Resenha: Rastro de sangue - Príncipe Drácula, de Kerri Maniscalco

Estava bem ansiosa para ler este livro, já que virei fã da audaciosa Audrey Rose Wadsworth, desde o primeiro livro da série, sobre Jack, o Estripador. Nesta nova aventura, Audrey Rose está a caminho da Romênia, rumo a um dos lugares mais famosos do mundo, pois seria o berço de um dos mais incríveis personagens das histórias de terror, o Conde Drácula.



Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O livro
O final bombástico e aterrorizante do primeiro livro deixou marcas no psicológico de Audrey. A caminho da Romênia para estudar em uma das mais conceituadas escolas de medicina forense do mundo, ela tem tido dificuldades para superar os horrores que acabou vivenciando. Interessante apontar que você não tem maiores spoilers do que aconteceu no livro anterior, então pode ler esse aqui sem problemas. Ao seu lado está Thomas Cresswell, aluno de seu tio e companheiro de viagem e investigações. Os dois têm cartas de admissão para a escola na Romênia e tomam o Expresso do Oriente rumo à região de Brasov.

Resenha: Rastro de sangue - Príncipe Drácula, de Kerri Maniscalco

É nesta região que fica um famoso castelo, pois lá teria vivido um herói nacional, capaz de fazer gelar o sangue dos inimigos. Vlad Dracul teria vivido naquele castelo e dizem que seres chupadores de sangue ainda rondam os bosques em volta. Audrey tenta usar sua mente racional para lidar com os mitos e com as superstições das pessoas, mas fica difícil não acreditar nos mitos quando ela encontra um corpo com uma estaca no coração dentro do trem. A partir daí, coisas estranhas começarão a se desenrolar na presença de Thomas e Audrey Rose.

A habilidade de Kerri de descrever cenários, pessoas e eventos é excelente. Seu estilo vitoriano e sua protagonista combinam perfeitamente. Você sente o toque dos tecidos dos vestidos de Audrey, sente o ar gelado do bosque, sente a pele fria dos cadáveres sob suas mãos. Audrey é uma moça vitoriana por excelência, porém modernizada, uma personagem que não se contenta com o lugar que a sociedade quer que ela fique. Tanto que há várias discussões sobre sua "fragilidade" apenas por ser uma moça e se isso irrita a quem está lendo, imagine Audrey?

Talvez estivesse na hora de os pais ensinarem seus filhos a se comportar na presença das moças. Eles não nasciam superiores, por mais que a sociedade falsamente os condicionasse a pensar como tal.

Página 78

Existem várias passagens em romeno no livro, mas como este é um idioma bem próximo ao português, é bem fácil reconhecer várias palavras. Audrey e Thomas voltam com mais fogo do que antes, ainda que eles não se peguem em nenhum momento e, francamente, estava torcendo para isso acontecer de uma vez ao invés de Audrey ficar toda em chamas ao pensar no rapaz, e deixar de pensar em desvendar uma série de assassinatos que começam a acontecer no castelo, sabe? Me pareceram demais. E situações em que você tem a sensação de que a autora está apenas enchendo linguiça.

Tanto que achei que o livro demora mais para começar do que o primeiro. Vencer as 100 primeiras páginas demorou, mas depois o enredo encontra seu rumo, as coisas começam a acontecer naturalmente e Audrey luta brilhantemente contra a estrutura machista da instituição que a recebeu pensando que ela fosse a esposa de Thomas. São várias as situações em que a subestimam, que riem do fato de ela ser mulher. E o machismo não é velado, é aberto mesmo, ela é de fato mal vista dentro da escola forense. Apenas o fato de usar saias faz com que os homens a considerem como inferior.

E não é porque Audrey é uma médica legal e investigadora forense que ela precisa deixar de lado seu gosto pelos vestidos, pelos babados e rendas, ou do amor. Já vimos muitas narrativas em que protagonistas femininas eram sempre forçadas a escolher um lado, tendo que abrir mão de alguma coisa para ter a outra. Audrey não quer ter que abrir mão de nada, ela apenas quer ter as mesmas oportunidades que os homens têm. Não queremos todas a mesma coisa?

Encontrei problemas de revisão no livro. Por exemplo, o esquema que detalha o castelo onde está a escola forense não está totalmente traduzido, apenas a legenda. Questiono também porque deixaram palavras como boiardos e voivoda no original em inglês quando há palavras em português para se usar no lugar. Há algumas palavras com letras batidas a mais ou a menos, palavras sobrando ou faltando em determinados momentos. E na página 157 há uma frase incompleta: "Durante o restante da aula, mantive os olhos presos a minhas anotações, com medo da próxima tolice que Thomas poderia." Poderia o que? Vir a cometer? Tá faltando palavras aqui.

A tradução ficou na mão de Ana Death Duarte, tradutora do primeiro livro e está muito boa. O livro em si é lindíssimo, em capa dura, com a fitinha de marca página e muitas ilustrações internas. No final há notas da autora sobre a veracidade do enredo e suas liberdades poéticas.


Ficção e realidade
Além da ficção científica, romances históricos ou com histórias alternativas são temas que me agradam muito. Recentemente comentei sobre o meu fascínio pela Saga da Conquistadora, de Kiersten White e de como ela criou uma personagem fictícia em meio a uma série de eventos históricos no Império Otomano e na região da Valáquia, região próxima aos eventos com Audrey Rose. Reimaginar cenários e personagens históricos não é fácil, ainda mais colocando mulheres nestas situações de misoginia e preconceito. São leituras revigorantes

Kerri Maniscalco

Kerri Maniscalco é uma escritora norte-americana de livros para jovens adultos, apaixonada por cartas manuscritas, abacates, casas mal assombradas, discos de vinil e máquinas de escrever.

Pontos positivos
Protagonista feminina
Lenda de Drácula
Personagens fortes e bem escritos
Pontos negativos
Revisão
Paquerinha


Título: Rastro de sangue - Príncipe Drácula,
Título original em inglês: Hunting Prince Dracula
1. Jack, O Estripador - Rastro de Sangue
2. Hunting Prince Dracula
3. Escaping from Houdini
4. Capturing the Devil
Autora: Kerri Maniscalco
Tradutora: Ana Death Duarte
Editora: DarkSide
Páginas: 480
Ano de lançamento: 2019
Onde comprar: na Amazon ou na loja oficial da DarkSide com brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Audrey enfrenta seus medos e desvenda crimes, mexe em cadáveres, anda por túneis escuros e sabe o que quer. É determinada, corajosa, inteligente e está para nascer alguém capaz de se colocar em seu caminho. Ainda que eu tenha matado logo a charada sobre a autoridade dos assassinatos, a jornada ao lado de Audrey Rose e Thomas é muito gratificante. Um livro rico e sombrio que todo fã vai amar. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais! 💀

Os monstros podiam exibir sorrisos amigáveis e, ao mesmo tempo, exalar a alma podre do Diabo nas fendas mais escuras de si mesmos.

Página 282


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