Resenha: A Tempestade de Ecos, de Christelle Dabos

E cheguei ao fim da jornada de Ophélie! Não sei estou pronta para dar adeus. Últimos livros de sagas, ainda mais uma tão bem construída e criativa como essa, são sempre difíceis de largar. Christelle Dabos criou um universo coerente e muito criativo, onde o mundo foi despedaçado em várias arcas, governados por espíritos familiares. No quarto e último livro da saga, muitas respostas nos serão dadas, muitos eventos dramáticos acontecerão e Dabos com certeza vai irritar muitas leitoras!

Pode haver spoilers das edições anteriores!




Parceria Momentum Saga e
Editora Morro Branco



O livro
Sabemos que o poder do Outro está cada vez maior e que mais e mais arcas estão despencando rumo ao vazio sob as nuvens, levando as vidas de milhares de pessoas. Ophélie, junto de seu marido, Thorn, precisam encontrar uma maneira de impedir essas mortes e mais perdas de arcas. Eles precisam encontrar Deus e quem sabe parar essa tragédia. Será preciso muita coragem e perspicácia desses dois para decifrar códigos, desvendar conexões sombrias e investigar um dos mais misteriosos lugares da arca de Babel: o Observatório de Desvios.

Resenha: A Tempestade de Ecos, de Christelle Dabos


Esse observatório não é regido por nenhuma lei, tem métodos estranhos, mas é provável que guarde a solução para o grande problema da queda das arcas. Ophélie sabe que está correndo um grande risco, mas decide entrar neste observatório que estuda pessoas invertidas na esperança de fuçar por seus corredores em busca de respostas. Mas o que Ophélie será obrigada a viver lá dentro desafiará toda sua coragem e astúcia. Ela sairá a mesma desse lugar tão bizarro?

(...) se a humanidade é agressiva e beligerante a tal ponto, não é por ódio aos outros, mas por medo da própria fragilidade. Se todo mundo fosse capaz de realizar milagres, deixariam de temer ao próximo.

Página 137

Preciso dizer logo de cara que esse livro é muito denso. Denso e urgente, já que a situação das arcas está piorando e Dabos nos passa tudo isso ao longo das páginas, mas também é um livro com muitas mensagens nas entrelinhas e nos detalhes. Se a gente não ler com atenção, vai perder informações muito importantes para a resolução do mistério sobre Deus, o Outro e as arcas. E às vezes as longas explicações da autora podem cansar, mas eu estava tão apegada aos personagens que passei por esses momentos de boa.

Essas longas explicações podem parecer despropositadas no começo quando a gente ainda está entrando no enredo, conhecendo o observatório, conhecendo melhor o ambiente novo em que Ophélie está, mas Dabos encaixa tudo direitinho. É inquietante a habilidade que ela tem de ser delicada até nos momentos mais tensos e de responder a todas as perguntas que cria. As discussões sobre pertencimento, sobre paz e sociedade continuam presentes, mas o desenvolvimento dado aos protagonistas pode desagradar a algumas leitoras. Personagens importantes dos livros anteriores acabam sumindo um pouco neste volume aqui, ainda que eles tenham um papel importante a cumprir.

Andei lendo algumas resenhas pelo Skoob bem irritadas com o andamento do livro. Até entendo algumas delas, apesar de não concordar, mas em outras as pessoas simplesmente esperaram uma coisa que a autora nunca prometeu que entregaria e estavam fulas da vida com o final. A forma como ela resolveu todos os dilemas e problemas da saga foi bem-feita, os problemas foram resolvidos. Esta não é uma saga de amor e romance, então não dá para exigir coisas que a autora não vai entregar.

Da minha parte achei que o livro foi muito satisfatório, amarrou todas as pontas, explicou muita coisa e deixou um gostinho de mistério no final porque esse mistério é algo que Ophélie precisa resolver sozinha. Se você leu o livro sabe do que estou falando. É uma jornada da qual não fazemos mais parte. Mas se Dabos escrever algo mais a respeito, lerei com prazer. Alguns personagens novos brotam aqui e ali, irritantes como sempre, mas outros vão reaparecer para a surpresa de muitas. Mas devo admitir que a jornada de Victoire me pareceu meio solta no enredo. Não sei se entendi bem o que ela estava fazendo lá. Se Dabos queria que a gente interpretasse à nossa maneira, não sei se funcionou bem comigo.

