O turbilhão da Bienal do Livro de SP passou! Por cima de mim, principalmente, mas acredito que essa foi uma experiência coletiva. Não pude estar todos os dias no evento, estive em apenas três, mas foram três dias de muitas surpresas, de (re)encontrar muitas pessoas que eu não via há muito tempo e de celebrar a ficção científica nacional.

Estive na Bienal de 2018 e esta foi a última vez em que estive em um evento literário. Depois veio a pandemia, que nos forçou a ficar em casa e vejo que apenas agora os eventos e as pessoas estão se recuperando daqueles que foram dias muito difíceis para todos. Admito que estava com medo dessa Bienal de 2026. Tinha medo da recepção que os livros de ficção científica nacional teriam, tinha medo da reação dos leitores, medo de não ter ninguém querendo autografar o livro, tinha medo de pegar chuva no meio do caminho (este é o setembro mais chuvoso da história de São Paulo!) e até mesmo medo de nem chegar ao Anhembi depois de enfrentar a temida fila do transfer gratuito. Medos sobre medos, sobre ansiedade, sobre síndrome de impostora.
Sim, eu sofro dessa síndrome e não é de hoje. E conversando com outras mulheres na Bienal, percebi que não estou sozinha nessa. É um sentimento de impotência, por acreditar que eu não merecia aquela atenção toda e que em breve alguém iria me desmascarar e perceber que fraude que eu sou. Chegou momentos em que eu esquecia o enredo de Sol de limão! É sério! Me dava aquela tela azul e me sentia horrível por não conseguir explicar algo que eu conhecia intimimamente. Ter síndrome de impostora é semelhante a carregar um peso terrível e sentir que seu corpo está envergando com o esforço.
Sol de limão demorou bastante para encontrar uma editora e eu temia seu lançamento, acreditando que haveria certa rejeição do público leitor de ficção científica. Uma obra brasileira de FC, escrita por mulher... Na época em que abri este blog, a rejeição teria sido imediata. Lembro bem de todos os comentários de ódio, de descrença, os xingamentos que tive que ler apenas por ter este espaço aqui. Mas a recepção surpreendeu a nós quatro, já que a Aleh lançou um megazord de FC Nacional, com Jana Bianchi, Felipe Castilho e Alexey Dodsworth na tripulação. Vimos pessoas animadas de ver a Aleph publicando autores nacionais, uma galera que está nesta estrada há anos, publicando, se autopublicando e falando da FC em eventos ou na internet ganhando projeção na nave-mãe.
Vi tantos rostos, falei com tantas pessoas, abracei e chorei juntos de leitoras e leitores que levaram Sol de limão para autografar. Gente que me lê há anos e estava me encontrando pela primeira vez, agradecendo pela dedicação a este espaço e à literatura. Pessoas de outros estados, outras cidades (ganhei até um bolinho de rolo!). Aquela angústia que eu sentia no peito foi aliviando a cada rosto, a cada comentário de uma leitora empolgada com a leitura. Os quatro livros nacionais ficaram no topo dos mais vendidos no estande da Aleph na Bienal em todos os dez dias de evento. Isso é um grande revelador de que o gosto do público leitor está mais receptivo à uma litertura que sempre foi considerada marginal, subversiva, "escapista".
Vinte e tantos anos atrás, lembro de ver gente dispensando o livro do André Vianco numa pilha porque os vampiros eram de Osasco. Hoje as pessoas procuram livros com enredos desse tipo, principalmente o público mais jovem, mais receptivo ao brasileirismo, à literatura da nossa terra. É o desejo de nos ver como protagonistas de uma literatura que tem muito a dizer. Isso aquece o coração dessa blogueira que temia se autodeclarar escritora.
À tripulação da Aleph, à tripulação deste blog, aos meus queridos colegas de nave-mãe, às agentes da Magh, a todo mundo que participou desses dias loucos de Bienal, meu muito obrigada! É um momento de celebrar a FC nacional e toda a literatura brasileira.
Até mais! 🖖

Parabéns, querida capitã! Que bom a experiência ter sido repleta de satisfações e descobertas - mas, acima de tudo, de reafirmação: você é escritora! Desejo sempre muito sucesso a você!
ResponderExcluirParabéns, Sybylla!! Eu estava com uma invejinha da galera que te encontrou na Bienal! Você é uma grande inspiração, uma escritora foda e uma mulher foda. Estou ansiosa para ler Sol de Limão ♡
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