Resenha: Glória e Ruína, de Tracy Banghart

A aguardada conclusão da jornada das irmãs Nomi e Serina finalmente está entre nós! Em um reino chamado Viridia, as mulheres não possuem direitos. Não podem ler, escrever, estudar, ou trabalhar em nada que não seja tecelagem ou afazeres domésticos. Neste mundo, o superior, um tipo de imperador ou rei, tem o direito de escolher cinco graças, ou concubinas, para lhe servir. É um livro sobre libertação feminina, a forma de agir do patriarcado e a força das mulheres.

Esta resenha pode conter alguns spoilers do livro anterior!



Parceria Momentum Saga e
Editora Seguinte


O livro
O livro começa imediatamente depois do final do primeiro. Poderia até mesmo ser um volume único e não dois livros. Nomi está num barco a caminho de Monte Ruína, uma ilha governada por um vulcão e para onde mulheres "transgressoras" são enviadas. Esse "transgressoras" pode ser de saber a ler a se recusar a obedecer o marido. Nesta ilha, os guardas colocavam as mulheres para lutar por comida e fomentava a rivalidade entre os grupos. Se estivessem separadas brigando entre si não teriam tempo para se levantar contra o sistema, certo?

Resenha: Glória e Ruína, de Tracy Banghart

Tinha sido criada para acreditar que as escolhas eram feitas por homens e que seu trabalho era ser bonita e manter a boca fechada.

Página 120

Viridia depôs seu superior e um homem cruel e violento está agora no poder. Alguém que não escrúpulos para conseguir o que quer e que enganou Nomi e seu próprio irmão. A ordem era jogar o corpo do irmão no mar. Nomi chega a monte ruína com outra graça e para sua surpresa encontra a irmã, Serina. Ela nem parece mais a mulher que conheceu. Roupas rasgadas, cabelo sujo, unhas quebradas. Serina tomou o controle da ilha e agora está organizando uma fuga com todas as outras mulheres prisioneiras.

A autora soube colocar várias situações do patriarcado neste livro. O silenciamento feminino é uma política de estado. A competição é estimulada para que mulheres não se unam nem se apoiem. As graças são valorizadas como modelo de feminilidade e as moças do reino treinam uma vida inteira para passarem pelo processo de seleção, já que esta é a única forma de ascensão social que elas têm. Parece familiar?

Monte Ruína, por exemplo, mostrou que as mulheres conseguiram superar a desconfiança inicial entre os grupos e começaram a se unir. E quando se uniram, ninguém mais pode pará-las. Elas aprenderam a usar armas, aprenderam a lutar e algumas deram a vida por isso. A ideia de Nomi e Serina era voltar para Viridia e tomar o governo, mas a maioria das mulheres votou para seguirem para Azura, um reino vizinho, onde as mulheres tinham muito mais liberdade do que em seu vizinho.

Basicamente seguimos a jornada das duas irmãs, em capítulos alternados. Depois de se reencontrarem ambas seguem caminhos paralelos, uma para Azura, outra para Viridia, mas planos podem ser alterados sem que elas queiram. Admito que até mais ou menos a esta altura do livro achei que a autora cairia em alguns clichês básicos, mas toda a luta contra o poder do superior é liderado pelas irmãs. Afinal, elas é que atearam fogo na chama da rebelião.

O final me incomodou porque ele meio que não resolveu muita coisa. Ficou em aberto. Eu esperava algumas resoluções que não vieram. Ainda que não me pareça ter sido a intenção da autora, o final estilo "conto de fadas" foi chato de ler depois de uma grande jornada de luta e perseverança de mulheres antes tão oprimidas. Então nós seguimos aquela jornada ao lado delas, com eventos trágicos, com mortes e mutilações, mas o final chega e algumas pontas ficaram soltas pelo caminho.

A edição segue o padrão da primeira, com capa e contracapa mostrando as irmãs em situações diferentes e o famoso marca-página a se destacar da orelha do livro. Está bem diagramado e revisado, com alguns problemas pontuais de palavras faltando ou letras sobrando. A tradução ficou na mão de Isadora Próspero e está ótima. No começo tem um mapa, mostrando Monte Ruína, Azura e Viridia.


Ficção e realidade
Na resenha do livro anterior eu tinha comentado que o livro não precisou torturar, estuprar e chocar as leitoras para falar de opressão e misoginia. Não que Viridia não tenha. Este é um reino misógino, que oprime suas mulheres e as pune por qualquer deslize, mas a autora colocou um problema e depois o resolveu e soube abordar e mostrar a violência de modo a não chocar, até porque esse livro é mais puxado para o juvenil e jovem adulto. É possível abordar todos esses temas e ainda contar uma boa história.

Tracy Banghart
Tracy Banghart

Tracy Banghart é uma escritora de livros juvenis e para jovens adultos norte-americana. Ela mora no Havaí com o marido, o filho e animais de estimação.


Pontos positivos
Emponderamento
Protagonistas femininas
Críticas ao patriarcado
Pontos negativos

Final apressado e com pontas soltas

Título: Glória e Ruína
Título original em inglês: Queen of Ruin
Série: Graça e Fúria
1. Graça e Fúria
2. Glória e ruína
Autora: Tracy Banghart
Tradutora: Isadora Próspero
Editora: Seguinte
Páginas: 312
Ano de lançamento: 2019
Onde comprar: na Amazon


Avaliação do MS?
Gostaria de ter tido livros assim quando eu era adolescente. Já comentei várias vezes o quanto queria ter lido jovens moças e mulheres que se ergueram para mudar seus mundos, que não se dobraram ao poder vigente. Me sentiria muito mais contemplada e representada ao ler histórias com essas personagens. Felizmente hoje temos esses livros que certamente estão inspirando moças e mulheres a sempre quererem mais do que o mundo lhes oferece. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais! 🌸


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