Gosto muito da forma como Dabos descreve os ambientes e as pessoas. É tudo muito rico e muito vívido, mesmo em um mundo fantástico e inverossímil como esse, com arcas flutuando nuvens eternas e profundas após um rasgo que destruiu o mundo. E por falar em rasgo, adorei a forma como ela desvenda o mistério sobre tal evento e como ele ocorreu. Com uma pitada de ficção científica, a explicação pode parecer complexa, mas é satisfatória em explicar tudo desde o começo. Eu até gostaria de mais informações, mas eu sou dessas mesmo. É só uma pena não termos conhecido melhor outras arcas. Ficamos muito restritas ao universo de Babel, Anima e Polo, sendo que existem várias outras, agindo como micro-estados.

A edição segue o capricho das anteriores e amo as cores e as ilustrações das capas. Papel amarelo, com marcador exclusivo e capa comum, com tradução de Sofia Soter, que está ótima. A revisão deixou a desejar em vários momentos. Acredito que tenha sido descuido ou distração, talvez pressa para publicar, porque são erros básicos de língua portuguesa ou de digitação. Uma próxima edição merece uma revisão melhor.

Porque a guerra acontece quando paramos de nos entender.

Página 260


Obra e realidade
Se começamos essa jornada, lá no primeiro livro, com uma jovem Ophélie, estranha e tímida, mergulhada nas dúvidas da adolescência e prometida se casar com um estranho em um território estrangeiro, o que vemos em A Tempestade de Ecos é o florescimento de uma heroína assertiva, consciente de suas responsabilidades e poderes.

Fui atrás da criação dessa saga e li algumas entrevistas da autora. Grande fã de Harry Potter, ela começou a escrever fanfics, mas a Passa-Espelhos começou alguns meses antes de Dabos ser diagnosticada com um câncer na mandíbula. Tal como um rosto saindo do espelho, o câncer começou a se destacar em seu rosto. A cirurgia, a recuperação e a colocação da prótese foram longas e difíceis, e a escrita da saga de Ophélie foi como um processo de cura e redescoberta para Dabos ao longo dos anos.

Outra coisa importante foi sobre o final da saga. Dabos se isolou, saiu da internet e não leu as teorias e os desejos dos leitores. Era importante que ela constasse a história que queria contar, da forma como ela achava que deveria acabar e acho que ela foi muito bem sucedida nisso.

Christelle Dabos


Christelle Dabos mora e trabalha na Bélgica, mas é originalmente da região de Côte d'Azur, na França. Em 2013, ela ganhou o prêmio de melhor livro juvenil com La Passe-miroir. Christelle disse que se inspirou no livro de Marcel Aymé, Le Passe-muraille, sobre um homem que podia atravessar paredes. Os dois primeiros volumes da trilogia ganharam o Grand Prix de l’Imaginaire, e vem sendo comparado a outras grandes séries juvenis, como Harry Potter.


Pontos positivos
Protagonista feminina
As Arcas
Criativo e bem escrito
Pontos negativos

Longas explicações


Título: A Tempestade de Ecos
Título original em francês: La Tempête des échos
Série A Passa-Espelhos
1. Os Noivos do Inverno
2. Desaparecidos em Luz da Lua
3. A Memória de Babel
4. A Tempestade de Ecos
Autora: Christelle Dabos
Tradutora: Sofia Soter
Editora: Morro Branco
Páginas: 480
Ano de lançamento: 2021
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
É com muita tristeza que fecho esse livro e deixo Ophélie partir! Um universo tão rico, tão gostoso de acompanhar, com personagens cativantes, uma construção de mundo riquíssima e criativa. É uma das melhores sagas de fantasia que li em muito tempo e estou triste de verdade de ter terminado. Quem sabe um dia eu volte para reler e voltar às arcas! Uma grande conclusão, um grande livro! Quatro aliens para o livro e uma recomendação para você ler também!


Até mais! ❄️


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