Resenha: Onde estaremos em 2200?, de Schwarza

Depois de conquistar todos os territórios do planeta e navegar por seus oceanos, a nova aventura humana é pelo espaço. Nossos robôs e sondas estão navegando pelo sistema solar, rodando por Marte, orbitando gigantes gasosos, mergulhando em suas nuvens. Se você quiser saber mais sobre como essa aventura começou, esse livro pode responder a uma série de questões.



Parceria Momentum Saga e
editora Planeta


O livro
O ponto de partida do livro é a década entre 1910 e 1920. Uma série de eventos começaram por volta dessa época, como a Primeira Guerra Mundial, a Pandemia de 1918 e as patentes registradas para foguetes de Robert H. Goddard, visionário e que tolerou muita chacota dos colegas por sua defesa do foguete como maneira de ir até a órbita da Terra.

Resenha: Onde estaremos em 2200?, de Schwarza

Intercalando eventos históricos com aqueles relacionados à ciência espacial, Schwarza constrói uma linha do tempo da exploração espacial, desde os primórdios da ciência de foguetes, que teve um incremento gigantesco devido aos projetos de cientistas que trabalhavam para o regime nazista, até as projeções futuras de novas missões e os alvos para nossos robôzinhos.

Dotado de muito bom humor e várias informações científicas, Schwarza criou um livro de narrativa fácil, rápida, com uma linguagem fácil de ser assimilada. Dá para trabalhar com esse livro em séries do fundamental 2 e ensino médio tranquilamente. Fatos científicos relevantes estão presentes como o primeiro foguete movido a combustão líquida, o V2, ser um feito realizado pelos alemães, em plena Segunda Guerra Mundial.

Em 2100, se houver algum tipo de inteligência que irá investigar o espaço interestelar, será a inteligência artificial.

Página 174

Schwarza também fala da dificuldade de se enviar seres humanos ao espaço e como as sondas e robôs que podemos controlar da Terra e programar para as missões serão a única saída viável por um bom tempo. Ao contrário do que nossa querida ficção científica mostra, enviar humanos ao espaço é caro, trabalhoso e perigoso. Sem contar as grandes distâncias espaciais para as quais ainda não temos solução. Mas enquanto nossos robôs puderem circular por aí, a ciência espacial terá muito material para trabalhar.

Os telescópios Hubble e o James Webb não ficam de fora da lista de grandes feitos da humanidade. As computadoras da NASA, Mary Jackson, Dorothy Vaughn e Katherine Jhonson, também receberam alguns parágrafos no livro, falando de como o trabalho invisível delas foi extremamente importante. Mas sinto que poderia ter uma menção à Margaret Hamilton também, que foi diretora da Divisão de Software no Laboratório de Instrumentação do MIT, que desenvolveu o programa de voo usado no projeto Apollo 11.

Porém um livro que tem um título que se pergunta onde estaremos em 2200 e que tem uma sinopse que também questiona onde estaremos daqui 100, 200, 300 anos, trabalhou bem pouco com o tema. Cerca de 90% do livro é sobre a história da ciência espacial, o que é bem interessante, sem dúvida. A parte das futuras missões, de possíveis tendências para a exploração espacial e discussões como terraformar outros corpos celestes, acabam em poucas páginas, no final. Quem estiver esperando um livro inteiro falando sobre isso, como diz o título, vai se desapontar.

Há alguns erros de revisão também. Termos que foram traduzidos e depois aparecem no original, algumas passagens que mereciam um refino na escrita e questiono porque ainda insistem em usar 'homem' como sinônimo de humanidade. É 2020 já. Palavras como Salyut saíram como Saltut, e contador Geiger saiu como contador Geiser. Ao longo da leitura existem imagens em preto e branco, mas no miolo tem uma seção em papel especial com impressão colorida.


Ficção e realidade
Em muitos momentos da leitura me identifiquei com a empolgação do Schwarza. Acho que por termos basicamente a mesma idade, eu também acompanhei com animação às decolagens dos ônibus espaciais, acompanhei ansiosa e por anos a passagem da New Horizons por Plutão e chorei com o fim da missão da Cassini e do robôzinho Opportunity. Ciência é algo empolgante, é algo que melhorou e melhora nossas vidas e merecia um maior reconhecimento e respeito. Ainda mais em tempos como esses.

Schwarza

Schwarza é um divulgador científico brasileiro e criador do Poligonautas, canal de ciência e astronomia no Youtube, com mais de 900 mil seguidores.


Pontos positivos
Pesquisa bem feita
Tem imagens!
Bem escrito
Pontos negativos

Problemas de revisão
É bem básico

Título: Onde estaremos em 2200?
Autor: Schwarza
Editora: Planeta (selo Outro Planeta)
Ano: 2020
Páginas: 208
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
É um bom livro que vai saciar a curiosidade daqueles que adoram a exploração espacial. Uma pena que a parte do futuro ficou bastante tímida nesse livro. Se você é professor pode usar o livro como uma grande fonte de informações para encantar a molecada. Três aliens para o livro.


Até mais!


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1 Comentário

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