Resenha: O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro e Cornelia Funke

Fãs de fantasia sabem da obra-prima que é o filme O Labirinto do Fauno. Uma fábula moderna onde uma garotinha que ama contos de fadas se vê protagonista de um, enquanto na realidade sua vida se transforma pouco a pouco em um pesadelo. Os fãs do longa premiado de Del Toro pediram e ele atendeu! Aliando-se à talentosa escritora Cornelia Funke, surgiu a novelização do roteiro, uma linda edição que chegou ao Brasil pela Intrínseca!



Este livro foi uma cortesia da Editora Intrínseca


O livro
Ofélia perdeu o pai na guerra. Sua mãe se casou novamente com Vidal, um dos vilões mais detestáveis dos contos de fada, um capitão do Exército franquista que é absolutamente medonho e vil. Ele ordena que sua esposa, que no momento está muito grávida, pegue a estrada para encontrá-lo no interior. Em uma parada na estrada, Ofélia encontra um olho de pedra e na margem da via encontra uma estela de onde o olho caiu. Eis então que ela avista uma fada e sua jornada mítica pelas florestas ancestrais começa.

Resenha: O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro e Cornelia Funke

Todo aquele ar mágico, sinistro e encantado que temos no filme está registrado nas páginas do livro. A fábula moderna que nos encanta foi transportada para as páginas com perfeição. Entre os capítulos de Ofélia e sua jornada, temos contos relacionados aos personagens e até mesmo ao relógio que Vidal limpa com tanto esmero o tempo todo. Se o filme deixa alguma margem de interpretação aos expectadores de que a aventura de Ofélia era só uma maneira de fazê-la lidar com os horrores do presente, o livro não deixa nenhuma margem. É um mundo mágico, pura e simplesmente, que tem portas na realidade por onde deve passar a princesa Moana.

Raramente o mal se mostra de imediato. A princípio, é pouco mais que um sussurro. Um olhar. Uma traição. Mas logo cresce e cria raízes, mesmo que imperceptível, despercebido. Só os contos de fadas dão uma forma adequada ao mal. Os lobos maus, os vilões, os demônios, o diabo...

Página 19

Como o filme centra sua perspectiva em Ofélia na maior parte do tempo, o livro nos dá uma maior percepção de outros personagens. A mãe de Ofélia, por exemplo, Carmen. Viúva e sem ter como se manter, ela acabou fazendo o que muitas mulheres fazem em situações semelhantes. Por ser um mundo dominado por homens, a única opção segura para Carmen e a filha era um novo casamento. Assim como a filha, Carmen acreditava em contos de fadas também, mas o mais perigoso deles, aquele em que a princesa espera a salvação vinda de um príncipe.

As fadas que tanto auxiliam Ofélia em sua aventura para cumprir as tarefas do fauno, também têm muito mais expressão e presença no livro, com seus pensamentos e atitudes bem mais evidentes. E claro, personagens como Vidal e a governanta da casa, a maravilhosa Mercedes, também têm muito mais presença e seus pensamentos são evidentes, bem como suas histórias de vida. Cada um deles tem um pé na fantasia, no mundo mágico que está logo ali no final do labirinto.

Temos a história de Ofélia na Espanha franquista, a história da princesa Moana com mais detalhes do que no filme e os contos relacionados aos personagens que nos ajudam a compreender a jornada de cada um e do lugar onde a história acontece. O moinho e o labirinto também têm uma história contada. E entre cada capítulo, temos lindíssimas ilustrações do artista Allen Williams. Não é um livro, é praticamente uma obra de arte que presta uma justa homenagem ao filme, além de complementá-lo com partes do enredo que não tínhamos visto antes.

O livro em si é LINDO, em capa dura, com fitinha marca páginas e folhas amarelas. O trabalho gráfico interno é impecável e aliado aos detalhes das ilustrações, você passa muito tempo admirando as imagens antes de virar as páginas. A brochura é pintada de verde e nas contracapas temos um labirinto. A tradução ficou na mão de Bruna Beber e está ótima.

Os piores medos estão sempre abaixo de nós, escondidos, abalando as estruturas que fossem firmes e seguras.

Página 161


Ficção e realidade
Em momentos sombrios, muitos se refugiam nas artes. Por isso que governos totalitários e fascistas elegem as artes e a cultura como suas inimigas, sabendo do potencial que elas têm de inflamar as pessoas e levá-las a lutar. A fábula que acompanhamos no livro pode ser comparada com qualquer outro momento em que governos fascistas assumiram o poder. O fato de ser na Espanha de Franco foi excelente, inclusive para sair da dominância da produção norte-americana, mas também para mostrar como o fascismo se instala com facilidade se não estivermos atentas. A fábula de Ofélia serve como um lembrete de que a luta ainda é muito longa e que vidas ainda serão tiradas para derrotar um sistema facínora e excludente.


Guillermo Del Toro e Cornelia Funke

Guillermo del Toro é um premiado cineasta, roteirista e produtor mexicano, ganhador do Oscar de Melhor Filme por A Forma da Água. Cornelia Funke é premiada uma escritora alemã de literatura infanto-juvenil, conhecida pela série de livros Coração de Tinta.


Pontos positivos
Ofélia
O fauno
Bem escrito e ilustrado
Pontos negativos

Pode conter cenas perturbadoras
Violência

Título: O Labirinto do Fauno
Título original em inglês: Pan's Labyrinth: The Labyrinth of the Faun
Autores: Guillermo Del Toro e Cornelia Funke
Tradutora: Bruna Beber
Editora: Intrínseca
Ano: 2019
Páginas: 320
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Este foi o primeiro romance que Cornelia Funke escreveu em inglês (e a primeira obra da autora que li). Fã do filme, ela se sentiu nas nuvens quando foi convidada por Guillermo a dar vida aos personagens no livro. É uma obra obrigatória para os fãs do filme, fãs de fantasia e fãs de obras capazes de perfurar a realidade e nos levar para mundos mágicos. Cinco aliens para O Labirinto do Fauno e uma forte recomendação para você ler também!

MARAVILHOSO!

Até mais! ♡


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