Resenha: Lady Killer, de Joëlle Jones e Jamie S. Rich

Ahh, o sonho americano! Qualquer pessoa sabe como é. O marido provedor, uma casa no subúrbio, as crianças em casa e uma mãe e esposa devotada que se reúne com as amigas no salão de beleza e cuida esplendidamente da família sem nunca reclamar. É, possivelmente, um dos estereótipos mais conhecidos despejados no mundo Ocidental pela influência do cinema e da televisão norte-americanos. Joëlle quis brincar com isso e virou do avesso o famoso sonho americano.



Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O quadrinho
Josie Schuller é uma mulher acima de qualquer suspeita. Ela é mãe, é casada, esposa dedicada, mãe devotada, cozinheira de mão cheia, uma vizinha doce e solícita. Só tem um detalhezinho... assim, algo sem muita importância para a vizinhança. Ela é uma assassina de aluguel. E uma muito boa. Daquelas que odeia ter a meia de seda rasgada durante um trabalho. Brutal e eficaz em seu ofício, ela ainda consegue chegar a tempo em casa para dar banho nas crianças e botar o jantar na mesa no horário. O sonho de toda mulher!

Resenha: Lady Killer, de Joëlle Jones e Jamie S. Rich

Neste primeiro volume da graphic novel indicada ao Oscar dos quadrinhos, o Eisner, somos apresentados a Josie, vestida de vendedora de Avon, batendo na porta de uma senhora. Ela se infiltra na casa, mas na verdade tem uma missão a cumprir. Logo em seguida, essa mulher está na cozinha, pedindo para as crianças guardarem os brinquedos, enquanto o jantar está sendo feito. Seu principal obstáculo, que Josie contorna com bastante desenvoltura, é a sogra que aponta defeito em tudo o que a nora faz. Já o marido, bem, esse acha realmente que está no controle da casa e da família. Sabe nada, inocente!

Com um traço dinâmico e perfeito para esse tipo de enredo, a graphic novel tem movimento, tem cor, tem agilidade. Você se sente inserida nas situações insólitas que Josie precisa viver e se identifica com ela em várias situações. Ela não é uma assassina fria e totalmente desprovida de sentimentos, ela ama os filhos e o marido e tem seus próprios limites. Ela também é obrigada a lidar com a misoginia descarada do chefe e do contato na empresa onde trabalha, que acham que uma mulher nunca terá a frieza necessária de completar o serviço que lhe designam.

Porém Josie sabe que a empresa também tem seus podres e isso a levará em uma jornada que pretende desenterrar cada um deles. Não é fácil lidar com assassinos, mas Josie sabe fazer isso muito bem. E ainda faz de salto alto! São várias as situações em que ela precisa se fingir de frágil, precisa usar de sedução, para poder conseguir o que quer, ainda mais na época em que a história se passa, em que mulher passava de um simples bibelô do marido para um momento de emancipação que estava para chegar.

Se valendo de muito bom humor e cores deslumbrantes, o quadrinho voa na sua mão. Esse é um dos seus pontos negativos, porque ele acaba e você fica querendo mais. No começo de cada capítulo, uma imagem que evoca o período da década de 1950/60, como os antigos comerciais de sabão em pó, algo que a embalagem também evoca, já que o quadrinho vem em uma capa de papelão que lembra a caixa de um sabão em pó.

O quadrinho vem com uma introdução à edição brasileira de Tori Telfer, a autora do maravilhoso Lady Killers, sobre assassinas em série. No final, também temos alguns estudos de capas e traços da personagem. Senti que em alguns momentos a história parece desconexa, como se faltassem informações, mas acredito que elas possam vir nas próximas edições. A tradução ficou na mão de Raquel Moritz e está perfeita.

detalhe da capa da segunda edição


Ficção e realidade
Foi ótimo ver o estereótipo da dona de casa ser subvertido dessa maneira. Pense a respeito: com as crianças na escola e o marido trabalhando, o que as mulheres tanto faziam em casa? Quem garantia que elas não estavam, realmente, matando pessoas a preço fixo por aí? Quem garantia que elas não eram espiãs soviéticas, inseridas num subúrbio qualquer, em busca de dissidentes ou contatos? Olhe quanta coisa pode-se fazer com uma subversão como essa, além de colocar essas mulheres no controle de suas vidas?

Joëlle Jones e Jamie S. Rich

Joelle Jones é quadrinista e atualmente trabalha e reside em Los Angeles, nos EUA. Ela já contribuiu com uma grande variedade de projetos; só na DC Comics, ela tem no currículo personagens eternos como Mulher-Gato, Batman e Supergirl. Artista indicada para o Eisner Award, Jones já emprestou seu talento para a Prada e projetos da Marvel, Vertigo e The New York Times. Jamie S. Rich é escritor e editor. Recebeu um Eisner Award em 2017 como membro da equipe editorial da antologia Love is Love.


Pontos positivos
Protagonista feminina
Sonho americano
Personagens fortes e bem escritos
Pontos negativos
Acaba logo!
Preço


Título: Lady Killer
Título original em inglês: Lady Killer
Autores: Joëlle Jones e Jamie S. Rich
Tradutora: Raquel Moritz
Editora: DarkSide
Páginas: 144
Ano de lançamento: 2019
Onde comprar: na Amazon ou na loja oficial da DarkSide com brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Mal posso esperar pelo próximo volume. Virei fã de Josie e sua vida de fachada, enganando a todos em plena vista. Um quadrinho vibrante, com cores estonteantes e uma história de tirar o fôlego. Procurando um quadrinho assim? Então se joga! Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais! 💀


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