Resenha: Os noivos do inverno, de Christelle Dabos

Os noivos do inverno é o livro de estreia de Christelle Dabos e ganhador do Grand Prix de l’Imaginaire, ele rapidamente se tornou best-seller na França. É uma trilogia de fantasia em um mundo destroçado, em que arcas são governadas por espíritos familiares que geraram toda a sua população. Uma fantasia com protagonismo feminino muito bem construída.



Parceria Momentum Saga e
Editora Morro Branco


O livro
Ophélie é uma jovem introvertida, que gosta de trabalhar em seu museu. Ela também é uma leitora, uma animista, que ao tocar em um objeto com as mãos nuas consegue ver toda a sua história. Este mundo é dividido por Arcas, depois que o mundo como o conhecemos foi destruído. Na arca de Ophélie, um espírito familiar governa, Ártemis, que deu origem à toda a população de Anima.

Resenha: Os noivos do inverno, de Christelle Dabos

Mas a vida de Ophélie está para mudar. Ela tem um casamento arranjado marcado com um sujeito de outra Arca. Tendo rejeitado dois casamentos em Anima, ela agora terá que largar sua vida, sua família e se mudar para um lugar hostil e do qual ninguém conhece muita coisa. A família grande e numerosa dela está empolgada com o evento, mas Ophélie busca consolo com seu excêntrico tio-avô. Devo dizer que no começo achei que a autora cairia nos estereótipos de relacionamentos. Ou ela faria com que Ophélie se apaixonasse perdidamente pelo noivo ou faria os dois se apaixonarem um pelo outro perdidamente ao longo da narrativa. Ainda bem que Christelle não fez isso.

A construção destes mundos é bem rica e descrita. O livro conta com um mapa da arca do Polo, onde o inverno reina absoluto e um esquema familiar que dá nomes às famílias e todas as ligações entre eles, o que é ótimo para que a gente entenda como a história das arcas e de alguns personagens foi construída. Os personagens, até os de menor participação, também são bem descritos. Ophélie é a protagonista, portanto a que tem mais expressão, além de seu fechado e seco noivo, Thorn. Exitem várias personagens femininas, algumas boas, outras más, outras estereotipadas. Mas mesmo tendo tantos personagens, não nos perdemos entre eles, pois são bem diferentes entre si.

Mesmo esses estereótipos não me incomodaram tanto quanto o excesso de características que a autora repetia. Entrava Thorn em cena, lá vinha um caminhão de descrições que já tinham sido feitas. Ophélie, por sua vez, é desastrada DEMAIS, demais mesmo. Ela não pode servir um chá sem quebrar três xícaras de uma vez. Uma das características de uma Mary Sue é ser desastrada. E aqui Christelle exagerou na dose. A protagonista aliás nem parece uma adolescente com 18 anos, ela é descrita praticamente como uma criança boba e desastrada.

Ophélie só era boa em ler. Se tirassem isso dela, só restava uma idiota. Ela não sabia cuidar da casa, nem conversar, nem fazer faxina sem se machucar.

Página 25

Outra coisa chata é que, ao que parece, Ophélie é incapaz de aprender algo. Ela só evolui chegando perto do final e é meio que rápido demais. Algo que me incomodou muito foi o fato de o arco deste livro não se fechar. Sei que é uma trilogia, mas acho um erro deixar a narrativa em aberto dessa forma. Uma frase de resolução já seria o suficiente, pois a narrativa continua, você acha que Ophélie fará algo importante, e de repente acaba.

O livro demora a engatar. Lá pela página 100 é que a história de fato começa, mas não me incomodou nem atrapalhou a leitura, pois foi tudo muito bem escrito. A autora é habilidosa nas palavras e nas descrições, mas a habilidade pode levar uma autora a exagerar e escrever a mais. A edição da Morro Branco está muito bonita, seguindo a capa do livro em francês. Não encontrei problemas de revisão nem de tradução, que foi de Sofia Soter.

Ficção e realidade
Christelle Dabos mora e trabalha na Bélgica, mas é originalmente da região de Côte d'Azur, na França. Em 2013, ela ganhou o prêmio de melhor livro juvenil com La Passe-miroir. Christelle disse que se inspirou no livro de Marcel Aymé, Le Passe-muraille, sobre um homem que podia atravessar paredes. Os dois primeiros volumes da trilogia ganharam o Grand Prix de l’Imaginaire, e vem sendo comparado a outras grandes séries juvenis, como Harry Potter.

Christelle Dabos

Esquecer os mortos era como matá-los outra vez.

Página 284

Pontos positivos
Protagonista feminina
As Arcas
Criativo e bem escrito
Pontos negativos

Mary Sue
Final em aberto

Título: Os noivos do inverno
Título original em francês: Les fiancés de l'hiver
Série A Passa-Espelhos
1. Les fiancés de l'hiver
2. Les disparus du Clairdelune
3. La mémoire de Babel
Autora: Christelle Dabos
Tradutora: Sofia Soter
Editora: Morro Branco
Páginas: 416
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Apesar dos problemas de construção de alguns personagens, eu curti o mundo criado por Christelle, os espíritos, as Arcas, a forma como uma é diferente da outra. Espero que nos livros seguintes a gente saiba mais sobre esses espíritos familiares e entenda o que houve com este mundo partido. Também espero que Thorn e Ophélie não se tornem um casal. Seria muito revigorante ter uma protagonista que não precisa se apaixonar. Quatro aliens para o livro e uma recomendação para você ler também.


Até mais! ❄️

Já que você chegou aqui...

COMPARTILHE

Seja o primeiro a comentar.

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, com Desconhecido ou Unknown no lugar do nome, em caixa alta, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.
O mesmo vale para comentários:
- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.
A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.