Resenha: Perdido em Marte, de Andy Weir

sábado, novembro 01, 2014

Se você é fã de ficção científica, espaço, desastre e Marte, então fique atento a este livro e sua futura adaptação para o cinema. Perdido em Marte é um daqueles livros que você não lê, mas devora, de tão bom e divertido que é. Prepare seu traje espacial, verifique seus tanques de oxigênio, pois este post vai para Marte!





O livro
A tripulação da missão Ares 3 precisa sair correndo de Marte devido a uma tempestade de areia que pode colocar em risco suas vidas. Eles saem com pressa do Hab, o habitat onde a tripulação vivia e trabalhava e seguem para o módulo que os levará a órbita. Então, o disco da antena do Hab se solta com a ventania e acerta Mark Watney, que desaparece no meio da tormenta. Seus colegas, sem ter o que fazer para resgatá-lo, vão embora para a Terra.


Mas Mark não está morto! Ele acorda de repente, deitado no solo de Marte, vivo e ainda respirando, com um rasgo na roupa, mas nada que comprometa sua sobrevivência em um primeiro momento. Ele, obviamente, está sem rádio e, portanto ninguém sabe que ele ainda está vivo. E agora? Você, eu, a gente se desesperaria, mas Mark começa a pensar na própria sobrevivência e sabe que, em quatro anos, a próxima missão Ares chegará. Está aí sua saída do planeta.

Quatro anos, você se pergunta? Sim. Ir e voltar de Marte leva muitos meses e sempre é necessário esperar o melhor posicionamento do planeta para que os lançamentos custem menos. Mark sabe disso e sabe que sua volta para casa depende de ser capaz de sobreviver durante estes quatro anos para poder pegar a carona da Ares 4. Assim, ele começa analisar seus suprimentos, especialmente de água e faz os cálculos de caloria que precisa para se manter vivo. Ele logo percebe que, mesmo racionando os suprimentos, ainda ficará sem comida depois de um tempo. Mas a NASA tinha enviado nos suprimentos de sua missão batatas frescas que seriam usadas no Dia de Ação de Graças. É com elas que Mark monta uma horta dentro do Hab usando um pouco de terra, o solo inerte de Marte e... suas fezes.

A gente espera que, normalmente, livros que contenham desastres como esse (imagine ficar sozinho em Marte??) sejam triste, depressivos, com vários sentimentos de depressão por parte do protagonista. Mas Mark consegue se manter estranhamente otimista na maior parte do tempo. Mesmo com eventos como a descompressão do Hab, onde ele quase morre, ele consegue manter sua cabeça fria para poder pensar a respeito de sua situação e assim sobreviver mais um dia. É também um livro com grande precisão científica e que poderia se situar em qualquer momento do futuro próximo sem problemas. Mark é um Robson Crusoé do espaço.


O livro é também muito bem humorado. É possível rir com todas as passagens insólitas de Mark e sua luta para ficar vivo. Não espere os dramas existenciais de um astronauta perdido e longe de casa. A cabeça do personagem funciona, exclusivamente, para resolver os problemas do Hab para que ele fique vivo e não em pensar em como sua situação é ruim. Isso pode desagradar alguns leitores que esperem um livro mais dramático.


Ficção e realidade
A NASA pretende mandar uma tripulação a Marte em algum momento do futuro próximo. Porém existem muitos problemas aguardando solução, sendo o principal deles a falta de grana e várias questões como suprimentos, energia, gravidade, etc.. Ainda é um dos maiores sonhos da humanidade, o de deixar sua pegada em Marte, mas será que a tripulação sobreviveria?

Saiu recentemente um estudo dizendo que uma tripulação em Marte morreria em menos de 70 dias. Mark viveu por lá por um ano tempo resolvendo os vários problemas que surgiram à sua frente com poucas ferramentas.

Os direitos do livro já foram comprados por Ridley Scott. Matt Damon já está escalado para ser Mark Watney. Vamos aguardar!


Pontos positivos
Marte
Não é uma distopia
Personagens bem trabalhados
Pontos negativos

Muitos detalhes técnicos podem cansar o leitor


Título: Perdido em Marte
Título original: The Martian
Autor: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Não temos uma distopia, nem invasão alienígena, nem destruição da Terra. Temos um sobrevivente que só quer voltar para casa. Temos uma visão mais otimista da raça humana e de como ela tem a capacidade de resolver problemas. Além disso, é um livro muito divertido, com cenas insólitas de Mark às avessas com suas dificuldades em Marte. Vale à pena ser lido. Quatro aliens para ele.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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