Livros que abandonei

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

É muito chato abandonar um livro, largar a leitura no meio do caminho. Eu sempre evitei fazer isso, pois achava um desperdício de leitura e de dinheiro, já que entendia que, se tinha comprado, eu tinha a obrigação de terminar. Até porque um livro pode surpreender no final. Mas de uns tempos para cá eu tenho largado cada vez mais livros que não me agradam, não me prendem ou que são desinteressantes. E tem uma causa para isso.




Sempre tive bastante cuidado em comprar livros físicos para não me decepcionar com a leitura. Acabava saindo pouco da minha zona de conforto para depois não ter que ficar com um livro parado nas mãos. É chato demais você olhar todo dia para a lombada daquele livro, ela fica te olhando, você olhando para ela, e no fim a relação não engata. Bate aquele sentimento de culpa mesmo, e você começa a pensar "poxa, preciso voltar e terminar esse livro!".

Com o Kindle, eu pude me arriscar a ler mais e a ler gêneros os quais não tinha lido nada ou quase nada, como o terror. Ainda assim, permaneci mais ou menos na minha zona de conforto, porém tive mais acesso a outras obras, livros fora de catálogo, autores que nunca tinha ouvido falar, coisas do tipo. E em vários posts aqui do Saga, eu já contei como o Kindle catapultou minhas leituras, o que me levou a ler quase 80 livros em 2013.

No entanto, o e-reader traz também uma outra facilidade, se é que podemos chamar assim: o abandono de livros. E a vantagem é muito simples: se você estiver lendo, o livro não agradou, está chato, o autor vive dando mancadas ou se você não curtiu o estilo dele, é só apertar um botão, voltar para a tela inicial e escolher outro arquivo. Um mamão com açúcar tão doce que chega a enjoar, pois a gente corre o risco de não terminar livro nenhum.

Hoje no Kindle devo ter por volta de 600 livros. Não li nem 30% disso. Eu vejo, gosto, baixo, vejo, gosto, baixo. Depois, dependendo do meu humor, pego para ler. Mas nem todos caem nas minhas graças e acabo deixando de lado para pegar algo melhor. Um livro que comecei a ler e que abandonei com poucas páginas viradas no Kindle foi A Noite dos Tempos, que muita gente disse que é sensacional. Não achei nada demais e ainda detestei o modo como o autor descrevia a única mulher no meio de vários personagens masculinos (Leia sobre o Princípio da Smurfette).

O Último Desejo foi outro livro que começou super bem, intenso e com um personagem forte e cativante. Perto do meio do livro percebi que o autor ficava recontando contos de fada e nunca saía da mesmice, nunca chegava à uma resolução. Abandonei na mesma hora. O Jardim de Rama enrola tanto, mas tanto para chegar em algum lugar que, faltando umas cem páginas para o final, também larguei de mão. Ou seja, se fossem livros físicos é bem provável que eu tivesse continuado a leitura, mesmo com toda a chatice da obra. Mas um ebook não fica com sua lombada triste olhando para mim, dia após dia.


Por um lado, é bom você largar um livro que em nada vai te agregar. Saber que você não vai chegar no final xingando os personagens, o autor, a editora e a fábrica da cola da brochura é libertador. Você se priva de livros ruins. Por outro lado, é um problema se você transformar isso em um hábito. Os livros ruins têm sua função, que é nos ajudar a ter um estilo literário. Uma experiência ruim de leitura pode ser bastante instrutiva na hora de você compôr sua biblioteca. Acho que aqui a principal lição é não exagerar. Sair de sua zona de conforto aos poucos, estipular metas de leitura, manter-se num segmento e alternar autores. Assim você não fica se remoendo de culpa por largar um livro, nem fica pulando de um livro para outro o tempo inteiro sem terminar nenhum. O importante, sempre, é ler. E muito.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris