A Escala de Kardashev

segunda-feira, julho 11, 2011

Energia. Uma das maiores demandas dos dias atuais é a de geração de energia e de seu suprimento constante. Ela define como nossa civilização se comporta e como progride. Pode também limitá-la, já que nosso padrão hoje não é em geral limpo nem durável, mesmo com todas as tentativas feitas com as energias verdes, o que envolve além de tecnologia, economia e política. Um dia, as fontes esgotarão ou ficarão escassas e nossa sociedade precisará passar por uma revolução na tentativa de se adaptar a este cenário.




O modo como se usa e gera energia é uma marca das civilizações. O que antes era puramente muscular mudou, passando a usar a energia acumulada nos combustíveis fósseis quando a complexidade de nossa estrutura social aumentou. Interessante notar que cada vez que as sociedades chegaram ao gargalo energético, uma mudança no modo de obtenção e geração aconteceu.

Se formos pensar então, a energia é uma excelente maneira de medir o grau de avanço de uma civilização, pois isso mede a capacidade de criação de tecnologia. Foi pensando nisso que o físico russo Nikolai Kardashev, em 1964, fez um estudo científico pioneiro sobre quais parâmetros podem ser utilizados para encontrar outras civilizações pelo cosmos e como elas seriam baseadas na forma de obtenção e geração energética. Assim surgia a Escala de Kardashev, que apontava três níveis de civilizações. Porém, em anos posteriores, foram adicionados o nível zero e o nível quatro. Mas no que ela se baseia? Pelo Universo, é possível encontrar três tipos de objetos celestes:

  • planetas;
  • estrelas, e;
  • galáxias.

Se fosse possível extrair plenamente a energia deles, investindo isso em tecnologia, como seriam as civilizações?

Nível 0
Adicionada após a listagem original, ela caracteriza civilizações que não dominam a energia de seu planeta e utiliza apenas os recursos nele existentes. Esta civilização conta com sistemas como foguetes químicos, motores iônicos, propulsão eletromagnética e energia de fissão nuclear. O pior problema deste nível é que a sobrevivência da civilização está condicionada a catástrofes maiores do que seu poderio tecnológico poderia enfrentar. Parece familiar?

Nível 1
Esta civilização seria capaz de dominar todas as formas de energia de seu planeta, possuindo também a capacidade de alterar o clima e de evitar e impedir terremotos, furacões e ação vulcânica. Esta civilização para se locomover pelo espaço teria a tecnologia fotônica, mas não seria muito veloz. Este tipo consumiria de 1016W a 1017W. Mais algumas décadas até a gente chegar aqui, dizem os otimistas.

Nível 2
Esta é capaz de dominar a energia de sua estrela ou estrelas, dependendo de seu sistema estelar. Seria capaz de viajar e colonizar sistemas ao redor do seu, explorando a galáxia através de tecnologia autônoma e que fosse capaz de se replicar. Suas naves teriam a capacidade de viajar anos-luz com a tecnologia de anti-matéria, produzindo também muita vida artificial e nanotecnologia. O nosso Sol disponibiliza algo em torno de 3,86×1026W, ou 400 quatrilhões de W de potência. Estamos há alguns séculos deste nível. Jornada nas Estrelas estaria neste grupo.

Nível 3
Sendo capaz de utilizar toda a energia disponível de sua galáxia, algo em torno de 4×1037W (o que é variável pois as galáxias têm tamanhos diferentes), esta civilização teria uma escala galáctica, tendo explorado e colonizado todos os lugares de sua galáxia com uso de naves que utilizem a energia de Plank (quântica). Seria muito difícil de ser extinta, a menos que o próprio universo seja destruído. Eles teriam capacidade inclusive de criar um novo. Levaríamos alguns milhares de anos até este nível, se não nos destruirmos antes. Star Wars estaria aqui.

Nível 4
energia cósmicaEste nível, assim como o zero, foi adicionado depois. Ela seria capaz de manipular a própria estrutura do universo, que é algo em torno de 10^45W (não coube na calculadora). Além de poder ir de uma galáxia para outra, esta civilização não seria detectada pelas civilizações anteriores, pois sua tecnologia seria confundida com eventos naturais. Seria possível para ela viajar entre universos diferentes bem como realidades diferentes. Os cientistas acham que este último nível é altamente improvável. Os Antigos, raça que criou o Stargate se encaixaria aqui.

Carl Sagan fez algumas correções na Escala de Kardashev e colocou a raça humana no nível 0,72, ou seja, transitando entre um e outro, com base na nossa produção e acúmulo de informações. O problema é que não temos um meio eficiente de obter energia sem detonar com o ambiente antes e sem evitar o desperdício dela (pelo calor em geral). Nem sabemos se vamos conseguir sobreviver ao próximo século com as mudanças ambientais severas que estamos experimentando (sobreviver na questão energética).

Talvez esta seja uma passagem de fogo de toda civilização e estes níveis existindo ou não, são um bom indicativo de como devemos progredir no futuro. Porém, muitas coisas precisam acontecer, muitas revoluções precisam eclodir para que uma mudança na consciência humana consiga elevar a civilização a ponto de não se destruir. Não creio que veremos isso acontecer, nem as próximas cem gerações. Mas se o passado serve de alguma coisa, é como uma advertência.

Até mais!

Watt (W) é uma medida de trabalho. Um watt é o equivalente a 1 Joule (energia) por segundo. Um quilowatt-hora corresponde a 3.600.000 joules ou 3,6 megajoules.

Fontes:
Pa lo que hemos quedao

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Sybylla uma correção, Watt (W) é medida de potência e não de trabalho. Joules sim são usados tanto para medidas de energia quanto trabalho.

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