audrey e Thomas é morta com várias facas nas costas. E ninguém viu nada.

Resenha: Rastro de Sangue: O Grande Houdini: 3, de Kerri Maniscalco


O tio de Audrey é um renomado perito forense e ensinou o ofício a Audrey às escondidas em um primeiro momento, já que seu pai proibiria. Thomas é outro aprendiz que ama a srta. Wadsworth, além de ser muito inteligente e um brilhante perito em cenas de crimes. Ainda que eu ache que Kerri pesa a mão na paquera e no "fogo da paixão" que só falta tornar esses dois em uma pilha de cinzas, acho OK quando eles flertam, mas ele são ainda melhores quando trabalham juntos para solucionar um caso.

É por isso que esse livro decpciona. Enquanto vemos uma colaboração intensa dos dois nos livros anteriores, com cada um tendo um papel preponderante para solucionar os crimes, neste aqui os dois parecem apenas dançar em volta de uma terceira pessoa que a autora colocou para criar um triângulo amoroso ridículo de tão ruim. Sabe quando é algo que não precisava ser inserido? Como se a autora quisesse criar um conflito entre os protagonistas e não encontrasse outra forma de fazer isso? Esse pivô dessa angústia toda é Mefistófeles, o mestre de cerimônias do Festival que parece misterioso e sedutor (claro que parece). Ah, contei que Audrey não vê a cara de Mefistófeles por uns 80% do livro? Ele usa máscara O TEMPO TODO e Audrey ainda cai de amores por esse sujeito em pouquíssimo tempo!

Eu queria ciência forense, investigação, pistas e análises de cenas de crimes. O que eu recebi foi triângulo amoroso, dúvidas de Audrey sobre seus sentimentos, o apagamento de Thomas em boa parte do romance e um desfecho sem graça nenhuma. O tal do "feminismo" da Audrey, de querer o direito de fazer suas próprias escolhas, pelo visto, só se aplica a ela, não à sua prima Liza, pois Audrey interfere na vida da prima, que também queria o direito de fazer suas escolhas e é impedida pela hipocrisia de Audrey. Segundo, a linda parceria de Thomas e Audrey dos livros anteriores é destruída aqui, pois Thomas é tratado feito um capacho enquanto Audrey não precisa de ninguém (só de Mefistófeles, elevado ao status de O CARA por alguma razão misteriosa). Sério, que deceção. Que livro irregular e caótico foi esse?

Também não entendi o motivo do título Escaping From Houdini ou O Grande Houdini como foi traduzido, já que as coisas não se conectam. Não posso passar disso, pois daria spoilers do final, mas acredite, o título foi outra decepção. Nos livros de Kerri, a revelação do verdadeiro criminoso sempre é um momento de suspense e surpresa, o que não aconteceu aqui. Quando se revela a autoria dos crimes eu nem pisquei de emoção, de tão saco cheio que estava ao virar a última página. E convenhamos: o que raios se passava com esses passageiros, que estão DE BOAS, vendo espetáculos circenses enquanto tem pessoas sendo mortas por aí??

Mágica é ciência. É apenas um termo mais sofisticado para mostrar às pessoas que o impossível é possível.

Página 45

Acho bacana o fato de Audrey ser uma moça vitoriana que luta para ser a melhor cientista que puder. Sei que ela é jovem, que pode ter uma série de dúvidas sobre sua vida futura, sobre Thomas, é até natural pela idade dela, mas MELDELS, sabe? É um livro sobre lamúrias de amor do começo ao fim, com um Mefistófeles que não passa de uma cópia mal acabada de Thomas, fazendo inclusive o mesmo tipo de piadas sarcásticas. A inclusão da prima de Audrey na história também me pareceu sem sentido algum, já que ela serve para absolutamente N A D A no enredo. Se tem algo que salva o livro são os diferentes artistas do festival, muito bem descritos.

Terminei o livro apenas para ver algumas coisas sendo resolvidas, mas nem tudo se resolve, deixando um gancho para o próximo livro. Que eu pretendo ler, claro, mas com expectativas menores. Com relação à edição, ela segue o padrão das edições anteriores, em capa dura, papel amarelinho, um belo trabalho gráfico interior e menos problemas revisão, algo que foi um problema no livro anterior. A tradução é de Ana Death Duarte e está muito boa.


Ficção e realidade
O RMS Etruria foi um transatlântico britânico que existiu de verdade. Junto ao RMS Umbria, foi o último dos navios da companhia maritíma Cunard Line a contar com velas auxiliares. Foi construído em 1885, em Glasgow, na Escócia e possuía todos os luxos vitorianos da época. Tinha cinco conveses e foi desmantelado em Agosto de 1908. Achei interessante a autora usar um navio real como cenário para uma série de crimes. Nessa parte, criando um cenário meio noir, exuberante e sinistro, a autora acertou em cheio e você tem a vívida sensação de estar no salão de eventos do navio. Uma pena que o restante do enredo não se sustena.

Kerri Maniscalco

Kerri Maniscalco é uma escritora norte-americana de livros para jovens adultos, apaixonada por cartas manuscritas, abacates, casas mal assombradas, discos de vinil e máquinas de escrever.


Pontos positivos
Protagonista feminina
RMS Etruria
Personagens fortes
Pontos negativos
Triângulo amoroso inútil
Paquerinha
Enredo fraco

Título: O Grande Houdini
Título original em inglês: Escaping From Houdini
Série Rastro de Sangue
1. Jack, O Estripador
2. Príncipe Drácula
3. O Grande Houdini
4. Capturing the Devil
Autora: Kerri Maniscalco
Tradutora: Ana Death Duarte
Editora: DarkSide (selo DarkLove)
Páginas: 352
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: na Amazon ou na loja da DarkSide com um brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Que decepção. Sério, fiquei triste ao chegar o final do livro porque é o mais fraco e frustrante dos três. Coomo estes livros são bem independentes, é possível ler o quarto sem passar por esse aqui. Eu só indico para quem é realmente fã da série Rastro de Sangue e que queira saber o que acontece, mas fora isso... Só dois aliens para o livro.



Até mais!


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2 COMENTÁRIOS

  1. Sybylla, você foi CIRÚRGICA. Gosto muito dos livros da Kerri Maniscalco e acho que se eu tivesse tido Audrey enquanto adolescente seria o melhor de dois mundos, mas ela realmente se perdeu nesse terceiro livro - o que é uma pena, visto que eu gosto das tramas dela (meu favorito também é Príncipe Drácula!). Agora é esperar pra ver se Capturing the Devil vai tirar esse gosto ruim.

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    Respostas
    1. Ai, miga, fiquei tão triste com esse livro. Nem parece escrito pela Kerri, parece um rascunho de algo mal acabado. Uma pena mesmo. 😥

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