Resenha: Alien, Rio de Sofrimento, de Christopher Golden

sexta-feira, janeiro 12, 2018

E chegamos ao fim da trilogia de Alien! Neste livro nós retornamos à colônia de Hadley's Hope, em LV-426, local onde a Nostromo encontrou a nave alienígena abandonada e décadas mais tarde a Weyland-Yutani instalou uma colônia com dezenas de famílias. O que acompanhamos aqui é a queda da colônia, algo que não vemos quando a Sulaco fixa órbita e os fuzileiros coloniais descem na superfície.



O livro
O livro segue alguns eventos e diálogos que vemos em Aliens, O Resgate (1986) e foi muito gostoso ler essas partes, pois os diálogos estão fiéis àqueles que vemos no longa. Nostalgia bateu forte nesse momento. Temos então a visão de Ripley e alguns flashbacks envolvendo LV-426, como o nascimento de uma das personagens mais carismáticas do filme, a garotinha Newt.


Acompanhamos a rotina das famílias, dos cientistas e dos fuzileiros que estão estacionados na colônia. Logo vemos que essa convivência não será fácil quando o novo comandante do pelotão chega e começa a questionar porque seus soldados são enviados em missões científicas. Além disso, muitos questionam porque a Weyland-Yutani financiaria uma colônia tão distante e em um planeta tão frio e inóspito. Qualquer ajuda enviada até levaria levaria bastante tempo.

O casal Anne e Russell Jorden, pais de Newt, fazem parte da primeira leva de famílias a chegar em Hadley's Hope. Foram para lá na esperança de descobrirem algo fabuloso e que deixasse a família rica, mas em todos aqueles anos, nada surgiu. Até que, finalmente, eles são mandados para averiguar algum tipo de anomalia longe dali. Para não deixarem os filhos sozinhos, eles carregam os dois no veículo e o que descobrem é incrível: uma nave, possivelmente alienígena.

O que quer que o magnetoscópio tivesse identificado, com certeza não era nenhum tipo de rocha natural ou formação mineral. O tinido estava forte demais, regular demais, e ele conhecia o terreno ali bem o bastante para saber que tinham encontrado uma imensa anomalia.

Página 127

Anne é uma personagem que tira força de onde quase não tem para poder se manter firme diante dos filhos. Depois que seu marido foi impregnado com um embrião alien e ele eclode, a colônia logo vira um caos. Ela mal tem tempo de lamentar a morte do marido, pois os aliens começaram a impregnar outros colonos e ordens secretas dos cientistas da base acabam causando mais dano do que benefício para os sobreviventes. O autor soube criar personagens vis, indiferentes, fortes e rígidos, nos dando uma ideia da diversidade de pessoas vivendo em Hadley's Hope e como a ganância da companhia e o isolamento do planeta contribuíram para sua queda.

A queda, aliás, foi claustrofóbica. Uma vez que ela começa, você sabe que não tem mais para onde ir e sabendo o que acontece no final do filme, você já sabe que aquela população não tem a menor chance. Ainda assim é difícil parar a leitura, pois deixar os personagens lhe parece impensável, então sim, você vai sofrer até a última página com cada um dos colonos condenados. Vai ter muito sangue e tripas, muita baba de alien e gritos, mas o final acaba deixando uma pontinha de esperança, ainda que não saibamos o que virá em seguida.

A edição da Leya tem o mesmo layout bem feito das edições anteriores, mas novamente fiquei com a impressão de uma revisão mal feita. Há erros de digitação, de português, palavras faltando ou sobrando, o que incomodam na leitura pela forma como se repetem. Para uma próxima edição, espero que eles resolvam essas questões.

Ficção e realidade
Fico pensando em quantas Weyland-Yutanis temos por aí, que colocam seus interesses acima da vida e segurança de seus funcionários, que são capazes de sacrificar o que for preciso para alcançar um objetivo. Já vi algumas pessoas comentando que as atitudes das pessoas ligadas à companhia são exageradas, que na vida real isso não aconteceria. Tipo, sério? Com tantas empresas que colocam seus funcionários em situações análogas à escravidão, o que pensar de uma empresa capaz de terraformar um planeta apenas para botar as mãos nos alienígenas?

Não podemos esquecer que uma empresa visa lucro, acima de qualquer coisa. Se as empresas pudessem, nem pagariam salários, ficaria com todo o dinheiro para si. É óbvio que empresas como a Weyland-Yutani não só existem como me parecem ter sido inspirações óbvias para esta empresa da ficção, que sacrifica suas tripulações apenas visando o próprio benefício.

Pontos positivos
Anne e Newt
Ripley
Suspense e terror
Pontos negativos

Violência
Problemas de tradução e revisão

Título: Alien, Rio de Sofrimento
Título original em inglês: Alien: River of Pain
Trilogia Alien
1. Alien, Surgido das Sombras
2. Alien, Mar de Angústia
3. Alien, Rio de Sofrimento
Autor: Christopher Golden
Tradutora: Camila Fernandes
Editora: Leya
Páginas: 304
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Desta trilogia, este e o primeiro livro foram os meus favoritos, nesta ordem. O segundo livro tem umas coisas chatíssimas, que me fizeram revirar os olhos constantemente, mas também vale a leitura, mesmo sendo o mais fraco de todos. Aliás, reforço mais uma vez que eles dariam filmes bem melhores do que Prometheus e Covenant. Ajuda a gente, Ridley Scott! Quatro aliens para o livro e uma recomendação para você ler também!


Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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4 comentários

  1. Muito legal a resenha. Deu até vontade de ler... parabéns tbm pra esquecer a tristeza que foi Prometeus

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    Respostas
    1. Sim.. Escrevi agora há pouco que nunca assisti a nenhum filme da franquia Alien inteiro, e havia me esquecido de Prometheus. Às vezes prefiro fingir que ele não existiu!

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  2. Ótima resenha e é verdade, dá para traçar sim paralelos entre o comportamento da empresa no filme e a ganância que existe em nosso mundo. Me chamou a atenção sua crítica sobre problemas de revisão e tradução no livro, notei que não é de hoje que este problema acontece. Já encontrei vários livros com estes problemas: frases que deixam lacunas, erros ortográficos, problema no espaçamento entre palavras, entre outros. O que será que está havendo?
    Mas voltando ao assunto da resenha, vou ser franca em dizer que nunca assisti nenhum dos filmes da franquia inteiro, e nunca li nenhum dos livros... Mas gostei da resenha e dá vontade de ler!

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  3. Já entraram pra lista de leituras!
    Agora, sobre as empresas, a meu ver, basta abrir o capital na bolsa. Aconteceu comigo duas vezes, em empresas diferentes. Eram os melhores lugares pra trabalhar, aí elas abrem capital na bolsa e até equipamento de trabalho fica sucateado (com a desculpa de orçamento limitado ou corte de gastos). Ganância sempre acaba com tudo... :(

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