E chegamos ao fim da trilogia The Devoured Worlds! Foi uma longa jornada entre planetas, naves e estações espaciais e muitos sentimentos envolvidos enquanto acompanhava a jornada de Tarquin Mercator e Naira Sharp. Este terceiro livro finaliza o enredo com muitos altos e baixos.
Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores!
O livro
Começamos a jornada com Naira e Tarquin alguns meses depois do final do segundo livro. Eles conseguiram chegar em Seventh Cradle, um planeta livre do líquen destruidor de planetas, o shroud. Estão tentando reerguer a espécie humana, tentando criar um novo mundo, livre da opressão, livre de canus, o fungo usado na biolixiviação da relkatita, mineral essencial para a sociedade governada pela MERIT. A MERIT é uma imensa associação com os maiores empresários do universo, que ditam a vida de seus funcionários como a nobreza fazia com os camponeses. Numa noite tranquila no novo planeta, um atentado quase acontece. E depois mais outro, desta vez matando pessoas do assentamento. Algo muito estranho está acontecendo ali.
O que é o luto se não um desejo por aquilo que se perdeu?
(tradução livre)
Depois que os dois primeiros livros criaram um vasto universo de política, IAs sencientes infectadas por fungos simbióticos conscientes e soldados capazes de trocar de corpo, o terceiro livro reduziu seu escopo a uma leitura arrastada de mais de 500 páginas, focada em dramas interpessoais e falhas de comunicação, tudo isso agravado por mecânicas de viagem no tempo duvidosas e tramas tecnológicas incompreensíveis. Demorei o dobro do tempo para terminar esse livro do que demorei para ler os dois primeiros. Eu me sentia sendo arrastada de um problema para outro, sem entender direito o que estava acontecendo, quais eram as consequências ou por que tudo aquilo ocorria. Mas o que eu não entendo é como a Naira acaba sempre sendo o ponto de ruptura de todo o universo.
Não consegui gostar de Tarquin ou de Naira neste livro, e olha que eu gostava muito dos dois. Fletcher, o antagonista principal, tornou-se meu personagem favorito deste livro. O apreço que passei a sentir por ele não se deveu a um arco de redenção incrível, que ele definitivamente não tem, mas sim ao fato de ser um dos poucos personagens que eu conseguia suportar. Sério, os protagonistas nem ao menos se parecem com aqueles que conheci no primeiro livro. Naira é uma mulher forte, decidida, mas que depois vira um tipo de Deus ex machina sem qualquer função além de ser foda. E Tarquin... bem, nada se resolve no final sobre a Mercator ou a situação de sua família. É como se Megan estivesse correndo contra o tempo para finalizar o manuscrito e achou melhor focar numa conclusão que restringia o enredo ao arco principal.
Aí eu ficava me pergutando: tá, e a mãe da Naira, que aparece tão de boa e depois não tem qualquer função no livro? O que aconteceu à irmã de Tarquin, Leka ou à própria Mercator? Como a MERIT se reorganizou com a presença de canus em tantos níveis da sociedade? E todos os outros seres humanos infectados por um fungo e que não tiveram qualquer escolha a respeito, o que houve com eles? Essas pessoas merecem ser salvas. E o tal movimento de resistência que foi tão atuante nos livros anteriores, cadê? O shroud vai continuar se multiplicando, infectando todo um ecossistema e ninguém pensou em estudar para tentar salvar os planetas habitáveis? Foram tantas as questões que ficaram de lado que terminei o livro bem irritada.
Em um determinado momento da leitura, descobrimos que a taxa de expansão do universo está acelerando, mas as explicações e as implicações a respeito foram insuficientes e me pareceram jogadas ali para causar uma pressão sobre personagens que já estão lidando com muita coisa. Também questão das mentes quebradas que não podem ser recuperadas, mas quando o são, voltam com outro comportamento, completamente diferente. Mas não Naira, nem sua mãe! Percebe o problema? Megan cobriu Naira com um manto de invencibilidade que torrou o saco neste livro. Já vinha acontecendo antes, mas aqui foi demais. Ninguém sobrevive à explosão de uma nave? Naira sobrevive. Ninguém sobrevive a uma mente quebrada? Naira sobrevive. Ninguém sobrevive ao ato de desertar da Mercator? Naira sobrevive. Sua capacidade incessante de burlar todas as regras a tornou uma personagem extremamente antipática e com a qual é impossível se identificar. E não ajuda o fato de o livro insistir, a todo momento, em dizer o quão especial ela é. Se ela é realmente tão incrível, suas ações deveriam falar por si sós, sem a necessidade de ela ser constantemente exaltada como uma lenda viva.
O final que os dois recebem não me pareceu uma vitória para nenhum dos dois; para Tarquin parece uma rendição à grandeza de tudo o que Naira representa. Apesar de ser o homem mais poderoso do universo, nada que Tarquin faça será suficiente para que ele a mereça. Senti-me exausta, cansada, de saco cheio dele ele. Já a Naira, não consigo imaginá-la se sentindo satisfeita em levar uma vida caseira e provinciana ao lado de Tarquin. Eu ficaria feliz se eles pegassem uma nave e sumissem universo à fora, virando uma lenda. Seria mais digno.
O destaque também vai para as capas lindíssimas, de Jaime Jones.
Obra e realidade
A incapacidade de muitas pessoas comuns de pagar as taxas de reimpressão é o que leva muitas delas a servir às famílias do MERIT. O conglomerado exige obediência e lealdade absolutas e, em troca, o pagamento de suas taxas de reimpressão costuma ser garantido, exceto em casos especiais. O livro não se aprofunda muito no funcionamento ou na origem dessas famílias, o que acredito que será tratado melhor nos dois livros seguintes, mas não é difícil perceber como a dinâmica empresarial predatória se mantém aqui e no mundo real. Ela não é muito diferente da Weyland-Yutani, da franquia Alien.
Megan E. O’Keefe é uma escritora norte-americana de ficção científica e fantasia, nascida em 1985. É conhecida sobretudo por suas space operas, como Velocity Weapon e a trilogia The Devoured Worlds, além do livro mais recente The Two Lies of Faven Sythe (2025).
PONTOS POSITIVOS
Fletcher
Space opera
PONTOS NEGATIVOS
Tarquin e Naira!
Começa devagar
Final apressado
Fletcher
Space opera
PONTOS NEGATIVOS
Tarquin e Naira!
Começa devagar
Final apressado
Avaliação do MS?
Foi uma leitura intensa, emotiva, perigosa e que poderia ter sido bem melhor do que foi. Com dois primeiros livros tão bons, fiquei chateada com esse terceiro, por ter parecido tudo tão fácil, tão corrido. Dois aliens apenas.
Até mais!
Já que você chegou aqui...

Comentários
Postar um comentário
ANTES DE COMENTAR:
Comentários anônimos, com Desconhecido ou Unknown no lugar do nome, em caixa alta, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.
O mesmo vale para comentários:
- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.
A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.