Resenha: Bruxa Natural, de Arin Murphy-Hiscock

Em um mundo cada vez mais urbano e tecnológico, às vezes a gente não tem tanto contato com o mundo natural como gostaria. A ideia deste livro não é fazer de você uma bruxa capaz de voar em vassouras, mas sim de conhecer as ervas e o poder natural que existe em óleos, flores, ervas e o que se pode fazer com elas. Com este livro, você pode começar hoje mesmo.





Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide



O livro
É preciso pontuar logo no início que, independente da sua religião, você pode utilizar este livro. A autora separou muito bem religião de espiritualidade, mas infelizmente muitos ainda associam bruxaria com satanismo e com toda a propaganda de séculos atrás. Logo no começo, Arin se preocupa em diferenciar as duas coisas e em mostrar que conhecer ervas, saber como prepará-las, como utilizar corretamente os elementos naturais nada tem a ver com esta ou aquela religião. Uma bruxa natural é uma mulher que, historicamente, curava as pessoas, que era procurada por aqueles em busca de alívio de algum mal. E não tem problema nenhum em continuar sendo. Em especial quem vem do interior, na certa, conheceu alguma benzedeira, alguma senhora com um amplo conhecimento de ervas para vários males. Não tem muita diferença aqui.

Resenha: Bruxa Natural, de Arin Murphy-Hiscock


Este é um guia para pessoas que queiram melhor conhecer ervas, flores, óleos, seus poderes curativos e como se conectar com o poder natural. É claro que isso tudo depende da espiritualidade das pessoas. A menos que você não creia em nada disso, talvez este livro não te ajude tanto. Porém, supondo que você goste de ter um jardim, o livro tem um guia que ensina compostagem e manejo da sua hortinha ou jardim. E se você morar em um espaço pequeno, pode colocar plantas dentro de casa, o livro ensina como.

Arin começa contextualizando a bruxaria e a bruxa natural, tratando sobre questões éticas e diferenciando a bruxaria da Wicca (o que não impede wiccanos de usar o guia também). No segundo capítulo, a autora parte para a prática, onde recomenda instrumentos e itens essenciais para a prática, como criar um espaço sagrado em sua casa e até mesmo um altar. Nesta parte ela também ressalta a importância de ser ter contato com o ambiente fora da casa, criando uma horta ou um herbário próprio.

A autora ressalta também a importância do uso da energia da natureza e de como você deve entrar em contato com ela nos capítulos seguintes. É no capítulo cinco que ela traz o conhecimento técnico e prático. São várias referências fitoterápicas, receitas para fazer amuletos, óleos, incensos, chás (gostei muito dessa parte), sais de banho, bálsamos, partindo para os comestíveis, como pães e saladas. Os sais de banho podem não ser muito úteis para nós, que não temos banheira em casa, mas acho que é possível adaptar para um banho com esponja, por exemplo.

É preciso ter em mente que a autora é canadense, então algumas coisas não serão tão acessíveis para nós. A árvore de hamamélis, por exemplo, é nativa do Canadá e dos Estados Unidos, não é algo que você comumente vê nas ruas das nossas cidades. Além disso, muitos rituais estão associados às estações do ano e a própria autora reforça que a bruxa natural precisa estar atenta às estações e às mudanças que acontecem na natureza. Há também no mesmo capítulo uma parte que diz que na América do Norte e na Europa as quatro estações começam em dias específicos e em horários definidos.

A bruxaria em si é uma prática que envolve o uso de energias da natureza para ajudar a realizar uma tarefa ou alcançar um objetivo. Em geral, a bruxaria reconhece um deus e uma deusa (às vezes, apenas uma deusa) e entende que a magia é um fenômeno natural.

Página 24

Só que isso não é só na América do Norte e na Europa. As estações têm dias e horários definidos no mundo inteiro. Senti que faltou uma notinha de rodapé para explicar a diferença e para explicar que a estação do ano não é a mesma para o planeta todo. Não faz muito tempo, a Agência Reuters disse que caiu neve em pleno "verão" brasileiro quando, na verdade agora estamos no inverno. A edição considera as estações apenas na América do Norte, ignorando o resto do planeta. Pelo menos ela explica que as estações do ano se originam das mudanças no eixo do planeta.

O livro em si é lindo, um dos mais lindos já publicados pela editora, com um trabalho gráfico interno impecável e a famosa fitinha para marcar página. No final, a autora ainda colocou uma bibliografia e um apêndice com substâncias naturais para você consultar. A tradução de Stephanie Borges está ótima e não encontrei problemas de tradução, revisão ou diagramação.


Obra e realidade
Quando eu era adolescente, estreou o filme Jovens Bruxas (1996). E é claro que a gente ficou doida com aquelas garotas realizando rituais e celebrando a natureza (a gente meio que ignorava as maldades que elas fizeram, sabe?). Corremos para a livraria para buscar livros de bruxaria e foi em um deles, O Gozo das Feiticeiras, de Márcia Frazão, que entrei em contato com o feminismo pela primeira vez de uma forma sistemática, onde eu já compreendia o que ele queria dizer (a primeira vez mesmo foi com um gibi da Turma da Mônica quando eu tinha uns 9 anos).

Era tudo muito novo para mim, ler sobre bruxaria, que colocava a mulher como um importante agente de transformação de seu espaço, na condição de uma mulher livre das amarras das sociedades e de como isso incomodava os homens no poder. De como essa liberdade era mal vista e combatida por aqueles que temiam as bruxas. Para a cabeça de uma adolescente que não era popular na escola, a bruxaria foi um abraço bem-vindo, que dizia que eu era especial. Junto de uma amiga que tinha um sítio, até fizemos alguns rituais.

Acho que o mais importante desse livro é mostrar a pessoa como uma agente de transformação de seu espaço, alguém dotada de uma sabedoria que escapa à maioria das pessoas nas grandes cidades, assustadas com os sons da natureza quando a pandemia calou o trânsito e o vai e vem nas ruas. É uma boa forma de começar, de olhar mais, de ouvir mais, de sentir mais, independente do que você creia.

Arin Murphy-Hiscock


Arin Murphy-Hiscock é uma escritora e editora canadense. Mestra em literatura inglesa, com especialização em fitoterapia, é alta sacerdotisa do clã Black Forest no Canadá, com mais de vinte anos de vivências de espiritualidade.

Esses bruxos naturais dos primórdios, por muito tempo respeitados, com frequência eram temidos ou viravam alvo de desconfiança devido ao conhecimento que possuíam. Geralmente eram marginalizados por suas comunidades e viviam sozinhos ou afastados dos centros sociais das comunidades. Ainda hoje, é comum que a sociedade demonstre desconforto com aqueles que possuem conhecimentos fora do alcance do cidadão comum.

Página 28

Pontos positivos
Bem escrito e pesquisado
Capa dura
Fitoterápicos
Pontos negativos

Estações do ano não ocorrem só na América do Norte


Título: Bruxa Natural
Título original em inglês: Green Witch
Autora: Arin Murphy-Hiscock
Tradutora: Stephanie Borges
Editora: DarkSide (coleção Magicae)
Páginas: 256
Onde comprar: na Amazon e no site da DarkSide com um brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Você talvez nem queira seguir os rituais, as meditações, talvez apenas queira saber dos poderes curativos de determinadas ervas para fazer um chá e quem sabe montar sua hortinha na varanda do apartamento. Tudo bem! O livro pode te ajudar a começar nesse mundo e a te ajudar a olhar para a natureza com um viés menos clínico e mais holístico. Cinco aliens para ele e uma forte indicação para você ler também!


MARAVILHOSO!


Até mais! 🌱


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