Resenha: Entrevista com o vampiro, a história de Cláudia, de Anne Rice e Ashley Marie Witter

Entrevista com o Vampiro é um dos meus filmes favoritos. Mesmo não sendo leitora assídua de Anne Rice, o filme foi impactante na época de seu lançamento, pois o que eu conhecia sobre vampiros até então se reduzia ao estereótipo de Drácula. Aqueles vampiros de Tom Cruise e Brad Pitt eram bem diferentes do que o público estava acostumado e foi uma sensação. Mas há uma personagem no filme que brilha tão ou mais que os astros do cinema, que é Cláudia.



O quadrinho
O diferencial deste quadrinho é que temos a visão de Cláudia. Enquanto o filme se concentra no sofrimento de Louis e o próprio livro fala mais de Louis, Lestat e Armand, Cláudia aqui pode narrar sua história e seu ponto de vista. Os personagens aqui estão muito mais próximos do livro de Anne do que a adaptação para o cinema e muita gente pode acabar estranhando algumas coisas.

Resenha: Entrevista com o vampiro, a história de Cláudia, de Anne Rice e Ashley Marie Witter

Cláudia era uma criança quando foi transformada por Lestat. Louis, frustrado por sua condição de matador, acaba encontrando a menina aos prantos agarrada à mãe morta e acaba bebendo de seu sangue. Lestat então, de forma a prender Louis a ele, transforma a criança em uma vampira de forma a ter uma família vampiresca feliz. Mas sabemos que não é bem assim que a banda toca na noite.

Lembre-se, Cláudia, a vida eterna é inútil se não observarmos a beleza que nos cerca.

Cláudia é uma incrível personagem. Kirsten Dunst deu-lhe vida e não vejo que outra atriz teria ficado melhor no papel. Ela é independente, tem pensamentos próprios, suas angústias e medos, não tem medo de Lestat e faz perguntas fundamentais sobre a condição dos vampiros e de onde eles vieram. Tal como qualquer criança, Cláudia quer conhecer sua origem, mas Louis teme que ela não esteja preparada para isso.

Inicialmente, Cláudia e Lestat fazem uma grande dupla assassina. Tocando em casas de família, mostrando o grande prodígio que é a sua menina, os dois se refestelaram em sangue e assassinato por anos. Mas assim como tudo começa, tudo acaba. A curiosidade de Cláudia, seu amadurecimento ao longo dos anos, tudo isso começa a pesar e a criar conflitos dentro da casa da família. E Lestat perde rápido a paciência com ela, sendo cruel além da medida na forma que fala com ela. Louis tenta pôr panos quentes, mas não consegue.

O roteiro do filme conseguiu adaptar algumas coisas do livro com bastante eficiência. Alguns textos que li, porém, foram bem menos elogiosos ao longa. Armand, por exemplo, é um adolescente de cabelos claros no livro e no quadrinho e não o latino maduro e com pó de arroz de Antonio Banderas. Louis no livro e no quadrinho perde o irmão, mas o estúdio achou que tom homossexual do filme já estava alto demais com Louis e Lestat e colocaram ali uma esposa e um filho mortos. E no livro e no quadrinho, os vampiros choram sangue. Optaram por deixar lágrimas comuns no filme.

Mas a principal adaptação é a Cláudia em si. No livro e no quadrinho ela é uma criança bem pequena, cinco ou seis anos, enquanto Kirsten Dunst já era mais velha, com 11 anos, e bem mais desenvolvida. Na real, não acho que seja um problema. Como fazer uma criança tão pequena ter os trejeitos adultos que Kirsten fez no longa? Não seria crível e provavelmente nem muito bom. Aqui no quadrinho, com o traço incrível de Ashley, a adaptação conseguiu resumir a experiência de Cláudia e ainda expandir o arco que vimos no filme.

A edição da Rocco está com uma capa diferente nas lojas online, mas a capa correta é essa da imagem acima. O livro é em capa dura, papel encorpado, impressão colorida. Em alguns momentos, a adaptação do texto nos balões não ficou muito boa e acaba atrapalhando a leitura. A tradução é de Daniel Ribas e está muito boa. Não encontrei erros de tradução ou revisão.


Ficção e realidade
Cláudia se sente um espírito preso em um caixão de criança. Ela amadureceu, cresceu e continuou parecendo e sendo tratada como uma criança. Quem nunca se sentiu incomodada com isso? Quantas mulheres são ainda tratadas com condescendência e com nomes reduzidos a apelidos infantis, tendo que seguir padrões de beleza que as infantilizam? Cláudia é uma expressão sombria dessa representação.

Anne Rice e Ashley Marie Witter

Anne Rice é uma escritora norte-americana, autora de séries de terror e fantasia. Ashley Marie Witter é uma ilustradora norte-americana.

Pontos positivos
Traço e cores
Cláudia
Louis
Pontos negativos

Capa errada nas lojas online
Violência

Título: Entrevista com o vampiro, a história de Cláudia
Título original em inglês: Interview with the vampire: Claudia's Story
Autora: Anne Rice
Ilustradora: Ashley Marie Witter
Tradutor: Daniel Ribas
Editora: Rocco
Ano: 2012
Páginas: 224
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Foi muito gratificante conhecer a real história de Cláudia. Existem passagens que não estão no filme e elas enriquecem a personagem e sua narrativa tão triste. Por mais brutal que a garota pudesse ser, ela ainda era uma criança em vários aspectos, querendo ser amada e cuidada, sendo forçada a amadurecer sem crescer, abandonada por todos que amou. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais!


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