Resenha: Artificial Condition, de Martha Wells

Artificial Condition é o segundo volume da série Murderbot Diaries, de Martha Wells, onde nosso rabugento androide SecUnit está de volta investigando seu passado e cruzando com humanos sem noção que ele, provavelmente, terá que salvar as vidas. Enquanto que no primeiro volume, All Systems Red, nós tivemos mais uma introdução ao personagem e aos seus pensamentos, aqui vemos que ele evolui... ainda que a contragosto.



O livro
Murderbot é como o androide se chama após um incidente em uma operação de mineração em que vários humanos dos quais ele era responsável pela segurança foram mortos. Em uma mistura de robô com material biológico clonado, ele possui um módulo de controle que foi devidamente hackeado já que ele é capaz de pensar por si mesmo e assim não ser mais suscetível a ordens ilegais. E claro, usa isso para baixar séries de TV que assiste para tentar entender melhor o comportamento humano.

Resenha: Artificial Condition, de Martha Wells

Sua vida seria muito mais tranquila se os seres humanos não continuassem fazendo cagadas. Depois do que houve no primeiro livro, ele é levado para uma estação de transferência por um dos humanos da primeira missão, que lhe garante que ele não será usado ou controlado por ninguém. Assim, ainda sem saber exatamente o que quer da vida, ele resolve sair da estação e investigar seu passado, na tentativa de saber como tantas pessoas morreram sob sua guarda. Ele então embarca em uma nave que se dirigia para outra estação, fazendo amizade com sua inteligência artificial.

Algo que eu gosto muito do enredo de Martha é que a inteligência artificial é essencial para a navegação espacial (e concordo plenamente com ela). E mais do que isso, essas IAs são maios ou menos conscientes e não estão muito atentas para os humanos. Apenas sabem que a gente existe e beleza, tamos aí. Depois de mascarar sua entrada na nave, tudo o que o murderbot queria era ficar em paz com suas séries de TV, mas o ART não para de fazer contato. ART está entediado e no fim os dois estabelecem uma amizade divertida, onde o murderbot lhe empresta suas séries em troca de ajuda.

Eu não me importava com o que os humanos faziam uns com os outros, contanto que eu não tivesse que a), interromper e b) limpar tudo depois.

(tradução livre)

É com a ajuda de ART, que murderbot apelida carinhosamente de Asshole Research Transport, que ele conseguirá desvendar seu passado e ainda de quebra vai topar com mais humanos fazendo cagadas. Aqui é interessante que ele vai ter que agir como um humano, ainda que tenha melhorias artificiais, ou seu plano vai por água abaixo, e é um desafio e tanto para ele adotar as sutilezas humanas.

Esta novela é um pouquinho maior que a anterior, mas por mim podia ter 600 páginas, que ainda ia querer mais e mais. Não só gosto do estilo da Martha com adoro o murderbot e qualquer aventura com ele é uma delícia. Aqui tem menos ação do que no primeiro livro, porque a autora se concentra mais nas memórias e na vivência do murderbot, na busca por seu passado, em sua evolução enquanto personagem. Seus diálogos com o ART são ótimos, pois exploram a solidão das IAs deste tipo, isoladas em naves de transporte e denota que elas são capazes de evoluir, de aprender e de interagir com outras IAs. Taí um tema que eu adoro e quero ver mais na FC.

Outra coisa: a autora escreve excelentes personagens femininos, masculinos, não-binários. Inclusive cria termos para se designar a pessoas cujo gênero não foi definido ou é fluído. Quantas FCs por aí estão fazendo isso? E mesmo em inglês os termos são fáceis de compreender, pois Martha escreve muito bem. Fico pensando no desafio da tradução quando esteve livro chegar aqui.

Vamos torcer para que All Systems Red chegue logo ao Brasil para que a gente possa ter todas as obras traduzidas. Só temos a ganhar com estes livros por aqui e você com certeza não vai conseguir largar a leitura.

Ficção e realidade
O uso da inteligência artificial na navegação espacial é o que, acredito eu, será o diferencial na forma como exploraremos o espaço no futuro. Em Deixe as estrelas falarem, a nave da capitã Rosa tem uma inteligência artificial chamada Jim, que controla os saltos estelares e as funções autônomas. Enquanto tanta gente se preocupa com robôs assassinos ou comprar robôs para sexo, acredito que a exploração do espaço é que deveria concentrar os esforços para a pesquisa de inteligência artificial.

Martha Wells
Martha Wells

Martha é já escreveu uma série de fantasia, romances young adult, ensaios e críticas de ficção especulativa e a série murderbot. É ganhadora das vários prêmios, sendo eles o mais recente o Hugo Awards de Melhor Novela por All Systems Red.

Pontos positivos
Murderbot
Bem escrito
ART
Pontos negativos

Muito curto
Não tem em português

Título: Artificial Condition
The Murderbot Diaries
1. All Systems Red
2. Artificial Condition
3. Rogue Protocol
4. Exit Strategy
Autora: Martha Wells
Editora: Tor Books
Páginas: 158
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Se você tiver o privilégio de ler em inglês, aposte nesta série. É uma FC bem escrita, atual e divertida, ainda que toque em vários assuntos sérios, como a estupidez humana e a forma como as inteligências artificiais são tratadas. Cinco aliens para ele e uma forte recomendação que você leia também.


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