Resenha: A outra irmã, de Claire Douglas

Gostei tanto do livro anterior da autora que me vi empolgada e peguei outro. Novamente ambientado em uma pequena e bucólica cidade inglesa, temos duas irmãs muito diferentes entre si e unidas por tragédias. Uma aconteceu quando elas eram crianças e marcou a vida da família nos anos seguintes. E a outra nós acompanhamos seu desenrolar e seu ápice neste livro aqui.

O livro
Tasha e Alice são irmãs bem diferentes. Enquanto Alice é uma cientista bem-sucedida, vive em um mundo glamouroso e sofisticado, Tasha leva uma vida simples, criados suas bebês gêmeas e vivendo às voltas com seu marido. Uma tem um marido rico, Kyle, e que só anda de carro importado, a outra tem um marido mecânico. Sabendo que a vida de Tasha precisa de uma animada, Alice oferece seu apartamento em Veneza para que o casal celebre o aniversário de casamento. Alice e o marido ficarão na casa de Tasha para cuidar das meninas enquanto eles viajam. Tudo parece muito bom, afinal que casal não ficaria encantado de passar alguns dias românticos em Veneza?

Resenha: A outra irmã, de Claire Douglas

Nós faríamos qualquer coisa por aqueles que amamos. Estou começando a entender isso agora mais do que nunca.

A viagem romântica durou pouco, porque Alice e o marido foram atacados. Kyle morreu e Alice está no hospital. Eles correm para casa, preocupados com as filhas e para apoiar Alice. Pouco depois, um bilhete anônimo é empurrado por baixo da porta, com a mensagem perturbadora: “Deveria ter sido você…”. A narrativa é conduzida a partir dos pontos de vista de Tasha, Alice e da mãe delas, Jeanette e logo percebemos que todos os personagens ali têm seus segredos de alguma forma relacionados com o ataque.

O livro começa de uma maneira que prende logo no começo, estabelecendo um ritmo próprio, com incidentes assustadores e outros claramente chocantes. As cenas ambientadas em Veneza são muito bem construídas: as vielas estreitas, afastadas das áreas turísticas mais movimentadas, criam a atmosfera certa de inquietação e desconforto. Nesse início, o ritmo é rápido, com muitos acontecimentos que mantêm as leitoras envolvidas na trama.

Ao longo da leitura, porém, o ritmo oscila em função da alternância de perspectivas. Em geral, isso não é um problema pra mim, só que aqui elas me foram um pouco desconcertantes porque as personagens não me cativaram. O passado da família das irmãs é bem desenvolvido, funciona como um pano de fundo convincente e nos incentiva a continuar, mas as irmãs me irritaram tanto que comecei a bufar cada vez que elas apareciam.

A leitura consegue ser fluida em boa parte do livro e o enredo é repleto de acontecimentos. A perspectiva de Jeanette é, de longe, a mais interessante e profunda; já Tasha, por outro lado, acaba sendo uma personagem menos simpática e, em alguns momentos, bastante irritante. Sinto que a autora passou tanto tempo mostrando o lado desagradável das irmãs e de como elas se tornaram quem são, que não sobra muito material pra que a gente se importe com elas ou com o que vem acontecendo.

Ainda assim, o livro não é isento de problemas. Em certos trechos, a escrita soa truncada e há detalhes desnecessários que pouco acrescentam à história. Em algumas ocasiões, a autora adota um tom excessivamente objetivo justamente quando poderia explorar melhor o medo e causar um impacto maior nas leitoras. Alguns personagens parecem supérfluos, já que contribuem muito pouco para o desenvolvimento do enredo. Além disso, há um acontecimento em Veneza que fica sem resolução, o que levanta a inevitável pergunta: qual era o propósito disso tudo? Ela colocou aquilo lá pra quê?

O final me deixou um gosto amargo porque até explica o ataque e o que aconteceu com Kyle e Alice, mas a autora apenas jogou a informação lá e não desenvolveu. Então se você curte finais com um pouco mais de resolução e explicação, vai ficar boiando aqui.

O livro está bem traduzido por Regiane Winarski, mas carece de uma melhor revisão, problema que também acometeu o livro anterior da autora.

Obra e realidade
Aproximadamente 75 mil crianças e jovens desaparecem no Reino Unido a cada ano. Cerca de 80% dos casos de crianças desaparecidas são resolvidos em 24 horas. Os que não são resolvidos podem envolver sequestro ou, em casos mais graves, homicídios. Essa informação é relevante para o livro, porque uma criança desaparece e esse evento correm paralelo ao ataque na casa de Tasha. No fim, esse mistério se tornou mais interessante.

Claire Douglas

Claire Douglas é uma jornalista e escritora britânica.

PONTOS POSITIVOS
Tasha e Alice
Bem escrito
Mistério até o fim
PONTOS NEGATIVOS
Revisão deixa a desejar
Final sem graça e apressado


Título: A outra irmã
Título original em inglês: The Wrong Sister
Autora: Claire Douglas
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: Trama
Páginas: 304
Ano de lançamento: 2025
Onde comprar: na Amazon!

Avaliação do MS?
Foi uma leitura OK. Acredito que vai agradar à maioria das leitoras, mas pra mim não foi o melhor livro da autora. As personagens são intragáveis, por mais que o mistério sobre o ataque seja interessante. Três aliens para o livro.


Até mais!

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