Resenha: O Mágico de Oz, de L. Frank Baum

É com muita vergonha que admito que em pleno 2021, antes dessa leitura, eu não sabia nada, ou quase nada, sobre a história de O Mágico de Oz. Claro, eu conhecia os principais nomes, o sapatinho vermelho do filme que foi roubado, o cachorrinho Totó, mas nem mesmo o famoso filme com Judy Garland eu assisti. Felizmente, a DarkSide fez um livro lindíssimo com a clássica história de L. Frank Baum para sanar esta falha literária!





Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide



O livro
Nossa jornada começa com a pequena Dorothy e seu cachorrinho Totó, que moram no Kansas. A menina foi criada pelos tios, Em e Henry, a quem ama e respeita. Mas a paisagem cinzenta do Kansas é uma chateação para a garotinha. Tudo é monótono, parado e nem a grama é verde, pois foi queimada pelo sol. A casa é muito simples, tendo apenas um alçapão que oculta um buraco no chão, um abrigo para o caso de um ciclone atingir a casa.

Resenha: O Mágico de Oz, de L. Frank Baum


Aqui cabe uma observação: o autor usou ciclone porque, na época, não havia muita distinção entre os fenômenos. Mas de acordo com a descrição e com o lugar onde acontece, o fenômeno que ergue a casa de Dorothy nos céus e a leva para Oz é um tornado. Até porque o Kansas fica no corredor de tornados nos Estados Unidos. E poderia ter tido uma notinha de rodapé no livro para fornecer essa explicação. De qualquer forma, Dorothy dorme enquanto a casa voa por aí na companhia de Totó. Quando a casa pousa, ela está em Oz.

Mas a casa pousou sobre a Bruxa Má do Leste, matando-a imediatamente. Com isso, ela liberta os Munchkins da servidão e a Bruxa do Norte, que é boazinha, lhe presenteia com os sapatinhos de prata da bruxa morta. Sim, eu sei que no filme eles são vermelhos e brilhantes, mas a mudança foi para ressaltar que aquele era um dos primeiros filmes a cores e o vermelho chama bastante atenção. Dorothy, porém, está triste. Ela quer voltar para o Kansas e para seus tios, que devem estar preocupados com seu sumiço. A bruxa boa então dá a letra: se ela encontrar o Mágico de Oz, na Cidade de Esmeraldas, ele pode ajudá-la a voltar para casa. É só seguir a estrada de tijolos amarelos.

Por mais sombria e cinzenta que seja nossa casa, nós, de carne e osso, a preferimos a qualquer lugar no mundo por mais esplêndido que seja. Não há melhor lugar do que a nossa casa.

Página 50

Começa assim a jornada de Dorothy e seu cãozinho. Eles vão fazer amigos, passar por perigo ao longo da estrada, enquanto Dororthy se mantém firme em seu propósito de voltar para casa. Existem cenas ocasionais de violência, como quando eles cortam a cabeça de uma fera que ameaça o grupo, mas no geral o livro pode ser lido com crianças, porque essa violência não chegar a ser gráfica. O Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde são grandes companhias nessa viagem e também querem algo do Mágico. O Espantalho quer um cérebro. O Homem de Lata quer um coração (admito que ele me lembrou muito O Homem Bicentenário) e o Leão Covarde quer coragem. Será que o Mágico pode dar a eles o que tanto querem?

O filme acaba deixando isso bem mais óbvio do que o livro, mas as cores e as situações inusitadas de Oz são o total oposto da monotonia cinza do Kansas. Ainda assim, é o lar que Dorothy anseia ver novamente, é para onde deve voltar. A garotinha - que de fato me pareceu uma menininha no livro e não a adolescente Judy Garland do longa - é determinada, valente, que protege os amigos e luta por eles. A palavra de ordem aqui é nunca deixar um amigo para trás.

Concordo muito com o texto da introdução, que diz que alguns críticos consideram Dorothy a primeira feminista da ficção infantil. É notável que, na época em que foi escrito, o livro tenha uma menina protagonista que entra em uma jornada de aventura ao invés de recair nos estereótipos femininos. Ela é determinada, tem um objetivo e faz de tudo para cumpri-lo, sem deixar seus amigos na mão. É uma lição bastante poderosa a se passar para as crianças ao invés de príncipes encantados em cavalos brancos.

A edição da DarkSide é lindíssima, com as ilustrações originais de W.W. Denslow. A capa é uma reprodução da capa original do livro, em homenagem à obra. Ela também conta com pintura trilateral rosa e no miolo tem ilustrações com detalhes em rosa. Teve uma página impressa com o fundo rosa que teve desgaste e as letras ficaram difíceis de ler, mas nas outras não teve problema. A leitura foi muito fluída, sem tropeços, muito gostosa mesmo, como um livro infantil deveria ser. A tradução foi de Marcia Heloisa, veterana de outras obras da editora e está muito boa. O livro não tem problemas de revisão ou tradução.


Obra e realidade
O Mágico de Oz faz parte da construção da identidade norte-americana. São poucas as obras que transcenderam seus formatos para se tornarem arquétipos tão poderosos numa cultura como o livro de Baum e a adaptação para o cinema. Primeiro e maior conto de fadas do país, ele expressa uma verdade nacional aceita por todo praticamente todo estadunidense: de que não importa o quão extravagantes são os lugares fantásticos e reinos que existam por aí, "não há lugar melhor do que a nossa casa".

Você já deve ter ouvido e até dito muitas frases presentes no livro e no filme: estou derretendo, estou derretendo!, talvez seja uma das que eu mais diga, de maneira irônica ou no alto verão e só fui saber que era de O Mágico de Oz depois de ler este livro. Esta é uma daquelas obras tão enraizadas na cultura que já se tornou senso comum. Podemos vê-la em tudo quanto é lugar.

L. Frank Baum


Lyman Frank Baum, mais conhecido como L. Frank Baum, foi um escritor, editor, ator, roteirista, produtor de cinema e teosofista norte-americano.


Pontos positivos
Ilustrado
Capa dura
Dorothy e seus amigos
Pontos negativos

Acaba rápido!


Título: O Mágico de Oz
Título original em inglês: The Wonderful Wizard of Oz
Autor: L. Frank Baum
Tradutora: Marcia Heloisa
Editora: DarkSide (selo Fábulas Dark)
Páginas: 240
Onde comprar: na Amazon ou na loja da DarkSide com um brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Me diverti muito com a jornada de Dorothy e seus amigos na estrada de tijolos amarelos! Uma jornada de amizade, de companheirismo, sobre a importância de se trabalhar em equipe para sair das enrascadas e que ressalta a importância da jornada. Sei que existem diferenças entre o livro e o filme, mas acredito que a mensagem é a mesma. Cinco aliens para ele e uma forte indicação para você ler também!


MARAVILHOSO!


Até mais!


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1 Comentário

  1. OI Sybylla! Eu tinha medo do filme quando criança, mas li o livro depois de adulta e foi uma boa experiência, eu adoro o espantalho rs E as duas edições da Darkside estão incríveis!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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