A Aleph não perdeu tempo e trouxe o quarto volume da saga do robô-assassino, agora também uma série de sucesso da Apple TV! O robô-assassino mais querido e rabugento do universo retorna em uma nova aventura enquanto tenta descobrir mais sobre seu passado, apagado pela empresa. Mas agora ele precisa salvar aquela que pode ser sua única amiga, mesmo que ele odeie admitir isso...
O livro
Pra quem pegou o bonde agora, nosso robô-assassino é uma inteligência artificial, feita de materiais sintéticos e material biológico clonado, que conseguiu hackear seu módulo de controle. Assim, ele consegue pensar por si próprio, nem pode mais ser submetido a ordens, principalmente as ilegais. E, em vez de usar essa habilidade para sair matando as pessoas ou dominar o mundo, ele a usa para baixar séries de TV, filmes, livros e ficar horas desconectado do ambiente ao redor. Ele também usa esse material de maneira a entender, ou tentar entender, por que os seres humanos fazem tanta cagada.
Puta que pariu, esses humanos estão sempre no caminho, tentando me salvar das coisas.
O robô-assassino acaba de adquirir informações valiosas sobre as atividades ilegais e bastante nefastas da grande corporação GrayCris e decide repassá-las à Dra. Mensah, que você deve lembrar do primeiro volume da saga, Alerta vermelho. Ele está a caminho de fazer exatamente isso quando descobre que Mensah deixou a estação onde o processo está sendo julgado. E ao que tudo indica, Mensah foi sequestrada pela GrayCris para pressionar a Preservação, de onde Mensah e seus colegas vieram, um sequestro motivado pelas ações recentes do robô-assassino.
Assim, ele decide que, já que a GrayCris aumentou sua resposta corporativa em reação às suas ações, cabe a ele resgatar a Dra. Mensah. Neste volume aqui, reencontramos alguns dos personagens que conhecemos em Alerta vermelho, que estão tentando negociar com a empresa. Mas o robô-assassino elabora um plano para levá-los em segurança para longe dali. E mesmo sabendo que ele é uma unidade de segurança, eles o tratam como uma pessoa, alguém capaz de decidir suas próprias ações. Pode ser, quem sabe, que o robô-assassino tenha que admitir que possivelmente tem amigos e aceitar o que isso significa para ele.
O robô-assassino não foi programado para se importar. Então, sua decisão de ajudar a única humana que já lhe demonstrou respeito deve ser uma falha do sistema, certo? Emoções o distraem de seu objetivo, que é assistir a séries, e as pessoas vivem arrumando confusão. É justamente essa sua relutância em ajudar o tempo todo, de ter que salvar as pessoas, ainda que ele odeie ter que fazer isso, que o torna um personagem fabuloso. Pra ele, somos todos incompetentes e qualquer outro robô deixaria a gente se lascar, mas o robô-assassino sempre interfere. Será que ele adquiriu alguma empatia de tanto assistir a séries?
Assim como nos livros anteriores, a leitura é rápida, mas muito prazerosa. Tem luta e tiroteio e muitas maquinações do robô pra poder salvar todo mundo, enquanto é cercado pro agentes da corporação. Ele percebe que ter amigos é estressante, mas que pode valer à pena ter amigos. É preciso se acostumar com a ideia de que as pessoas se importam com ele, exatamente do jeito que ele é. É um livro rápido, divertido e que, em essência, trata de personalidade, independência e individualidade: sobre autonomia, confiança e bondade, bem como ansiedade, frustração e raiva.
Cada um dos livros de Wells tem um subtexto: em Alerta vermelho era a ansiedade social do robô-assassino; em Condição artificial, era a identidade e expressão de gênero; em Protocolo rebelde, a liberdade e o individualismo. Aqui o robô-assassino é forçado a interagir diretamente com humanos não por obrigação, mas por vontade própria, e parte disso envolve se adaptar à sua nova forma humanoide e tudo o que isso implica. Ter a aparência de um humano é uma coisa. Agir como um é outra.
Então o plano ainda não tinha ido para a casa do caralho, só estava numa área cinzenta antes da casa do caralho, se preparando para entrar nela.
O livro está bem traduzido por Laura Pohl e não encontrei problemas de revisão ou diagramação.
Obra e realidade
Acredito que a inteligência artificial seja essencial para o desenvolvimento de uma ciência espacial segura. Mas no atual estado das coisas, com IA roubando arte dos outros, sinto que estamos desperdiçando um grande potencial. Há muita coisa que as IAs podem fazer e não estão fazendo, sendo apenas sugadoras de criatividade humana, água e eletricidade. Atualmente, elas estão aí como parasitas, quando poderiam refinar dados científicos, por exemplo.
Martha é uma escritora norte-americana prolífica, tendo escrito uma série de fantasia, romances young adult, ensaios e críticas de ficção especulativa e a série Murderbot. É ganhadora das vários prêmios, enre eles o Hugo Awards de Melhor Novela por All Systems Red.
PONTOS POSITIVOS
Mensah e robô-assassino
Bem escrito
Uma máquina que não tá nem aí pra ninguém
PONTOS NEGATIVOS
Muito curto!
Mensah e robô-assassino
Bem escrito
Uma máquina que não tá nem aí pra ninguém
PONTOS NEGATIVOS
Muito curto!
Avaliação do MS?
Imagine um androide que não é nem servil, nem uma máquina aniquiladora da raça humana, que só quer ficar de boa vendo séries? É praticamente minha descrição se eu fosse um androide. Os livros dessa saga não apenas bem escritos e de ficção científica de primeira qualidade, como também são muito divertidos. Quatro aliens para ele e uma forte recomendação que você leia também!
Até mais! 🤖
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