Army of the Dead: em defesa dos filmes farofa

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas estreou não faz muito tempo na Netflix e ficou entre os dez filmes mais vistos na plataforma. E logo em seguida começaram as reclamações sobre como o filme é ruim, um lixo, uma coisa pavorosa, deus me livre... Tá, o filme não é uma obra de arte. E tudo bem! Nem tudo precisa ser uma profunda análise da psique humana. Às vezes a gente só quer uma zumbi alfa em roupa de cabaré guinchando por aí. E um tigre zumbi, claro.


Army of the Dead: em defesa dos filmes farofa




Eu já vou adiantar o expediente para todas as pessoas que vierem me xingar quando esse texto sair: gosto é gosto. E você tem todo o direito de não ter gostado do filme. Você também tem o direito de não gostar do Zack Snyder pelo motivo que for. Não estou defendendo o diretor e reconheço os pontos fracos de Army of the Dead. O ponto aqui não é exatamente este filme, mas este tipo de filme. Prossigamos com a programação.

O filme fala de um zumbi que escapou da custódia militar e infectou a cidade de Las Vegas. Logo nos créditos de abertura do longa vemos cenas insólitas de vedetes zumbificadas correndo atrás dos clientes e cosplayers de Elvis Presley com sangue escorrendo da boca. A cidade então foi isolada por conteinêres enquanto os últimos sobreviventes escapavam às pressas. Algum tempo depois, um poderoso empresário resolve contratar mercenários para realizar um roubo em um cofre super protegido dentro da cidade morta. Um grupo heterogêneo e sarcástico foi selecionado para entrar nos limites da cidade e cometer o crime, enquanto um dispositivo nuclear está apontado para a Vegas.

Army of the Dead é aquele tipo de filme colorido, exagerado, sarcástico e nojento que encheu as telas dos cinemas nos anos 1980 e que a maioria de nós ama. Acredito que uma boa parte do ódio ao filme, na verdade, é um ódio voltado ao diretor do longa por outros trabalhos. Tenho vários motivos para não curtir o trabalho de Snyder nos longas da DC, mas Madrugada dos Mortos é um filme que eu curto bastante, cheio dos exageros visuais que vemos dobrados em Army of the Dead.

E são justamente esses elementos que fazem do filme aquele "ruim que é bom", sabe? Nem tudo tem que ser uma elegia à 7ª arte. Nem tudo tem que ser um longo drama sobre as dificuldades humanas, a solidão e o pesadelo da morte relacionadas ao apocalipse zumbi (pra isso já existe The Walking Dead). Nem tudo tem que ser sério, elevado à consciência humana. Às vezes a gente só quer um filme despretencioso, com cenas absurdas, para assistir em um sábado chuvoso.

Poucas pessoas procuram um filme de Zack Snyder pela lógica e pelo drama, convenhamos. No momento em que estamos vivendo, ter que analisar logicamente um filme sem nenhuma lógica, é enxugar gelo. Você não vai conseguir. Army of the Dead é um espetáculo escapista que não te dá tempo de pensar muito entre os diferentes arcos que existem. Em um primeiro momento nos preocupamos com o assalto, mas depois temos as imigrantes perdidas, para depois nos atentar à relação de pai e filha. E claro, zumbis! Zumbis de todos os tipos, tamanhos e condições em meio a empolgantes músicas de cassino. Ele é como um filme farofa ruim deveria ser.

Logo que eu vi o filme estreando percebi que não deveria levar o longa a sério. Foi justamente por não levar a sério que eu ri um monte de vezes com as mais absurdas cenas colocadas pelo diretor. Army of the Dead é um espetáculo brega de cor, completa falta de noção e paisagens borradas em ruínas. Ele é deliciosamente sem noção, aliás, como quando um dos personagens esquenta a mão de um zumbi no microondas para atrair outro zumbi para o lugar que ele quer ir. Gente, isso é puro cine trash!

Estamos em tempos muito tensos. Já estamos vivendo há mais de um ano em uma pandemia, preocupados com higiente, com máscaras, isolados em casa e revoltados com os andares da vacinação e com as aglomerações lá fora de gente que vai para a balada como se nada estivesse acontecendo. Será mesmo que precisamos analisar um filme besta com tanta seriedade? A diferença de Army of the Dead para os filmes de terror dos anos 1980 é a tecnologia avançada de efeitos visuais que inseriu a atriz e comediante Tig Notaro digitalmente para substituir um ator envolvido com estupro e pedofilia. Porque de resto o filme em nada deve aos filmes trash com sanguinolência e vísceras que tanto assistimos nas noites da Band ou do Cinema em Casa.

Tig Notaro


Vamos celebrar os filmes farofa sem noção alguma da realidade. Tem horas que tudo o que a gente precisa é de uma bobagem colorida para distrair.


Até mais! 🧟‍♀️


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3 COMENTÁRIOS

  1. Faz total sentido a sua análise sobre o tema. Penso que se fossemos criticar da mesma forma os clássicos do século passado, eles não seriam clássicos amados, e muitos filmes de zumbis, terror, espaço, são "trash" em algum sentido, que não tenta se levarem a sério demais, e sempre foi uma boa fonte de entretenimento, né? É o que faz a gente parar pra assistir pela milésima vez hahahahaha e passados anos, é tão divertido quanto.

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  2. Eu, como boa admiradora de filmes ruins, concordo absolutamente contigo.

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  3. Realmente, o objetivo desse filme é ser um pipocão (e não uma sequência do Sétimo Selo) e ele cumpre a tarefa muito bem. Concordo contigo. Adorei a piloto do helicóptero que tu colocou no gif, lembrei dela do STD. E o Bautista, eu gosto dele também, mas acho que podiam explorar melhor o lado humorístico, no qual os os ex-telecatch como ele costumam ser bons.

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