The Old Guard e imortalidade

Como uma grande fã de Charlize Theron, eu estava bem ansiosa pela estreia de The Old Guard, na Netflix! E para mim o filme não decepcionou. Até superou as expectativas com doses certas de ação, filosofia e companheirismo. Tem muito tiro (muito mesmo!), porrada e bomba para quem curte e aqueles momentos de amizade e lições de vida.

The Old Guard e imortalidade



Baseado na série de quadrinhos de Greg Rucka e ilustrado por Leandro Fernandez, The Old Guard fala de um grupo de mercenários inexplicavelmente imortais. Cada um tem sua complicada participação na história, desde tempos imemoriais, mas a líder do grupo é Andrômeca (Charlize Theron), ou Andy para os íntimos. O grupo tem grande experiência de combate, mas nada comparado à precisão, violência e agilidade de Andy, de longe a mais experiente e que conhece praticamente qualquer forma de luta e combate que já existiu ou existe.

Isso por si só já garante cenas de ação de tirar o fôlego. Charlize conhece bem os filmes de ação, tendo estrelado Aeon Flux, Mad Max, Atômica. Em The Old Guard ela se estabelece com uma guerreira lendária e porradeira que não tem dó dos inimigos e muitas vezes nem dos aliados. Cada vez que ela entra em ação, ainda que de má vontade pela situação do mundo onde vive há tantos séculos, não resta um para contar história.

Seu grupo é contratado para resgatar meninas sequestradas em uma escola. Andy não tem bem certeza se quer continuar fazendo isso, tendo tirado um ano sabático antes de reunir novamente com o grupo. Copley (Chiwetel Ejiofor), agente da CIA, quer os serviços desses soldados especiais para um resgate. Qual não é a surpresa deles ao descobrir que não havia meninas sequestradas. Era uma cilada. O grupo é metralhado sem piedade. Mas eles são imortais. E quando se levantam, o pau come.

Ainda que tenha muitas cenas de ação, o filme trabalha muito bem a questão da imortalidade. Acho curioso como uma gente alega que gostaria de ser imortal. Eu já penso diferente. Não gostaria de viver para sempre, vendo pessoas queridas envelhecendo, morrendo, podendo sofrer de doenças dolorosas e debilitantes, enquanto eu continuo vendo as eras passando. Depois de uma longa vivência, até o rosto das pessoas queridas começa a esvanecer nas brumas do tempo e logo o rosto de uma pessoa amada se torna apenas um esboço.

Essa discussão permeia a narrativa do longa com outros membros do grupo de mercenários, principalmente Booker (Matthias Schoenaerts), ele mesmo um soldado de formação. Cada membro desse grupo está marcado pelos séculos de tragédias humanas e o mundo acabou continuando cruel e desumano. Andy se pergunta pra que lutar se nada do que eles fizeram mudou qualquer coisa ou fez alguma diferença? Mesmo sendo imortais, a dor é uma constante. Vale à pena continuar tendo toda essa dor por um mundo que os teme e os odeia?

Sabendo da existência de um grupo de imortais, uma grande empresa pensa em lucrar com a genética dessas pessoas tão especiais. Então, além de serem temidos e odiados, eles também serão caçados. E por mais que sejam imortais, eles não têm qualquer habilidade especial ou sobrenatural, como super força ou super velocidade. Eles apenas são seres humanos muito bons no que fazem e com um longo tempo de experiência. Vivendo séculos e lutando em todas as batalhas do mundo, qualquer um se tornaria um excelente assassino.

Um destaque fica para Joe (Marwan Kenzari), Nicky (Luca Marinelli) e para Nile (KiKi Layne). O grupo inteiro está muito bem coordenado, inteirado e fiquei pensando nas longas horas de treino desses atores para fazerem as cenas que vi neste filme. Isso mostra o entrosamento do grupo que luta há tanto tempo junto que já conhece os movimentos uns dos outros apenas pelo olhar. A diretora, Gina Prince-Bythewood, soube dosar a ação com a humanidade dos personagens, seus dilemas, dores e medos muito bem.


Um novo membro entrará para o grupo depois de muitos anos sem nenhuma cara nova. Com um roteiro assinado por Greg Rucka, o filme consegue dosar muito bem cada um dos enredos paralelos. Cada um tem seu tempo de tela muito bem dosado, as histórias possuem arcos que se fecham e nada fica de fora. E olha que sendo imortais é natural que exista muita história a ser contada por eles. Os contextos históricos aparecem bem caracterizados e você acaba se afeiçoando a eles, torcendo que consigam evitar captura.

Nada apavora mais um imortal do que a captura. Eles podem ficar séculos presos em algum lugar, sem nunca conseguir escapar, enlouquecendo aos poucos. Mas acho que a prisão da existência é ainda pior. Saber que você verá as eras passando e sua existência nunca acaba. O que dá um sentindo às nossas vidas é saber que um dia ela vai acabar. Por termos um tempo limitado no planeta, nós tentamos fazer dele uma experiência satisfatória. Mas quando você vive muito tempo, para que vai ter pressa para fazer qualquer coisa? Se as pessoas com quem você se relacionar vão morrer, por que se relacionar com elas? Não é uma existência muito feliz, a meu ver e essa é a insatisfação de Andy ao longo do filme.

No mais, apenas peço que você assista ao filme e depois me conte o que achou. Caso já tenha visto, curtiu?

Até mais!


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3 COMENTÁRIOS

  1. Ah, Capitã... Esse eu não gostei, não. Sou fã da Charlize também, por isso assisti assim que saiu. Eu concordo com o que disse sobre as discussões do filme, mas achei ele muito longo e as cenas de ação não tão boas assim (Atômica e John Wick elevaram muito o patamar), apesar da sincronia entre eles ter sido legal mesmo. Será que a HQ é legal? Depois vou procurar pra ver se existe por aqui.

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