Geostorm: farofada no espaço

Essa semana que passou dei um tempo no blog para poder descansar a coluna. Então pude ver alguns filmes que estavam na lista de espera interminável e um deles foi Geostorm, ou Tempestade: Planeta em Fúria que, originalmente, passou nos cinemas em 2017. Abusando dos efeitos especiais, o longa é uma grande farofada de catástrofes e ciência ruim, com grandiosas cenas de ação bem feitas.





Geostorm: farofada no espaço


As mudanças climáticas desencadearam desastres naturais gigantescos. Os danos aos países e as perdas de vidas se multiplicam. Uma coalizão internacional decide então usar a tecnologia para controlar o clima chamada "Dutch Boy", em referência ao menino holandês que pára o vazamento em um dique com apenas o dedo, do livro Hans Brinker, or The Silver Skates, de Mary Mapes Dodge.

Ele consiste em uma rede imensa de satélites ao retor do planeta, controlados por uma estação espacial, capaz de frear os eventos climáticos antes que eles destruam uma cidade, por exemplo. Quando o Dutch Boy consegue neutralizar um tufão devastador que se aproximava de Xangai, um sub-comitê do Senado decide punir o engenheiro-chefe do projeto, Jake Lawson (Gerard Butler) por ter ativado o sistema sem autorização. Em seu lugar, eles colocam seu irmão, Max (Jim Sturgess), que trabalha para o Secretário de Estado, Leonard Dekkom (Ed Harris).

A treta toda começa, de verdade, três anos depois, quando uma equipe das Nações Unidas descobre uma vila congelada em uma região desértica do Afeganistão. Depois, um engenheiro da estação espacial que controla o sistema morre em circunstâncias suspeitas, enquanto em terra, incidentes estranhos começam a se multiplicar. A partir daí é explosão, porrada e bomba e muitos efeitos especiais porque o Dutch Boy pode causar uma geostorm no planeta inteiro.

Sou muito fã do trabalho de Gerard Butler desde seu melhor trabalho, a minissérie, Átila, o Huno (2001) e curti ver o ator aqui sendo um debochado engenheiro que toma entortada de todo mundo porque não sabe ficar com a boca fechada. O filme foca bastante no relacionamento conturbado que ele tem com seu irmão mais novo, Max, tão certinho e que no fim ele acredita ser um usurpador já que ele ficou com o seu cargo no Dutch Boy.

O filme é uma salada de problemas climáticos com tecnologia, ondas gigantes impossíveis, conspiração e nomes famosos como Ed Harris, Andy García e Abbie Cornish, uma das minhas personagens favoritas, como uma agente do Serviço Secreto. A ciência do filme é ruim, mas o alerta sobre as mudanças climáticas é real e, ainda que exagerado pelas cenas catastróficas, os eventos desencadeados pelo aquecimento global não são ficção científica. Nós de fato estamos enfrentando uma crise climática que não vai sumir tão cedo, nem mesmo se tivéssemos a capacidade técnica de construir algo como o Dutch Boy.

Tão plausível como O dia depois de amanhã, muita gente acaba se perguntando se seria possível que os eventos do filme, de fato, acontecessem. Na verdade, a ciência da geoengenharia existe, que procura soluções em grande escala para os problemas ambientais. Uma aplicação da geoengenharia é o plantio de árvores na tentativa de retirar CO2 da atmosfera, um conhecido gás de efeito estufa.

E a tecnologia do Dutch Boy? É menos plausível ainda, pois o clima é um imenso sistema que depende de múltiplos fatores. Não é só uma questão de ter um satélite acima de um país, irradiar um laser sobre ele e acabar com uma tempestade, pois não é assim que uma tempestade funciona. Ele também desconsidera o fato de o planeta ser imenso e o tamanho que uma rede de satélites dessa teria. Capaz que faltasse recursos para tal empreitada.

Também tem outra questão. Dependendo do tipo de mudança climática que o planeta enfrentar, capaz que a gente não seja capaz de reverter. Apenas de mitigar seus efeitos. E aí nenhuma rede gigantesca de satélites vai ajudar. E apesar de achar o filme divertido em determinados momentos, não vi nenhuma mensagem sobre formas de ajudar as pessoas, de investir em energias limpas ou de plantas árvores. Geostorm é um filme para a Temperatura Máxima, daqueles que divertem pelo tempo em que é assistido, em especial por seus efeitos imensos, mas que depois a gente meio que esquece que existe.

O filme está disponível na Netflix. Já assistiu??

Até mais! 🌎


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1 Comentário

  1. Esse filme é tão esquecível, que eu já assisti várias vezes, tendo a mesma sensação de quando eu assisti ele na primeira vez.

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