Resenha: O Reino de Cobre, de S. A. Chakraborty

Foi com muita ansiedade que eu esperei pelo segundo volume da saga de Nahri! E terminei este livro tão empolgada que peguei o ebook em inglês para terminar logo, porque eu não me aguento mesmo. Essa leitura foi intensa, impossível de parar de virar as páginas conforme acompanhamos nossos personagens favoritos na cidade mágica de Daevabad. Pode haver alguns spoilers do primeiro livro!






Parceria Momentum Saga e
Editora Morro Branco



O livro
Nahri está em Daevabad e precisará de toda a sua astúcia para sobreviver na cidade mágica. Em um mundo onde a magia é moeda corrente e seres mágicos convivem com meio humanos, Nahri será peça central em conflitos ancestrais que dividem a cidade. Acompanhamos a saga pelo olhar de três personagens: pela visão de Nahri, de Dara e de Ali.

Resenha: O Reino de Cobre, de S. A. Chakraborty


Ainda que Nahri seja uma incrível personagem, bem como Dara, eu ficava ansiando de verdade era pelas partes de Ali, que depois de desafiar seu pai acaba exilado. Sua situação estava tão precária que eu temia por ele o tempo todo. Ali é um personagem de uma fé profunda, que acredita na igualdade, enquanto seu povo acredita que os meio humanos, meio djinns, os assim chamados shafits, são qualquer coisa menos indivíduos. Aqui a autora trabalhou muito bem a questão de preconceito e xenofobia, pois massacrar shafits não é algo que é exatamente incomum neste universo e Ali quer mudar o cenário para os shafits, sabendo que haverá um custo alto por ele ser um príncipe. Essa tensão comanda a jornada do personagem e é difícil não se compadecer dele, que ainda luta com os eventos que aconteceram no final do primeiro livro.

A autora construiu uma brilhante mitologia em torno dos djinns, seres mitológicos da cultura árabe. Você conhece a história do gênio na lâmpada, certo? Ou então já viu os djinns em ação em Sobrenatural. Dotados de grandes poderes, eles aparecem ao lado de outros seres da cultura pré-islâmica como marids, seres da água, ifrits, gênios maléficos, entre outros. Admito que no começo da leitura pode parecer uma sopa de letrinhas, mas o livro conta com um glossário bem completinho para tirar qualquer dúvida.

Não se para de travar uma guerra só porque se está perdendo batalhas (...)

Alguns anos se passaram entre o final do primeiro livro e o começo do segundo. Nahri teve que aprender a viver na corte, sempre temendo a fúria do rei Ghassan, que está governando com mãos de ferro, para o desespero de Ali. Enquanto isso, Dara planeja sua vingança, mesmo depois de uma vida regrada pelo banho de sangue. Chegou uma hora em que eu queria sacudir Dara para ver se ele acordava e tomava uma atitude a respeito. Aliás devo apontar que ter a perspectiva de Dara foi essencial para compreender algumas de suas atitudes que não vemos no primeiro livro. Os personagens de Chakraborty são complicados, brutalmente humanos, entrelaçados em deveres tribais e lealdades a amigos e parentes.

Conforme um grande festival se aproxima, a cidade se prepara para as festividades, mas as coisas não estão assim tão boas para os protagonistas. Ali e seu irmão, Muntadhir se estranham quase que desde o momento em que aparecem, cada um dizendo coisas que serão difíceis de desculpar depois. O relacionamento de Jamshid e Muntadhir continua sendo um dos pontos altos da história e admito que há mais segredos a ser revelados sobre Jamshid lá pelo meio. Tem que ler pra saber!

Enquanto eu achei o primeiro livro excessivamente detalhista, senti que a autora pesou menos a mão em detalhar cada faceta sextavada do broche do turbante do personagem secundário da festa no palácio. Isso contribuiu muito para a leitura fluir sem tropeços e como ela flui! Você apenas não quer parar, mas também não quer chegar ao final, porque sabe que vai ter se despedir dos personagens até o terceiro livro. Toda a complexidade política que você esperaria encontrar entre tribos tão diferentes e desunidas está bem descrita no livro. É como se o reino mágico centrado em Daevabad emulasse a situação explosiva do Oriente Médio.

Este também é um livro bem menos centrado na jornada de Nahri. Para quem shipava Dara e Nahri pode acabar se decepcionando com este volume, mas para mim foi fantástico ver Nahri por ela mesma, sem a influência poderosa do Afshin, já que ela pode, finalmente, florescer e até aprender mais sobre quem ela é. Os relacionamentos são maduros, são intensos, são bem escritos, mesmo aquele de Nahri com seu marido. Vários personagens secundários aparecem, sendo bem descritos e importantes para o bom andamento da trama. E quando chegamos ao final... ahh, o final. Ainda estou tentando superar o final.

Estou cansada de homens me magoando porque estavam chateados.

Li o ebook e não o livro físico (que vem em capa dura). A diagramação está muito boa, mas encontrei alguns errinhos de revisão que podem atrapalhar um pouco a leitura. A tradução foi de Mariana Kohnert e está muito boa. Ah, e importante, o livro tem mapa no começo! Você vai reconhecer alguns contornos nele.


Ficção e realidade
O que é mais notável no trabalho de Chakraborty foi a intensa e brutal humanidade de seus personagens, mesmo aqueles seres mágicos. Esses seres primordiais escolheram viver como humanos, mas abominam os seres humanos que vivem na cidade. As tribos vivem em pé de guerra, ainda que tenham mais semelhanças do que diferenças e aqueles que querem adotar uma postura de união, encarando as escrituras e ensinamentos por outro viés é visto como herege. Parece familiar? A autora inseriu o nosso mundo em um belo conto épico de fantasia onde seres primordiais se debatem com as mesmas questões que nós ainda debatemos, criando um mundo familiar e estranho, colorido e diverso.

S. A. Chakraborty


S. A. Chakraborty é ávida leitora de ficção científica e fantasia desde muito jovem. Cresceu na comunidade árabe e se converteu ao Islã. Mora em Nova York com o marido e a filha, adora cozinhar e tricotar.


Pontos positivos
Protagonista feminina
Ambientação
Criativo e bem escrito
Pontos negativos

Nenhum!

Título: O Reino de Cobre
Título original em inglês: The Kingdom of Copper
Trilogia Daevabad
1. A Cidade de Bronze
2. O Reino de Cobre
3. The Empire of Gold
Autora: S. A. Chakraborty
Tradutora: Mariana Kohnert
Editora: Morro Branco
Páginas: 704
Ano de lançamento: 2020
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
O Reino de Cobre conseguiu ser melhor que o primeiro livro. Intenso, brutal, humano, colorido, mágico, tudo isso pode ser usado para descrever o mundo de Daevabad e seus seres fantásticos. Se você é fã de alta fantasia vai curtir a saga de Daevabad e seus personagens imperfeitos e inquietos. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!




Até mais! ☽


Um povo não prospera sob tiranos (...)


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1 Comentário

  1. Essa trilogia é perfeitaaa!
    Nossa, terminei a trilogia há dois meses, devo ter lido uns 3 ou 4 livros depois disso, e me pareceram tão vazios haha... ainda sinto uma saudade gigante do trio de protagonistas!!!

    E realmente a tradução está muito boa.
    Li em inglês e me acostumei com o estilo de Chakraborty, e senti o mesmo com a tradução. A Morro Branco sempre acerta nisso.

    Infelizmente não tem sido a mesma experiência com outros livros de fantasia traduzidos =\

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