Resenha: An Empty Bottle, de Mari Wolf

quinta-feira, janeiro 21, 2016

E olha nós aí com primeiro desafio do Desafio Literário 2016 cumprido! No primeiro dia do ano, eu propus um desafio para qualquer pessoa que queira se desafiar na literatura durante o ano e o primeiro é um livro que dê para ler em um dia. Escolhi o conto em inglês de Mari Wolf, uma das maiores contistas norte-americanas nos anos 50, que inspirou vários escritores nas gerações seguintes.





O conto
Em um futuro próximo, uma nave partiu da Terra em busca de planetas semelhantes ao nosso. Décadas de viagem acabaram levando a vários becos sem saída. Nenhum planeta encontrado era como o nosso. Na verdade, o universo parecia um lugar estéril, vazio, frio e pouco convidativo. Assim, a tripulação decide voltar para casa.


No entanto, ao examinar as cartas celestes, eles não conseguem achar a Terra. Nem as estrelas parecem estar na posição correta. Isso gera uma onda de medo entre a tripulação mais velha, aquela que ainda teve a oportunidade de ver e viver aqui. Mas as crianças e os adolescentes parecem não ligar para isso. Como nunca viveram na Terra, não faz diferença para eles encontrá-la ou não.

Depois de muito se baterem com as cartas, de verificarem a posição das estrelas e compararem com as cartas que tinham à bordo, depois de desespero e discussões acaloradas entre os responsáveis pela missão, eles encontram um planeta que está na posição onde estaria a Terra, em um sistema solar que parece com o nosso. Mas nada parece estar certo. Ao descerem no planeta, não encontram civilização, não encontram cidades, nem mesmo outras naves. A Terra é um planeta vazio, sem vida e desabitado.

Mari Wolf soube trabalhar com temas complexos em seus contos e dos que li até agora este foi um dos mais profundos em suas implicações a respeito das viagens espaciais. Tendo sido escrito nos anos 50, posso dizer que ele envelheceu bem, pois me pareceu pouco datado. As implicações sobre a perda da Terra e o possível planeta natal sobre a população mais velha foram bem trabalhados e poderiam ter sido ainda mais, em um romance mesmo.


Ficção e realidade
O tema do conto já foi trabalhado outras vezes. Battlestar Galactica, por exemplo, em sua série mais recente, também perdeu a Terra e depois de quase serem extintos pelos Cylons, os seres humanos precisaram reviver velhos mitos para sobreviver. A ideia de perder nosso planeta natal é apavorante, pois até o momento ele é único. Portanto, é especial. Como podemos nos lançar ao espaço sem a esperança de voltar para casa?

Em uma nave geracional, ou nave-mundo como essa, certamente haveria choque de gerações. Uma população mais nova, composta por crianças e adolescentes, não compreenderia o motivo de um planeta ser tão especial. Capaz até que se assustassem com um panorama aberto e livre, com germes no ar, o horizonte e a curvatura no mar. Seria um choque para a população mais velha perder seu planeta-natal, mas seria um choque para uma população confinada viver em um ambiente aberto pela primeira vez.


Pontos positivos
Viagem espacial
Escrito por mulher
Se mantém atual
Pontos negativos

É curto


Título: An Empty Bottle
Autor: Mari Wolf
Editora: If
Ano: 1952
Páginas: 40
Onde comprar: Amazon ou no site do Projeto Gutenberg onde está em domínio público ou a tradução em português aqui mesmo pelo blog!


Avaliação do MS?
Virei fã de carteirinha de Mari Wolf. Gostaria muito de poder traduzir os contos dela para o português, mas por enquanto tem um só, que é Robôs do Mundo, Ergam-se!, que você encontra aqui. Se você puder ler em inglês, vá fundo. Ou se não puder, aguarde uma tradução por aqui. Quatro aliens para An Empty Bottle e uma recomendação para você ler também.


Até mais!




Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Interessante e abre possibilidade para muitas reflexões!
    Gostei!
    Abraços
    Marina

    www.devaneiosedesvarios.com

    ResponderExcluir

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