Resenha: Nevernight, a Sombra do Corvo, de Jay Kristoff

Eu fiquei de olho nessa saga quando vi alguns blogs literários comentarem sobre o último livro da trilogia. Aí vi que ela foi lançada por aqui em 2017. Como não sou muito fã de enredos de fantasia, alguns títulos acabam passando batido por mim num primeiro momento. Mas como havia elogios rasgados a esse livro e à protagonista, Mia, resolvi pegar logo para ler!



O livro
A primeira coisa a se dizer que Nevernight é que esta é uma leitura pouco comum. Pelo teor do livro, voltado para o público adulto, seus protagonistas, apenas adolescentes e a forma como a narrativa é feita. Existe um narrador que age como se conhecesse a história da protagonista a fundo, mas que nunca se revela, fazendo comentários sarcásticos em determinados momentos. Essa é a história de Mia Corvere, uma garotinha de uma família privilegiada que viu seu pai ser morto em praça pública por ter traído a República de Itreya.

Resenha: Nevernight, a Sombra do Corvo, de Jay Kristoff

A primeira coisa a se notar é que este mundo fantástico não é a Terra, é um mundo onde se vive um dia eterno, com quasinoites. Toda essa construção de mundo e a mitologia em torno dos sóis está muito bem feita, ainda que possa parecer meio confusa no começo. A forma dos personagens falar, as expressões que usam, sempre se referindo à mitologia em torno de escuridão e claridade, está perfeita. Você realmente se sente inserido em um mundo alheio e estranho onde os dias não têm noite.

Mia acabou acolhida por um senhor misterioso, chamado Mercúrio, que a preparou para ser uma assassina. Sabemos que ela será destinada a algo grande, pois esse narrador misterioso nos fala a respeito. Mas aqui é apenas o começo da jornada de Mia que jurou vingar sua família matando os responsáveis. Mais do que isso, Mia também é uma sombria, uma pessoa tocada pela deusa da escuridão. Ela é apenas uma menina que, aos 16 anos, já sabe matar.

É então que seu shahiid, Mercúrio, aquele que a resgatou das ruas, resolve enviá-la para a escola de assassinos, a Igreja Vermelha, que serve à Nossa Senhora do Bendito Assassinato, onde se tornará o grande nome temido nos anos por virem. Devo dizer que aqui a história me perdeu um pouco. Uma escola tipo Hogwarts com professores que não temem matar seus alunos para ensiná-los a matar? Humm, me pareceu meio forçado. Entendo que ela precisasse aprender o ofício e tal, mas pensei que seria algo tipo os lordes Sith, com um aprendiz e um mestre e acabou. Já pensou uma escola de Siths escondida das vistas do Templo Jedi, financiada por alguns planetas? Como se manter em segredo por tanto tempo? Como se manter, aliás?

Enfim. Mia passa o diabo para chegar nesse lugar, longe da cidade onde sempre viveu. Essa protagonista foi bem construída, tanto que você se afeiçoa rápido a ela. Mia não é a bela mulher fatal que muita gente pensaria de uma assassina, mas uma jovem magra, pequena, com olheiras e que está consumida pelo desejo de vingança. Mia vai ser mudada e alterada por uma legião de assassinos para conseguir sua vingança, já que toda a sua família acabou morta e ela teve muita sorte em escapar. Mas Mia também é uma adolescente de 16 anos, que comete erros, que tem um bom coração ainda não destruído pelas circunstâncias da vida. E isso às vezes a faz confiar em quem não devia e a tomar decisões que lhe custam muito caro depois.

A última coisa que você virá a ser neste mundo, garota, é a heroína de alguém. Mas será uma garota que os heróis temem.

O começo do livro é meio lento, mas foi necessário para apresentar esse grande e bem construído universo do autor, que lembra e muito a organização do Império Romano. São várias expressões e títulos bem no estilo romano mesmo para vários personagens. O lugar lembra uma Veneza onde o sol se põe apenas a cada dois anos. Um lugar de luxo, mas decadência, de beleza e fatalidade que está vendo surgir uma nova leva de assassinos.

Existem muitas notas de rodapé no livro, tipo MUITAS notas de rodapé, algumas que apenas te fazem interromper a leitura para acrescentar um montão de nada para o enredo. Entendo que fazem parte da ambientação, então eu parei de interromper a leitura e lia tudo no final do capítulo, meio que passando de olhos em algumas delas (eu li o ebook e não o livro físico). No fim elas são apenas curiosidades que não contribuíram para muita coisa ao longo da leitura.

Fiquei bem chateada com algumas decisões do autor, apesar de achar que ele pretende retomar esses temas mais para frente, como matar um dos grandes personagens do livro. Algumas situações em que Mia se mete me pareceram forçadas. Por mais ágil que ela seja, a forma como controla suas sombras é aprimorada rápido demais e de uma para outra ela consegue controlar o negócio muito bem. E uma pausa para falar do Sr. Simpático, que acompanha sua sombra desde que ela era uma criança e se alimenta de seus medos e frustrações. Isso a deixa muito mais atrevida e audaciosa do que a maioria, mas também a impede de dominar seus medos.

O ebook tem alguns problemas de revisão que não chegam a atrapalhar a leitura. Achei as cenas explícitas de sexo totalmente dispensáveis e acho que este livro está mais próximo do público jovem adulto do que juvenil. No começo do livro há mapas para você não se perder nos vários locais citados. A tradução foi de Clemente Pereira e está ótima. Parabéns ao tradutor pelas adaptações de termos criados pelo autor, pois imagino que não tenha sido fácil!

Nunca trema. Nunca tema. E nunca, jamais, esqueça.


Ficção e realidade
Achei bem interessante a discussão feita pelo autor sobre a violência. Em um livro com essa temática violência é o que não falta. E o mundo é violento para aqueles mais vulneráveis, como Mia, uma criança perdida no meio da cidade que desde cedo é obrigada a presenciar as coisas mais horríveis que um ser humano seria capaz de suportar. Mia conseguiu se reerguer e criou na cabeça uma fixação em se vingar, mas nem todos têm esse pensamento. Alguns apenas querem viver suas vidas, enquanto outros precisam se livrar de alguma maneira do mal que lhe foi feito. Mia é esse último caso.

Jay Kristoff

Jay Kristoff é um escritor australiano de fantasia e ficção científica e escreve tanto para leitores adultos quanto para jovens adultos.


Pontos positivos
Construção de mundo
Personagens bem descritos
Mercúrio e Sr. Simpático
Pontos negativos
Violência
Problemas de revisão


Título: Nevernight, a Sombra do Corvo
Título original em inglês: Nevernight
Crônicas da Quasinoite
1. Nevernight, a Sombra do Corvo
2. Godsgrave, o Espetáculo Sangrento
3. Darkdawn, as Cinzas da república
Autor: Jay Kristoff
Tradutor: Clemente Pereira
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 608
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Consigo entender a sensação de amor e ódio que algumas pessoas tiveram do livro, pois eu também senti, mas em nenhum momento consegui largar a leitura. É impossível parar. Você realmente quer chegar ao final, nem que seja para xingar a protagonista ou o autor pelas decisões tomadas! Por tudo isso e mais um pouco, pretendo ler os próximos livros da trilogia. Quatro aliens para Nevernight e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais! ☠


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