Resenha: Pequenas Realidades, de Tabitha King

Depois de um longo e inexplicável hiato, Tabitha King voltou a ser publicada no Brasil e em uma lindíssima edição pelas mãos cavernosas da editora DarkSide! Enquanto muitos a identificam apenas como "esposa do Stephen King", Tabitha é uma escritora habilidosa e talentosa, que merece muito mais reconhecimento do que recebeu.



Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O livro
Tenho que admitir que não sou uma grande fã do King, mas adoro os livros do filho, Joe Hill, tendo resenhado pelo menos uns três aqui no blog. Por isso estava bem curiosa para ler o primeiro livro de Tabitha, que já tinha saído no Brasil lá na década de 1980. Pequenas Realidades é um livro sobre obsessão e luxúria. Aqui conhecemos a socialite Dorothy ‘Dolly’ Hardesty Douglas, filha de um ex-presidente norte-americano. Ela é mimada, fresca, criada em uma redoma de luxo e proteção, onde todos faziam e fazem o que ela quer. E é claro que isso a leva ao limite.

Resenha: Pequenas Realidades, de Tabitha King

Paralelamente à história de Dolly, acompanhamos a vida de Roger, que já foi funcionário do governo, mas que vive no porão da casa da mãe, como todo incell inútil. Enquanto era funcionário do governo, ele inventou e desenvolveu um miniaturizador (algo no estilo Querida encolhi as crianças). Basta apontar a máquina para qualquer objeto, que ele vira uma miniatura perfeita e funcional. E também temos Lucy, a nora de Dolly, viúva e mãe de dois filhos, trabalha construindo miniaturas e o curador de um museu, Nick Weiler, onde uma miniatura que lhe interessa está exposta.

Dolly adora miniaturas e na esperança de restaurar à sua glória original um miniatura da Casa Branca, onde ela morou quando adolescente, ela se aproxima de Roger, que é capaz de realizar seus caprichos, ainda tornando-se um escravo sexual em suas mãos. Com um estilo que lembra muito os episódios de Além da Imaginação, Tabitha criou um livro sexy, brutal, violento e bizarro, que em nada fica devendo aos livros de seu marido, Stephen.

Admito que o começo é bem devagar. Eu até perdi um pouco a paciência no começo e deixei a leitura de lado um tempo, pois ela não fluía. Como estamos conhecendo os personagens e suas motivações e a futilidade da vida de Dolly, os pormenores descritos por Tabitha podem parecer como infodump no começo. Passar das primeiras cem páginas foi uma luta árdua. Basicamente, essa primeira parte do livro serve para te colocar no cenário e apresentar as pessoas, mas passa devagar.

Depois que você se familiariza com as personagens, com o cenário e com o estilo de Tabitha, a coisa flui muito melhor. Por ser seu primeiro livro, gostaria de poder ler outros para poder comparar se seu estilo de escrita flui mais. Entenda que não é uma escrita ruim, apenas um estilo diferente e que nem todo mundo pode simpatizar em um primeiro momento.

Os personagens não foram feitos para que você caia de amores por eles. Eles são falhos, mesquinhos, bizarros, têm seus próprios objetivos. Justamente por isso que são bastante humanos, pois quantas pessoas assim você conhece? Várias, aposto. Então você se pegará odiando alguns deles em pouco tempo de leitura. E Dorothy será uma das primeiras, seguida de Roger. Que dupla pavorosa!

O livro é lindíssimo. Tanto a capa minimalista quanto o trabalho interno, com detalhes fofos nas contracapas, o livro foi pensando para ser uma peça de coleção. Pintura rosa na brochura e fitinha rosa para marcar. A tradução ficou na mão de Regiane Winarski e está perfeita. Não encontrei grandes problemas com revisão ou tradução.

Diante da vida, tudo parece pequeno.


Ficção e realidade
Na ficção científica e na comédia, muito já se trabalhou com miniaturização. Seja transformando as pessoas em seres quase microscópicos ou apenas diminuindo seu tamanho para a metade, ou ainda, rejuvenescendo as pessoas e transformando-as em crianças, há uma coisa interessante sobre a miniaturização: o medo de perder o controle sobre nós mesmas. Se você não tem mais o tamanho de antes, vira um brinquedo fácil na mão dos outros. Pode acabar parando no lixo e tendo que atravessar um imenso quintal para voltar para casa, pois ninguém está te enxergando. E Tabitha elevou esse medo com seu livro, onde a miniaturização serve de vetor para uma mulher vingativa e malvada.

Tabitha King

Tabitha King é uma escritora norte-americana de thrillers de terror e suspense. É casada com o também escritor Stephen King.


Pontos positivos
Bizarro
Miniaturas
Personagens irritantes
Pontos negativos
Preço
Começa devagar
Pontas soltas

Título: Pequenas Realidades
Título original em inglês: Small World
Autora: Tabitha King
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: DarkSide
Ano: 2019
Páginas: 320
Onde comprar: na Amazon e no site da DarkSide com brinde exclusivo!


Avaliação do MS?
Tabitha não é o Stephen, então não pense que este livro será parecido com os do marido dela. Tabitha é uma escritora por excelência, que não precisa imitar o estilo de ninguém. Se você buscar um thriller bizarro, com personagens de moral duvidosa e cenas bizarras, se joga na leitura. Quatro aliens para o mangá e uma forte recomendação para você ler também!

MUITO BOM!

Até mais! 🚶‍♀️


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