Resenha: A mulher na cabine 10, de Ruth Ware

Depois de ler A morte da Sra. Westaway, fiquei animada de ler um dos grandes sucessos de Ruth Ware, que ficou várias semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e catapultou o nome da autora como uma das grandes autoras de suspense. E apesar de termos um enredo até que bem interessante neste livro, a leitura não foi nem de longe tão legal quanto a do primeiro.





O livro
A jornalista Lo Blacklock é a narradora e protagonista. Ela é jornalista de viagens e vai subir à bordo, em alguns dias, no Aurora Boreal, um navio de luxo com destino ao Mar do Norte, em sua viagem inaugural. Mas enquanto está em seu apartamento, Lo é assaltada e começa a ter crises de pânico. Lo chega a pensar se é uma boa ideia entrar no navio, mas é a sua chance de fazer algo grande e ela não quer desperdiçar. Mas Lo também é uma mulher instável, que bebe em demasia e está com os nervos em frangalhos. Questionei desde o começo algumas escolhas da autora para essa personagem que, infelizmente, não conseguiu atrair minha atenção.

Resenha: A mulher na cabine 10, de  Ruth Ware


Outros jornalistas estão à bordo, gente da nata, circulando pelos corredores, atendidos por funcionários que nunca tiram o sorriso do rosto. E enquanto Lo está se arrumando para a festa daquela noite, percebe que não trouxe a máscara de cílios e sem ela a maquiagem nem fica lá essas coisas (compreendo, miga). Ela decide então bater nas portas das outras cabines em busca de ajuda. Na cabine 10, ao lado da sua, uma moça bonita abre a porta, ainda que pareça irritada, e lhe cede a tal máscara.

Na sua cabine, depois da festa, bêbada e esparramada em sua cama, ela pensa ter ouvido um grito e pensa ter visto um corpo ser jogado no mar. Assustada, ela aciona a segurança do navio, mas para sua surpresa a cabine ao lado está totalmente vazia, já que o convidado que se hospedaria nela não pode ir e ninguém viu a mulher que Lo alega ter visto mais cedo. A cabine 10 não só está vazia, como ninguém a usara naqueles últimos dias.

Evocando um pouco O Assassinato No Expresso Oriente, de Agatha Christie, Ruth tinha a chance de tornar cada um daqueles passageiros os suspeitos perfeitos. Entretanto, a forma como isso foi trabalhado foi desastrosa. Quando a personagem começa a cogitar uma supeita, ela logo para sem nem elaborar melhor a ideia. Lo está instável pelo assalto, OK, compreendo, mas ela é uma jornalista e em nenhum momento usou sua perspicácia e faro jornalístico para investigar o que estava acontecendo. O que ela mais faz é beber e se intoxicar, tornando assim seu relato extremamente duvidoso e não é de se estranhar que a segurança não confie nela.

Lo tinha tudo para ser uma grande protagonista, mas Ruth não trabalhou bem. A narrativa dá ao assalto que ela sofreu no começo uma grande importância, mas ele não se liga mais a nenhum evento posterior, ficando solto na narrativa, como muita coisa, aliás. Lo é jornalista, mas não age nem trabalha como uma em nenhum momento da viagem. Ela se perde em muita paranoia e não age como uma pessoa determinada a descobrir o tal mistério da cabine 10. E isso não é culpa da personagem, é culpa da autora, de seu editor, que não tamparam os buracos nessa construção e publicaram assim mesmo.

Mas, apesar de tentar me concentrar nas palavras, algumas coisas ficavam cutucando lá no fundo da minha cabeça. Não era só paranoia. Alguma coisa tinha me acordado. Alguma coisa me deixou acordada e tensa como uma viciada em metanfetamina. Por que eu só pensava em um grito?


Há alguns momentos de tensão quando pensamos que a protagonista está mesmo pirando e outros em que Lo está mesmo em perigo que, infelizmente, não são suficientes para salvar o restante. Eu queria saber o que acontecia no final não por estar imersa na narrativa, mas por ódio de tudo o que passei acompanhando Lo. Enquando em A morte da Sra. Westaway nós temos uma protagonista com a qual você se compadece e quer acompanhar ao seu lado, a construção de Lo foi muito fraca. Não só isso, o livro deixa várias pontas soltas que se perdem no meio das biritas que Lo toma. Sério, que leitura caótica foi essa? Quase torci para que ela estivesse mesmo louca porque o final é decepcionante.

Decepcionante também é a revisão da Rocco. O ebook apresenta vários problemas de revisão como letras não batidas ou batidas a mais, espaços onde não devia ter, o que atrapalha a diagramação. A tradução de Alyda Sauer está muito boa e não encontrei problemas nela.


Obra e realidade
Não tenho problema algum com protagonistas e narradores não confiáveis, desde que sejam bem construídos. Infelizmente, Lo não foi. E a autora escreve bem, afinal eu curti A morte da Sra. Westaway, o enredo me fisgou, a protagonista é alguém que às vezes não é confiável, mas com a qual você se preocupa. O que senti deste livro aqui é que ele não foi bem finalizado. Sobraram tantas pontas soltas que o sentimento geral do livro foi de frustração.

Sei que para algumas pessoas o livro funcionou, mas comigo ele não foi assim tão legal. O mistério até interessa, pois cheguei até o final, mas esse livro não entra nos meus favoritos de mistério.

Ruth Ware


Ruth Ware, pseudônimo de Ruth Warburton, é uma escritora britânica de thrillers psicológicos.

Mas a alternativa não era muito melhor. Porque se não estava morta, a única outra possibilidade… e de repente nem eu tinha mais certeza se era melhor ou pior… era que eu estava ficando louca.



Pontos positivos
Mistério
Navio

Pontos negativos
Muitas pontas soltas
Final em aberto
Lo

Título: A mulher na cabine 10
Título original em inglês: The Woman in Cabin 10
Autora:Ruth Ware
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Páginas: 320
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: na Amazon!

Avaliação do MS?
Não vou dizer que o livro é de todo decepcionante. Para quem não for muito exigente com mistérios e quiser se distrair um pouco, esse livro vai funcionar. Apenas não espere muito da protagonista tão mal construída. Três aliens para A mulher na cabine 10.




Até mais!


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