Resenha: O Beijo do Deus Sombrio, de C. L. Moore

Em um cenário que remete ao da França Medieval, uma jovem soberana fará de tudo para se vingar daquele que tomou suas terras e sua liberdade. C.L. Moore ganhou, enfim, uma tradução para o português no Brasil e gostaria muito de ler mais trabalhos da autora. Leria um romance facilmente e acho que você também leria.





O livro
A nobre governante da região de Joiry, o que poderia ser algum lugar da França Medieval, Jirel, vê seu domínio ser invadido por um odioso rival, o detestável Guillaume. Jirel é feita cativa por ele, que desdenha de sua relutância. Surpreso por se ver confrontado com tanta garra e bravura por uma mulher em armadura, Guillaume acredita que sua conquista foi rápida e definitiva. É o que ele pensa.

Resenha: O Beijo do Deus Sombrio, de C. L. Moore


Jirel está determinada a manter seu reino e seu povo livres de Guillaume. Para isso, movida pelo ódio, ela terá que buscar a ajuda do lado sombrio. Jirel não é uma dama indefesa que esperará pelo resgate por um valoroso cavaleiro. Ela sozinha buscará uma forma de retomar seu trono, seu reino e sua dignidade, não importando que tipo de pactos ou rituais ela terá que realizar.

A narrativa é bem curtinha, pois é um conto, um dos vários do universo criado por Moore para a nobre Jirel. Enquanto muitos autores de fantasia da época escrevessem em universos alheios ao cristianismo, Jirel é uma nobre em um universo cristão, tanto que ela pede para um padre ouvir sua confissão antes de se embrenhar nas sombras em busca de uma forma de se libertar de Guillaume.

Se você conhece as obras de H.P. Lovecraft e seus enredos sombrios, não vai estranhar aquele criado por Moore. Aliás, ela nada deve aos autores homens do período e é uma pena que seu nome seja praticamente desconhecido por aqui, sendo que ela tinha a admiração de vários autores contemporâneos, que chegaram a nomeá-la de "Catarina, a Grande". Aquele horror alucinante, que cobra nossas faculdades mentais mais estáveis, este é o tipo de horror que Moore escreveu.

A jornada de Jirel nas profundezas de seu reino em busca do inominável certamente atrai a atenção daqueles que leem sobre weird fiction e horror. Jirel tem medo, mas sabe que seu sacrifício é por um bem maior. Moore escreveu uma aventura no melhor estilo espada e feitiçaria, com todas as características de grande sobras do gênero. Não é só a segurança do reino de Jirel que está em risco, mas também sua sanidade. E no final nós percebemos bem que Jirel é uma pessoa, com defeitos e virtudes, uma pessoal real, com a qual você simpatiza.

O livro é muito curtinho, você lê rapidamente, mas vem em capa dura e papel amarelo. A tradução foi de Ana Cristina Rodrigues e está boa, mas a revisão deixou muito a desejar, com erros bobos que não deveriam ter passado. No final, há um texto breve sobre a vida da autora e o legado de sua obra.

A história da jovem nobre vingativa é um marco não só na carreira de Moore; foi a primeira vez que uma saga de Espada e Feitiçaria era escrita por uma mulher - e protagonizada por uma.

Página 66


Ficção e realidade
Uma das reclamações de muitas leitores de revistas pulps na época em que Moore publicava é que as mulheres eram sempre o acessório do herói. Era a jovem indefesa, a moça em perigo, incapaz de articular uma frase. Moore foi uma mulher pioneira na sua área, recebendo elogios de leitores e colegas, com enredos onde a mulher era protagonista e heroína. E isso era bastante audacioso numa época em que o lugar da mulher era como dona de casa, criando filhos. Utilizando um nome abreviado para proteger a carreira de secretária, Catherine com certeza merece a alcunha de A Grande.

C. L. Moore


Catherine Lucille Moore, conhecida por muitos como Catherine, The Great, foi uma escritora norte-americana de ficção científica e fantasia, tendo sido um dos nomes femininos mais conhecidso destes gêneros.


Pontos positivos
Jirel!
Sombrio
Medieval
Pontos negativos
Pode ser meio lento
Curto demais!


Título: O Beijo do Deus Sombrio
Título original em inglês: Black God's Shadow
Autora: C. L. Moore
Tradutora: Ana Cristina Rodrigues
Editora: Arte & Letra
Páginas: 72
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Não vou dizer que o livro agrade a todas, já que é curtinho, mas mesmo numa narrativa tão breve, Moore conseguiu criar uma jornada sombria de vingança contra um conquistador, onde uma mulher não é a dama em defesa, ainda que esteja em perigo por conta da conquista de seu reino. Se você quer conhecer o trabalho de Moore, aqui está um candidato! Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!



Até mais!


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