Resenha: Malorie, de Josh Malerman

Antes mesmo do lançamento de Malorie, muita gente já estava torcendo o nariz para o livro de Josh Malerman. Não sei exatamente porque, se é apenas para ter do que reclamar sem nem mesmo ler ou se é por achar que Caixa de Pássaros não precisaria de uma continuação. Eu gosto muito de "explicações" sobre os universos (talvez seja por isso que eu goste dos dois filmes seguintes de Matrix). Aqui nós temos de volta Malorie e seus filhos depois de sua chegada à escola para cegos.



Este livro foi uma cortesia da editora Intrínseca


O livro
Uma coisa que é preciso advertir: apesar do filme seguir bem de perto a maioria dos eventos do livro, o longa da Netflix toma algumas liberdades. Então vários eventos que aparecem no filme não estão aqui. Muito bem. Começamos já em meio à tragédia: uma criatura entrou na Escola para Cegos onde Malorie, Tom e Olympia chegaram no final do primeiro livro. As pessoas estão enlouquecendo, matando e morrendo. Malorie encontra os filhos e sai em busca de um lugar seguro para viverem.

Resenha: Malorie, de Josh Malerman

Eles encontram um acampamento de verão bem provisionado, seguro, onde dez anos se passam. Tom e Olympia são adolescentes agora, com toda aquela sede de conhecer o mundo, conversar com as pessoas, de viver. Mas Malorie, paranoica e cheia de regras para sobreviver não quer que seus filhos se arrisquem. Assim é preciso cumprir todas as regras que ela estabeleceu: vendas, capuz, mangas compridas, protocolos cansativos apenas para buscar água. Tom é o que mais reclama de todas as regras da mãe e este é um fio condutor da narrativa que vai acabar gerando uma reviravolta perto do final.

Um dia, quando Tom está buscando água, uma pessoa bate à porta. Ele diz ser do censo, fazendo um levantamento por conta própria das pessoas que ainda vivem. Malorie se recusa a participar e o manda embora, mas antes ele deixa uns papéis à porta, com dados que ele levantou ao longo do tempo. E para a surpresa de Malorie, na lista estão os nomes de seus pais, a quem ela achou ter perdido há muito tempo.

Será que ela não entende que você pode passar a vida inteira de olhos vendados, mas com isso só está perpetuando a mentira de que não pode ver?

Página 103

Aquele clima claustrofóbico e desesperador do primeiro livro se mantém neste aqui. Mas sinto que Josh correu um pouco com a narrativa e as coisas acontecem com certa pressa. Mais algumas páginas para desenvolver melhor as ideias teria dado excelentes momentos de tensão. Não que eles não existam. Existem e estão bem escritos, mas sinto que perto do final tudo se resolveu muito rápido, como se Josh não soubesse exatamente como terminar.

Tom é um personagem com todos aquele defeitos e qualidades de um adolescente. Houve momentos em que eu queria estapear esse moleque por causa das burradas que ele estava disposto fazer de braços abertos. Foi uma boa construção de personagem, pois o garoto está insuportável, genial, teimoso e inteligente. Mas é Olympia que, para mim, se destacou mais. É uma garota que precisou ficar entre mãe e filho ao longo dos anos, guardando segredos de todo mundo, sendo um meio termo entre a impulsividade do irmão e as regras complicadas da mãe. Olympia é uma garota que praticamente nasceu adulta pela quantidade de responsabilidades que tinha.

Eu consigo entender porque algumas pessoas não gostam de continuações. Mas acho que se você não gosta, é apenas uma questão de não ler. Sei que Caixa de Pássaros não agradou a todo mundo e tudo bem. Mas abominar e xingar o livro como se o autor não prestasse... Menos, sabe? Não leia, não queira saber o que é, mas se o autor escreveu é porque ele sentiu que ainda tinha algo para contar. E gostei de saber que as pessoas estão tentando viver suas vidas mesmo depois do que aconteceu.

O livro pode ser lido por aqueles que apenas viram o filme, ainda que tenham alguns ajustes a se fazer, como a passagem dos anos depois do nascimento das crianças. Tom viveu algum tempo com Malorie no filme, mas o mesmo não acontece no primeiro livro. E há um determinado nome do primeiro livro que retorna algumas vezes neste aqui, ainda que a resolução para o seu conflito com Malorie tenha acabado de maneira bem besta. Sério, Josh, custava escrever mais algumas páginas?

Páginas amarelas com capa comum e tradução de Alexandre Raposo, que está muito boa. Senti que a revisão pecou em alguns momentos, pois passaram alguns errinhos aqui e ali, mas nada que atrapalhe a leitura.

Às vezes guardar segredos é a coisa certa a fazer.

Página 122


Ficção e realidade
Achei bem interessante como Josh construiu seu "apocalipse". Ele diz no epílogo deste livro que a ideia de Caixa de Pássaros surgiu quando ele pensou em uma mulher com duas crianças, todos de olhos vendados, descendo um rio. Depois construiu a narrativa restante em torno desta ideia. Transformou a cegueira em uma vantagem estratégica em um mundo onde enxergar pode ser perigoso. Experimente se movimentar pela casa de olhos vendados e aí será possível entender como Malorie e seus filhos viviam.

Josh Malerman

Josh Malerman é um escritor e músico norte-americano.


Título: Malorie
Título original em inglês: Malorie
1. Caixa de Pássaros
2. Malorie
Autor: Josh Malerman
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Gostei muito desse livro, ainda que eu esperasse algo mais longo e melhor desenvolvido perto do final. Josh soube manter o clima de tensão e claustrofobia, salpicando um pouco de esperança perto do final. Certamente indico para quem curtiu Caixa de Pássaros. Quatro aliens para Malorie e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais!


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