Livro vencedor do prêmio Goodreads e eleito melhor thriller do ano pelo New York Times, a obra de Liz Moore logo me chamou a atenção. Sou muito fã de thrillers de investigação, de desaparecimentos e romances policiais, então estava ansiosa para essa leitura. Com um grande elenco de personagens, ele vai e volta no tempo para contar a história de uma família rica e cheia de segredos.
O livro
Manhã cedo, agosto de 1975: uma monitora de um acampamento encontra uma das beliches do chalé vazia. Sua ocupante, Barbara Van Laar, desapareceu. Barbara não é uma garota de 13 anos qualquer: ela é filha da família dona do acampamento de verão, que emprega a maioria dos moradores da região. E esta não é a primeira vez que uma criança da família Van Laar desaparece. O irmão mais velho de Barbara, Bear Van Laar, também sumiu 14 anos atrás, e nunca mais foi encontrado. Nem mesmo os poderosos e endinheirados Van Laar escaparam do sofrimento e da dor.
Pessoas ricas (...) geralmente ficam mais furiosas quando sentem que estão prestes a ser responsabilizadas pelos próprios erros.
Moore vai e volta no tempo para mostrar as várias perspectivas desse enredo. Em um momento estamos em 1975, quando Barbara desaparece. Depois voltamos no tempo, para o momento em que seus pais se conheceram e se casaram. Depois voltamos a 1975, para em seguida voltar ao passado, mas dessa vez para o desaparecimento de seu irmão. Esse vai e vem de múltiplos personagens pode incomodar. No começo da leitura, foi meio desorientador, mas uma vez que a gente se acostuma, a leitura flui mais rápido.
Além dos temas de desaparecimento, o foco é também nas famílias envolvidas. Os Van Laar estão conectados àquelas terras desde muito antes da fundação do acampamento, nas montanhas Adirondack, no nordeste de Nova York. Como toda família rica, os Van Laar têm vários empregados, conhecem muita gente, já pisaram em muitos calos. Cada personagem importante para o desenrolar dos desaparecimentos será minuciosamente revelado nas páginas, da monitora do acampamento que tem um namorado rico e otário, até a investigadora que luta contra o machismo da corporação para provar que é uma boa policial.
O que começa de forma envolvente rapidamente se tornou cansativo para mim. Quanto mais a história avançava, mais desfocada eu ficava, querendo apenas que o capítulo acabasse logo. Há muitas perspectivas aqui, contei umas sete que de fato importavam e, sempre que algo estava prestes a acontecer, a narrativa mudava imediatamente para uma perspectiva diferente, o que acabava por quebrar o ritmo. E quando retornávamos à perspectiva original, a cena emocionante já havia acontecido fora de cena e era praticamente ignorada.
Mas não se trata apenas das perspectivas, que não me incomodam muito. É também a complexidade desnecessária do mistério, em grande parte devido à forma como foi escrito. Sempre que a polícia precisava falar com uma testemunha, essa pessoa inevitavelmente acabava desaparecendo. Então, tínhamos que perder tempo procurando por ela só para poder conversar e, quem sabe, descobrir alguma coisa. Além dos dois desaparecimentos que são centrais para esta história, contei pelo menos outros seis personagens que desapareceram em algum momento. Foi exaustivo demais.
Todo o desenvolvimento dos personagens também me pareceu prolixo demais. A construção de todos é a mesma. Seja quem for, todos têm a mesma voz, a mesma forma de falar, o mesmo jeito de pensar e agir. Num livro com tanta gente envolvida, a autora meio que passou por cima das individualidades e maneiras típicas de cada um, quando ela deveria ter investido nessas diferenças para torná-los mais interessantes. Quando cheguei ao final, já não me importava muito com nenhum deles.
O mistério em si sobre o desaparecimento de Bear Van Laar é muito bom e bem construído. Assim, não há uma grande reviravolta, aquele plot twist chocante e sangrento, mas muitos pequenos enigmas a serem resolvidos para revelar o panorama geral do que realmente aconteceu, tanto no presente do romance (1975) quanto anos antes, quando o menino desapareceu (1961). Você pode suspeitar de todos e ainda assim não desvendar toda a história. Nesse sentido, foi bem interessante a forma como a autora concluiu o livro. Mas a parte da Barbara Van Laar... Sério, não me agradou, nem me fisgou. Por mim, a garota podia permanecer perdida o resto da vida.
(...) na floresta, cada decisão é irreversível e, às vezes, catastrófica.
O livro carece de uma revisão mais detalhada. A tradução foi de Ulisses Teixeira e está muito boa.
Obra e realidade
Existe um significado oculto no livro que se perdeu com a tradução do título. No original, o livro se chama The God of the Woods. E ainda que não tenha exatamente algo sobrenatural acontecendo aqui, o tal deus da floresta é o deus grego Pã. Pã gostava de enganar as pessoas, confundi-las e desorientá-las até que perdessem o rumo e a sanidade. Entrar em pânico era tornar a floresta inimiga. Manter a calma era o melhor a se fazer.No livro de Moore, há vários exemplos de pessoas sendo enganadas, confusas e desorientadas, seja na floresta em si, seja em seus círculos sociais. Muitos personagens perdem o rumo, ficam à deriva, rodando sem sair do lugar, e boa parte do livro aborda a perda dessa bússola moral e de como as pessoas são capazes de fazer qualquer coisa, até mesmo se envolver no sumiço de uma criança.

Liz Moore é uma escritor e produtora norte-americana. Ela é professora de Inglês na Temploe University onde lciona Escrita Criativa.
PONTOS POSITIVOS
Bear Van Laar
Mistério
PONTOS NEGATIVOS
Barbara Van Laar
Excesso de personagens
Final
Bear Van Laar
Mistério
PONTOS NEGATIVOS
Barbara Van Laar
Excesso de personagens
Final
Avaliação do MS?
Foi uma leitura OK. Acredito que vai agradar à maioria das leitoras, mas pra mim não foi uma leitura sensacional. O mistério ao redor da vida e desaparecimento dos filhos dos Van Laar é interessante, mas o desenvolvimento deixa a desejar. Três aliens para o livro.
Até mais!
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