Resenha: Devoradores de Estrelas, de Andy Weir

A editora Suma me enviou uma cópia digital antecipada do novo livro de Andy Weir (o mesmo autor de Perdido em Marte)! Devoradores de Estrelas é uma ficção científica hard, com vários termos científicos e uma ciência bem próxima da realidade, mas que também lida com solidão, amizade, cooperação e medo. Curtiu Perdido em Marte?? Então você vai curtir Devoradores de Estrelas!





Parceria Momentum Saga e
editora Suma


O livro
Um homem acorda sem memória, com uma voz indistinta lhe fazendo perguntas. Ela quer saber seu nome. Mas o homem não se recorda. Não sabe onde está, não sabe quem é, se encontra preso a uma cama todo cheio de sondas e acessos venosos, com dois cadáveres ressequidos como companhia nas camas ao lado. É ou não é um cenário desesperador? Ele retoma a voz aos poucos, enquanto nada no vazio das memórias tentando se lembrar do que aconteceu. Mas é inútil, ele nada se lembra.

Resenha: Devoradores de Estrelas, de Andy Weir


Ele acorda e adormece seguidas vezes, pois braços robóticos o mantém sedado e alimentado. Mas chega uma hora que ele se irrita com todos aqueles cuidados e tenta sair da cama. Foi a pior coisa que deveria ter feito, afinal ele tinha sondas em toda a região genital e cai aos prantos no chão, lamentando o dia em que nasceu. Tentando usar a lógica, ele pensa que deve ter ficado em coma. Mas e o motivo para isso? Há outras coisas estranhas também, mas ele não sabe bem dizer o que.

Pessoas mortas são preocupantes, mas estou mais alarmado com o fato de estarem aqui há tanto tempo. Até mesmo uma área de quarentena removeria o corpo dos mortos, não é? Qualquer que seja o problema, parece ser bem grave.

Com muito esforço, o homem enfim lembra seu nome: Ryland Grace. E ao saber seu nome o computador lhe concede acesso a outras partes da instalação onde ele se encontra. Conforme seu nome retorna, ele tem mais lembranças, mais acesso a informações sobre sua situação. Ao perceber que cair era muito mais doloroso e barulhento do que deveria, Ryland percebe que não está na Terra. A aceleração da gravidade nesse lugar é maior do que a do nosso planeta. Ele descobre que está em uma nave espacial.

Narrado pelo próprio Ryland, ficamos presos à sua percepção e lembranças, mas isso só contribui para a sensação de claustrofobia e medo, já que dependemos de sua visão para entender o enredo. Então vamos acompanhando sua memória retornando aos poucos, com as respostas sendo dadas de maneira homeopática, conforme Ryland se vê às avessas com a nave que precisa pilotar sozinho, já que seus dois colegas morreram.

Andy não economiza nos termos científicos, mas consegue fazer isso sem ser chato nem ser maçante. E não é todo autor que consegue essa façanha de explicar princípios científicos sem ser mala. Acho que houve momentos em que o enredo dá uma desacelerada lá pelo meio, o que pode incomodar um pouco. Mas aqui nós temos um problema científico bastante grave que pode levar à extinção de toda a vida na Terra, então é na ciência que os personagens vão buscar respostas para os dilemas que se instalam (um lembrete para os dilemas relacionados à pandemia e como também devemos nos apoiar na ciência). Quando descobrimos o que está acontecendo, o título do livro passa a fazer muito sentido!

Devoradores de Estrelas conseguiu algo que Perdido em Marte falhou: humanizar o protagonista. Mark Watney é quase um autômato que, em nenhum momento, parece se abater pela adversidade que caiu sobre ele. No filme conseguimos ver melhor o sofrimento do personagem e seu isolamento, mas no livro ele segue inabalável, resolvendo um problema atrás do outro, de maneira totalmente racional. Se você estivesse em Marte, na mesma situação do personagem, não teria seus momentos ruins? Teria, né?

Aqui neste livro o protagonista consegue passar sua frustração, seu medo, sua agonia, sem deixar de usar a ciência e a inteligência para resolver problemas. Ele chora, fica abatido em alguns momentos, mas ele tem em vista o tempo todo que sua missão precisa ser bem-sucedida ou toda a vida na Terra perecerá. Nem tem como não se abater por uma situação tão desesperadora e sinto que ele conseguiu passar e trabalhar melhor as emoções dos personagens aqui do que em seu primeiro livro.

A questão é que, quando ideias idiotas funcionam, elas se tornam ideias geniais.

O livro também é bem-humorado. Há situações inusitadas ou totalmente sem noção, como só os seres humanos desesperados costumam vivenciar. Devo dizer que ri muito com Ryland às avessas com as sondas em seu corpo. Também adorei um personagem que aparece mais adiante na história e o relacionamento de Ryland com ele que é simplesmente adorável. Mas se falar mais, dou spoilers!

Li a prova antecipada da editora no Kindle, então há erros e problemas de diagramação que não estarão no livro físico e na versão definitiva do ebook. A tradução de Natalie Gerhardt está ótima e não encontrei problemas ou termos mal traduzidos.


Obra e realidade
Muita gente questiona se a ficção científica deixou de ser otimista, se ela parou de imaginar cenários positivos para o futuro da humanidade como acontecia no passado. Sempre defendi que a ficção científica não é pessimista. FC é apenas um gênero literário, ela segue os humores da sociedade em que é produzida. Se havia um otimismo científico nas décadas de 50 e 60, é porque o mundo via o florescer da ciência espacial com profundo otimismo. Não é à toa que neste período surgiram grandes obras sobre exploração espacial, onde a humanidade coloniza o sistema solar e além.

Hoje nós temos sim enredos distópicos, que analisam e escancaram os dilemas sociais e políticos, mas no passado nós também tivemos obras assim. O livro 1984 foi publicado em 1949, onde já havia uma preocupação com relação aos governos totalitários. Se a obra ressoa nos dias de hoje é porque pouca coisa mudou. Nós temos sim enredos que mostrem um lado positivo da raça humana e o próprio Andy Weir os escreveu. Nós temos a capacidade técnica e intelectual de resolver problemas e quando nos dispomos a fazer isso, fazemos coisas incríveis. É nisso em que precisamos acreditar.

Andy Weir


Andy Weir é um escritor norte-americano de ficção científica.


Pontos positivos
Ryland e Rocky
Muita ciência
Personagens bem trabalhados
Pontos negativos

Muitos detalhes técnicos podem cansar o leitor


Título: Devoradores de Estrelas
Título original em inglês: Project Hail Mary
Autor: Andy Weir
Tradutor: Natalie Gerhardt
Editora: Suma
Páginas: 424
Onde comprar: pré-venda na Amazon com brinde ou sem!


Avaliação do MS?
Fiquei com medo de não gostar desse livro porque não curti muito o anterior, Ártemis. Felizmente, o livro é delicioso de ler! Você simplesmente não quer, nem consegue, parar de ler. Além disso, é um livro muito divertido, com cenas insólitas de Ryland às avessas com suas dificuldades na nave. Vale à pena ser lido! Quatro aliens para ele e uma forte indicação para você ler também.




Até mais!🚀

(...) a humanidade pode ser muito impressionante quando decide fazer alguma coisa.


Já que você chegou aqui...

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