Resenha: Feminismo no cotidiano, de Marli Gonçalves

Feminismo no cotidiano é um guia para mulheres e especialmente para homens conseguirem entender não apenas a palavra, mas as demandas feitas pelo movimento, de maneira fácil e direta. Basta ter boa vontade para ler e se educar.



Parceria Momentum Saga e
editora Contexto


O livro
Ainda que não tenha nada desconhecido para mim neste livro, para muitas pessoas, em especial aquelas que acham que FEMINISMO é palavrão, o livro pode tirar dúvidas e esclarecer vários pontos que geram confusão e dúvidas nas pessoas. Feminismo é sinônimo de machismo? Mulheres odeiam homens? Esses e outros mitos espalhados por aí estão explicados de maneira direta, didática e sem confusão por Marli Gonçalves.

Resenha: Feminismo no cotidiano, de Marli Gonçalves

Sem o feminismo, o mundo seria ainda pior do que já é.

Página 87

Dividido em cinco partes, cada uma delas aborda um tópico que é expandido pela autora. A primeira parte é a da Compreensão, onde ela explica o que é feminismo, suas principais demandas, como ele vem sendo exercido, principalmente no Brasil e uma breve explicação sobre as ondas. A segunda parte é da Atenção, onde a autora fala sobre a violência contra a mulher, saúde, casamento, aborto e a terceira idade da mulher. A terceira é a parte da Ação, onde se fala da diferença entre feminismo e machismo, os ataques ao feminismo e suas militantes e as vias de comunicação. A quarta parte é sobre Movimentação, onde se fala do feminismo na política e a baixa presença feminina no poder e o feminismo nos tempos digitais. A quinta e última parte é a do Convívio, onde se discute os papéis tipicamente femininos, a separação dos papéis de gênero e a educação das crianças em um meio feminista.

O livro convoca as pessoas à ação. Conversar com outras mulheres, desmistificar e tirar de cima do feminismo os mitos danosos que ainda trazem uma conotação negativa para o movimento. Deve-se lembrar que todos os direitos conquistados por mulheres pioneiras podem ser perdidos com a primeira canetada de um político machista e ignorante. A ficção científica nos lembra o tempo todo que quando um populista de discurso fácil está no poder, os direitos dos grupos minoritários são os primeiros a sofrer ataque.

Falar com homens também é algo convocado pela autora, mas sabemos o quanto é difícil quebrar a barreira do preconceito de alguns deles, que acham que o problema das feministas é falta de macho ou de pia para lavar. Por isso acho que o livro é até um tanto ingênuo de achar que vai conseguir quebrar a barreira desses caras e iniciar uma discussão com eles. Também questiono a parte em que a autora afirma que homens devem se afirmar como feministas. Na minha experiência, todo cara que fez isso só queria biscoito e selinho de bom menino, mas na hora de agir, ficava na dele vendo o colega jogar vídeo íntimo de terceiras no grupo do Zap. O cara que de fato é um aliado e que está engajado por um mundo melhor e mais igual não se preocupa com o rótulo de feminista.

A linguagem do livro é direta, didática, sem longas explicações acadêmicas. É como um bom bate-papo e acho que para pessoas que sejam curiosas e abertas à discussão, o livro vai ajudar e muito a desmistificar e compreender o feminismo. Pode ser usado em disciplinas acadêmicas e no ensino médio como um primeiro contato com a luta feminista, mas é isso, um começo, uma introdução.

Em alguns momentos, senti que a autora não soube escolher palavras. Como em um momento em que há uma associação de que homo ou bissexualidade seria uma decisão de foro pessoal. Não é, as pessoas são hetero, bi, lésbica ou homo, isso independente de escolha. Até porque se fosse escolha, muita mulher deixava de gostar de homem, por que, né?

Minha principal crítica é para a diagramação do livro. O que foi que aconteceu, Contexto? Foi absolutamente desagradável ler esse livro com toda aquela diagramação esquisita, com a linha de visão pulando de um canto para outro, blocos de texto de tamanho variável. Se eu, que nem tenho problema de visão, fiquei cansada e irritada de ler o livro, imagino quem tenha. Foi um defeito na edição que eu recebi ou estão todos assim?

O livro vem em capa comum e papel pólen amarelinho encorpado.


Obra e realidade
Se não fosse o feminismo, muitas conquistas de hoje não existiriam, como o direito ao voto, a entrada das mulheres nas escolas, universidades e na política, o direito ao divórcio, ao de ir e vir sem autorização de homens, o direito a administrar seu dinheiro e seus negócios, mas infelizmente mulheres são vítimas de feminicídio, são as maiores vítimas de violência doméstica e sexual. O Brasil é o quinto país no vergonhoso ranking da violência contra a mulher.

O livro não tem recorte de cor, classe social ou gênero, então a violência contra as mulheres negras, que aumentou enquanto aquela contra as mulheres brancas diminuiu, não é discutida. O feminismo negro não é discutido também. Foi como eu disse, é um livro bem introdutório e deve ser usado apenas para começar a discussão e depois expandi-la.

Marli Gonçalves

Marli Gonçalves é uma jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo brasileira. Atua principalmente em consultoria de comunicação.


Pontos positivos

Bem escrito
Bem pesquisado
Pontos negativos
Sem recortes de cor ou gênero
É bem introdutório
Diagramação horrível

Título: Feminismo no cotidiano
Autora: Marli Gonçalves
Editora: Contexto
Ano: 2019
Páginas: 160
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
É um bom livro, mas a diagramação dele acabou comigo. Ficou extremamente desconfortável de ler em alguns momentos e nem é um livro longo, tem menos de 200 páginas. Use o livro como uma introdução às discussões feministas, mas se aprofunde com outras obras depois. Três aliens.



Até mais!♀

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