Resenha: Reiniciados, de Teri Terry

sábado, novembro 30, 2013

Comecei a ler Reiniciados com um certo preconceito. Achei que o enredo não me fisgaria, mas acabou fisgando. O primeiro livro da trilogia de Teri Terry autora iniciante, fala sobre um futuro próximo onde as tensões entre terroristas e estado criaram uma Inglaterra bem parecida com aquela que V de Vingança apresenta.





O livro

É o ano 2050. Kyla está para sair do hospital e está com medo. Suas habilidades sociais são bastante primitivas. Ela tem pouco conhecimento sobre o mundo. Como poderia? Ela é uma reiniciada. Gente assim teve suas memórias e sua personalidade apagadas. Isso acontece com criminosos, pessoas que cometeram algum crime contra o estado ou com terroristas. A pessoa acorda depois do procedimento sem nenhuma habilidade, um bebê num corpo de adolescente na melhor definição do termo.


Por que reiniciar as pessoas? O Reino Unido fechou suas fronteiras para a União Europeia e saiu do bloco após a grande crise econômica de 2020 no continente. Uma grande massa de jovens descontentes foi para as ruas, com manifestações e cartazes. Frustração, raiva e desconfiança do governo cresceram e se tornaram ações terroristas. A melhor maneira de impedir que estes jovens morressem era torná-los completamente passivos.

Desta forma, os jovens criminosos são enviados para um hospital, suas memórias, sua personalidade, qualquer lembrança é apagada da mente. Qualquer traço de agressão ou revide também some. Um reiniciado precisa usar um Nivo, um dispositivo semelhante a um relógio de pulso que controla os níveis de felicidade do usuário. Se ele começar a ficar infeliz, se tentar tirar o Nivo, se tentar agredir ou ofender alguém, seus níveis começam a despencar. Começam as convulsões e a pessoa acaba morrendo.

Kyla é praticamente uma criança novamente. Sua mãe adotiva a recebe com uma certa frieza, não a deixa fazer uma série de coisas. Ela vê o gato da família e fica incrivelmente surpresa com a macia de seu pelo. Tudo é muito novo, tudo é perigoso. Ela precisa sempre voltar ao hospital para se consultar com a responsável por seu tratamento e precisa participar de reuniões de grupo onde conhece novos reiniciados. Mas Kyla logo percebe algumas coisas estranhas. Por exemplo, ela consegue dirigir um carro, mesmo sem ter lembrança a respeito, mesmo sem nunca ter aprendido. Seu Nivo não desce em situações de raiva, enquanto Ben, seu paquera, quase desmaia ao tentar protegê-la.

No começo, eu achei o livro um pouco chato, meio apático, mas só depois percebi que foi intencional. Kyla está apática e sem vida neste primeiro momento em que tudo é muito novo. Desta forma, a autora nos faz passar por essa apatia da personagem. Mas aos poucos vemos que Kyla adquire uma personalidade ao descobrir as coisas, ao encontrar na arte uma maneira de se expressar e de entender porque ela é diferente dos outros reiniciados.

Uma coisa que me incomodou é que há muito foco na paquera dela com outro reiniciado de seu grupo de ajuda, Ben. Kyla se desviou várias vezes na sua busca por descobrir porque ela foi reiniciada enquanto se preocupava com as sensações que Ben lhe causava. Mas de uma maneira geral, o livro é bastante instigante, pois você percebe que alguma coisa de ruim aconteceu na vida de Kyla através dos fragmentos aos quais ela tem acesso. Agora, o que aconteceu?

Ficção e realidade
Venho buscado ler mais livros em que as protagonistas sejam femininas. Seja de ficção científica, seja de fantasia, venho buscado ler como a mulher e as adolescentes estão sendo mostradas pela literatura. Tenho tido agradáveis surpresas, vendo moças e mulheres que são fortes, determinadas, que lutam pelo o que quer, sem que fiquem dependendo de homens ou precisando deles para respirar. Não vejo problema em interesses românticos, isso é bom, é saudável, mas viver para servir ao outro, seja do lado que for, é esquecer demais de si mesmo.


Também é bem interessante ver livros que tenham crítica social. Assim como Jogos Vorazes, ao longo do livro vemos os efeitos do totalitarismo na vida de Kyla e de onde ela mora, com a presença constante dos agentes do governo ameaçando aqueles que possuem opinião. Alunos e professores da escola da protagonista simplesmente somem se fazem algo que não esteja de acordo com a cartilha do governo e, portanto, todos sentem medo de se expressar.

O livro também retratada a questão do bullying sofrido por aqueles que são reiniciados, já que são vistos como delinquentes pela maioria dos colegas. E Kyla aceita muita coisa calada, pois não pode ter problemas sociais justamente por ser reiniciada e sofre constantes abusos da parte de uma colega que não simpatiza com ela. Algo que muitos jovens sofrem diariamente no ambiente escolar.


Pontos positivos
Protagonista feminina
Suspense e ação
Ficção científica
Pontos negativos

Alguns personagens mal trabalhados
Muito foco na paquera dela com Ben


Título: Reiniciados
Título original: Slated
Trilogia Reiniciados
1. Reiniciados
2. Fragmentada
3. Despedaçada
Autor: Teri Terry
Editora: Farol Literário
Páginas: 432
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Foi uma agradável surpresa e uma agradável leitura também. A autora tratou da rebeldia juvenil de uma maneira instigante, com uma personagem que, a princípio, parece rasa por não ter memória, nem lembranças ou habilidades sociais. Mas é fácil se identificar com Kyla por conta de situações que todos nós passamos, seja agora, seja quando éramos adolescentes, onde tudo parece novo e difícil ao mesmo tempo, onde as relações humanas dão mais trabalho. Vale à pena ler Reiniciados e por isso, quatro aliens para ele.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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