35 anos de Aliens, o Resgate

Em 18 de julho de 1986 estreava um dos grandes filmes de ficção científica e ação: Aliens, o Resgate. O longa trazia de volta a atriz Sigourney Weaver em seu papel de Ellen Ripley em uma aventura que a levou de volta ao cenário alienígena onde o xenomorfo foi encontrado. Porém, mais do que isso, Aliens sedimentou Ripley como uma heroína de ação que serviu de modelo para várias meninas e mulheres, uma que, 35 anos depois, ainda é difícil de superar e impossível de igualar.

35 anos de Aliens, o Resgate




Ganhador de dois Oscar (Efeitos Especiais e Edição de Som), mais a indicação de Melhor Atriz para Sigourney Weaver, algo até então inédito, ganhador do Hugo Awards de 1987, do Bafta de Melhores Efeitos Especiais e de oito Saturn Awards, Aliens,foi aclamado por público e parte da crítica, ainda que alguns especialistas reclamassem das cenas de ação. O cinema de ação dificilmente superaria ou se igualaria ao filme de Cameron e Hurd.

A sequência de Alien, o Oitavo passageiro, demorou a sair. O desenvolvimento levou sete longos anos, atrasado por processos judiciais, mudanças no cronograma e o desânimo da FOX em produzir uma sequência para Alien. Diziam que não seria rentável. James Cameron foi chamado para a produção em 1983, mas a produção parou mais uma vez, até que um novo executivo da FOX resolvesse lutar pelo filme. Considerado bastante inexperiente para o cargo, Cameron começou a fotografia do longa em 1985 com um orçamento de 18,5 milhões de dólares. Os conflitos não parariam, pois James Cameron e Gale Ann Hurd tiveram vários atritos com a equipe dos estúdios Pinewood na Inglaterra.

Inicialmente, Sigourney Weaver não estava escalada para reprisar Ripley, pois a atriz recebera inúmeros convites para um novo filme e negou todos, desgostosa com os tons dados nos roteiros. As negociações com a atriz demoraram tanto que Cameron pensou em gravar sem ela, mas Weaver se interessou novamente pelo projeto depois de ler o roteiro de Aliens e de pedir a Cameron autonomia nas reações da personagem às situações do longa. Cameron, felizmente, concordou com os termos.

O maior trunfo do longa é, sem dúvida, o retorno de Ellen Ripley. Enquanto a famigerada Companhia Weyland-Yutani faz de tudo para obter retorno financeiro da missão - colocando um de seus executivos na equipe e um tenente inexperiente no comando - Weaver elevou o papel de Ripley a uma personagem complexa, capaz de enfrentar não apenas os aliens, mas também a própria megacompanhia, assumindo o controle da situação quando ninguém mais queria a responsabilidade. Ela protagoniza uma mulher que não é muito dada a sentimentalismos, mas que também não é uma mulher insensível. É uma pessoa traumatizada, sozinha em uma época 57 anos além da sua e que, ainda assim, encontra forças quando é necessário lutar pelo o que é correto, o que é basicamente a definição de um super herói.

É também um filme sobre genocídio e colonialismo. Tendemos a ver os aliens como os inimigos, mas ainda que sejam selvagens e violentos, a companhia é a verdadeira vilã da história. Ripley confronta Burke e lhe diz que ele é responsável pela morte de 157 colonos ao ter enviado a ordem que autorizava a exploração da nave alienígena. Quem começou tudo isso foi a companhia, não foram os aliens.

Leia também: Weyland-Yutani e capitalismo

James Cameron admitiu que uma de suas grandes inspirações para o roteiro foi a Guerra do Vietnã ou a Guerra Americana, como os vietnamitas chamam. O longa mostra, muito acertamente, que por mais bem treinados que os Fuzileiros Coloniais fossem e por mais armas que tivessem, eles não estavam preparados para o tipo de confronto que encontraram.

Segundo o escritor Viet Thanh Nguyen, todas as guerras são lutadas duas vezes: a primeira no front de batalha; a segunda na memória. Os Estados Unidos perderam a Guerra do Vietnã, mas conquistaram a memória do público mostrando a bravura de seus homens em campo e as "atrocidades" cometidas em guerra contra seus jovens soldados, tornando os vietnamitas os verdadeiros inimigos, principalmente através da mídia e do cinema. A mídia pode transformar uma guerra embaraçosa para os Estados Unidos em um verdadeiro épico militar, quando na verdade não foi nada disso. A mesma coisa pode ser dita da Segunda Guerra Mundial, que muita gente acha que foi vencida pelos Estados Unidos, quando na verdade foi a União Soviética quem venceu os nazistas.

Ripley foi, obviamente, comparada a outros personagens de ação, como Rambo. A própria Weaver chamava Ripley neste filme de "Rambolina". Entretanto, Ripley pavimentou o caminho para heroínas que transcendem os papéis normalmente atribuídos às personagens femininas, sempre atadas a um homem. Ripley, por exemplo, enfrenta sozinha a rainha alien, enquanto todos os homens do enredo foram neutralizados.

Aliens mostrou que mulheres querem este tipo de heroína. Não apenas querem, como se inspiram, usam como modelo, replicam suas falas e comportamento. Os heroís hiper masculinos, de músculos oleados e frases de efeito, já não faziam mais sentido agora que uma mulher enfrentou um alienígena tão perigoso e sobreviveu. Se hoje nós temos Rita Vatraksi, Imperatriz Furiosa, Lorraine Broughton e Sarah Connor foi porque lá em 1986 estreou Aliens e alguém disse: get awat from her, you bitch!


GAME OVER, MAN, GAME OVER!

35 anos de Aliens, o Resgate



Já que você chegou aqui...

COMPARTILHE

Seja o primeiro a comentar.

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, com Desconhecido ou Unknown no lugar do nome, em caixa alta, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.

O mesmo vale para comentários:

- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.

A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.