Você tem uma rotina de leitura?

É muito comum me perguntarem qual é a minha rotina de leitura, como eu consigo equilibrar com o trabalho, com o blog e ainda soltar resenhas constantes. Esse é um assunto que sempre rende pelas redes sociais, porque tem gente que acha que leitura é uma competição. Mais de uma vez, vi influenciadores clamando terem lido 25 livros num único mês. Sou uma feroz defensora da leitura, mas a seu tempo. E é por isso que é importante falar sobre a rotina.

Você tem uma rotina de leitura?

Rotina é a realização frequente de certas ações, de modo consciente ou automático. Escovar os dentes é um bom exemplo de rotina. Levantar, ir trabalhar, pegar transporte público, também são. Manter certos hábitos rotineiramente são bons para manter a disciplina, economizar tempo e energia e cumprir compromissos. O problema é quando a rotina se torna algo rígido, tão rígido que a pessoa se vê presa a algo que faz mais mal do que bem. Se a sua rotina está tão inflexível que te impede de ser espontânea, de te trazer bem-estar, então tem algo errado.

Houve épocas em que eu me cobrava para ler muito e ler mais a cada ano. Já cheguei a bater os cento e poucos livros em 12 meses. Depois percebi que eu estava deixando de fazer outras coisas apenas para ficar lendo. Entenda: eu amo ler. Carrego uma leitura comigo em todo e qualquer lugar, principalmente no transporte público. Amo ler, amo mergulhar nas histórias, é um ato prazeroso. Mas eu estava deixando de fazer coisas que gostava porque precisava cumprir minhas metas de leitura. Percebe o problema?

Dificilmente nós vamos conseguir ler tudo o que queremos. É triste constatar isso, confesso. Mas apenas no Brasil, as editoras tradicionais lançam cerca de 45 mil títulos por ano! E mesmo que você selecione apenas aquelas leituras que te agradam, que são do seu gênero favorito, ainda assim vai sobrar livro e faltar tempo para ler tudo. Meu gênero favorito é a ficção científica e eu estou aqui com uma pilha esperando pela minha apreciação porque não estou dando conta.

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Quando estava na faculdade, eu não tinha tempo para ler livros de ficção, afinal eu tinha que focar nos estudos e ainda por cima trabalhava até as 22h. Ou seja, todo tempo livre que eu tinha ia para as leituras da faculdade, que eram importantes, mas muitas vezes não eram prazerosas. Eu só conseguia fazer alguma leitura nas férias e era no máximo um livro por mês. Não me cobrava tanto, porque sabia que estava fazendo o meu melhor para poder me formar, mas sentia falta daquela leitura que prende até de madrugada, aquela que você não para de virar as páginas.

Hoje, consigo ler tranquilamente um livro por semana e, dependendo do tipo de leitura (por exemplo, um quadrinho ou um livro de poucas páginas), consigo ler mais de um. Também leio todos os dias, seja o livro físico, seja em ebook. Nem que seja um pouquinho, evito ficar longe por muito tempo para que a memória não comece a me sabotar e me faça esquecer pontos importantes do que estou lendo. Quando é um livro de não-ficção, prefiro sempre o livro físico pra poder marcar à vontade. Isso é o que funciona pra mim e não sequestra muito do meu tempo para outras coisas.

Acho que essa é a mensagem desse post: encontrar aquilo que funciona pra você, neste momento, sem cobranças. Não se atenha a metas muito rígidas, pois quanto mais você forçar e insistir, é capaz que se afaste daquilo que você tentou se aproximar. A leitura deve ser um momento de descompressão, de desligamento, onde não há pop-ups estourando na sua cara, nem ligações indesejadas, ou propagandas descaradas, exigindo seu clique. E se agora você quiser fazer outra coisa, faça. O livro ainda vai estar lá te esperando para continuarem essa jornada.

Até mais! 📖

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