Resenha: Alice no País Das Maravilhas, de Lewis Carroll

Pensa em uma edição praticamente perfeita? Do trabalho gráfico aos extras? Da capa ao conteúdo? Se você é fã das aventuras de Alice no País das Maravilhas, as edições especiais da DarkSide são peças obrigatórias na sua estante! A minha é a Limited Edition, mas existem mais duas, uma infantil e outra a Classic Edition.



O livro
Essa foi a minha primeira leitura de Alice no País das Maravilhas. Pode parecer surreal, mas no colégio de freiras todo e qualquer trabalho com um nível de "fantástico" era evitado. Eu só fui ter contato com ficção científica, fantasia e terror bem depois, com algumas leituras compradas na banca de jornal e com capas de estilo duvidoso. A história de Alice não é segredo para ninguém, eu imagino. A menina esperta e inteligente está entediada e observa um coelho branco passar correndo na sua frente, sempre apressado e consultando um relógio de bolso.

Resenha: Alice no País Das Maravilhas, de Lewis Carroll

Seguindo o coelho branco, frase que se tornou um símbolo da cultura pop e aparece até mesmo em Matrix, Alice vai traçar os caminhos ilógicos e surreais escritos por Lewis Carroll em um país onde as coisas pouco fazem sentido. É muito interessante notar que, em geral, livros infantis sempre possuem uma lição de moral por trás do enredo, com historinhas fofinhas vividas no seio familiar. Já Lewis colocou Alice em um mundo de animais falantes, onde objetos ganham vida. Tudo é confuso e ilógico e surreal e cabe a uma criança, a Alice, ser a voz da razão em meio ao caos. É uma obra que encanta, pois contém dois livros num só texto: um para crianças e outro para adultos.

De acordo com Martin Gardner, especialista na vida e obra de Lewis Carroll:

Como Homero, a Bíblia e todas as outras grandes obras de fantasia, os livros de Alice se prestam facilmente a qualquer tipo de interpretação simbólica - política, metafísica ou freudiana.

Esse mundo atípico que pode parecer confuso em um primeiro momento pode ser analisado e visto das mais variadas formas, pois é trabalho do leitor classificar as impressões, simbologias e emoções lidas e tidas ao longo da obra. É como se cada um de nós tivesse seu próprio país das maravilhas vivendo unicamente em nossas cabeças, onde tomamos chá com os seres mais fantásticos. Lewis apenas deu vazão a isso e deixou o resto na nossa mão e na de Alice.

Muitas adaptações já foram feitas do clássico, sendo que a primeira foi um filme mudo de 1903 e que você assiste no YouTube! A mais conhecida é da Disney, mas versões mais recentes, com deslumbrantes efeitos especiais foram feitas, como Alice Através do Espelho.

Que sensação estranha!, exclamou Alice. Parece que estou encolhendo como uma luneta.

O livro traz as ilustrações originais da primeira edição de Alice em 1865, de autoria de John Tenniel. Todo o projeto gráfico buscou preservar as características clássicas da obra e eu achei simplesmente perfeita. No final, ainda temos o poema Phantasmagoria, publicado pela primeira vez com o nome Phantasmagoria and other Poems, em 1869. É o poema mais longo do autor.

Há também no final reproduções de algumas fotos feitas e de Lewis Carroll, além de versões manuscritas de Alice com algumas ilustrações originais. A tradução de Marcia Heloisa está ótima, mas a revisão da DarkSide falha em vários momentos. Uma edição tão linda e importante para o legado de Alice merece uma atenção maior no quesito revisão. São erros ortográficos e de digitação, no geral.


Ficção e realidade
É preciso pontuar que a edição da DarkSide não fugiu da discussão sobre Lewis Carroll ter uma estranha fascinação por crianças. Fotógrafo e autor de mais de 3 mil fotografias, Lewis não era o único a tirar fotos seminuas de crianças, pois na Era Vitoriana isso era comum. A bizarrice dos vitorianos ia até a tirar fotos dos mortos como se estivessem vivos. Fotografia era um luxo para poucos, mas Lewis fazia parte da elite.

Os próprios biógrafos do autor divergem sobre esse costume que aos nossos olhos já soa como pedofilia. Seria uma imaturidade sexual própria do autor? Ele seria pedófilo? Registros apontam que ele teria tentado se casar com a Alice que alimentou as páginas das aventuras no País das Maravilhas, mas por alguma razão ele se afastou bruscamente da família. Dessa forma, a tradutora da edição, Marcia Heloisa, optou por homenagear e enaltecer a figura de Alice, a original, que foi reverenciada até a morte como a menininha que corre atrás do coelho. Achei tal decisão a mais acertada, sendo que tal obra já ganhou o imaginário de uma forma que podemos ver suas influências em muitas outras. É de Alice que devemos lembrar.

Lewis Carroll

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll, foi um romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano britânico.


Pontos positivos
Ilustrado
Capa dura
Extras
Pontos negativos

Problemas de revisão


Título: Alice no País Das Maravilhas
Título original em inglês: Alice in Wonderland
Autor: Lewis Carroll
Tradutora: Marcia Heloisa
Ilustrações: Mika Takahashi
Editora: DarkSide
Ano: 2019
Páginas: 208
Onde comprar: na Amazon ou na loja da DarkSide com brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Foi uma leitura surreal, divertida e muito gostosa de acompanhar. A edição é linda, ainda que peque em alguns momentos com relação à revisão. É uma edição para aqueles que amam o País das Maravilhas e queira visitar sempre que possa e para aqueles que nunca o visitaram antes, mas gostariam de conhecer. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais!🐇


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