O que esperar de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder?

E estreou uma das séries mais aguardadas do ano, uma das mais comentadas e uma das mais caras também. O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder mal chegou e gerou uma série de críticas odiosas da parte de pessoas que se dizem entendidas na obra de Tolkien quando, na verdade estão sendo apenas preconceituosas mesmo, já que o elenco mostra atores negros como elfos e anões e uma Galadriel guerreira, o que tem causado uma urticária em alguns nerdolas. Pude assistir aos dois primeiros episódios neste final de semana e resolvi contar o que achei!





Fazia muito tempo que eu não entrava no universo de Tolkien. Li O Silmarillion e depois a trilogia de O Senhor dos Anéis por ocasião do lançamento de A Sociedade do Anel. Ou seja, faz tempo, mas lembro de ter curtido a trilogia e de ter achado o ritmo de O Silmarillion bem lento. Minha esperança é reler, incluindo aí O Hobbit que ainda me é inédito.

Mas vamos voltar um pouquinho no tempo. Em novembro de 2017, a Amazon comprou os direitos para a televisão de O Senhor dos Anéis por impressionantes 250 milhões de dólares, comprometendo-se com uma produção de cinco temporadas no valor de pelo menos 1 bilhão de dólares. Isso tornaria a série a mais cara já produzida na história. A série é baseada, principalmente, nos apêndices da trilogia original, incluindo discussões sobre a Segunda Era da Terra Média. Outras obras, como O Silmarillion, estão fora deste acordo, mas o material que a produção têm já é suficiente para contar várias histórias.

Devido aos acordos feitos com o espólio da família Tolkien, esta série não é uma continuação da trilogia original ou de O Hobbit. Porém, a série evoca um design parecido, com versões mais novas de alguns personagens dos filmes de Peter Jackson e trilha sonora de Howard Shore, que também compôs as trilhas das duas trilogias anteriores. Gravada na Nova Zelândia, mesma locação dos filmes anteriores, e com um incrível elenco, a produção foi atrasada devido à Covid, mas assim que estreou se tornou a série mais vista na história do Amazon Prime, com 25 milhões de espectadores.

Passando-se milhares de anos antes dos eventos em O Hobbit e o O Senhor dos Aneis, a série se passa em um momento de relativa paz e vai cobrir os principais eventos da Segunda Era da Terra Média: a confecção dos Anéis de Poder, a ascensão de Sauron, a queda de Númenor e a última aliança entre os humanos e os elfos. O enredo será condensado e adaptado para caber nos episódios, é claro, e contará com personagens que lembram aqueles que conhecemos nos filmes de Jackson, mas numa roupagem e atitudes totalmente diferentes.

É óbvio que assim que a série começou a anunciar o elenco, o chororô do nerdola começou. E com a estreia, o mimimi dos caras piorou. A começar da personagem Galadriel, que nos filmes é uma mulher sábia e serena e na série é uma guerreira em busca de Sauron depois da morte do irmão. Mas o próprio Tolkien, em uma carta de 1973, escreveu que Galadriel tinha uma força igual a de seus companheiros masculinos, de constituição digna de uma amazona, que prendia seu cabelo como uma coroa quando se exercitava.

Na série de doze livros de History of Middle-earth, Tolkien afirma que o Um Anel era tudo o que Galadriel queria em sua juventude. Por um longo tempo, Galadriel viveu esse conflito de poderes em si, visível em sua obstinação na busca por Sauron que testemunhamos nos dois primeiros episódios. Mesmo depois de milhares de anos, ela é uma das poucas figuras da Terra Média que Sauron ainda teme. Isso a torna uma das personagens mais complexas da história e muito mais do que uma serena e plácida senhora élfica da floresta.

Em uma carta de 1951 para o escritor e editor Milton Waldman, Tolkien disse que gostaria de criar uma mitologia interligada, que deixasse espaço para outras mentes e mãos, com novas ideias e visões, expandindo a Terra Média e seus domínios. Peter Jackson fez isso nas trilogias anteriores, tomando várias licenças aqui e ali, então por que a série de TV não pode fazer o mesmo?

Galadriel, Disa e Elrond
Galadriel, princesa Disa e Elrond


Fãs sempre ficarão preocupados com adaptações e licenças poéticas de obras que amam. Aqui não seria diferente. Infelizmente alguns deles estão sendo tóxicos, preconceituosos, racistas e misóginos, negativando as avaliações da série em massa em sites especializados. A série tem uma fotografia incrível, com efeitos especiais deslumbrantes e me vi completamente imersa naquele mundo desde o começo. Me senti dentro de uma história de Tolkien, feita por mãos muito cuidadosas, que se esmeraram em atingir o tom certo que vai desde o figurino à pronúncia dos atores com palavras específicas do enredo e uma fotografia que nos remete à Terra Média já conhecida dos filmes de Jackson em vários momentos.

Li críticas a respeito do ritmo da série e, convenhamos, talvez seja o motivo mais besta para alguém reclamar. Em dois episódios esses críticos esperavam exatamente o que? Que tudo se resolvesse? Por que tanto antagonismo com o passo lento de enredos? Não é mais possível esperar por revelações e pelo desenvolvimento dos personagens? Histórias demandam tempo para serem contatadas e é o que precisamos aqui. Mal posso esperar pelo próximo episódio e voltar para este mundo tão rico. Só posso lamentar o amargor de certos fãs que nunca ficarão satisfeitos com nada, não importa o quão precisas as adaptações sejam.

Tenho minhas próprias críticas à trilogia original e à forma como Tolkien conduziu algumas coisas, como a representatividade feminina, mas é inegável a importância que o enredo possui e como influenciou a cultural ocidental e todas as obras que viriam depois. Ver uma série de TV criar algo original e que ainda respeite este universo não é tarefa fácil. Para mim foram dois episódios sem defeitos e espero que aqueles que ainda tinham algum medo de se aventurar em Os Anéis de Poder possam curtir tanto quanto eu.

Também espero que a série mantenha a qualidade destes primeiros episódios, além da fotografia e efeitos deslumbrantes, com atuações que já se tornaram minhas favoritas. Quero ver mais da Galadriel guerreira, da sociedade dos anões e ver como os anéis serão forjados. Ou seja, tem muita coisa para ver nessa série ainda!

Um novo episódio de Os Anéis de Poder sairá toda sexta-feira!

Até mais! 🧝🏼‍♀️


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2 COMENTÁRIOS

  1. Difícil né. Em Sandman e House of Dragons ouvi a mesma reclamação. E estou amando as três. Difícil é ter tempo kkkk A Netflix é mais ousada ainda, realmente, mas é bom que a HBO e Amazon sigam esses passos. Ps: estou aguardando sua avaliação da série star trek com o Pike

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  2. O chato de tudo isso é perceber que as pessoas apenas consomem os conteúdos. E ao fazer isso dixa a obra "cristalizada" dentro deles, o que é chato, pois deixam de pensar na possibilidades ricas que surgem, ou que não foram exploradas pelos autores apenas por não fazerem parte da vivência deles.

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