Resenha: Duna – Graphic Novel, Volume 1, de Frank Herbert, Brian Herbert, Kevin J. Anderson, Raúl Allén e Patricia Martín

Considerada uma obra difícil de adaptar tanto para o cinema como para os quadrinhos, Duna é uma das grandes obras-primas da ficção científica. Vindo na esteira do lançamento do filme dirigido por Denis Villeneuve, este quadrinho é considerado definitivo. Seguindo bem de perto e os eventos do livro, a graphic novel é obrigatória para todas as fãs de Duna!





Este livro foi uma cortesia da editora Intrínseca



A graphic novel
Vinte e um mil anos no futuro, a humanidade constitui uma sociedade feudal intergaláctica. Aqui acompanhamos a jornada da família Atreides, nobres poderosos odiados pela Casa Harkonnen. A pedido do imperador, que é parente dos Atreides, o Duque Leto leva sua família para o planeta desértico Arrakis, conhecido como Duna, por conta de sua paisagem árida e a escassez de água. Leto precisa erradicar a influência do Barão Harkonnen e controlar o comércio das tão desejadas especiarias do planeta. É um choque deixar o planeta Caladan, cheio de lagos e rios caudalosos e chegar a um planeta onde até a umidade do corpo precisa ser reaproveitada.

Resenha: Duna – Graphic Novel, Volume 1, de Frank Herbert, Brian Herbert, Kevin J. Anderson, Raúl Allén e Patricia Martín


Ao mesmo tempo, o filho do duque, o jovem Paul Atreides é examinado por uma Bene Gesserit, uma irmandade formada apenas por mulheres com poderes ligados à mente e à observação. Chamadas de bruxas e temidas por aqueles que não compreendem seus poderes, Lady Jessica, mãe de Paul, era membro da ordem. A Reverenda Madre da ordem acredita que Paul pode ser o Kwisatz Haderach, uma figura mítica de suas lendas que teria um poder capaz de ultrapassar a irmandade.

Em Duna está a substância mais valiosa do cosmos, a especiaria ou Melange. Sem a especiaria, os Navegadores da Guilda não podem traçar as rotas estelares e, consequentemente, não há viagens espaciais. Desta forma, Duna é um planeta estratégico para essa sociedade e essencial para a jornada do jovem Paul Atreides, que conhecerá seu destino em um plano traçado há séculos.

Duna cena da nave deixando Caladan


Sei que o livro bota medo em muita gente, seja pelo tamanho, seja pela complexidade do enredo e de todas as maquinações políticas e personagens em profusão. Desta forma, a graphic novel se torna uma excelente alternativa para introduzir as leitoras a este universo incrível de Herbert. A obra original foi bem sintetizada por Brian, filho do autor, com roteiro e desenhos de Kevin J. Anderson, Raúl Allén e Patricia Martín. Quem está tendo dificuldades com o livro vai encontrar diálogos mais curtos, cenas mais ágeis e eventos um pouco mais resumidos. Não substitui o livro, obviamente, mas é uma ótima porta de entrada.

É curioso pensar que uma obra como Duna não teve adaptações para os quadrinhos. Tirando uma adaptação do filme de David Lynch pela Marvel, ninguém mais foi autorizado a adaptar a história dos Atreides. Brian Herbert e Kevin J. Anderson já expandiram o universo original de Frank Herbert ao lançar várias continuações e prelúdios e parecia um passo natural trazer mais esta mídia para os fãs.

Os autores foram bem claros no começo da graphic novel ao dizerem que a ideia era apenas adaptar, sem aumentar ou inventar nada nesta versão. O primeiro livro será adaptado em três edições, sendo esta a primeira. Portanto é natural que os eventos sejam em aberto, o que pode incomodar um pouco quem esperava uma conclusão um pouco mais precisa.

Duna cena com naves


A arte não tem nada de excepcional, ainda que esteja bem feita, com cores vibrantes e grandiosos cenários. Acredito que a pressa para o lançamento da graphic novel perto do lançamento do filme tenha deixado o trabalho dos ilustradores muito básico. Não tem nada de épico nos quadros e cenas, algo que pode decepcionar os fãs que esperavam um trabalho bem mais trabalhado.

A tradução de Ulisses Teixeira está ótima. Não encontrei problemas de revisão ou diagramação nos balões de texto. A fonte é confortável e agradável de ler.


Ficção e realidade
Muitos fãs de ficção científica desavisados podem sentir que o mundo de Duna parece atrasado. Mas isso foi intencional de Herbert. A ideia era focar na política e nas relações humanas. Além disso, houve uma Grande Revolta que levou a uma destruição sistemática de computadores, androides e qualquer tipo de máquina pensante que durou duas gerações.

Por isso não vemos uma tecnologia extensiva no enredo, algo que é lugar comum em mundos como o de Star Wars. Star Trek também demonstra certa apreensão com relação às tecnologias que nos faça perder nossa humanidade. Pode reparar que um dos maiores e mais temíveis inimigos da Federação são os Borg, que suprimem a individualidade dos assimilados e transforma todos eles em zumbis sem ideias próprias.

Frank Herbert


Frank Herbert foi um escritor e jornalista norte-americano, autor da saga Duna. Brian Herbert é um escritor norte-americano, filho de Frank. Kevin J. Anderson é um escritor norte-americano de ficção científica, autor de várias obras de Star Wars e StarCraft. Raúl Allén é um ilustrador espanhol que já trabalhou para Marvel e DC. Patricia Martín é uma ilustradora espanhola que já trabalhou para a DC Comics e Dark Horse.


Pontos positivos
Traço e cores
Bem escrito
Bem adaptado
Pontos negativos
Arte bem básica
Final em aberto


Título: Duna – Graphic Novel, Volume 1
Título em inglês: Dune – Graphic Novel, Volume 1
Autores: Frank Herbert, Brian Herbert e Kevin J. Anderson
Ilustradores: Raúl Allén e Patricia Martín
Tradutor: Ulisses Teixeira
Editora: Intrínseca
Ano: 2021
Páginas: 176
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Admito que Duna é uma saga que me intimida, mas a graphic novel reacendeu meu desejo de ler Duna. A arte pode não impressionar, mas os autores foram muito cuidadosos ao trazer esta nova mídia aos fãs de Duna. Pode se jogar sem medo nela, pois não vai decepcionar. Quatro aliens e uma forte recomendação para você ler também!




Até mais!


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