Resenha: Tijolos amarelos em guerra, de Danielle Paige

Achei que era o último livro da saga e aí descobri que tem um quarto! Amy agora tem uma missão maior do que antes. Se no começo ela precisava ser a responsável pela deposição de Dorothy para restaurar Oz à sua antiga forma, ela agora precisa salvar também o Kansas. O destino dos dois mundo está nas mãos de Amy e ela não sabe em quem pode confiar. Esta resenha conterá alguns spoilers dos dois livros anteriores.



Parceria Momentum Saga e
editora Rocco


O livro
Se compararmos este livro com o segundo, parece que foi escrito por outra pessoa. Enquanto a ambientação continua primorosa, o enredo deu uma guinada que ele tinha perdido em A ascensão do mal. Este livro aqui recupera o dinamismo do primeiro livro e temos uma Amy bem melhor construída e ainda mais propensa a cair para o lado sombrio da magia de Oz.

Resenha: Tijolos amarelos em guerra, de Danielle Paige

Se eu sentisse algo tão forte em relação a um lugar, também o colocaria antes das pessoas. Talvez eu simplesmente não estivesse destinada a ter um lar.

Página 79

As bruxas e Amy acabam retornando ao Kansas. Aliás gostei muito dessa parte, pois fiquei pensando no que teria acontecido com a mãe de Amy durante o tempo em que ela ficou em Oz. Em muitos livros juvenis as protagonistas não dispensam um único pensamento à família quando estão em outro lugar. É como se a família nem existisse. Amy sempre pensa na mãe com uma saudade dolorida, pois com a mãe quase constantemente bêbada e drogada, Amy era sempre culpada pela vida das duas estar daquela maneira.

Por isso que, quando as bruxas dizem que ela deve procurar pela mãe, Amy se apavora. E agora? O que dizer a ela? Como o tempo corre diferente em Oz, ela ficou apenas um mês fora do Kansas e da minúscula cidade onde mora. Como será que a mãe estaria? Ela então decide ir até a cidade, encontrando a mãe morando em um apartamento fornecido pelo governo depois que o trailer delas foi destruído. Entendo a desconfiança de Amy, mas acho que ela foi dura demais com a mãe, não querendo se apegar demais a ela, pois Amy pretende voltar a Oz. Oi, querida, ela está lutando por você e você só vai embora?

Mas Amy tem uma missão. Ela precisa voltar à escola, que está no terreno da antiga fazenda de Dorothy. Algo está escondido ali, um par de sapatos mágicos, que Amy precisa para poder reabrir o portal para Oz. Mas a escola não era o lugar mais feliz da vida de Amy. Era ali que ela sofria bullying constante de Madison, que lhe causou a suspensão no primeiro livro, era ali que seu apelido de Amy Esmola era usado com frequência. Foi bem interessante a reviravolta que Danielle colocou aqui, pois eu realmente não esperava o que ela fez.

Eu queria que o livro tivesse sido a conclusão, mas não foi. O final ficou em aberto mais uma vez. Também queria que o livro passasse mais tempo no Kansas, para dar tempo de conhecermos melhor a mãe de Amy, para ter mais acesso à história da fazenda de Dorothy, mas infelizmente o cenário volta para Oz mais uma vez. Gostei muito de várias decisões da autora a respeito da relação entre Amy e Dorothy e apesar de saber que não vai agradar a todo mundo, achei que foi bem coerente. Obviamente não posso dizer o que é.

Amy está percebendo o poder da magia de Oz de um jeito que não deveria. Se o medo dela é o de se tornar um monstro, ela está a um passo de fazer isso e as bruxas alertam que ela não deve mais usar magia, pois além de poder atrair Dorothy com isso, ela também pode sucumbir ao mesmo poder que degenerou sua grande inimiga. Mas Amy precisa usar a magia várias vezes em batalha e estou vendo o momento em que isso vai se tornar irreversível. Vamos ver o que o quarto e último livro vai dizer.

Houve bem menos problemas de tradução e revisão neste livro. Só uma palavra repetida na página 75. A tradução continuou nas mãos de Cláudia Mello Belhassof, que continuou com o ótimo trabalho iniciado em Dorothy tem que morrer. O final, pra variar, é em aberto, bem no meio de uma ação. Vamos torcer para o próximo livro fechar o arco de Amy e seus amigos.

— Às vezes me pergunto se é culpa da Dorothy ou se este lugar estava podre desde o início, por baixo de tudo. Se talvez esse seja o preço que se paga pela magia.

Página 119


Ficção e realidade
Por mais que Amy relute em se comparar com Dorothy, não tem como não ver as semelhanças entre elas. As duas moravam num lugar pequeno e provinciano, que forma levadas para um mundo mágico extraordinário. Quando as duas voltam para o Kansas, sentem a falta de todas as maravilhas de Oz, sentem falta da magia, dos seres fantásticos, e acabam se sentindo mais parte de Oz do que do nosso mundo. Quem poderia culpá-las por quererem ser mais do que eram? A questão é que ambas têm uma escolha, e Dorothy preferiu o caminho do mal, o caminho que usurpou o trono de Oz e a tornou maligna. E Amy? Que caminho ela vai tomar?

Danielle Paige

Danielle Paige é uma escritora norte-americana de livros para jovens adultos. Formada pela Universidade Columbia, ela já trabalhou na televisão, onde recebeu o pêmio Writers Guild of America e foi indicada a vários Emmys por seu trabalho em séries.


Pontos positivos
Star
As bruxas
Construção de mundo
Pontos negativos
Revisão
Final em aberto
Se alonga demais em algumas partes


Título: Tijolos amarelos em guerra
Título original em inglês: Yellow brick war
Série Dorothy
1. Dorothy tem que morrer
2. A Ascensão do Mal
3. Tijolos amarelos em guerra
4. The End of Oz (sem previsão para o Brasil)
Autora: Danielle Paige
Tradutora: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Rocco (selo Jovens Leitores)
Páginas: 232
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: na Amazon


Avaliação do MS?
Este livro foi muito melhor que o anterior. Muito mais dinâmico, com uma protagonista verossímil e humana que faz a gente torcer e brigar com ela constantemente. Uma pena que as coisas não se resolvem neste volume. Agora é aguardar pelo próximo. Quatro aliens para o livro e uma forte indicação para você ler a saga toda!


Até mais! 👠

Já que você chegou aqui...

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1 Comentário

  1. Li das duas resenhas anteriores e acabei de ler esta.. Sabes fazer resenhas instigantes, garota! Os quotes dos livros e o modo como descreves o enredo conseguem suscitar a curiosidade, fiquei querendo conhecer os livros desta saga.
    (Nem sempre comento, mas amo seu blog e não deixo de ler!)
    Abraços!

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