Dominando o mundo

terça-feira, março 18, 2014

De filmes de James Bond a desenhos animados, o mundo é um objetivo a ser conquistado ou destruído. Reféns de facínoras, cientistas do mal, psicopatas endinheirados ou ratos de laboratório, o planeta Terra sofreu mais ameaças de seus próprios cidadãos do que de alienígenas. Não que eles nunca tenham tentado, mas é aquela né? Só a gente pode destruir nosso mundinho, se chegar outro aqui, o pau quebra!





Nosso planeta sofre nas mãos da ficção. Ele é conquistado, dominado, invadido, destruído, infectado, isolado, evacuado, perdido e explodido à vontade pelos autores. Somos alvos de inimigos poderosíssimos que fazem de nosso cantinho do cosmos um inferno. Pode ser uma inteligência artificial que desfigurou toda a superfície, relegando os humanos à viver nos subterrâneos, pode ser um vírus, pode ser o holocausto nuclear. De algum jeito, a gente sempre se ferra.

Mas por que conquistar o mundo inteiro? Posso entender o desejo de Cérebro, um rato de laboratório genial, cuja inteligência ultrapassa seu mísero corpo e o motiva a conquistar o mundo para, talvez, tentar suplantar seu próprio diminuto tamanho. Por sua vez, compare o tamanho do Cérebro com o tamanho do planeta. Compare agora o nosso tamanho com o do planeta. Somos tão pequenos e tão impotentes diante de sua grandeza, que parece piada - e claro, o desenho usa e abusa dessa relação para darmos boas risadas. Querer conquistar o mundo todo chega a ser um sonho ridículo diante dos desafios a que isso leva.


A megalomania dos vilões só podia ser justificada com a capacidade de tomar o mundo como refém e exigir um resgate por ele. Veja o caso do Dr. Evil, de Austin Powers, que cria uma arma capaz de destruir o mundo, a menos que paguem para impedir isso. Vemos no filme uma série de caricaturas extraídas de filmes de James Bond, que agora tomou rumos mais modestos. Antes ele salvava o mundo, hoje ele salva a honra da nação e um país aqui ou acolá.

O mundo é grande demais para que seja inteiramente dominado. Vejamos o caso da Skynet. Ela até pode ter um domínio forte em regiões repletas de computadores e sistemas, como grandes cidades. Mas como fica seu domínio sobre os oceanos? Ou sobre regiões desérticas? O planeta é grande demais para uma efetiva vigilância e domínio. Se fosse assim tão simples, já poderíamos ter um governo global como Star Trek.

Quando vemos um filme no estilo Matrix, temos a impressão que todo o planeta deve ser daquele jeito, dominado por máquinas, com imensos campos onde seres humanos são cultivados para virarem pilhas. A Terra é fria e estéril e a população humana livre precisa viver nos subterrâneos. Mas em pleno século XXI temos um avião de passageiros perdido e ninguém consegue achá-lo. Conhecemos mais sobre a superfície da Lua do que os assoalhos oceânicos. Como podemos dominar um planeta tão hospitaleiro e hostil ao mesmo tempo?

Vai encarar?

Temos a tendência a ver o planeta como algo pequeno e ao alcance do clique. E sabemos que não é, isso apenas é uma ilusão criada pela facilidade de comunicação com qualquer lugar do mundo quase que instantaneamente. Basta abrir o Google Earth e viajar. Mas viajar fisicamente ainda demanda tempo. Uma efetiva conquista de todo o planeta é, com certeza, um sonho megalomaníaco impossível e foi usado como uma estratégia para evidenciar a maldade das pessoas em colocar a população mundial na posição de refém. Quem não se importa com o planeta todo deve ser certamente temido e combatido. Mas e uma efetiva conquista? Não parece viável.

Mas a realidade é muito maior que nosso ego. Conquistar o mundo é só uma expressão, só uma metáfora para a outra grande metáfora, que é a ficção científica.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris