A curiosa história da Companhia de Tabaco Morley

Você com certeza já viu algum filme ou série de TV onde um personagem saca um cigarro de um maço e acende, muitas vezes em uma cena tensa. Já reparou na marca do cigarro? Muito provavelmente é um cigarro Morley. Uma das marcas fictícias mais usadas no entretenimento tem uma curiosa história de surgimento.


A curiosa história da Tabacos Morley




A Tabacos Morley é uma das empresas fictícias mais utilizadas na indústria do entretenimento, aparecendo em famosos filmes e séries de TV. Buffy, Arquivo X (onde ganhou um episódio inteiro), Lost, CSI, Heroes, Breaking Bad, Frasier, Justified, Prison Break, The Walking Dead, Barrados no Baile, no clássico filme Platoon e no videogame Cyberpunk 2077, todos os personagens que fumavam davam um trago em um cigarro Morley. É tão famosa quanto a ACME.

Podemos traçar sua origem a um dos grandes clássicos do cinema, Psicose, em 1960. No final do filme, o Dr. Fred Richman sacode um maço para poder pegar um cigarro antes de começar a explicar o que aconteceu. Se você olhar com cuidado na lateral lerá o nome Morley. O nome Morley é uma brincadeira com Marleys, o apelido que os fumantes davam à famosa marca Marlboro.

Na série de TV Naked City, o personagem punk de um jovem Robert Redford oferece um cigarro a uma outra pessoa prestes a ser morta por sua gangue. A polícia aparece e uma das provas do crime é um maço de cigarros Morley. Oito meses depois, no 13º episódio de The Dick Van Dyke Show, a esposa de Buddy Sorrell, Pickles, visita a família Petrie e saca um maço de cigarros de sua bolsa. Ela então o entrega para Richie, filho do personagem título da série. Os cigarros eram de chocolate e na lateral nós lemos "Morley Cigarettes." Galera dos anos 1980 e 1990 deve lembrar que havia uma guloseima parecida aqui no Brasil também.

Mas os cigarros Morley não seriam de chocolate por muito tempo. Em The Twilight Zone, uma série que utilizou muito a marca Morley, os personagens de Jack Klugman, William Shatner e Telly Savalas são fumantes da marca em pelo menos três episódios: "In Praise of Pip," "Nightmare at 20,000 Feet" e "Living Doll".

O maço não se parecia com o modelo atual. Ele era mais vintage, com tons de dourado. Foi bem depois que ele adotou as cores vermelho e branco, bem parecido com a famosa marca Marlboro. A primeira vez que o maço vermelho e branco aparece é em uma das séries mais famosas dos anos 1990, Barrados no Baile. Um maço cai da bolsa da personagem Brenda Walsh já com esse novo design.

Novas variedades de Morley também surgiram. Em The Walking Dead, Daryl e Carol estão se escondendo em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica e ele encontra um pacotão de Morley Lights e, obviamente, resolve levar o fardo todo com ele. Entretanto, o mais famoso fumante da marca é, sem dúvida, o Canceroso, de Arquivo X.

O Canceroso


Se alguma marca de cigarro tivesse fechado um acordo com a série, lá em seu começo, teria conseguido propaganda por anos em um dos mais famosos programas da televisão. O Canceroso nunca aparecia sem seu costumeiro cigarro e são várias as vezes em que o vemos pegando um do maço. E a marca ganhou inclusive um episódio inteiro na sétima temporada, "Brand X", onde a série condena abertamente o hábito de fumar e as empresas capitalistas malvadas.

Skinner está protegendo uma testemunha que vai depor no tribunal contra a poderosa Companhia de Tabacos Morley. Mas a testemunha é encontrada morta no banheiro, com o rosto roído e nenhuma outra marca que explique a morte. Depois descobrimos que o tabaco geneticamente modificado tinha deixado passar ovos do besouro-do-tabaco no processo de fabricação. Quem inalasse a fumaça desse lote especial de cigarros, teria larvas se desenvolvendo dentro de seus pulmões, que depois eclodiriam como insetos adultos e saíriam do corpo em massa. Mulder quase morre nessa brincadeira e depois quase desenvolve o hábito de fumar, algo que Scully condena no final.

Aí você se pergunta: por que usar uma marca fictícia? Por que não usar uma que exista na vida real? Simples, as marcas reais exigiriam autorização para aparecer na frente das câmeras. Para cada episódio de uma série, por exemplo, seria necessário pagar pelos direitos de uso da marca. E nem toda série de TV tem rios de dinheiro sobrando para pagar por coisas que podem ser gratuitas. Se no início os cigarros Morley surgiram pela conveniência, o uso da marca acabou se tornando uma homenagem aos primeiros dias da televisão e até uma forma de sinalizar que sim, aquilo tudo é ficção, por mais real que pareça.

Até mais! 🚭


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